BRIGHT

BRIGHT

Normalmente, um bom cocktail tem pelo menos três elementos, bem doseados e pensados, para que nos possamos deleitar com o produto final. Ora, «Bright» é simplesmente uma mistura trapalhona de polícias e gangs de rua, com varinhas do Harry Potter e personagens que parecem saídas de «O Senhor dos Anéis».

Neste filme Will Smith é Ward, um polícia humano que tem de trabalhar contra a sua vontade com um colega “orc”, Nick Jakoby (Joel Edgerton). Esta parceria não é aceite pela sociedade ou pelos colegas, visto que todos olham com desconfiança para os “orcs”, seres que são sempre associados ao lado negro, à maldade. Ambos terão não só de lutar contra todos os preconceitos, como também proteger o mundo de uma arma perigosa, à boa maneira de um conto de fadas.

É sempre interessante um cruzamento entre o mundo real e o fantástico, pois o confronto instiga a nossa imaginação e compreensão do mundo que nos rodeia. No entanto, quer o realizador David Ayer («Suicide Squade», 2016), quer o argumentista, Max Landis («Mr. Right», 2015), falharam nesta missão. O resultado é uma pura amálgama sem muito sentido. Claro que há alguns fios condutores, porém as ligações são toscas, previsíveis e a história é marcada pela sensação de déjà-vu: parceiros improváveis que se toleram, o underdog que se torna herói, os gangs de rua de origem latina, os polícias corruptos, etc. É certo que todos os filmes possuem referências, influências, porém em «Bright» apenas as deixaram cair no copo de mistura e sacudiram um pouco, não as trabalharam ou moldaram. O que podia ser especial, tornou-se difícil de engolir. Nem a caracterização das personagens e cenários, nem mesmo a representação de Will Smith ou de Joel Edgerton podem salvar esta produção da Netflix, que tinha grandes expectativas para este filme.

Juntar polícias, poderes mágicos, elfos e “orcs” é possível, basta ver a série de televisão «Grimm», um exemplo de como em doses bem pensadas e com uma estrutura bem delineada podemos obter um bom cocktail.

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