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Actualizado às 11:54 AM, Oct 8, 2019

Gal Gadot em «Mulher Maravilha» - 1º trailer

A Warner divulgou este sábado (23) na Comic-Con International em San Diego 2016 o primeiro trailer de «Mulher Maravilha», que estreia no dia 1 de Junho de 2017. O filme é protagonizado pela ex-Miss Israel Gal Gadot, de 31 anos, a realização pertence a Patty Jenkins («Monster»).

O elenco ainda inclui Chris Pine como o capitão Steve Trevor, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Ewen Bremner, Saïd Taghmaoui, Elena Anaya e Lucy Davis. A rodagem decorreu na Grã-Bretanha, França e Itália.

gal gadot

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House of Cards - Primeira Temporada

Uma leitura menos automática e, sem dúvida, mais perversa não pode deixar de considerar que o impacto global de House of Cards está também ligado a muitas formas de pessimismo com que, nos EUA e não só, são olhadas muitas das movimentações dos protagonistas da cena política. Não se trata, entenda-se, de favorecer generalizações simplistas como “os políticos são todos corruptos...”. Trata-se, isso sim, de reconhecer que, nos tempos de globalização que vivemos — incluindo uma muito particular exposição pública dos gestos políticos —, há muitas e cruéis clivagens entre a actividade política e a chamada sociedade civil.

Dito isto, importará sublinhar também que muito do envolvimento de House of Cards provém da precisão maníaca dos seus pormenores. Não estamos, de facto, perante uma parábola “abstracta” sobre o comportamento dos políticos. Aliás, a adaptação da série homónima britânica, criada por Michael Dobbs (emitida pela primeira vez na BBC em 1990), é admirável, passando sem mácula, com invulgar agilidade dramática, dos cenários londrinos para os corredores de Washington.

Na primeira temporada da série, agora editada — e também na segunda (a terceira está agendada para Fevereiro de 2015) —, a ascensão da personagem de Kevin Spacey, o democrata Frank J. Underwood, intensifica a bizarra sensação de intimidade que é apanágio de House of Cards. E não apenas porque quase tudo se passa em bastidores mais ou menos reservados; sobretudo porque a consolidação das suas ambições políticas vai a par de um metódico desnudamento psicológico das personagens principais, seus segredos e desígnios.

Basta observar, aliás, como evolui a relação entre Frank e a sua mulher, Claire (Robin Wright). Dir-se-ia que a sua proximidade afectiva se faz tanto da vida conjugal que partilham como das agressivas estratégias de combate que, com conhecimento mútuo ou não, vão adoptando. No limite, talvez se possa dizer que House of Cards é um retrato de relações de radical cumplicidade, não necessariamente alicerçadas em formas tradicionais de amor — será preciso acrescentar que, neste universo, já não resta nem um simulacro de romantismo?

(Publicado originalmente na Metropolis nº22)

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House of Cards - Primeira Temporada - opinião

Nas nossas sociedades, fala-se muito de “imagem” na vida política, mas reflecte-se pouco sobre a percepção que temos da política... através das imagens. Mais concretamente, importa perguntar até que ponto a “fulanização” simplista, todos os dias favorecida pelas televisões, tem contribuído também para esvaziar a política da própria exigência de pensar os seus valores e determinações.

House of Cards é uma série concebida no coração desse problema (herdando, obviamente, o sentido crítico e a verve da original inglesa, lançada em 1990). Trata-se não apenas de olhar os bastidores da política, mas de compreender como através dos seus labirintos se podem forjar relações mais ou menos obscuras e consolidar identidades mais ou menos inquietantes.

Que haja um cineasta como David Fincher ligado à gestação deste projecto (tendo dirigido os dois primeiros episódios), eis o que diz bem da sua fascinante ambivalência. De facto, House of Cards é mais um espantoso exemplo de uma lógica criativa que, hoje em dia, mais do que nunca, concebe “cinema” e “televisão” não como dois pólos antagónicos, antes como entidades renovadas numa paisagem em que, para o melhor ou para o pior, as fronteiras clássicas já não funcionam.

Só ganhamos em pensar a lição inerente a tudo isto, sobretudo num contexto de trágica degradação televisiva como é o português: respeitar e promover a inteligência criativa é um bom princípio televisivo e cinematográfico. E humano, já agora.

(Publicado originalmente na Metropolis nº7)

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House of Cards - Terceira Temporada

A terceira temporada de «House of Cards» apresenta como óbvio (e renovado) centro dramático a personagem de Frank Underwood. Ou seja: na sua condição de Presidente dos EUA — confirmada no derradeiro episódio da segunda temporada —, ele vive as atribulações de uma conjuntura em que o facto de não ser um presidente eleito (substituiu o anterior ocupante do cargo, na sequência de um escândalo político) pesa de forma paradoxal e ambígua.

Ao mesmo tempo, porém, isso não impede — antes parece favorecer — a intensificação da importância dramática da personagem da agora Primeira Dama, Claire Underwood. A sua ambição de ocupar o lugar de embaixadora dos EUA nas Nações Unidas não implica apenas uma reavaliação das prioridades do próprio Presidente; ao mesmo tempo, ela adquire uma especialíssima força simbólica, reforçando o seu peso político e, mais do que isso, a sua presença afectiva nas decisões (públicas e privadas) do próprio Frank.

No terceiro episódio da nova temporada (29º na contagem total), Claire surge mesmo num papel subitamente marcado por inusitadas componentes sexuais, quanto mais não seja porque um visitante ilustre da Casa Branca — nada mais nada menos que Viktor Petrov, Presidente da Rússia (interpretado pelo dinamarquês Lars Mikkelsen) — a elege como objecto de fixação do seu comportamento pouco ortodoxo. O reencontro (sexual, precisamente) de Claire e Frank ficará mesmo, por certo, como um dos momentos mais subtis na definição da sua peculiar, porventura enigmática, relação conjugal & política.

Esta valorização de Claire no interior da dinâmica interna de «House of Cards» implica um natural reforço da presença da sua intérprete, Robin Wright. Se dúvidas houvesse sobre a sua capacidade de compor uma personagem para além de qualquer cliché, a evolução de Claire é notavelmente reveladora: por um lado, vemo-la abalada pelas atribulações da trajectória que conduzem ao cargo ambicionado; por outro lado, tais atribulações funcionam também como mecanismos de reconversão da sua própria postura prática e estratégica, conjugal e política, num processo que a actriz sustenta com invulgar subtileza. Aliás, sintomaticamente, Wright volta a assumir funções de realização: dirigira o décimo episódio da segunda temporada (23º na contagem geral) e, agora, na terceira, encontramo-la a assinar o nono e o 12º capítulos (35º e 38º).

Escusado será dizer que nada disso diminuiu a presença de Kevin Spacey no papel de Frank Underwood, conferindo-lhe antes algumas facetas suplementares, como seja esse misto de vulnerabilidade emocional e fúria conquistadora que se instala a partir do momento em que as figuras do seu círculo interior lhe dão a conhecer a intenção de não apoiar a sua recandidatura.

A infinita sedução do poder — que é, afinal, um dos vectores estruturantes do par Frank/Claire — reconverte-se, assim, num jogo ainda mais sedutor, porventura também mais indecifrável, em que a personagem do fiel Doug Stamper, agora num doloroso processo de recuperação física e simbólica, continua a desempenhar um papel fulcral. A sua visão visceralmente pragmática, mas também radicalmente passional, continua a ser posta em cena com discreto rigor por esse actor “ignorado” que é Michael Kelly: ele ilustra um valor inestimável — o actor secundário (supporting role) — que não desapareceu nem da televisão nem do cinema “made in USA”.

(Publicado originalmente na Metropolis nº27)

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