Anna e o Apocalipse

Anna e o Apocalipse

A receita revela-se uma autêntica overdose cinematográfica: o filme tem mortos-vivos, adolescentes em festividades escolares, muita música… e passa-se no Natal. O crítico Alex Billington, do FirstShowing, cunhou a descrição perfeita: «Shaun of the Dead» (2004) encontra «La La Land: Melodia de Amor» (2016). E o que nasce dessa reunião improvável é uma das histórias mais enérgicas e cativantes dos últimos tempos, provando que ainda é possível inovar em filmes de zombies.

Anna (Ella Hunt) quer ocupar o próximo ano a viajar pela Austrália, para desgosto do seu pai Tony (Mark Benton). Numa altura familiar conturbada, e sem particular interesse pelas atividades escolares, Anna vê a sua vida ainda mais complicada ao ser apanhada no meio de um Apocalipse! Na companhia do seu melhor amigo John (Malcolm Cumming), que presta uma justa homenagem a todas as personagens que já acabaram na ‘friendzone’, Steph (Sarah Swire) e Chris (Christopher Leveaux), o grupo vai compensando a sua falta de talento para vencer zombies com muita força de vontade.

Apesar disso, para quem se arriscar a ver «Anna and the Apocalypse» (2017) sem conhecer a sinopse, o início do filme não se afastará muito do estilo de um musical adolescente. Mas quando ‘corta’ de vez com a tranquilidade de Little Haven, a longa mergulha com toda a confiança na chacina e na violência própria deste subgénero de terror. Não descura, em todo o caso, da sua veia de comédia.

O facto de a história acontecer no Natal é mais um ingrediente irresistível de comédia, mas também de construção do espaço: os bonecos de neve, as árvores de Natal e a própria música contribuem para ambientar a narrativa, desafiando vários estereótipos da sétima arte. A forma como o procura, e o consegue, é bastante simples, fruto do brilhante argumento de Ryan McHenry e Alan McDonald e da realização arriscada e eficaz de John McPhail. Já as letras cantadas pelo elenco ficam facilmente no ouvido: “what a time to be alive, what a time to be alive”.

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