Dexter: New Blood

Dexter: New Blood – E Depois da Desilusão?

Dexter: New Blood – E Depois da Desilusão?

Quando o final de uma série é uma desilusão, é melhor deixá-lo quieto ou tentar reescrevê-lo? A mítica série protagonizada por Michael C. Hall tem regresso marcado para amanhã, 8, na HBO Portugal. «Dexter: New Blood» mantém o núcleo duro da série-mãe, mas testa novas roupagens.

Tonight is the night. Há uma sensação de familiaridade quando Dexter Morgan aka Jim Lindsay (Michael C. Hall) cede, pela primeira vez em 10 anos, aos seus impulsos mais sangrentos em «Dexter: New Blood». A viver na pacata localidade de Iron Lake, o serial killer mais adorado da TV consegue manter uma vida normal, longe do Dexter que todos acreditam ter morrido. Está numa relação amorosa com a chefe da polícia Angela (Julia Jones), trabalha numa loja de armas local e é conhecido por todos, como é próprio dos meios pequenos. Mas quando o filho, agora adolescente, Harrison (Jack Alcott) o encontra, a sua rotina minuciosa dá uma volta de 180.º.

Dexter: New Blood

O estilo é muito próximo daquele que conquistou audiências em «Dexter», mas, uma vez mais, o criador Clyde Phillips parece não ser capaz de repetir a fórmula de sucesso das primeiras quatro temporadas da série-mãe. O que não é necessariamente mau, apesar de tudo – é que «Dexter: New Blood» também não é tão má quanto as suas piores temporadas. É algo que fica no meio, e quem não sabe se não é lá que está a virtude.

De regresso, além de Dexter, está Debra (Jennifer Carpenter), ainda que em moldes bem diferentes dos habituais. Mas, numa realidade onde tudo é novidade para o espectador, há coisas que continuam iguais, nomeadamente no que diz respeito aos limites da paciência do protagonista. Pessoas mimadas e prepotentes, capazes de escapar à justiça dos comuns, raramente sobreviveram à lâmina de Dexter. E não seria agora que ia começar a ser diferente. Ainda assim, há novas temáticas adjacentes à central, como a questão das terras sagradas para os indígenas, ou o desaparecimento de raparigas de escalões sociais menos significantes.

No “caldo” que é «Dexter: New Blood» há um nome que se destaca: o ator Clancy Brown é Kurt Caldwell, um homem com a capacidade de mandar na sociedade em resposta às suas benesses pontuais. Um exemplo de uma sociedade cuja ligação é tão frágil que parece poder quebrar-se a qualquer momento, ou unir-se para eliminar os elementos “estranhos” à falsa união. Inesperadamente, Dexter é uma das figuras centrais, como o simpático e prestável Jim, que parece incapaz de matar uma mosca… Mas que estará a poucas semanas de enfrentar um dos maiores conflitos da sua vida. Só que, com o filho ao lado, até onde estará disposto a ir o homem que viu morrer as pessoas mais próximas por culpa própria?

Com um argumento bem oleado e um conjunto interessante de personagens, «Dexter: New Blood» corre atrás do prejuízo depois de a série original desiludir a generalidade dos fãs na season finale, com uma versão Dexter-lenhador que deixou muito a desejar. Noutra localidade, ainda que igualmente recôndita, Dexter navega agora no frio após largos anos a atacar no calor de Miami. Talvez por saudades ou expetativas baixas decorrentes das temporadas finais, a nova série é uma agradável surpresa que, não obstante, tem o desafio de atar bem no final o nó que lança nos primeiros episódios.

Dexter Morgan regressa já amanhã, segunda-feira, na HBO Portugal. A sequela tem um total de 10 episódios.

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