House of the Dragon

House of the Dragon: Os Dragões Regressam (Finalmente?)

House of the Dragon: Os Dragões Regressam (Finalmente?)

É aquela altura do ano outra vez. Mais de três anos depois do final de «A Guerra dos Tronos», que tanto dividiu a fandom, o universo de George R.R. Martin está de volta à HBO Max. «House of the Dragon» terá o seu primeiro episódio disponibilizado dentro de poucas horas. A Metropolis teve acesso a vários episódios do spin-off e diz-lhe o que esperar (sem spoilers).

Aqui estamos nós: 172 anos antes do nascimento de Daenerys Targaryen, uma das personagens mais populares de «A Guerra dos Tronos» e o rosto mais marcante da família Targaryen. «House of the Dragon» encontra esta família no poder, com alguns possíveis problemas na linha de sucessão, que servem de mote a uma história rodeada de misoginia, traições, morte e alianças. No Trono de Ferro, depressa encontramos Viserys Targaryen (Paddy Considine), um rei desejoso de um filho, ao mesmo tempo que tem nas sombras o seu irmão, Daemon Targaryen (Matt Smith), sedento de ser o seu herdeiro. Onde é que já encontrámos estes ingredientes para tudo acabar em tragédia? Pois…

House of the Dragon

A “nova Daenerys” é a princesa Rhaenyra (Milly Alcock e Emma D’Arcy), filha do rei, mas nas sombras de uma sociedade onde o poder é, logo à nascença, do sexo masculino. Desde jovem que Rhaenyra se recusa a aceitar com facilidade as normais sociais do seu tempo, o que, por diversas vezes, a coloca em rota de colisão com o pai e a autoridade. Num mundo dominado por homens, que tentam delinear estratégias que tantas vezes envolvem mulheres como moeda de troca, Rhaenyra é uma das personagens mais interessantes da nova trama inspirada em «A Guerra dos Tronos». Uma das poucas séries “resistentes”, depois de avanços e recuos recentes em prequelas e sequelas da série-mãe.

Embora comece a um ritmo relativamente lento, «House of the Dragon» mostra logo ao que vai. Conforme vai dispondo as peças do puzzle, antes de um avanço temporal que até leva à troca de alguns atores (não estranhem não encontrar de imediato alguns dos atores mais requisitados nas entrevistas promocionais), a prequela estabelece o estado de sítio que irá conduzir, inevitavelmente, a um choque brutal de forças. É certo que se as expetativas estiverem ao nível da série original, a desilusão é praticamente garantida, pelo que é preciso ter paciência para ver o que Ryan J. Condal, George R.R. Martin e Miguel Sapochnik, entre outros, têm para oferecer a uma audiência “mal habituada”.

As principais forças de «House of the Dragon» estão no seu elenco, embora seja estranho encontrar uma série de atores, como um ex-Doctor Who, com um cabelo loiro platinado. Além dos nomes já referidos, integram o cast Olivia Cooke, Steve Toussaint, Eve Best, Rhys Ifans e Graham McTavish, entre outros. Com um forte apoio na interpretação e no argumento, a série é competente nos momentos de ação e com a presença de dragões, ainda que o verdadeiro desafio só chegue na primeira grande batalha.

Sem desiludir mas também sem impressionar, a nova aposta da HBO Max vai ser um bom teste para o público, a fim de perceber de que forma o streaming pouco, ou não, recuperar o êxito estrondoso de «A Guerra dos Tronos». Os primeiros sinais são positivos, até porque parte da fandom se apresenta ainda “magoada” com a última temporada da série-mãe, pelo que uma estreia convincente é o primeiro passo para uma base sustentada para o que aí vem.