A VIDA INVISÍVEL

A VIDA INVISÍVEL

PERFUMES DA PALAVRA SAUDADE

Saudade, a palavra que qualifica um sentimento com cheiro de vazio, é um dos patrimónios da língua portuguesa que o cinema brasileiro adora visitar, sobretudo pelas mãos de um diretor como Karim Aïnouz, que, nas franjas das artes visuais, apropria-se da memória de tempos já pretéritos, por vezes imperfeitos, para construir sua Ilíada de um Brasil marginal, sem espaço na mesa de jantar. Foi assim em «Madame Satã» (2002), é assim em «A Vida Invisível». Tudo é (deve ser) superlativo quando o assunto foi o eleito do Brasil para lutar por uma vaga na disputa pelo Oscar de melhor filme internacional para o país: laureado com o Prix Un Certain Regard no Festival de Cannes, o melodrama arrebatador de Karim estreou no seu país em novembro e, agora, busca para si uma vaga em Lisboa. Nos EUA, ele estreou em 20 de dezembro. Com distribuição em solo norte-americano via a gigante Amazon, a sétima longa do realizador cearense, aclamado por «Madame Satã» (2002) foi conquistando prémios importantes nos principais festivais do mundo, na esteira de Cannes.

CAROL DUARTE, KARIM AÏNOUZ, JULIA STOCKLER

Projetado em Toronto no International Film Festival (TIFF) para uma plateia com importantes nomes do cinema mundial, como a atriz francesa Isabelle Huppert, esta love story entre irmãs teve longos minutos de aplausos no final da projeção e foi exibido, também, em sessão de gala no Zurich Film Festival, na Suíça, onde foi aplaudido em pé pela plateia. Além disso, já foi vendido para cerca de 30 países, incluindo Grécia; França; Polônia; China; Hungria; Eslovênia; Croácia; Luxemburgo; Bélgica; Holanda; Sérvia; Argélia; Egito; Irã; Israel;
Jordânia; Líbia; Marrocos; Emirados Árabes; Reino Unido; Itália; Coreia do Sul; Rússia; Cazaquistão; Ucrânia; Taiwan; Suíça; Espanha e Turquia.

Na sua passagem pelo passado Festival de Cannes, dias antes de Karim Aïnouz receber o prémio da seção Un Certain Regard das mãos da cineasta libanesa Nadine Labaki («Cafarnaum»), a revista METROPOLIS, com seu coração transbordando de encantamento, esquadrinhou o filme a partir de sua etnografia do querer.

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