«Challengers» é um winner de Luca Guadagnino. A partir de um excelente argumento original de Justin Kuritzkes chega ao cinema uma espécie de «Eu Sou o Amor» (2009) do ténis, uma obra elegante e sexy do prodigioso realizador italiano que cruza o desporto e o amor em plena competição pelo afecto e o reencontro com uma identidade vencedora.

«Challengers» não é apenas sofisticado em toda a sua arquictetura visual, a sua narrativa também beneficia da estética do argumento de Justin Kuritzkes, é um casamento perfeito num filme que não ressaca dos constantes flashbacks. A utilização deste dispositivo é como uma manta de retalhos que se vai perfilando diante a audiência. É um escaldante triângulo amoroso que se desmultiplica em paixão, sexo, amizade e a força para singrar na vida.

Art (Mike Faist) é uma estrela no final de carreira que deseja vencer o único Grand Slam que lhe falta na carreira, o Open dos EUA para isso com a ajuda de Tashi (Zendaya) (a esposa, agente e treinadora), ele inicia a preparação em torneios de baixo ranking denominados de challengers. Num torneio em Nova Iorque Art cruza-se com o seu ex-melhor amigo Patrick (Josh O’Connor), um profissional sem sorte que é podre de rico mas prefere (sem necessidade) viver a vida de pobre…

Os personagens viajam na narrativa entre adolescentes enfatuados, passando pelas memórias da Universidade até à vida adulta onde tudo culmina (num torneio) sob a dinâmica de poder que Tashi exerce e sempre explanou na sua vida e exigindo o mesmo de Art e Patrick.

«Challengers» consegue ser cinema do mais alto nível ao apresentar um romance e a dinâmica afectiva entre adolescentes ao mesmo tempo a encruzilhada de um romance adulto na casa dos 30 num contraste entre o marasmo e a procura incessante pela paixão. A passagem desse trajecto emocional só foi possível graças a três performances magnetizantes e credíveis nos vários tempos de actores em personagens com muita garra. Estes actores têm tudo para ser o futuro do cinema, sendo que Zendaya não é apenas o futuro ela é o agora, é uma estrela global e um ícone para os adolescentes. Em «Challengers» Mike Faist (Riff de «West Side Story») e Josh O’Connor (o Príncipe Carlos de «The Crown») conseguem capturar toda a intensidade do ténis como também a amizade umbilical até ao ódio sendo este é um filme que vai mesmo ao encontro do amor e deixa-nos apaixonados a cada movimento.

Gostar de ténis não é um pré-requisito para ingressar no filme. Este desporto não é o centro da história mas assume o devido protagonismo. Em termos das sequências de ténis, nunca vimos este desporto a ser tão bem filmado, mérito para Guadagnino e o seu director de fotografia Sayombhu Mukdeeprom. É um bate-bolas alucinante, além de uma visão sedutora dos seus personagens – onde parece que os seus protagonistas flutuam no ar – o filme apresentou inúmeras técnicas e perspetivas tridimensionais do court, dos tenistas, da bola, até mesmo a lesão de Tashi faz-nos contorcer no nosso lugar.

A cereja em cima do bolo é uma banda sonora memorável e uma orquestração de dois pesos pesados: os oscarizados Trent Reznor e Atticus Ross. A cancão que encerra o filme e define a dinâmica da relação central desta obra, “Compress/Repress”, foi um tema original escrito por Reznor, Ross com letra de Guadagnino.

Título original: Challengers Realização: Luca Guadagnino Elenco: Zendaya, Mike Faist, Josh O’Connor Duração: 131 min. EUA, 2024

  • Premiado nos Globos de Ouro 2025 MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL

CHALLENGERS
3 de outubro| 21h30 TVCine Top

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