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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

Mortal Kombat ™ 11 - trailer do jogo

A Warner Bros. Interactive Entertainment e a NetherRealm Studios lançaram o novo Trailer de Mortal Kombat ™ 11, introduzindo uma narrativa original que continua a saga épica da franquia. Em Mortal Kombat ™ 11, a vitória de Raiden sobre Elder God, Shinnok, atraiu a ira de Kronika e perturbou seu equilíbrio desejado entre o bem e o mal. Para restaurar a estabilidade nos reinos, o Kronika tem apenas uma opção - voltar ao início e reiniciar a História.

Através do imersivo story mode, diferentes épocas da rica história de Mortal Kombat ™ colidem quando os jogadores assumem o papel de uma variedade de personagens do passado e do presente que devem unir forças para derrotar os exércitos de Outworld de Shao Khan e resolver a crise temporal em jogo.

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Hitman 2 - How to Hitman - #1

O HITMAN 2 é a sequela do videojogo internacionalmente aclamado, HITMAN. Com locais hiper-detalhados, completamente novos e ambientes vivos para explorar, o HITMAN 2 oferece aos jogadores a liberdade de planear o assassinato perfeito utilizando uma variedade de ferramentas, armas, disfarces e uma variedade de técnicas furtivas para desencadear a sua própria corrente de eventos.

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Battlefield V - novo trailer

No trailer “Battlefield V - A Devastação de Roterdão”, os fãs poderão descobrir uma versão nunca antes vista da II Guerra Mundial. O trailer mostra algumas das mecânicas de jogo neste novo mapa, que levará os jogadores a uma batalha intensa pelas ruas da cidade holandesa.

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God of War | Trailer "Flecha" | PS4

A complexa relação entre os dois protagonistas do novo God of War serve de mote para o extraordinário trailer cinemático “flecha” que, pela voz do ator Ricardo Carriço, antecipa os diversos desafios que Kratos e Atreus terão pela frente, nesta inesquecível aventura.

Cinco edições disponíveis em Portugal:

God of War chega a Portugal no próximo dia 20 de abril, e poderá ser adquirido na PlayStation®Store e pontos de venda habituais, e conta com cinco fantásticas edições, ligadas diretamente ao universo da mitologia nórdica e à narrativa do jogo:

Edição Standard, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 69,99 €): inclui versão em Blu-Ray.
Edição Digital Deluxe: disponível apenas em formato digital (PVP 69,99 €): inclui versão digital do jogo, para ser descarregada na PlayStation®Store, a banda desenhada digital da “Dark Horse”, o livro de arte digital da “Dark Horse”, o conjunto de armadura promessa da morte, o escudo guardião do exílio, um tema dinâmico de PS4™ e um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Day One, disponível em formato físico (PVP 69,99€) que inclui versão Blu-ray, um tema dinâmico de PS4™. e que, mediante reserva, incluirá um DLC com 2 escudos e um talismã da sorte eterna – Exclusivo Edição Day One, e um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Limitada, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 79,99 €): inclui versão Blu-Ray, com caixa metálica preta e prateada, com o símbolo dos irmãos Huldra, o livro de arte “Dark Horse” em formato físico, e três conteúdos digitais exclusivos: o set de armadura “Death’s Vow”, o escudo “Exile’s Guardian” e um tema dinâmico de PS4™. Quem efetuar a reserva desta edição receberá também um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Colecionador, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 149,99 €): inclui versão Blu-Ray com caixa metálica preta e prateada com o símbolo dos irmãos Huldra, todos os conteúdos digitais exclusivos incluídos na Edição Digital Deluxe, uma litografia exclusiva, um mapa de tecido Midgard, duas estátuas esculpidas dos irmãos Huldra e uma estátua espetacular de Kratos e Atreus de 23 cm desenhada pela Gentle Giant Ltd. Quem efetuar a reserva desta edição receberá também um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
O renascer de um semideus numa história cheia de mitos e magia

Desenvolvido pelo estúdio americano Santa Monica Studio (criadores de todos os títulos desta importante franquia), esta fantástica reinvenção de God of War, aproveita na perfeição a capacidade gráfica da PS4 e PS4 Pro, conseguindo reproduzir na perfeição os mais misteriosos bosques e as mais belas montanhas nórdicas. A narrativa do novo God of War centra-se na relação entre um protetor Kratos e o seu filho Ateus. Consciente do legado sombrio que poderá deixar ao seu filho, Kratos fará o possível para apagar os erros do passado em relação ao filho, enquanto enfrenta novos desafios, perigos, criaturas e deuses.

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Daniele Luchetti - «Io sono Tempesta»

Onde encaixar um realizador de múltiplos êxitos de público e crítica, como Daniele Luchetti (de «A Nossa Vida») no atual planisfério de expressões artísticas requintadas de Itália? Desde 1985 até hoje, rodou produções festejadas nos grandes festivais da Europa e fora deles, como «Domani accadrà» (1988) e «Francisco, o Papa do povo» (2015). Mas de que modo enquadramos a sua forma de expressar a realidade em relação a seus conterrâneos? Lar de Federico Fellini, De Sica, Lina Wertmüller, Rossellini, Antonioni, Visconti, Pasolini, Monicelli, Bertolucci e de mais uma tonelada de mestres, o cinema italiano foi uma pedra no sapato de Hollywood de 1945, quando a fogueira do neorrealismo se acendeu, até meados dos anos 1990, um período de especulações financeiras no mandato inicial de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro, em que a indústria audiovisual para o grande ecrã foi esmurrada, em prol da TV.

[texto originalmente publicado na Metropolis nº 67]

Por muito tempo, até há segunda metade dos anos 2000, só Nanni Moretti, Roberto Benigni, Pupi Avati, Gianni Amelio e Marco Bellocchio mantiveram a potência autoral da Itália em riste, mas sem a mesma mobilização popular vivida entre os anos 1960 e 80. De lá veio o spaghetti western (com Sergio Leone e Tonino Valerii), o Peplum (filmes de gladiadores romanos, como «Os últimos dias de Pompeia»), a comédia erótica (sofisticada como «Pato com Laranja» ou brejeiras como «A Liceal»), o giallo (terror com psicopatas e aparições, tipo «O Pássaro com Plumas de Cristal») e Trinitá (a série com Bud Spencer e Terence Hill). Mas todos esses filões ficaram para trás, enquanto as produções de Roma, de Turim, da Sicília e companhia perdiam a força, dando àquele país uma fama de decadência cinematográfica. Má fama, aliás. Mas esta se diluiu a partir de 2008: ali, uma nova geração de diretores ganhou projeção internacional aos olhos da crítica e ao gosto do público. Batizada informalmente de Risorgimento, essa onda autoral é movida pela narrativa nada convencional de realizadores que não se renderam à tradição como Alice Rohrwacher («Lazzaro Felice»), Emanuele Crialese («Terraferma»), Saverio Costanzo («A Solidão dos Números Primos»), Laura Bispuri «Figlia mia»), Luca Guadagnino («Eu sou o Amor»), Paolo Sorrentino (do oscarizado «A Grande Beleza»), Matteo Garrone («Gomorra») e Luchetti. Aliás, há uma comédia inédita para lançar este mês em Itália, «Momenti di trascurabile felicita», sobre um sujeito dado a excessos que precisa reinventar sua vida.

Aos 58 anos, Luchetti, nascido em Roma, ficou mais conhecido por entre nós por «O Meu Irmão é Filho Único» (2007). Atualmente, anda com pouco tempo para olhar para trás e avaliar o que fez de melhor, inclusive a sua longa-metragem mais recente, «Io sono Tempesta» («O Rei de Roma»), foi lançado no Brasil em março. Não é da natureza do cineasta – uma presença habitual em festivais de prestígio como Cannes, Locarno e San Sebastián – repensar o passado, sobretudo o do seu país nas telas. Apesar do seu respeito pela tradição neorrealista de Rosselini, De Sica & Lda e da verve política de Marco Bellocchio e Elio Petri, ele filma comédias (algumas delas cheias de dor e fúria, como «Anos felizes») para se libertar de referências e conceitos institucionalizados e procurar a sua própria voz autoral. Sucesso de público e crítica, a sua obra é focada em costumes e afetos refreados por arreios morais. É o que se vê, hoje no Brasil, na história do milionário Numa Tempesta (vivido por Marco Giallini). A sua história, agora em circuito carioca, arrebatou risos e elogios em Cannes, em maio de 2018. Ali, Luchetti estreou esta divertida sátira sobre avareza e cobiça, centrada no processo de redenção de Numa Tempesta após de ser obrigado a prestar serviço comunitário. Na entrevista que se segue, dada à revista Metropolis, Luchetti fala sobre os riscos de ser popular nas telas da Itália.

Luchetti O Rei de Roma

Os seus filmes não têm medo da palavra: fala-se muito neles e, da fala, vem o riso. Mas há uma “amarra” autoral que rebaixa a força estética da palavra. Como driblar tal preconceito?
Daniele Luchetti: A França serviu-me melhor para isso do que os mestres italianos. No início dos anos 1980, franceses como Éric Rohmer, Jacques Rivette e François Truffaut fizeram filmes que me marcaram muito, como «Paulina na praia», de 1983, no uso da palavra. Esses diretores mostraram-me que o real não vem, necessariamente, de uma mirada documental silenciosa para uma paisagem humana. Um bom diálogo pode revelar muito da realidade. É do trato com os atores que brota o real que me interessa estudar.

Qual é a Itália que o senhor retrata nos seus filmes?
É um país que precisa de reaprender a rir de si mesmo e recuperar a sua leveza.

«Io sono Tempesta» traz provocações políticas, traz um olhar sobre a mecânica financeira da economia italiana, mas aposta, com maior peso, na afetividade e no riso, ao narrar o rito de passagem de Numa Tempesta rumo à redenção. De que maneira essa comédia de costumes traduz as atuais inquietações morais da Itália, em meio a suas crises económicas recentes?
Muito se fala e se pensa em política na Itália, mas não é esse o caminho que eu sigo e sim o do humanismo, buscando um paralelo entre os afetos e as contradições sociais. Gosto de transgredir normas, entre elas a de uma obrigatoriedade autoral que se impõe por aqui, na Itália, e que leva os diretores, das mais variadas gerações, a evitar projetos que falem com o público de modo mais direto, frontal. Minha vocação é fazer filmes de entretenimento, mas sem abrir mão de conteúdo. Foi o que eu aprendi com o cinema americano dos anos 1970 de diretores como Robert Altman e Hal Ashby. Aquela década foi a última era de cinema para um público adulto nos Estados Unidos.

O senhor cita diretores autorais de Hollywood, mas vem de um país que fabricou génios a granel nas telas, como Fellini, Antonioni, Pasolini. Essa tradição italiana pesa? E quanto?
Cresci nos anos 1970, a época áurea do cinema político italiano, com Elio Petri, Francesco Rosi, Marco Bellocchio. Não é por acaso, que um dos meus primeiros filmes, «Il portaborse» (em português, «O homem da Pasta»), tinha uma carga política. Mas eu busquei um caminho distinto da tradição da minha pátria: troquei o neorrealismo pelo que chamo de “neoirrealismo”. É assim que eu batizo o meu esforço de abordar o mundo real sob um filtro de humor. «O Rei de Roma», por exemplo, trata da relação pai e filho com ironia.

Luchetti Em Momenti di trascurabile felicita

O senhor descreve sua estética comprovadamente popular, e respeitada em festivais, como sendo algo à margem. Por quê?
Houve um tempo em que a Itália investia em géneros: filmes de terror (o giallo), comédias eróticas, bangue-bangue (o spaghetti western) e filmes de gladiador (que são chamados de Peplum). Mas, a partir dos anos 1990, com uma série de retrações na nossa indústria, os cineastas perderam essa conexão com o grande público do passado e filmografias hegemónicas a tomaram conta do país. Isso fez com que as gerações de cineastas que vieram a partir de 1990 passassem a acreditar que o filme autoral, sem género, sem formato específico algum, fosse o único caminho. Isso deu lugar a muitos filmes de autor de má qualidade. E fez a ideia do filme de entretenimento parecer uma ousadia. Mas eu prefiro os corações livres do que ideologias, amarras criativas.

Falando em atores, ao lado de Marco Giallini, que interpreta Numa Tempesta, «Io sono Tempesta» traz o seu intérprete mais fiel, Elio Germano, premiado em Cannes por «La mostra vita» (2010), o filme mais elogiado que o senhor fez até hoje. O que Germano acrescentou?
Sou um diretor intuitivo, sem métodos, apoiado no humor. Germano me oferece a possibilidade de ampliar as dimensões dos afetos que eu busco representar, pois ele, em cena, é pura emoção.

O seu embate com a emoção, filme a filme, fez escola já em Itália. Há diretores mais jovens, como Laura Bispuri (de «Figlia mia») e Claudio Giovannesi (de «Os Meninos da Camorra») que parecem seguir essa trilha afetiva em que você milita. De que forma você encara essa inspiração que gera nos seus conterrâneos?
Tenho uma comédia inédita, chamada «Momenti di trascurabile felicità», para lançar a 14 de Março, e penso mais nisso do que em ser referência ou do que em utilizar os diretores de que gosto como parâmetro. Gosto muito de Ken Loach, por exemplo, por ficar encantado com o fato de ele construir uma dramaturgia viva, sem medo de ser palavroso, sem a necessidade de uma estetização da imagem. A fotografia é realista, simples, sem adereços. O apreço que tenho por ele ilumina-me, mas eu não tento reproduzir o seu caminho. É difícil criar uma imagem original no cinema contemporâneo. Mas isso não me obriga a reproduzir passo a passo os enquadramentos dos cineastas de que gosto. É a dramaturgia que me dá o caminho.

Laurence Fishburne - 20 anos de «Matrix»

A festa será intensa para os fãs de "Matrix" em 2019, na esteira dos 20 anos de um dos maiores marcos da história da ficção científica nas telas. Morpheus, um de seus mais icónicos personagens, já está pronto para celebrar: "A gente teve muito trabalho pois havia ali uma engenharia de filmagem que ninguém conhecia, um par de talentosos diretores ainda em início de carreira e uma equipa de pessoas que embarcou de cabeça naquela mistura de filosofia e cultura pop", diz Laurence Fishburne, o astro por trás do guru do messiânico Neo, na luta contra as máquinas.

É um ator que está na luta desde a década de 1970, quando apareceu em «Apocalypse Now», a cantar e rebolar ao som dos Rolling Stones. Um ator dono de uma voz inconfundível, que amplia o seu charme. "Coppola apresentou-me à arte, deu-me um norte", diz Fishburne.

Logo após ter sido nomeado ao Oscar pelo seu desempenho como Ike Turner em «What's Love Got to Do with It» (1993), Laurence Fishburne, hoje com 57 anos, foi protagonizar «Othello» (1995), com Irène Jacob e Kenneth Branagh: foi nessa época, de sucesso profissional, que ele declarou o seu desejo de filmar "O Alquimista", o fenómeno de vendas responsável pela fama mundial de Paulo Coelho. O escritor virou uma grife global nas livrarias mas o projeto não saiu do papel... ainda... conforme o ator declarou na bateria de entrevistas que deu no Festival de Marrakech. Ele veio ao Marrocos para uma projeção de gala de um sucesso comercial da Marvel, no qual é codjuvante de luxo: «Homem-Formiga e a Vespa», de Peyton Reed. Mas a popularidade dele por aqui (e no planeta fora) é enorme, não apenas por sua presença em séries de sucesso como "CSI" e "Hannibal", mas por estar imortalizado no imaginário cinéfilo como Morpheus, o guru do herói neo (Keanu Reeves) na franquia "Matrix". Em 2019, a primeira longa-metragem daquela série sci-fi completa 20 anos: à época da sua estreia, ela mudou todas as convenções do género. Na entrevista a seguir, Fishburne conta à revista Metrópolis parte da sua história nas telas, sobretudo as suas passagens ao lado de Keanu nesses clássicos da ficção científica. E fala dos seus atuais projetos, incluindo dirigir a saga do alquimista.

Num piscar de olhos, "Matrix" somou duas décadas no imaginário cinéfilo: a saga de Neo, papel de Keanu, e de Morpheus, o seu personagem, vai completar 20 anos em 2019. O que aquele filme representou para a cultura pop?
Laurence Fishburne: Ele mudou tudo... e num gesto simples: levou a filosofia para a ficção científica. É uma história antiga. É a história do messias que salva a Terra. Mas essa velha história veio envelopada em símbolos contemporâneos, signos pop, na tecnologia. Ao adquirir "O alquimista" tive a mesma sensação quando li o livro: algo ancestral contada de uma forma contemporânea e universal. Curiosamente, pensando em "Matrix", eu não sou um sujeito tecnológico: tenho um smartphone mas não vivo enfiado nele, não frequento as redes sociais. Prefiro conversar com as pessoas. Eu ainda ligo para as pessoas em vez de enviar mensagens.

Você falou com carinho de Keanu Reeves. Que tipo de ator é ele, hoje, já com 54 anos?
Laurence Fishburne: É uma bênção estar com Keanu não apenas por sermos amigos e por termos passado experiências muito loucas fazendo "Matrix", mas pelo fato de ele ser uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci. E ele tem um perfil diferente de tudo o que você já viu no cinema, o que lhe garantiu espaço nas telas durante todos estes anos. Isso e o facto de ele ser um ator que arrisca: ele cresce como intérprete porque faz escolhas desafiadoras. Às vezes ele acerta. Às vezes erra. Mas a arte é isso. Quando eu falava das loucuras de "Matrix"... veja... aquele olhar filosófico sobre a tradição sci-fi, cheia de efeitos especiais novos, era algo que ninguém conhecia no cinema. Era uma experiência. Tudo era novo, era risco. E estávamos ali, Keanu e eu, juntos.

Como ficou o projeto de filmar "O alquimista" quase 25 anos depois das primeiras notícias sobre seu interesse no livro de Paulo Coelho?
Laurence Fishburne: Eu ainda estou a correr atrás disso, porque há ali uma história que precisa de ser contada. Aliás, agora mais do que nunca, pois se trata de uma trama sobre jornadas espirituais, uma troca entre culturas distintas, na aprendizagem acerca das diferenças. Talvez por isso ele não tenha saído antes. Diante das lições que estão ali, 20 anos não significa muito. E eu continuei a trabalhar em coisas diferentes durante esse tempo, tendo até dirigido um filme («Once in the Life», de 2000).

matrixO que mais mudou na sua vida nesse tempo em que se dedica ao projeto e que novos filmes vem por aí?
Laurence Fishburne: O que mudou? Fiquei mais velho, ganhei uma barriga, ganhei mais senso de humor... Novos filmes? Há muita coisa, mas está a chegar um projeto muito divertido que é o terceiro filme da franquia "John Wick", em que eu contraceno de novo com meu amigo Keanu Reeves, depois de tudo o que fizemos em "Matrix". É uma franquia sobre um mundo muito louco, hiperviolento, que parece uma grande brincadeira de polícias e ladrões, daqueles que a gente fazia quando eramos crianças. E o Richard Linklater, um diretor que eu admiro muito pela leveza do seu olhar sobre a vida, criou um papel para mim no seu novo filme: «Onde Estás, Bernadette?». Fizemos «Derradeira Viagem» juntos, recentemente, e ele me chamou para essa nova empreitada de um jeito engraçado, dizendo: "Eu tenho uma cena em que você entra e escuta a Cate Blachett a falar, pode ser?". Como dizer não a Cate e a uma pessoa como ele?

Você errou ao ter recusado o convite de Quentin Tarantino para atuar em «Pulp Fiction» (1994), no papel que foi para Samuel L. Jackson?
Laurence Fishburne: Claro que não. E vou dizer o porquê. Se eu tivesse aceitado, não teria havido aquele desempenho extraordinário do Samuel, que celebrizou o seu nome e fez dele uma das maiores estrelas de todos os tempos no cinema. Eu tive outras boas chances depois. E pude admirar Samuel.

Você passou pelo Festival de Marrakech com um filme de super-heróis que faturou cerca de 625 milhões nas bilheterias: "Homem-Formiga e a Vespa". Ao mesmo tempo, você tem vaga cativa no universo DC Comics, como Perry White, o editor do Daily Planet. O que esse filão dos heróis mascarados representa hoje?
Laurence Fishburne: Eu não acho que a omnipresença do filão esteja a pertubar o cinema: toda as modas têm seu tempo de acalmia, terminando na hora certa. Ainda não chegou essa hora. E, como eu cresci lendo quadrinhos, tenho muito encanto com esses filmes. «Pantera Negra», por exemplo, foi um marco para a população negra do mundo. Negros como eu encontramos ali um sonho realizado: um príncipe de origem afro virou herói. É muito significativo. A experiência de ser Perry White é outra coisa, também prazerosa: eu tento fazer daquele personagem uma homenagem a um grande jornalista negro americano que, infelizmente, já se foi: Ed Bradley.

Tem um filme inédito com você no elenco que é um dos mais esperados desta temporada de fim de ano: «Correio de Droga», de Clint Eastwood. Como é trabalhar com ele... e cerca de 15 anos depois de vocês terem feito o cult «Mystic River»?
Laurence Fishburne: Estar num set sob a direção dele dá a um ator uma sensação de maturidade. O que ele faz é um cinema sincero, de extrema simplicidade, usando a mesma equipa, há anos. Uma equipa que o admira. Quando eu comecei no cinema, ainda adolescente, fiz «Apocalypse Now», um filme importantíssimo para a História, mas que teve imensos problemas para sair do papel. Francis Ford Coppola, que me ensinou muito, levou quase dois anos para concluir aquele filme. Dois anos de uma vida, de muitas vidas. O Clint é diferente: em 25 dias... 25... ele filmou tudo. São experiências diversas. Todas contam.

Entrevista publicada na Revista Metropolis nº66

Entre Sombras - entrevista Alice Guimarães e Mónica Santos

Depois de terem conquistado dois prémios no “Curtas” de 2015, com «Amélia e Duarte» rodado em technicolor, Alice Guimarães e Mónica Santos viraram-se agora para a estética do film Noir. «Entre Sombras» (2018) desenrola-se nos anos 1940 e tem como cenário a cidade do Porto envolta em mistério, um mundo onde os corações podem ser depositados em bancos e a protagonista se envolve numa aventura em busca de coração selvagem. Conversámos com as realizadoras já depois de receberem o prémio do público do “Curtas” de Vila do Conde deste ano: sobre a origem do filme, a estética, as técnicas de animação utilizadas entre outros assuntos.

O vosso filme é uma bonita surpresa. Falem-nos da génese deste filme: como e quando surgiu a ideia para realizar Entre Sombras?

Começou, entre outras coisas, com uma vontade de fugir do ambiente Technicolor da nossa última curta-metragem "Amélia & Duarte", o que nos levou para o universo do film noir. Queríamos dar outra perspectiva a este sub-género, que nos parecia bastante patriarcal, onde habitualmente a mulher, além de não ter voz, não conseguia sobreviver se tivesse poder ou era aglutinada pelo status quo.

A estética do Film Noir. Qual a razão para esta opção? E a cidade do Porto é o cenário ideal para esta estética?
“Entre sombras”, no que respeita a narrativa, é um filme de detectives em que alguém pede ajuda, quase uma contratação de um detective, para solucionar um crime/mistério.
A nível estético, interessou-nos trabalhar o contraste entre a luz e sombra que assumem um papel principal na ausência de cor tanto na técnica (como, por exemplo, os Homens-Sombra) como na estrutura narrativa (dia/noite/dia).
A cidade do Porto não é a ideal: não há muitos edifícios Art Déco e os que existem estão cercados de elementos modernos, o que para um filme de época, são tidos como ruído. Foi preciso uma adaptação dos espaços e um jogo de cintura da equipa e muito trabalho de pós-produção para que estes edifícios resultassem num todo coerente.

A escolha da técnica de animação “Stop Motion” com recurso à “pixilação”? Quais as razões que estiveram na base da utilização desta técnica? O processo criativo foi mais complexo do que esperavam?
A pixilação é uma técnica que permite usar o corpo e as expressões para demonstrar sentimentos, logo, pareceu-nos importante ter essa ligação humana. A união da pixilação com o stop-motion permite transmitir ideias mais abstratas de modo a construir uma narrativa mais surreal através de metáforas visuais.

“Somos todos Criminosos mas só alguns são apanhados”. O Amor é um crime?
Com o desenrolar do filme, amar, para esta personagem, acaba por ser um jogo de poder: alguém que quer roubar o coração de outrem. Não há reciprocidade amorosa na vida dela, ninguém troca a chave do seu coração. Este discurso também se coaduna com o ambiente daquela cidade, onde os corações são moeda de troca, fazendo parte de um mercado negro.
No entanto, no final, a protagonista não desistiu de procurar o Amor, mantém a chave do seu coração, disponível, no seu peito. Mas, a vida, na qual se incluí o amor, é um jogo de escolhas e para cada decepção amorosa há uma oportunidade de mudar de vida para sempre, lícita ou não.

Temos um homme fatale, a narrativa é contada pela protagonista e o final é um triunfo de afirmação da mulher. Há claramente um ponto de vista feminino neste filme. Concorda?
Sim. O que pretendíamos com este filme era usar as convenções do film noir e fazer um neo-noir em que o papel da mulher estivesse enaltecido e em que o seu final fosse esperançoso e não castrador de alguma forma.

O filme acaba de conquistar o prémio do público no “Curtas” deste ano. Qual a importância deste prémio?
É muito importante, porque é uma prova física que o filme comunica bem o que queremos dizer, que chega às pessoas e as toca de alguma forma.

Como foi trabalhar em conjunto, novamente, depois da bem-sucedida experiência anterior em “Amélia & Duarte”? Vocês já se conhecem há muito tempo?
Em ambos os projectos, o trabalho em conjunto permite-nos dividir tarefas e ter um controlo criativo maior sobre todos os aspectos do filme, mesmo antes de começar as filmagens, o que para um filme de animação é crucial.
Este projecto foi mais desafiante do que “Amélia & Duarte”, porque em termos de produção era mais complexo: trabalhamos com uma equipa muito maior, o universo do filme é bastante mais lato e em algumas cenas tínhamos de animar muitas personagens em simultâneo.
Conhecemo-nos desde a faculdade, e já tínhamos trabalhado nessa altura num projecto da Porto 2001.

*A Académie des Arts et Techniques du Cinéma anunciou, a 23 de Janeiro, os nomeados aos prémios César de 2019. A 44ª edição da cerimónia, que acontece no próximo dia 22 de fevereiro na Sala Pleyel (Paris), com transmissão direta no Canal+, contará com a presença de «Entre Sombras» na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação.

Entrevista publicada na Metropolis nº 62 (Setembro 2018)

Black Panther - Chadwick Boseman

Como era a sua ligação à Marvel, antes de trabalhar nos filmes?
Sou um fã. Tinha visto os filmes do "Homem de Ferro", os "Capitão América" e "Os Vingadores". Então, como fã, já conhecia algumas das personagens.
Não sou o tipo de pessoa que cresceu a colecionar livros de banda desenhada, mas sabia tudo da personagem de Black Panther de ler. E do desenho animado de Reginald Hudlin.

Como é que esta personagem o interessou?
É um super herói, não é apenas um rei. Também é muito inteligente. Há uma sensação de James Bond na personagem. Acho que a quantidade de responsabilidade que tem quer como super herói, como rei, é interessante.
Há muitos conflitos do mundo real que é possivel trazer para a personagem. Não se sente que se está apenas a interpretar um homem com um fato, mas uma personagem com conflitos e bem sucedida. Quando vamos fazer um super herói, queremos realmente atuar e tornar-nos num melhor ator. E acho que culturalmente falando, não há muitas oportunidades para se interpreter um super herói negro. Está a abrir-se novos caminhos e fazer parte disso é algo especial.

Como é fazer parte do UCM?
Bem, existe uma grande excitação com a oportunidade de se fazer um filme independente, baseado na forma como a personagem ficou no último filme. Sinto que foi um sucesso e que deixamos as pessoas com vontade de mais. Senti essa emoção de fora, de pessoas que viram o último filme e definitivamente sinto que há uma grande motivação na Marvel, do que podem fazer com isso.

Qual foi a sua reação ao argumento?
Fiquei feliz. Fiquei feliz por estar no caminho certo desde o início. Ryan [Coogler] foi muito cuidadoso de quando me deixaria lê-lo. Mas, senti-me confiante de que estava a ir na direção certa.

Os pontos de vista de cada personagem fazem sentido?
Sim, fazem. Não são apenas coisas explodindo e pessoas a voar, ou cenas de luta. Cada personagem é uma peça.

Em que fase encontramos Black Panther?
Em "Capitão América: Guerra Civil", sabemos que perdeu o pai. É um príncipe e está a aperceber-se do que isso significa. Em " Capitão América: Guerra Civil ", passa o filme a tentar vingar-se da morte do pai. Neste filme, vemos que está a lidar com a morte do pai e com a responsabilidade de se tornar no novo rei. E se é digno disso. Acho que ao recomeçarem no lugar onde deixaram a personagem, foi das melhores decisões, porque lhe dá algo por que lutar.

O que acha do processo de leitura em grupo?
Gosto do processo. Não apenas para este filme, mas mesmo em trabalhos anteriores, acho que é uma boa forma das pessoas entrarem no trabalho. Podemos fazer a leitura de grupo de forma muito objetiva ou apenas sob um ponto de vista forte. Temos a oportunidade de perceber como as pessoas querem trabalhar. Gosto deste processo, para perceber os outros atores.

O que achou do elenco?
Não fui surpreendido, porque conversamos sobre a maioria das pessoas que fariam o casting. Só esperava que conseguissem mesmo as pessoas sobre as quais conversamos. E conseguiram, o que diz muito sobre o filme em geral, sobre a Marvel Studios e o próprio argumento.

Existem diferenças no fato?
Sim. Há algumas melhorias no fato, devido à irmã de Black Panther, Shuri.

Qual o estilo de realização de Ryan Coogler?
Desde o momento em que aceitou o trabalho e em que tivemos as nossas primeiras conversas, que o seu processo foi muito aberto e colaborativo. Ele escuta e tomou decisões importantes, mesmo quando ainda estávamos nos estágios iniciais do processo.

Como foram as suas conversas iniciais com Ryan Coogler?
Tentamos construir algo sobre o que já existia. Neste filme, temos a oportunidade de sermos mais minuciosos do que no último, porque na outra história, Black Panther era uma personagem secundária. Neste, tem que mostrar muitos mais aspectos. Falamos sobre quais seriam esses aspectos e sobre os que queriamos mostrar.

Como foi o treino para o filme?
Correu muito bem. Obviamente que foi intenso e muito trabalhoso. Mas foi bom colaborar com essas pessoas sobre o estilo de movimento. Para mim, essa é uma das coisas mais divertidas. É como dançar. Queria garantir de que existia um movimento africano fidedigno, assim como artes marciais africanas para contar a história de Wakanda, também como um país militar. E eles foram completamente abertos a tudo isso. Às vezes, sentiamos que estávamos a treinar para uma luta real. Foi muito divertido.

Em que difere Black Panther dos outros heróis Marvel?
Uma coisa que para mim se destacou, mesmo na banda desenhada, é que é um estratega, um líder mundial. Essa é uma responsabilidade que normalmente os super heróis não têm. Para além disso, tem que cuidar de uma nação inteira, pensar no lugar da nação no globo e como afetam o resto do mundo. Acho que essa é a principal diferença entre Black Panther e os outros heróis.

O que espera que este filme ofereça?
Acho que se quer o fator "wow". Queremos que as pessoas saiam e digam "wow". Queremos isto por todos os diferentes motivos - as performances, o espetáculo, as cenas de luta, tudo isso.
Acho que parte do motivo para se fazer este filme, é que muda de perspectiva. As pessoas podem ver um super herói sob um ângulo, complexidade ou uma visão do mundo diferente. Acho que também queremos isso e que no final do dia fiquem maravilhados com tudo isso.

«Black Panther» está nomeado para 7 Oscars.

Entrevista publicada na Metropolis nº57