Mary & George

Mary & George: a sedução como poder no século XVII

Mary & George: a sedução como poder no século XVII

O que acontece quando o rei de Inglaterra vira o bobo da corte e é manipulado por uma família em ruína? «Mary & George» inspira-se numa bizarra história verídica para, com recurso ao humor, criar um drama histórico cativante. Julianne Moore lidera o elenco.

Mary Villiers (Julianne Moore) pode ter sido uma das figuras menos queridas e populares da sua época, mas a verdade é que a sua vertente estratega tem tanto de obsceno como de admirável. Isto porque, numa sociedade construída à imagem dos homens e do poder monárquico, Mary conseguiu ascender, enriquecer e manipular o rei James (Tony Curran), tornando a sua família a mais importante e influente do seu tempo. Para tal, usou o seu filho George (Nicholas Galitzine) sem qualquer pudor e não poupou chantagens, ameaças e jogos de poder.

Mary & George

«Mary & George», que estreou recentemente na SkyShowtime Portugal, retrata, com recurso ao humor e à intriga, a história da família Villiers. Mary Beaumont casou com George Villiers quando não tinha grandes posses monetárias e, após a morte do marido, corre o risco de voltar a viver uma vida humilde e sem recursos. Para escapar a tal destino só tem uma opção: casar outra vez. No entanto, a mulher quer mais e a oportunidade surge quando descobre os vícios e obsessões do rei James I, que envolvem, na sua maioria, jovens bonitos. A solução vem de França: o seu filho George.

À imagem de séries como «The Great», «Mary & George» conta a história da realeza e da corte através do absurdo, do estereótipo e do humor. Os líderes de outro tempo viram autênticos bobos da corte, facilmente manipuláveis e, como consequência, levam vivas de luxo – que também permitem a pessoas muito específicas –, enquanto o resto do povo passa por grandes dificuldades. A ascensão social não acontece pelo mérito, mas sim graças ao estatuto da família e à corrupção ou sedução de elementos do poder. Uma intensa teia de intriga e estratégia, centrada sobretudo na personagem de Julianne Moore.

Da mesma forma que Mary e George influenciam as preferências do rei, também os anteriores favoritos se sentem revoltados e tentam agir. Assim como os aliados que querem tirar poder ao rei ou a outros conselheiros, conspiram a favor da dupla. Tal contribui para um drama intenso e constante, onde não há heróis nem santos.

Ao mesmo tempo, a série da SkyShowtime também recria uma família problemática, instável e o desconforto da relação complicada entre Mary e George. Estará o filho disposto a cumprir todos os desígnios da mãe? Se sim, até quando? Figuras poderosas mas poupo populares no século XVII, os Villiers voltam a ser protagonistas e a contrariar um destino de aparente ruína. Esta é uma criação do britânico D.C. Moore.