Kill Chain: The Cyber War on America’s Elections

Kill Chain: The Cyber War on America’s Elections

Em ano de eleições nos Estados Unidos, o documentário da HBO analisa a possibilidade de um ataque cibernético nas eleições de 2016, vencidas por Donald Trump, e o perigo que isso representa para a democracia.

Cerca de uma semana depois do incrível documentário «After Truth: Disinformation and the Cost of Fake News» (2020), a HBO tem mais um projeto de investigação a “cair” no seu catálogo. Nesta quinta-feira, 26, passa a estar disponível «Kill Chain: The Cyber War on America’s Elections» (2020), um documentário dirigido por Simon Ardizzone, Russell Michaels e Sarah Teale, envolvidos em «Hacking Democracy» (2006), que também expunha as fragilidades do processo de voto nos Estados Unidos.

Ao contrário do que acontece para já em Portugal, nos EUA as votações recorrem a máquinas, cada vez mais avançadas, que simplificam a contagem dos votos. No entanto, nem tudo são “rosas”, pelo que esta metodologia levanta uma série de receios e, com base neste documentário e noutros trabalhos de investigação, possivelmente muitas falhas graves para a democracia. Esse perigo existe; e «Kill Chain: The Cyber War on America’s Elections» (2020) tenta perceber até que ponto isso já aconteceu – e pode acontecer em eleições futuras.

Há 14 anos, Harri Hursti foi capaz de hackear uma das máquinas usadas nas eleições dos EUA. Apesar disso, e de muitos outros informáticos terem feito o mesmo (nos casos referidos, para estudo ou investigação), muitos ainda veem estes instrumentos de voto como impenetráveis. O documentário vem completar o trabalho já desenvolvido por este conjunto de produtores e informáticos, que recorrem às novidades trazidas pelo caso de 2016. Ao que tudo indica, hackers (possivelmente russos) terão tido a capacidade de condicionar o processo de eleições norte-americanas, ainda que a situação nunca tenha ficado completamente esclarecida. Não necessariamente para modificar votos, mas para provocar o caos através de falhas no sistema.

O caso é amplamente debatido nos EUA, mas os resultados são escassos e, na prática, inexistentes. A tentativa de aplicar leis, que tornem as eleições mais seguras, tem saído furada e a luta não tem resultados práticos. Os avanços tecnológicos continuam a falhar e, com este documentário – e salvo uma ou outra “bicada” à turma republicana –, a equipa tenta alertar para o perigo democrático que isto representa. Com a prova de que qualquer máquina é manipulável, como podem os norte-americanos ter segurança e confiança nas suas votações?

Como é evidente, o timmig de lançamento não é inocente. Deverá ser em novembro de 2020 que Donald Trump tenta manter o seu lugar na Casa Branca e a desconfiança está colocada nos instrumentos a que os diversos Estados vão recorrer. É certo que, no meio do caos social e de saúde que vivemos, este tipo de problemáticas acabará por ficar em segundo plano, o que de certa forma castiga esta aposta consistente da HBO.

Ainda assim, agora que muitos passam mais tempo em casa, pode também ser uma oportunidade para explorar documentários que desmistificam questões tidas como banais e garantidas no nosso quotidiano. Que mais não seja para fomentar uma sociedade mais crítica e mais alerta.

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