logo

Entrar
Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

Berlin Station: a herança de Snowden, Manning e Assange

Série de espionagem moderna e com elenco de luxo, onde se destacam nomes como Richard Armitage e Richard Jenkins, estreou no TVSéries no domingo, 8

Com uma construção narrativa ousada e um tema incontornável para os amantes do género de espionagem, os delatores, «Berlin Station» quer deixar a sua marca em Portugal, depois da estreia absoluta em 2016. O TVSéries abre a porta grande, com episódios no horário nobre de domingo, a rostos já conhecidos da ‘casa’: Richard Armitage («O Contra-Ataque») Rhys Ifans («Elementar»), Leland Orser («Ray Donovan») e Richard Jenkins («Olive Kitteridge»).

Embora não seja inédita, a premissa de «Berlin Station» dá um ‘twist’ ao mistério, entregando muitas respostas logo no primeiro episódio, nomeadamente quem são as figuras por detrás da conspiração. Também o início, antes de um recuo temporal, parece dar algumas pistas, ao mesmo tempo que levanta ainda mais questões acerca do que nos espera nos próximos episódios.

Berlin Station 2

Em missão ultrassecreta, Daniel Miller (Armitage), no rasto do delator-mistério Thomas Shaw e destacado para Berlim, apresenta-se como uma personagem complexa e, em contrapartida, uma grande ‘distração’ para o resto da trama. Há muita coisa a acontecer no ‘background’ de «Berlin Station», que explora o legado – e o mito – estabelecido por delatores reais como Edward Snowden ou Chelsea Manning. No entanto, a ação central é tão importante, que muitas storylines paralelas aproveitam para se camuflar.


Na série, o ficcional Thomas Shaw entrega informações sensíveis a uma jornalista de Berlim, denunciando diversa informação confidencial da CIA, bem como polémicas desconhecidas. Acentuando a bipolaridade de herói e vilão própria do tema, «Berlin Station» faz por vincar frequentemente ambas as valências, explorando os extremos não só da narrativa, mas também da relação do espectador com isso. Não obstante, a potencial heroicidade ou vilania é extensiva às demais personagens, que viajam pelos dois espectros e adensam a ficção, o que atrai o público e aumenta a curiosidade. Longe de ser um método inovador, já provou resultar no passado e, caso as pessoas não se ‘assustem’ com um ou outro momento mais parado, poderá ser receita de sucesso.

Se a história não for o suficiente, o elenco coloca a série num outro nível – e não podemos esquecer que, a partir da segunda temporada, junta-se ao grupo de luxo Ashley Judd.

 

  • Publicado em TV

Deception: O que têm em comum «Chuck», «Castle» e «Os Segredos da Magia»?

Chris Fedak, cocriador de «Chuck», regressa à criação de séries com «Deception», que estreia no TVSéries esta segunda-feira, 19. Fique com a análise da METROPOLIS ao primeiro episódio.

É quase inglório falar de «Deception» sem estragar o primeiro ‘truque’ do episódio piloto, mas vamos tentar. Cameron Black (interpretado pelo promissor Jack Cutmore-Scott) é um mágico super popular que, depois de ver revelado o seu maior segredo, cai em ruína e fica condenado ao anonimato. Até um ano depois, altura em que a intervenção de outro ilusionista, num golpe ao FBI, o traz para o centro da ação. O truque, aparentemente impossível, é uma imitação de um desaparecimento que Cameron levou a cabo na televisão, pelo que o palco parece preparado para o atrair. E é isso mesmo que acontece.

Cameron intromete-se na equipa de Kay Daniels (Ilfenesh Hadera) e Mike Alvarez (Amaury Nolasco), ajudando a dupla graças à sua queda para a ilusão. Com um monólogo forte logo a abrir o episódio piloto, é certo que «Deception» não nos quer apenas iludir – quer também mostrar-nos como o faz. Quer isto dizer que, apesar da forma bem conseguida como os truques se sucedem no ecrã, Cameron não guarda segredos (até para desgosto de Alvarez, um claro fanboy do seu trabalho). Ainda assim, recorre a esta teia de enganos para ajudar as autoridades a deter o alvo em vista e, assim, conseguir mais pistas acerca do ilusionista mistério, que será, sem qualquer dúvida, o principal antagonista da primeira temporada.

deception
A narrativa suave, a par da ação equilibrada e com um ritmo estável, torna o primeiro episódio de «Deception» fácil de ver. ‘Vendida’ como um drama policial, resulta muito mais como uma série de comédia que, a espaços, nos obriga a falar a sério. Em todo o caso, são 45 minutos de bom entretenimento que, apesar de não serem particularmente inovadores, reúnem excelentes ingredientes, nomeadamente intriga policial, mistério, magia e humor. Por um lado, Chris Fedak já sabe como se faz: criou e desenvolveu «Chuck» e produziu executivamente, no total, mais de 130 episódios para televisão. Por outro lado, grande parte do elenco quer mostrar-se, de uma vez por todas, a outro nível: Lenora Crichlow e Vinnie Jones estão longe de ser desconhecidos, mas há algum tempo que parecem condenados a séries curtas ou filmes de baixo alcance. Já Ilfenesh Hadera, a coprotagonista, quer provar que é mais do que uma das caras bonitas de «Baywatch: Marés Vivas» (2017), algo que não consegue no episódio piloto.

Espalhada e comentada pela Internet fora como a sucessora de «Castle», que chegou ao fim no canal ABC após oito temporadas, em 2016, «Deception» parece condenada a um chorrilho de críticas antes de lhe ser dada uma oportunidade real. Esta dissecação precoce torna-se ainda mais injusta se tivermos e conta que, à data da estreia de «Castle», em 2009, a série repetia a fórmula de apostas como «Núm3ros», «Psych» e «O Mentalista». Ou até «Chuck», lançada em 2007 por Chris Fedak e Josh Schwartz, e «Forever», de 2014, que Fedak produziu. Ter um civil, possivelmente com capacidades extraordinárias, a ajudar as autoridades – e com romance pelo meio – já deixou de ser ‘novidade’ há décadas. E isso não tem mal nenhum.

Nem todas as séries precisam de ter uma premissa arrasadora como «Westworld», «The Handmaid’s Tale» ou «Stranger Things». Outras querem ser apenas entretenimento, e compete a cada espectador decidir se isso lhe interessa ou não. «Deception» estreia esta segunda-feira, 19, às 21h15.

  • Publicado em TV

Knightfall – Templários: E não viveram felizes para sempre

A série sobre a queda dos Templários tem estreia marcada para domingo, 17, no TVSéries, pelas 21h15

Embora a nova aposta do TVSéries assente na ficção, já que traz alguns acontecimentos e personagens sem bases firmes na história, a verdade é que se trata de um instrumento fundamental para tornar a narrativa mais verosímil. Os Templários, há séculos apoiados no mito, eram pessoas reais como as outras, com problemas e emoções semelhantes, mas aos quais era feita uma exigência diferente. É desta necessidade do argumento que surgem Landry (Tom Cullen) e outros rostos: eles representam mais do que uma pessoa, representam a inevitabilidade de que os Templários eram humanos. E tudo o que isso acarreta.

Já sabemos o final desta história: os Templários foram dissolvidos e, quando foram recuperados no século XIX, já não eram guerreiros mas sim diplomatas. Esta história não vai ter um final feliz. A ação arranca em Acra em 1291, o início do fim para os cavaleiros dos Templários, que surgem 15 anos mais tarde em Paris. Outrora incumbida da missão de garantir passagem segura aos peregrinos para a Terra Santa, com votos de pobreza e castidade, há muito que a Ordem era conhecida por ter dinheiro – e a parte da castidade também é falsa, pelo menos parcialmente, como descobrimos mais tarde.

O mito desmonta-se em planos rápidos e extasiantes, que assentam sobretudo na ação e na fluidez dos acontecimentos. As batalhas normalmente seguem Landry, a personagem em que assenta o cerne do conflito, e a partir da qual temos acesso aos acontecimentos preservados pela história. Deste modo, a série afasta-se da construção meramente histórica e assume os seus desvios criativos, usando-os não como artifício, mas antes para fortalecer os factos que se quer contar. A primeira temporada vai recair sobretudo na busca pelo mítico Santo Grall, ainda que esta descoberta não se resuma apenas ao objecto religioso...

  • Publicado em TV
Assinar este feed RSS