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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

«The Little Drummer Girl» - crítica

Depois do enorme sucesso que foi «The Night Manager», o canal AMC volta a dar as mãos à BBC em mais uma superprodução televisiva com o título «The Little Drummer Girl», mais uma pérola da colheita de John Le Carré. A nova mini-série é baseada num romance homónimo, considerado uma das grandes obras do mestre de espionagem.
À semelhança de «The Night Manager», «The Little Drummer Girl» é uma série que tem a produção da Ink Factory, uma produtora que tem como principais responsáveis Simon e Stephen Cornwell, os filhos de John Le Carré. Com apenas alguns projectos desde a sua concepção, a produtora tem sido eficaz nas suas escolhas para cinema e televisão e especialmente nas adaptações das obras literárias do progenitor. Além dos títulos acima referidos a Ink Factory produziu «O Homem Mais Procurado», em 2014, realizado por Anton Corbijn e com Philip Seymour Hoffman num dos seus últimos filmes. Em 2018 vamos ver a estrela de «The Little Drummer Girl», Florence Pugh, na comédia com coração «Fighting with My Family», uma produção da Ink Factory baseada em factos verídicos, assinada por Stephen Merchant e que inclui um super elenco com nomes como Dwayne Johnson, Lena Headey, Vince Vaughn e Nick Frost. Após o sucesso de «The Little Drummer Girl», a série que deslumbrou o público britânico no final de 2018, a Ink Factory já está em pré-produção com a AMC, a BBC e a Paramount TV para mais uma adaptação de John Le Carré para a televisão, aguarda-se com expectativa «The Spy Who Came in From the Cold».
«The Little Drummer Girl» é integralmente realizada por Park Chan-wook. Para esta produção, o autor sul coreano teve à sua disposição actores fantásticos, uma história envolvente e meios técnicos para imprimir o seu cunho estilístico pautado pela violência e sensualidade – é quase como se estivéssemos a ver uma longa-metragem dividida em seis partes. É realmente “estranho” encontrarmos Park Chan-wook na direção desta mini-série, mas a escolha assenta-lhe que nem uma luva pela dimensão da história de espionagem a paredes meias com um romance e representações que abordam a vida como uma performance de palco onde a dissimulação e o “faz de conta” são ferramentas essenciais na luta pela vida e a morte. A câmara de Park Chan-wook é tão enigmática e incisiva quanto a história que decorre perante o nosso olhar atento.
Em «The Little Drummer Girl» temos os predicados de um dos maiores nomes deste género literário mas também um elenco estrelar composto por Florence Pugh, Alexander Skarsgård e Michael Shannon nos principais papéis, sendo que há personagens que foram fundidos no processo de adaptação por Claire Wilson e Michael Lesslie do livro para o ecrã.

The Little Drummer Girl Michael Shanno

A história desenrola-se entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980. Um atentado terrorista na Alemanha coloca no terreno a Mossad (os serviços secretos israelitas) que tem como principal objectivo capturar um operativo palestiniano da OLP responsável por vários ataques mortíferos em Israel e na Europa. Para este efeito utilizam uma táctica invulgar, no centro da cilada está uma jovem actriz britânica que é colocada perante um dilema mortal mas não hesita embarcar numa trama alucinante. Florence Pugh, que escancarou as portas do sucesso com a sua performance magnetizante em «Lady Macbeth», interpreta nesta mini-série o papel de Charlie. Sendo incomum termos uma figura feminina desta dimensão nas obras de John Le Carré, a actriz britânica mostra ter sangue na guelra e veste da cabeça aos pés o papel em mais uma representação assombrosa que, do ponto de vista dramático, dispara em vários sentidos arrastando-nos sempre com ela numa constante flutuação de emoções. Michael Shannon, no papel de Martin Kurtz, o agente da Mossad, é uma figura meticulosa e o principal “encenador” da cilada ao terrorista da OLP. Alexander Skarsgård fecha a linha da frente em mais uma representação segura e sem falhas. Nos papéis secundários ainda encontramos boas interpretações em personagens com carisma que são facilitadores na ponte entre o ecrã e a audiência, casos de Michael Moshonov, Clare Holman ou Amir Khoury.

Os temas confundem-se com a nossa actualidade e, nesse sentido, parecem quase imutáveis mas, de forma subtil e sucinta, a dupla de argumentistas, Claire Wilson e Michael Lesslie, explanam os pontos de vista enquadrando-os na longa história do conflito israelo-palestiniano. O espectador rapidamente se apaixona pelo enredo e o visual de pura sedução. «The Little Drummer Girl» mescla o drama de época, o clima político, o sentido de dever e uma paixão fervorosa.

[artigo publicado na revista Metropolis nº67]

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«After Life» com Ricky Gervais

«After Life» é um one-man show. Ricky Gervais não se limita a escrever, realizar e protagonizar. A sua nova série é um manifesto pessoal, uma espécie de versão ficcionada da sua conta de Twitter (ou Instagram, ou qualquer outra rede social). Ou seja, até os menos atentos facilmente reconhecerão o quão transversais são as ideias, as convicções e as piadas entre Ricky, o autor, e Tony, o personagem. O ateísmo, o amor pelos animais (em oposição ao desprezo pelas pessoas), a ironia e o sarcasmo, enfim, o Ricky Gervais que conhecemos.

[artigo originalmente publicado na Metropolis nº 67]

AFTER LIFE EP06

A premissa do homem que perde a sua mulher, vítima de cancro, e embarca numa jornada depressiva serve o seu propósito abrindo caminho para Tony dizer e fazer tudo o que lhe vem à cabeça. Afinal de contas, se alguma dia achar que foi longe demais, pode sempre pôr fim à vida. O suicídio é o seu super-poder. E por isso, em seis episódios, Tony não se coíbe de ir atropelando tudo e todos de forma mais ou menos chocante. E hilariante. Pelo menos até este começar a recuperar uma certa consciência e tolerância para com o mundo.

«After Life» fica muito aquém da genialidade de «Extras» e de «The Office», mas ainda assim é uma boa série. Tem cabeça, alma e coração. O problema é deixar-se levar demasiado pelo coração quando chega a hora de completar o arco narrativo da sua história. À medida que os episódios passam e o desfecho se aproxima a comédia amarga vai sendo progressivamente substituída pelo drama adocicado. Mais do que seria desejável. Um equilíbrio mais agridoce teria feito de «After Life» uma grande série. Ainda assim, é uma série a não perder.marco oliveira

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Defesa à Medida T8 - Parte 2

A oitava temporada da série foi um ponto de viragem na história, com a saída do emblemático par Meghan Markle e Patrick J Adams e a entrada de Katherine Heigl, a ambiciosa advogada Samantha Wheler. Agora, a grande questão é: quem será nomeado novo partner da firma? Esta decisão vai causar uma guerra aberta no gabinete, com Samantha e Alex Williams (Dulé Hill) a defenderem com unhas e dentes o seu nome na assinatura da empresa, e terá sérias repercussões em todas as personagens, principalmente nas que perderem a batalha. Paralelamente, Louis Litt (Rick Hoffman) e as suas inseguranças vão também ocupar um papel central na dinâmica do escritório. Entretanto, os fãs de Donna e Harvey, carinhosamente conhecidos como Darvey, vão poder alimentar a esperança de os ver finalmente juntos, após quase 10 anos de uma química latente. As expectativas são muitas e o que está garantido, desde já, é que Defesa à Medida T8 vai continuar a seguir as infindáveis batalhas legais no escritório de advogados mais bem vestido de Nova Iorque.

Defesa à Media T8 – Parte 2, um regresso a não perder, às sextas feiras, a partir de 1 de fevereiro, em exclusivo no TVSéries.

Fonte: TVSéries

«ELITE» - início das gravações T2

A Netflix anunciou através de um vídeo que começaram as gravações da segunda temporada da série ELITE e revela também novos membros do elenco.

Nesta temporada, novos rostos como Jorge Lopez (Soy Luna, Violeta), Georgina Amorós (Bienvenidos a la familia, Vis a Vis) e Claudia Salas (La Peste) juntam-se ao elenco. Adicionalmente Silvia Quer (Bajo sospecha, Velvet, Febrer) irá co-produzir a segunda temporada juntamente com Ramón Salazar (La enfermedad del domingo, Tres metros sobre el cielo) e Dani de la Orden (El Mejor Verano de mi Vida, El pregón) que foram já os produtores da primeira temporada.

Miguel Herrán (La Casa de Papel, Tiempo después), Jaime Lorente (La Casa de Papel, La sombra de la ley), Itzán Escamilla (Las chicas del cable, El Ministerio del tiempo), Miguel Bernardeau (Ola de Crímenes), Arón Piper (15 años y un dia), Ester Expósito (Cuando los ángeles duermen), Mina El Hammani (El Príncipe), Álvaro Rico (Velvet Collection), Omar Ayuso (que se estreou em ÉLITE) e Danna Paola (Atrévete a Soñar) continurão a fazer parte do elenco, tal como aconteceu na temporada anterior.

Brooklyn Nine-Nine - estreia 6ª temporada

Com todo o elenco que já conhecemos chamado ao serviço, os fãs vão finalmente poder descansar e descobrir o que vai acontecer às suas personagens favoritas, depois do final surpreendente da temporada 5. O final da última temporada foi marcado pelo casamento de Amy e Jake, que acabou por acontecer após uma ameaça de bomba. Esta temporada continua a acompanhar as artimanhas mais hilariantes desta esquadra em nome da justiça, e fica marcada pelo regresso triunfante de Jake Peralta de uma missão secreta com o FBI. Entretanto, o comandante Wuntch (Kyra Sedgwick), rival e inimigo de longa data do Capitão Holt, agora numa posição superior, desce inesperadamente ao departamento de Brooklyn Nine-Nine para avaliar o trabalho dos detetives. O seu objetivo: destruir Holt e toda a sua equipa. Holt vê-se ainda ameaçado por ter impedido um assalto, enquanto espera saber se vai ou não ser promovido. Ainda na quinta temporada, Rosa assumiu-se perante os pais e eles não ficaram particularmente satisfeitos. É expectável que essa relação seja agora explorada mais a fundo. Outra novidade é que Gina regressará para alguns episódios, mas como convidada, e terá uma saída épica. Também o movimento #MeToo será abordado, sempre com o mood da esquadra mais animada de sempre.

A nova temporada vai ainda contar com a presença de grandes estrelas convidadas, nomeadamente Eva Longoria, Patton Oswalt, Ed Helms, Craig Robinson, Nick Kroll, Nick Cannon, entre muitos outros.

Brooklyn Nine-Nine T6, um regresso que promete muitas gargalhadas e novidades, para descobrir a partir de dia 17 de janeiro, quinta-feira, às 21h30, em exclusivo no TVSéries.

Fonte: TVSéries

Mr. Mercedes: a triste alegoria do nosso tempo

A série inspirada pelo primeiro livro da trilogia de Bill Hodges – aqui interpretado por Brendan Gleeson –, de Stephen King, é a grande estrela do novo serviço AXN Now, apenas disponível, atualmente, para clientes MEO (serviço gratuito até 1 de janeiro).

O arranque de «Mr. Mercedes» é um sinal claro dos nossos tempos: a trágica sina de um grupo de cidadãos comuns é marcada sem o mínimo glamour ou euforia. A ação tem início, nada mais nada menos, do que numa “Feira do Emprego”, que conta já com uma fila notável em plena madrugada. Quem diria que Stephen King iria começar uma das suas histórias com algo nas linhas de “certa madrugada, um desconhecido num Mercedes acelerou contra a multidão, que guardava lugar para a Feira do Emprego do dia seguinte, e matou indiscriminadamente”. Embora a trama seja situada em 2009, e se trate de um livro publicado originalmente em 2014, a sua envolvência é atual e uma amostra evidente de que estamos longe de deixar os tempos difíceis.

Stephen King já antecipara a incursão no universo cru e cruel dos detetives, algo que aconteceu com a trilogia protagonizada por Bill Hodges, uma ‘raposa velha’ da polícia que é desafiada por um assassino sádico, desconhecido e, pior do que tudo, imprevisível. A adaptação para TV tem a assinatura de David E. Kelley, o criador de séries como «Big Little Lies», «Goliath» e «The Crazy Ones». Já Jack Bender, velho conhecido de «A Vingadora» e «Perdidos», volta a tornar real o imaginário de King – como acontecera em «Under the Dome» –, sendo produtor e também o principal realizador.

Fã confesso de «Perdidos» [«Lost» no seu título original], Stephen King acabou por conhecer Bender e, vários anos depois, os dois mantinham uma relação mais próxima. “Aquilo que realmente me atraiu para o projeto não foi apenas o Stephen King estar a escrever sobre detetives, algo que nunca tinha feito, mas o facto de ser uma história sobre o monstro dentro de nós em oposição ao monstro fora de nós, o que é frequente naquilo que ele escreve”, frisa Bender, em materiais cedidos à METROPOLIS. Em jeito de brincadeira, o produtor-realizador disse ao autor que seria Brendan Gleeson a dar vida a Hodges – e a verdade é que foi mesmo.

Pode ler o artigo completo na Metropolis número 65

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God Friended Me

A ‘receita’ parece estranha, mas pode revelar-se surpreendente. Esta série reúne o protagonista de «The Mayor», cancelada ao fim de uma temporada, uma atriz que tem feito passagens consistentes por séries como «The Resident» e «The Flash» e nada mais, nada menos do que o Pi de «A Vida de Pi» (2012). Com a proposta de uma viagem espiritual adaptada aos dias de hoje, a aposta do CBS baseia-se, tal como o nome indica, na história de alguém que recebe um convite de amizade de Deus no Facebook.

De: Steven Lilien, Bryan Wynbrandt
Com: Brandon Micheal Hall, Violett Beane, Suraj Sharma

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Jerry O´Connell - «Carter»

Disse “Conta Comigo” em 1986 e nunca mais largou a representação. Evoluiu e conquistou o seu espaço na TV com «Sliders - Heróis por Acaso» e «A Patologista», e regressou em força este ano com o papel principal de «Carter», que estreou em setembro no AXN, e uma passagem por «A Teoria do Big Bang». Em conversa exclusiva com a METROPOLIS, falou da série canadiana, da sua carreira... e até de uma ex-namorada portuguesa! 

O que o atrai nas comédias, e especialmente em «Carter»?
Bem, eu fiz uma série policial durante seis anos, «A Patologista», e quando li o argumento de «Carter»... A série brinca com todos os policiais, mesmo sendo uma série do mesmo género. Então, eu interpreto um tipo que é um ator numa série policial e, tendo que conta isso, ele acha que pode resolver crimes reais, e isso faz-me rir bastante. É como se tivéssemos pegado na fórmula de «Castle», na fórmula de «Psych - Agentes Especiais», na fórmula d’«O Mentalista» e a tornássemos ainda mais ‘louca’. Porque é um detetive da televisão, pelo que se aproxima de todas as séries que costumamos ver – e há ali uma fórmula, ele usa essa fórmula para o ajudar a resolver crimes, é hilariante! Se fores fã de mistério, é uma série muito divertida.

A tua personagem assenta, por assim dizer, num estereótipo. Onde foste buscar inspiração para interpretar o Carter?
Para dizer a verdade, não tive de fazer qualquer pesquisa, sabes, porque estamos a falar de um homem que é um ator numa série policial da TV... Só tive de olhar para o espelho. É muito divertido também porque o Carter é bem mais vaidoso do que eu, preocupa-se muito com o seu cabelo, com o seu aspecto, como está fisicamente, e é engraçado. Na vida real não sou assim tão vaidoso, mas percebo-o. Às vezes olho para fotografias minhas e pareço super velho, e gostaria que alguém tivesse usado um ‘filtro’ naquela foto. Então, percebo a sua vaidade e torna-se muito divertido interpretá-lo.

Trabalhar em «Carter» é tão divertido quanto parece?
Sim, passamos realmente um bom bocado, é muito divertido. Acho que essa é a chave para um bom programa de TV, acredito que temos de nos divertir uns com os outros e que as pessoas conseguem ver isso. Sou um grande fã de «Seinfeld» e apercebes-te de que o Jerry Seinfeld está quase a partir-se a rir em todas as cenas. E penso que era por isso que as pessoas estavam sempre em êxtase no seu lugar a assistir. Temos um pouco a mesma ‘vibe’ na nossa série.

Quais são as tuas expetativas relativamente a uma segunda temporada?
Acho que vai acontecer, acredito nisso e espero que se confirme.

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Qual acreditas que vai ser o rumo da série, em termos de história?
Não sei. Acredito que vai haver mais temas relacionados com o facto de ser um ator, acho que temos realmente de envolver-nos nisso. Dos zunzuns que tenho ouvido de uma eventual segunda temporada, vai ter mais a ver comigo a interpretar outras personagens e a tentar usar o meu talento para a representação para resolver crimes. Acho que vamos seguir por aí. Tivemos uma storyline maior para abordar, o facto de que a minha mãe desapareceu quando éramos crianças... Agora que tirámos o drama do caminho, é tempo de nos divertirmos um pouco.

«Carter» não é simplesmente uma comédia. Trata-se de um programa inteligente e híbrido, com personagens muito complexas. Concordas?
Sim... Não será tão louco como «A Guerra dos Tronos», não vamos ter um “Red Wedding” [episódio emblemático da série, com várias fatalidades]. Mas os nossos argumentistas são muito criativos, porque somos uma série policial, uma série de mistério: há um homicídio, vemos um corpo, conhecemos os suspeitos e descobrimos quem foi o responsável. É essa a nossa fórmula, mas durante todo o episódio estamos a ‘gozar’ com todas as séries policiais que já vimos. É realmente divertido para nós.

Alguma vez sentiste a necessidade, assim como o «Carter», de regressares às tuas origens? Começaste a tua carreira muito cedo...
Sim, de certa forma. Em todo o caso, estive no «Conta Comigo» (1986) quando era um miúdo, mas a minha principal experiência é em séries televisivas de uma hora por episódio. Fiz «Sliders - Heróis por Acaso» durante muitos anos, fiz «A Patologista» durante vários anos, e sinto-me mais confortável assim. É a minha zona de conforto, sem dúvida.

«Sliders - Heróis por Acaso», aproveitando o facto de teres mencionado a série, era sobre universos paralelos. Seguindo esta ideia, que escolha profissional fizeste e que foi tão importante que mudou a tua carreira para sempre?
Bem, acho que entrar naquele filme «Conta Comigo» (1986), quando era muito novo, foi algo muito importante. Ninguém estava à espera disso. Devo confessar-te que o meu pai me disse, quando fiz o filme, que nunca ia ser lançado. Então ainda estou bastante chocado por ter entrado no filme. Ontem estava a trabalhar em algo e o realizador só queria falar do «Conta Comigo» (1986), é maravilhoso quando fazes parte de um clássico, ainda não consigo acreditar nisso, não consigo acreditar que as pessoas ainda falam do filme hoje. Então diria que foi realmente o «Conta Comigo» (1986) que mudou tudo definitivamente.

Tinhas 12 anos nessa altura. Como é que te conseguiste manter tão ativo como ator durante tantos anos?
Não sei, não sei realmente. Fui para a universidade, frequentei a Universidade de Nova Iorque, frequentei o secundário depois do «Conta Comigo» (1986)... Acho que a educação, especialmente para os meus pais, foi sempre o principal objetivo e depois a representação surgia em segundo. É importante ter um bom suporte à nossa volta.

Falemos de «A Teoria do Big Bang», onde interpretaste o irmão do Sheldon (Jim Parsons). És o primeiro ator a interpretar uma personagem só depois de ela aparecer em «Young Sheldon». O trabalho do Montana Jordan influenciou-te de alguma maneira?
Sim, claro que sim. Eu copiei-o, assisti a todos os episódios de «Young Sheldon». Sabes, o que é engraçado é que as minhas filhas não conhecem «A Teoria do Big Bang», apenas o «Young Sheldon», pelo que eu estava a acompanhar o trabalho do Montana e ele é espectacular, todo o elenco da série é muito bom. Estava familiarizado com o trabalho dele e copiei os seus maneirismos e tudo. Era esse o meu trabalho, estava lá para fazer a rendição de um Montana Jordan mais velho, nem sequer um Georgie, aquela personagem em específico mais velha, e diverti-me muito a fazer isso. Ele é um miúdo espectacular, a família dele também, é um ator brilhante.

Muitas séries canceladas estão a regressar, como «Will & Grace» e «Murphy Brown». Trabalhaste em muitas séries ao longo dos anos: qual gostavas de ver recuperada para uma nova temporada?
Acho que «Sliders - Heróis por Acaso».

Porquê?
Não sei, diverti-me mesmo muito a fazê-la. E se estão a fazer um remake do «Alf», certamente podem fazer um remake de «Sliders - Heróis por Acaso».

Trabalhaste com o teu irmão Charlie nessa série...
Sim, sim!

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Gostavas de voltar a trabalhar com ele no futuro?
Sim, claro! Sabes, ele meio que se reformou da representação, é um pescador e trabalha em Long Island, pelo que está bastante ocupado. Talvez ele pendure os ganchos de pesca e venha representar comigo (risos)!

Também tens feito muita coisa como apresentador, como é o caso de «Play by Play». Sentes-te mais confortável nesse papel ou a interpretar outras personagens?
Hum... A apresentação foi algo em que envolvi aqui nos Estados Unidos no último par de anos. Apresentei um programa da manhã, que é muito popular aqui... Não sei, e é de loucos porque eu não sou nada uma ‘morning person’, mas estive a trabalhar da parte da manhã, foi muito divertido e fui competente. A verdade é que acho que, atualmente, gosto mais de representar. Quero mesmo muito voltar a filmar «Carter» e garantir que todos em Portugal podem assistir, e em todo o mundo, é essa a minha verdadeira paixão.

Vi que voltaste a fazer produção. É algo que gostasses de fazer mais?
O que acontece é que vais fincando mais velha, como eu, e eles dão-te mais responsabilidade. Fico tão chocado quanto tu quando vejo que sou produtor ou algo assim. Ainda me sinto como uma criança ali, mas acho que quando ficas velho e todos são mais novos do que tu, eles fazem de ti chefe, simplesmente acontece.

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Voltando a «Carter». Imaginas-te a realizar ou escrever um episódio da série?
Sabes, aquilo que é divertido é que nos lembramos de cenários em que poderíamos acabar envolvidos. A questão aqui é que estou em praticamente todas as cenas, pelo que é difícil fazer algo mais. Fico cansado, sou um pouco preguiçoso, e acabo de rastos ao fim do dia, não quero andar a realizar e ter de me engendrar o que vamos filmar no dia a seguir, então não quero realizar nada (risos). É simplesmente mais divertido ser ator. Sou demasiado preguiçoso para realizar, dá muito trabalho. Prefiro representar: tenho de parecer bonito, aparecer, é mais divertido, a única coisa que tenho de fazer é ir de vez em quando ao ginásio. É praticamente isso para um ator, quando és realizador não tens de ir (risos).

Quais foram os principais desafios na primeira temporada?
Não houve desafios complicados, foi mesmo super divertido, passámos um bom bocado. Não tenho razões de queixa, muito sinceramente, gostei mesmo. O maior desafio, com toda a sinceridade, é não rir nalgumas cenas. Tivemos uma cena em que estávamos a interrogar uma rapariga e ela está a usar aquela linguagem de adolescente, e eu estou a tentar traduzir e decifrar o que ela diz e não consigo. Fez-me rir muito. Acho que isso aconteceu sobretudo porque tenho duas filhas que usam ‘emojis’ a toda a hora e eu não faço ideia do que significam (risos).

As produções canadianas estão a tornar-se cada vez mais importantes. Isso também influenciou a tua decisão de participar em «Carter»?
Sim, e o Canadá é lindo. É maravilhoso filmar no Canadá, as pessoas são lindas, os cenários magníficos, tem uma espécie de look country e independentemente de onde estamos há sempre uma data de árvores à volta. Sou de Nova Iorque, nunca vi tanto verde, nunca. É um pano de fundo lindo, quase como outra personagem da nossa série.

É tudo, obrigada...
(Energicamente) Espera, ouve, tenho de deixar um ‘shout out’ à minha ex-namorada que vive em Lisboa, Ana Cristina Campos Seara de Oliveira [diz calmamente em português], ela é uma atriz em altas em Portugal. Diz-lhe que eu digo olá e parabéns pela carreira dela. Está numa data de programas portugueses, estou muito orgulhoso!

[Entrevista publicada na Revista Metropolis nº 63 - Outubro 2018]

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