Em 1995, um menino chamado Andy viu um filme que o fez desejar ter um boneco igual ao herói… É mais ou menos isto que informa a legenda inicial de «Buzz Lightyear». Um aviso que serve para demarcar o espectador do universo «Toy Story» e trazê-lo para outra dimensão. Afinal, esta não é a história de Buzz, o brinquedo, mas sim a origin story da personagem que deu origem a esse brinquedo que todos conhecem. E ter em conta este “pormenor” é essencial para entrar na aventura com outro tipo de expectativas. O Buzz que vamos encontrar no novo filme da Pixar tem o mesmo sentido de missão do boneco, mas está muito longe do traço de humor que fez dele uma das figuras mais populares do coletivo de «Toy Story».

Com a informação registada, ingressamos na aventura do famoso ranger espacial apreciando todo o detalhe do seu modus operandi, mas compreendendo rapidamente que a elaboração técnica não corresponde à inspiração dos melhores filmes do estúdio. Angus MacLane, o realizador, que antes coassinara «À Procura de Dory» (2016) e, sozinho, concebera excelentes curtas-metragens, entre as quais «O Pequeno Buzz» (2011) e «Toy Story de Terror!» (2013), parece ter ficado preso à riqueza dos detalhes de ficção científica, sem considerar tão relevante o aspeto narrativo. A verdade é que «Buzz Lightyear» é suficientemente divertido, na mesma medida que uma animação de qualquer estúdio, mas deixa a desejar enquanto produto de um estúdio de excelência – que de resto se farta de o demonstrar em cada plano, com a qualidade do desenho digital a anos-luz dos primórdios da técnica.

O que acontece neste filme é que Buzz fica preso num planeta hostil, juntamente com a sua tripulação, e vai manter-se numa espécie de eterna missão espacial, vendo envelhecer e desaparecer a sua comandante e melhor amiga, conforme os anos passam sem que ele consiga garantir o regresso a casa. Dado importante: todos envelhecem, menos Buzz. As suas constantes missões “experimentais” representam 4 minutos da vida dele e 4 anos para quem fica à sua espera na estação espacial. Chega então o dia em que o herói acaba em “modo de ação” com a neta da velha amiga, e mais dois elementos desajeitados. Juntos devem enfrentar um robô vilanesco… Esta última fase do argumento não distingue «Buzz Lightyear» de metade das animações que se fazem nos dias de hoje. Porém, continua a ser nas personagens que a Pixar fixa o capital das suas animações, e aí não há como escapar à gracinha do gato robô que se torna o leal companheiro de Buzz. Claramente a piscar o olho a uma versão brinquedo.

Título original: Lightyear Realização: Angus MacLane Elenco: Chris Evans, Keke Palmer, Peter Sohn, Taika Waititi, James Brolin, Uzo Aduba, Bill Hader Duração: 100 min. EUA, 2022

https://www.youtube.com/watch?v=wHBBoUtJHhA
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