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Actualizado às 5:53 PM, Jan 17, 2020

Baby Driver - Alta Velocidade

Baby, um jovem e talentoso condutor, especialista em fugas em assaltos (Ansel Elgort), confia na batida da sua banda sonora pessoal para ser o melhor.
Quando encontra a miúda dos seus sonhos (Lily James), Baby vê nela a oportunidade de deixar para trás a sua vida de crime e sair de forma airosa desse universo.
No entanto, ao se ver coagido a trabalhar para um chefe do crime (Kevin Spacey), e quando um golpe condenado ameaça a sua vida, o seu romance e a sua liberdade, ele terá de optar pela música certa...

Agosto de 2017 nos cinemas

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Netflix - Escolhas Metropolis – Semana de 22 de Jan.

A viagem desta semana faz-se pela história: do século XVIII ao futuro, passando pelo universo da animação e da banda-desenhada. A oferta é variada e para todos os gostos, num convite redobrado a fintar o frio que se faz sentir lá fora com uma maratona ao sofá. Se ainda não decidiu o que ver, a Metropolis dá uma ajuda!

Novidades

FRONTEIRA
Ainda antes de “mergulhar” nos cinemas com o seu Aquaman, primeiro em «Liga da Justiça» (2017) e depois em nome próprio, Jason Momoa surge como um dos protagonistas de «Fronteira», disponível na Netflix Portugal desde sexta-feira, 20. Ambientada na América do século XVIII, esta série, cuja primeira temporada tem os seis episódios já disponíveis, retrata o comércio de peles na América do Norte, bem como a luta pelo poder e a disputa pelo seu controlo. Declan Harp (Momoa), de origens humildes, desafiará o monopólio da poderosa Hudson's Bay Company, uma corporação sem escrúpulos. Quem levará a melhor?

Riverdale 

RIVERDALE
A partir de sexta-feira, 27, poderá assistir na Netflix à nova aposta do canal CW, «Riverdale», que terá novos episódios semanalmente. O episódio piloto é lançado em Portugal poucas horas depois da estreia nos EUA, e reinventa a história das personagens mais queridas da Archie Comics. Da banda-desenhada para a televisão, Archie e os seus amigos vestem novas peles e novos dramas, numa viagem pela escuridão e mistério que envolvem a vida aparentemente monótona de uma pequena localidade.

TAKE THE 10
Esta comédia original da Netflix retrata a aventura improvável de dois amigos, um traficante de droga e um caixa de supermercado, com uma missão heroica pela frente: assistir ao concerto de hip-hop das suas vidas. Sem perspetivas de futuro, a dupla segue uma viagem que não tem como destino apenas o concerto, mas também a redescoberta daquilo que têm – e esperam – nas suas vidas.

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Maratona da Semana

TUDO PELA CASA BRANCA
A tomada de posse de Donald Trump foi um dos assuntos da semana, não apenas nos Estados Unidos, mas também no mundo. Como tal, a nossa proposta para “maratonar” é «Tudo Pela Casa Branca», uma minissérie que recorda seis das campanhas presidenciais mais icónicas nos EUA. O narrador é Kevin Spacey, o homem-forte de «House of Cards», uma das grandes apostas da Netflix, que também se tem habituado a pisar este tipo de palcos (ainda que a fingir).

Agora na Netflix

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REAL DETECTIVE
Entre o estilo documental e a dramatização de acontecimentos reais, os atores recriam casos que irão marcar, certamente, a memória de todos os envolvidos – e agora também do espetador. Cada episódio centra-se na resolução de um homicídio, sendo que os verdadeiros detetives são personagens ativas através de comentários, num novo olhar pelo seu próprio passado. Alguns dos atores são velhos conhecidos do universo televisivo, como Zoie Palmer («Lost Girl» e «Dark Matter»), Craig Anthony Olejnik («The Listener») e Brendan Fehr («Roswell» e «Ossos»).

The Rezort 1

THE REZORT
Um possível apocalipse com um final feliz? Os humanos venceram a guerra global contra os zombies e prenderam-nos numa estância turística de luxo, onde os predadores se tornam presas de caça e fonte de divertimento. No entanto, quando o sistema falha, este safari zombie torna-se bem menos agradável do que prometia...

BIG HERO 6 – OS NOVOS HERÓIS
Os mais pequenos voltam a ser os protagonistas principais! «Big Hero 6 – Os Novos Heróis» (2014) está agora disponível no catálogo Netflix, para alegria de miúdos e graúdos. Eleito melhor filme de animação nos Óscares de 2015, a obra realizada por Don Hall e Chris Williams conta a história de uma criança com jeito para a robótica, que tenta impedir a destruição da sua cidade com a ajuda dos amigos e de um robô.

jessica chastain

Figura da Semana: Jessica Chastain
A brilhar nos cinemas como Elizabeth Sloane, em «Miss Sloane – Uma Mulher de Armas», a norte-americana Jessica Chastain volta a afirmar-se como uma atriz a ter em conta na sua geração. Com a nomeação para os Óscares a ser ainda uma incógnita – a atriz já foi nomeada por «As Serviçais» e «00:30 Hora Negra» –, resta-nos aproveitar a oferta disponível na Netflix.

AS SERVIÇAIS
Uma jovem escritora, Skeeter (Emma Stone), questiona o racismo e a prepotência no Mississipi dos anos 60, dando voz às empregadas domésticas de cor negra. Vítimas de um “sistema” aparentemente inquestionável, as mulheres e as suas histórias são as protagonistas desta história, onde os vilões nem sempre são vistos dessa forma pela sociedade.

INTERSTELLAR
Enquanto «Dunkirk» (2017) não chega aos cinemas, podemos rever a última longa-metragem realizada por Christopher Nolan, onde Jessica Chastain dá vida a uma personagem enigmática. A humanidade está à beira da extinção e cabe ao improvável Cooper (Matthew McConaughey) participar numa das missões espaciais mais importantes de sempre. O objetivo? Encontrar outro planeta habitável, numa viagem que não se faz apenas pela realidade que conhecemos...

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House of Cards - Primeira Temporada

Uma leitura menos automática e, sem dúvida, mais perversa não pode deixar de considerar que o impacto global de House of Cards está também ligado a muitas formas de pessimismo com que, nos EUA e não só, são olhadas muitas das movimentações dos protagonistas da cena política. Não se trata, entenda-se, de favorecer generalizações simplistas como “os políticos são todos corruptos...”. Trata-se, isso sim, de reconhecer que, nos tempos de globalização que vivemos — incluindo uma muito particular exposição pública dos gestos políticos —, há muitas e cruéis clivagens entre a actividade política e a chamada sociedade civil.

Dito isto, importará sublinhar também que muito do envolvimento de House of Cards provém da precisão maníaca dos seus pormenores. Não estamos, de facto, perante uma parábola “abstracta” sobre o comportamento dos políticos. Aliás, a adaptação da série homónima britânica, criada por Michael Dobbs (emitida pela primeira vez na BBC em 1990), é admirável, passando sem mácula, com invulgar agilidade dramática, dos cenários londrinos para os corredores de Washington.

Na primeira temporada da série, agora editada — e também na segunda (a terceira está agendada para Fevereiro de 2015) —, a ascensão da personagem de Kevin Spacey, o democrata Frank J. Underwood, intensifica a bizarra sensação de intimidade que é apanágio de House of Cards. E não apenas porque quase tudo se passa em bastidores mais ou menos reservados; sobretudo porque a consolidação das suas ambições políticas vai a par de um metódico desnudamento psicológico das personagens principais, seus segredos e desígnios.

Basta observar, aliás, como evolui a relação entre Frank e a sua mulher, Claire (Robin Wright). Dir-se-ia que a sua proximidade afectiva se faz tanto da vida conjugal que partilham como das agressivas estratégias de combate que, com conhecimento mútuo ou não, vão adoptando. No limite, talvez se possa dizer que House of Cards é um retrato de relações de radical cumplicidade, não necessariamente alicerçadas em formas tradicionais de amor — será preciso acrescentar que, neste universo, já não resta nem um simulacro de romantismo?

(Publicado originalmente na Metropolis nº22)

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House of Cards - Primeira Temporada - opinião

Nas nossas sociedades, fala-se muito de “imagem” na vida política, mas reflecte-se pouco sobre a percepção que temos da política... através das imagens. Mais concretamente, importa perguntar até que ponto a “fulanização” simplista, todos os dias favorecida pelas televisões, tem contribuído também para esvaziar a política da própria exigência de pensar os seus valores e determinações.

House of Cards é uma série concebida no coração desse problema (herdando, obviamente, o sentido crítico e a verve da original inglesa, lançada em 1990). Trata-se não apenas de olhar os bastidores da política, mas de compreender como através dos seus labirintos se podem forjar relações mais ou menos obscuras e consolidar identidades mais ou menos inquietantes.

Que haja um cineasta como David Fincher ligado à gestação deste projecto (tendo dirigido os dois primeiros episódios), eis o que diz bem da sua fascinante ambivalência. De facto, House of Cards é mais um espantoso exemplo de uma lógica criativa que, hoje em dia, mais do que nunca, concebe “cinema” e “televisão” não como dois pólos antagónicos, antes como entidades renovadas numa paisagem em que, para o melhor ou para o pior, as fronteiras clássicas já não funcionam.

Só ganhamos em pensar a lição inerente a tudo isto, sobretudo num contexto de trágica degradação televisiva como é o português: respeitar e promover a inteligência criativa é um bom princípio televisivo e cinematográfico. E humano, já agora.

(Publicado originalmente na Metropolis nº7)

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House of Cards - Terceira Temporada

A terceira temporada de «House of Cards» apresenta como óbvio (e renovado) centro dramático a personagem de Frank Underwood. Ou seja: na sua condição de Presidente dos EUA — confirmada no derradeiro episódio da segunda temporada —, ele vive as atribulações de uma conjuntura em que o facto de não ser um presidente eleito (substituiu o anterior ocupante do cargo, na sequência de um escândalo político) pesa de forma paradoxal e ambígua.

Ao mesmo tempo, porém, isso não impede — antes parece favorecer — a intensificação da importância dramática da personagem da agora Primeira Dama, Claire Underwood. A sua ambição de ocupar o lugar de embaixadora dos EUA nas Nações Unidas não implica apenas uma reavaliação das prioridades do próprio Presidente; ao mesmo tempo, ela adquire uma especialíssima força simbólica, reforçando o seu peso político e, mais do que isso, a sua presença afectiva nas decisões (públicas e privadas) do próprio Frank.

No terceiro episódio da nova temporada (29º na contagem total), Claire surge mesmo num papel subitamente marcado por inusitadas componentes sexuais, quanto mais não seja porque um visitante ilustre da Casa Branca — nada mais nada menos que Viktor Petrov, Presidente da Rússia (interpretado pelo dinamarquês Lars Mikkelsen) — a elege como objecto de fixação do seu comportamento pouco ortodoxo. O reencontro (sexual, precisamente) de Claire e Frank ficará mesmo, por certo, como um dos momentos mais subtis na definição da sua peculiar, porventura enigmática, relação conjugal & política.

Esta valorização de Claire no interior da dinâmica interna de «House of Cards» implica um natural reforço da presença da sua intérprete, Robin Wright. Se dúvidas houvesse sobre a sua capacidade de compor uma personagem para além de qualquer cliché, a evolução de Claire é notavelmente reveladora: por um lado, vemo-la abalada pelas atribulações da trajectória que conduzem ao cargo ambicionado; por outro lado, tais atribulações funcionam também como mecanismos de reconversão da sua própria postura prática e estratégica, conjugal e política, num processo que a actriz sustenta com invulgar subtileza. Aliás, sintomaticamente, Wright volta a assumir funções de realização: dirigira o décimo episódio da segunda temporada (23º na contagem geral) e, agora, na terceira, encontramo-la a assinar o nono e o 12º capítulos (35º e 38º).

Escusado será dizer que nada disso diminuiu a presença de Kevin Spacey no papel de Frank Underwood, conferindo-lhe antes algumas facetas suplementares, como seja esse misto de vulnerabilidade emocional e fúria conquistadora que se instala a partir do momento em que as figuras do seu círculo interior lhe dão a conhecer a intenção de não apoiar a sua recandidatura.

A infinita sedução do poder — que é, afinal, um dos vectores estruturantes do par Frank/Claire — reconverte-se, assim, num jogo ainda mais sedutor, porventura também mais indecifrável, em que a personagem do fiel Doug Stamper, agora num doloroso processo de recuperação física e simbólica, continua a desempenhar um papel fulcral. A sua visão visceralmente pragmática, mas também radicalmente passional, continua a ser posta em cena com discreto rigor por esse actor “ignorado” que é Michael Kelly: ele ilustra um valor inestimável — o actor secundário (supporting role) — que não desapareceu nem da televisão nem do cinema “made in USA”.

(Publicado originalmente na Metropolis nº27)

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