Outsiders - Ciclo de Cinema Independente Americano

Ciclo Outsiders – Cinema Independente Americano

Ciclo Outsiders – Cinema Independente Americano

O cinema São Jorge, em Lisboa, recebe já no dia 30 de novembro (até 8 de dezembro) a primeira edição do ciclo Outsiders – Cinema Independente Americano. Esta iniciativa da FLAD (FLAD – Fundação Lusoamericana para o Desenvolvimento), com coprodução do Cinema São Jorge, vai exibir 22 filmes – 14 longas-metragens e 8 curtas-metragens – produzidos nos EUA entre 2006 e 2020, e que na sua maioria envolvem produções de baixo custo, gravação em vídeo digital ou diálogos improvisados. Muitos deles premiados e nunca antes vistos no nosso país, esta seleção expõe o olhar diferenciado sobre a vida contemporânea dos jovens adultos americanos. A Metropolis colocou algumas questões a Carlos Nogueira, programador do ciclo, para ficarmos a conhecer um pouco melhor esta iniciativa, que será inaugurada com um filme de Lena Dunham, «Tiny Furniture» e que terá no encerramento o filme «The Rider», da oscarizada Chloe Zhao. O ciclo de cinema independente americano estará na Ilha Terceira, nos Açores, em março/abril de 2022.

Com tantos festivais já existentes, como surge esta ideia de criar um festival de cinema independente americano?
Não se trata de um festival. A noção de festival leva-nos a outra coisa, geralmente de maiores dimensões, com uma programação mais eclética e frequentemente com galardões. Neste caso, estamos a falar de uma pequena mostra ou ciclo (são 15 sessões), que procura complementar os circuitos de distribuição estabelecidos exibindo filmes que por alguma razão escaparam ao seu radar.

Nesse ciclo, serão mostrados 22 filmes, de 18 realizadores, com exibição inédita nas salas portuguesas. Como foi feita esta curadoria/programação?
Quando a FLAD me propôs elaborar um programa de cinema, ocorreu-me imediatamente reunir um certo número de títulos significativos destas duas primeiras décadas do séc. XXI que viessem preencher muitas das lacunas no conhecimento do público português: com exceção de alguns — poucos — nomes cujas carreiras têm sido acompanhadas pelos festivais de cinema portugueses e, mais timidamente, pela exibição comercial, o trabalho de divulgação do cinema independente americano mais recente em Portugal está, em grande parte, por fazer.

Na comunicação deste evento, dizem que existe espaço e necessidade de mostrar uma nova geração de cineastas independentes, cujos filmes são representativos da terceira vaga indie do cinema americano. Como podemos explicar ou referenciar esta “terceira vaga indie”?
Terceira vaga indie foi um rótulo confortável que achei para os distinguir da primeira geração Sundance (Jarmusch, Coen ou John Waters) ou da segunda, já do início dos anos 90 (Linklater ou Wes Anderson). A designação pouco importa: o facto é que nos primeiros anos do milénio se reúnem uma série de condições que permitem que uma geração de jovens realize os seus primeiros filmes, que os métodos de trabalho e as temáticas abordadas permitem encontrar traços comuns e que existem circuitos de distribuição dispostos a, numa escala modesta, divulgá-los.

Tiny Furniture
«Tiny Furniture»


Hoje em dia, Lisboa é uma capital europeia no top das escolhas dos novos nómadas digitais. Este novo tipo de público também começa a ser contemplado na seleção dos filmes e nas mensagens dos festivais?
Ainda é cedo para dizer se esses tais “novos nómadas” já constituem um “público”. Seja como for, foram contemplados na comunicação dado que uma série de materiais foram publicados em português e inglês

No vosso trabalho de seleção de filmes e de realizadores convidados, existem temáticas que sejam mais prementes, sobre questões que se impõem mais na atualidade? Ou, pelo contrário, existe uma grande diversidade de temas e géneros?
Embora os temas não tenham presidido à escolha, a posteriori acabámos por verificar que algumas preocupações atuais estão presentes em muitos dos filmes selecionados. Grande parte dos autores são jovens adultos que filmam o mundo à sua volta. Contudo, a forma como o fazem e o ponto de vista que adotam é muito diverso. Documentários partilham o cartaz com ficção tradicional, alguns realizadores recorrem a géneros do cinema clássico como o film noir ou o melodrama, e são abordados temas como a parentalidade do mesmo sexo ou as dores da descoberta do sexo na adolescência…

Nas vossas palavras, e em poucas linhas, porque é que as pessoas não podem perder esta primeira edição?
Porque é a primeira vez — e, muito provavelmente, a última — que há a oportunidade de ver este conjunto excecional de filmes em sala em Portugal.

Mais informações: www.flad.pt/outsiders

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