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Actualizado às 10:58 PM, May 15, 2019

«After Life» com Ricky Gervais

«After Life» é um one-man show. Ricky Gervais não se limita a escrever, realizar e protagonizar. A sua nova série é um manifesto pessoal, uma espécie de versão ficcionada da sua conta de Twitter (ou Instagram, ou qualquer outra rede social). Ou seja, até os menos atentos facilmente reconhecerão o quão transversais são as ideias, as convicções e as piadas entre Ricky, o autor, e Tony, o personagem. O ateísmo, o amor pelos animais (em oposição ao desprezo pelas pessoas), a ironia e o sarcasmo, enfim, o Ricky Gervais que conhecemos.

[artigo originalmente publicado na Metropolis nº 67]

AFTER LIFE EP06

A premissa do homem que perde a sua mulher, vítima de cancro, e embarca numa jornada depressiva serve o seu propósito abrindo caminho para Tony dizer e fazer tudo o que lhe vem à cabeça. Afinal de contas, se alguma dia achar que foi longe demais, pode sempre pôr fim à vida. O suicídio é o seu super-poder. E por isso, em seis episódios, Tony não se coíbe de ir atropelando tudo e todos de forma mais ou menos chocante. E hilariante. Pelo menos até este começar a recuperar uma certa consciência e tolerância para com o mundo.

«After Life» fica muito aquém da genialidade de «Extras» e de «The Office», mas ainda assim é uma boa série. Tem cabeça, alma e coração. O problema é deixar-se levar demasiado pelo coração quando chega a hora de completar o arco narrativo da sua história. À medida que os episódios passam e o desfecho se aproxima a comédia amarga vai sendo progressivamente substituída pelo drama adocicado. Mais do que seria desejável. Um equilíbrio mais agridoce teria feito de «After Life» uma grande série. Ainda assim, é uma série a não perder.marco oliveira

  • Publicado em TV
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