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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Berlin Station: a herança de Snowden, Manning e Assange

Série de espionagem moderna e com elenco de luxo, onde se destacam nomes como Richard Armitage e Richard Jenkins, estreou no TVSéries no domingo, 8

Com uma construção narrativa ousada e um tema incontornável para os amantes do género de espionagem, os delatores, «Berlin Station» quer deixar a sua marca em Portugal, depois da estreia absoluta em 2016. O TVSéries abre a porta grande, com episódios no horário nobre de domingo, a rostos já conhecidos da ‘casa’: Richard Armitage («O Contra-Ataque») Rhys Ifans («Elementar»), Leland Orser («Ray Donovan») e Richard Jenkins («Olive Kitteridge»).

Embora não seja inédita, a premissa de «Berlin Station» dá um ‘twist’ ao mistério, entregando muitas respostas logo no primeiro episódio, nomeadamente quem são as figuras por detrás da conspiração. Também o início, antes de um recuo temporal, parece dar algumas pistas, ao mesmo tempo que levanta ainda mais questões acerca do que nos espera nos próximos episódios.

Berlin Station 2

Em missão ultrassecreta, Daniel Miller (Armitage), no rasto do delator-mistério Thomas Shaw e destacado para Berlim, apresenta-se como uma personagem complexa e, em contrapartida, uma grande ‘distração’ para o resto da trama. Há muita coisa a acontecer no ‘background’ de «Berlin Station», que explora o legado – e o mito – estabelecido por delatores reais como Edward Snowden ou Chelsea Manning. No entanto, a ação central é tão importante, que muitas storylines paralelas aproveitam para se camuflar.


Na série, o ficcional Thomas Shaw entrega informações sensíveis a uma jornalista de Berlim, denunciando diversa informação confidencial da CIA, bem como polémicas desconhecidas. Acentuando a bipolaridade de herói e vilão própria do tema, «Berlin Station» faz por vincar frequentemente ambas as valências, explorando os extremos não só da narrativa, mas também da relação do espectador com isso. Não obstante, a potencial heroicidade ou vilania é extensiva às demais personagens, que viajam pelos dois espectros e adensam a ficção, o que atrai o público e aumenta a curiosidade. Longe de ser um método inovador, já provou resultar no passado e, caso as pessoas não se ‘assustem’ com um ou outro momento mais parado, poderá ser receita de sucesso.

Se a história não for o suficiente, o elenco coloca a série num outro nível – e não podemos esquecer que, a partir da segunda temporada, junta-se ao grupo de luxo Ashley Judd.

 

  • Publicado em TV

A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas

«A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas», o título português para «Bone Tomahawk», é um trocadilho espirituoso que assenta como uma luva no filme-estreia de S. Craig Zahler. Repleto de referências aos westerns clássicos, este filme caminha com segurança sobre a fina linha da homenagem mas por pouco não cai quando resolve pousar o pé na mistura escorregadia da comédia com o terror. Existem alguns aspectos, sobretudo ao nível da construção das personagens – nomeadamente dos papéis femininos –, que parecem só fazer sentido se vistos à luz desse tributo ao passado. Visível na fotografia, nos cenários, na caracterização e no guarda-roupa, etc., é essa ligação com o “velho oeste”, essa herança histórica e estética que carrega boa parte da história e que acaba por prender a atenção do espectador.

O enredo constrói-se sobre a missão de resgate de uma enfermeira, Samantha O’Dwyer (Lili Simmons), que terá sido raptada por um grupo de selvagens canibais (os Trogloditas). A liderar a equipa que a vai tentar salvar está o xerife Franklin Hunt (Kurt Russell), o seu velho ajudante, Chicory (Richard Jenkins), John Brooder (Matthew Fox), um pistoleiro habilidoso e sedutor, e, claro está, o marido de Samantha, Arthur O’Dwyer (Patrick Wilson). Gravemente ferido numa perna, o senhor O’Dwyer não se permite nunca desistir. A resiliência, o sofrimento físico e o transtorno emocional da personagem são perfeitamente captados por Patrick Wilson que, a par dos seus companheiros, faz um excelente trabalho de interpretação.

A dicotomia entre o pretensamente civilizado e o selvagem não é o foco deste western híbrido. «A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas» fala da barbárie. De facto, o horror e a crueldade que (n)os espera é imaginável. Mas existe, ainda assim, uma mensagem simultaneamente esperançosa que nos é sugerida pelo uso da música que, por ser tão restrito, faz com que nesses raros momentos em que predomina o som de violinos a imagem ganhe uma outra dimensão onde cabe a humanidade.

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