Betty: O mundo feminino do skate a partir de Nova Iorque

Betty: O mundo feminino do skate a partir de Nova Iorque

Estreia amanhã, 2, na HBO Portugal uma série que tem como inspiração basilar o incrível filme indie «Skate Kitchen» (2018). A #METROPOLIS teve acesso antecipado à primeira temporada, que tem um novo episódio semanalmente ao sábado.

Há duas questões a que importa dar resposta antes de avançar com a review dos seis episódios que compõem a T1 de «Betty»: é preciso ver o filme primeiro?; a série é uma continuação da história de «Skate Kitchen» (2018)? Lembramos que este filme marcou a cerimónia de encerramento do festival Queer Lisboa em 2019.

Embora «Betty» aproveite as principais personagens do filme, tal não significa que a sua visualização seja obrigatória, ou essencial para perceber a história que nos vai ser contada – até porque as storylines não têm ligação direta entre si. A série desenvolve a narrativa a partir das personagens estreadas no filme, mas ignora a ação da longa e leva a que as envolvidas se conheçam pela primeira vez. Ainda assim, é recomendável ver o filme para perceber ao que vamos, bem como o passado das protagonistas femininas. Além disso, «Skate Ktichen» (2018) dá também várias pistas em relação ao que podemos esperar da nova estreia da HBO.

Betty

Crystal Moselle, que se estreou nas longas com «Skate Kitchen» (2018), volta a colocar-se atrás das câmaras para recontar a história de Kirt/Kurt (Nina Moran), Janay (Dede Lovelace), Camille (Rachelle Vinberg), Honeybear/Ruby (Kabrina Adams, Moonbear) e Indigo (Ajani Russell), entre outras personagens que regressam de passagem. A ela junta-se, na criação, Lesley Arfin, uma das responsáveis pela popular «Love» – então ao lado de Judd Apatow e Paul Rust. É muito o que permanece, ainda assim, de «Skate Kitchen» (2018), com destaque para a ausência de Jaden Smith e Elizabeth Rodriguez («Orange is the New Black»), dois dos intervenientes mais marcantes na jornada inicial do “gangue” feminino do skate. A saída de Elizabeth marca também a descida de Camille, a principal protagonista do filme, a uma categoria secundária e mais equilibrada em relação ao restante cast.

Mantendo a vibe indie e um estilo mais cru e natural de argumento e realização, o prolongamento da narrativa traz um maior desenvolvimento a cada personagem, nomeadamente Ruby (agora Honeybear) e Indigo. A série mantém o estilo da longa-metragem a vários níveis, mas intensifica a atenção dada a storylines de segunda linha, como o movimento “me too” – e o impacto na sociedade ao nível do tratamento dado a possíveis vítimas –, a marginalização das raparigas na prática de skate – a não ser que se comportem como “one of the guys” – e o preconceito perante o comportamento não estereotipado/adequado (ilustrado perto da perfeição no último episódio da T1).

Apesar da qualidade por detrás de «Betty», é de esperar que esta não seja uma série para toda a audiência. A generalidade dos temas abordados falam mais intensamente com a audiência feminina (ou outras pessoas habitualmente tidas como “outsiders”),, ainda que possa funcionar como uma nova perspetiva para o público masculino. No fundo, assim como acontece na trama, o propósito da série é unir um grupo onde cada um dos seus elementos se sente – ainda que de formas diferentes – marginalizado, para mostrar que ninguém está sozinho. Sem, para isso, ignorar os comportamentos de risco e outros lugares-comuns que marcam a adolescência.

[O que significa “betty”? Expressão do calão para referir um pessoa do sexo feminino, normalmente adolescente, que anda em skateparks e se veste como uma “skater”, mas não faz grande coisa além de ver e rir, ou agir de forma promíscua. O título é portanto, em si mesmo, uma ironia e aponta diretamente ao que critica.]

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