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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Mr. Mercedes: a triste alegoria do nosso tempo

A série inspirada pelo primeiro livro da trilogia de Bill Hodges – aqui interpretado por Brendan Gleeson –, de Stephen King, é a grande estrela do novo serviço AXN Now, apenas disponível, atualmente, para clientes MEO (serviço gratuito até 1 de janeiro).

O arranque de «Mr. Mercedes» é um sinal claro dos nossos tempos: a trágica sina de um grupo de cidadãos comuns é marcada sem o mínimo glamour ou euforia. A ação tem início, nada mais nada menos, do que numa “Feira do Emprego”, que conta já com uma fila notável em plena madrugada. Quem diria que Stephen King iria começar uma das suas histórias com algo nas linhas de “certa madrugada, um desconhecido num Mercedes acelerou contra a multidão, que guardava lugar para a Feira do Emprego do dia seguinte, e matou indiscriminadamente”. Embora a trama seja situada em 2009, e se trate de um livro publicado originalmente em 2014, a sua envolvência é atual e uma amostra evidente de que estamos longe de deixar os tempos difíceis.

Stephen King já antecipara a incursão no universo cru e cruel dos detetives, algo que aconteceu com a trilogia protagonizada por Bill Hodges, uma ‘raposa velha’ da polícia que é desafiada por um assassino sádico, desconhecido e, pior do que tudo, imprevisível. A adaptação para TV tem a assinatura de David E. Kelley, o criador de séries como «Big Little Lies», «Goliath» e «The Crazy Ones». Já Jack Bender, velho conhecido de «A Vingadora» e «Perdidos», volta a tornar real o imaginário de King – como acontecera em «Under the Dome» –, sendo produtor e também o principal realizador.

Fã confesso de «Perdidos» [«Lost» no seu título original], Stephen King acabou por conhecer Bender e, vários anos depois, os dois mantinham uma relação mais próxima. “Aquilo que realmente me atraiu para o projeto não foi apenas o Stephen King estar a escrever sobre detetives, algo que nunca tinha feito, mas o facto de ser uma história sobre o monstro dentro de nós em oposição ao monstro fora de nós, o que é frequente naquilo que ele escreve”, frisa Bender, em materiais cedidos à METROPOLIS. Em jeito de brincadeira, o produtor-realizador disse ao autor que seria Brendan Gleeson a dar vida a Hodges – e a verdade é que foi mesmo.

Pode ler o artigo completo na Metropolis número 65

  • Publicado em TV

Alone in Berlin

«Alone in Berlin», de Vincent Perez: Tratado injustamente como sendo o abacaxi da competição, por seguir ditames hollywoodianos na forma, este drama de época dá um gostinho do diretor eficiente que o ator de «A Rainha Margot» virou após ter feito bons filmes na Europa e nos EUA. Aqui, ele conta com a química perfeita entre Emma Thompson e Brendan Gleeson. Os dois recriam a história real do casal Quangel, que, entre 1940 e 42, espalhou secretamente por toda Berlim cartas difamando Hitler e seu governo pelo descuido com seus soldados.

Rodrigo Fonseca em Berlim

HISTÓRIA
Berlim, Junho de 1940. Embora a propaganda nazista comemore a vitória sobre a França, uma cozinha em Prenzlauer Berg é preenchido com a dor. Anna e Otto Quangel perderam o seu filho na frente da batalha. Este casal da classe trabalhadora sempre acreditou no “Führer” e seguiu cegamente a sua vontade, mas agora apercebem-se que as suas promessas não são nada mais do mentiras e enganos. Eles começam a escrever postais como uma forma de resistência e em uma tentativa de aumentar a consciencialização, colocando suas vidas em risco.

Realizador:
Vincent Perez

Elenco:
Emma Thompson
Brendan Gleeson, Daniel Brühl
Mikael Persbrandt

Alemanha/França/Grã-Bretanha, 2016
103 min

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