Jungle Cruise - A Maldição nos Confins da Selva

JUNGLE CRUISE – A MALDIÇÃO NOS CONFINS DA SELVA

JUNGLE CRUISE – A MALDIÇÃO NOS CONFINS DA SELVA

Fazendo jus à atração da Disney que inspirou a história, «Jungle Cruise – A Maldição nos Confins da Selva» (2021) é aquilo a que podemos chamar uma fun ride [viagem divertida]. Sem revelar uma grande história e mesmo caindo teimosamente em vários clichés, o filme protagonizado por Dwayne Johnson e Emily Blunt, dois atores muito queridos pela generalidade do público – aquilo a que poderíamos chamar fan favourites –, oferece duas horas de boa disposição e uma panóplia de emoções.

Com uma ação mais cómica e um humor previsível, à imagem das ditas “piadas secas” que são caraterísticas de alguns guias turísticos dos parques da Disney, «Jungle Cruise – A Maldição nos Confins da Selva» (2021) é muito mais símbolo do que acontecimento. A longa-metragem capitaliza o que resultou na saga dos «Piratas das Caraíbas», aliada ao filme que motivou a atração Jungle Cruise – «The African Queen» (1951) –, e recorre, sem surpresas, a truques que já vimos no passado (e continuamos a ver amiúde).

Aproveitar a tal viagem de que falamos depende das expetativas com que partimos para a jornada. Se formos à espera de uma aventura criativa e diferente de todas as que já experienciámos, vai ser uma desilusão. Se, em sentido oposto, partirmos para o filme apenas porque gostamos de narrativas deste género, é bem possível que seja uma visualização divertida.

No que à história diz respeito, Lily Houghton (Emily Blunt) é uma mulher das Ciências, numa época em que os homens, que detêm o poder de decisão, não ligam particularmente a uma nem outra. Incapaz de convencer os académicos de Londres a apoiarem-na na sua investigação, segue para a Amazónia com o irmão MacGregor (Jack Whitehall) em busca de uma árvore antiga que, reza a lenda, tem poderes curativos verdadeiramente mágicos. Na sua missão, a exploradora conta com a ajuda do capitão Frank Wolff (Dwayne Johnson), um guia não muito popular que a tenta levar até à região de Lágrimas de Cristal.

O principal antagonista de Lily é o príncipe Joachim, uma personagem bem conseguida da parte de Jesse Plemons (no seu jeito estereotipado), que procura as mesma árvore para vencer a Guerra. No entanto, o lado sobrenatural da trama – ao estilo «Piratas das Caraíbas» – é também bastante intenso, atingindo o seu auge na figura de Aguirre (Edgar Ramírez), um conquistador de outros tempos que se viu amaldiçoado pela sua ganância.

Juntar Michael Green, o argumentista envolvido em projetos como «Logan» (2017) e as mais recentes incursões de Poirot, à dupla com tradição na comédia Glenn Ficarra e John Requa é uma opção curiosa, mas expectável. Afinal, este não é um filme para ser levado demasiado à sério, mas também quer criar universos além da camada de comédia. Algo que acaba por resultar, se não formos demasiado exigentes.

A interação entre Lily e Frank é o catalisador da ação, ainda que MacGregor tenha a capacidade de roubar a cena no seu jeito desajeitado. De humor fácil e argumento simples, «Jungle Cruise – A Maldição nos Confins da Selva» (2021) é um filme próprio da estação. Algo leve e despreocupado que funciona relativamente bem como entretenimento.

Título original: Jungle Cruise Realização: Jaume Collet-Serra Elenco: Dwayne Johnson, Emily Blunt, Edgar Ramírez, Jack Whitehall, Jesse Plemons, Paul Giamatti. Duração: 127 min. EUA, 2021