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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Sharp Objects chegou finalmente a Portugal… com a HBO

A entrada da HBO no mercado português trouxe presentes no ‘sapatinho’, como é o caso de «Sharp Objects», protagonizada por Amy Adams e realizada por Jean-Marc Vallée. Apresentada como uma minissérie de apenas uma temporada, pode afinal vir a ter uma segunda.

[artigo originalmente publicado na Metropolis nº67]

Dificilmente haverá um caso de sucesso, entre os escritores atuais, como o de Gillian Flynn, que já teve os seus três livros (longos) adaptados ao pequeno ou grande ecrã, no espaço de quatro anos. Ironicamente, em ordem inversa: a primeira adaptação aconteceu com «Em Parte Incerta» (2014), baseado no livro de 2012 e que teve a protagonista Rosamund Pike nomeada ao Óscar, depois «Lugares Escuros» (2015), tendo por base o livro de 2009, e por fim «Sharp Objects», série inspirada pelo primeiro livro da americana, publicado em 2006. Com uma ‘short story’ pelo meio, “The Grownup”, Gillian parece ter transitado agora para os argumentos, com a adaptação de «Viúvas» (2018) ao cinema e a criação da série «Utopia», com estreia agendada para 2019.

Apesar da desvantagem de ter recebido a série mais tarde – «Sharp Objects» estreou originalmente em julho – o público português não tem de desesperar por episódios, já que os 10 ficaram disponíveis ao mesmo tempo no serviço de streaming. O ideal para quem gosta de maratonas. Por sua vez, na cadeira de realização encontramos uma figura conhecida: Jean-Marc Vallée, bem lançado pelo sucesso de «Big Little Lies», que, aliás, deverá regressar em breve para a segunda temporada, com Meryl Streep no elenco. Além disso, seguindo o exemplo da série encabeçada por Reese Witherspoon e Nicole Kidman, e de «The Handmaid’s Tale» da Hulu, que continuaram apesar de encontrarem o final do livro na primeira temproada, «Sharp Objects» pode não ter dito o adeus definitivo e ter mesmo uma nova temporada. Para já, todavia, não passam de rumores.

Recentemente, Amy Adams criou uma produtora com a sua agente, Stacy O'Neil, a Bond Group Entertainment, e assinou um acordo com a HBO. O acordo com o ‘monstro’ norte-americano dá um sinal positivo à renovação de «Sharp Objects», da qual Amy também é produtora. Não obstante, ainda só há entendimento para a produção da adaptação de “Poisonwood Bible”, de Barbara Kingsolver, para o pequeno ecrã. Embora a renovação possa parecer relativamente simples, tal é complicado pela agenda de Amy Adams, uma figura indiscutível do cinema moderno e constantemente com vários filmes em carteira. Já a primeira temporada demorou a iniciar as gravações, sendo que, mesmo assim, a atriz só esteve presente 65 dos 90 dias de filmagens.

hbo sharp objects

É um pouco mais de escuridão para a mesa 4, por favor
«Sharp Objects» é uma série pesada, de ritmo lento e marcadamente ‘depressiva’, já que existe na realidade obscura de Camille Preaker (Amy Adams). A jornalista de Chicago viaja até Wind Gap, a sua terra natal, para fazer um trabalho de investigação sobre um homicídio e um desaparecimento, ambos de adolescentes, que ocorreram no espaço de um ano. A contragosto, mas sem qualquer energia para se opor veementemente, Camille acaba por acatar as ordens do chefe Frank Curry (Miguel Sandoval) e deslocar-se para o seio da sua família. À tona, ainda muitas marcas da morte, há vários anos, da sua irmã Marian (Lulu Wilson). Também a relação com a sua mãe, Adora (Patricia Clarkson) é distante e complicada, sem uma das ‘storylines’ mais importantes além da principal.

A mãe não lida bem com o facto de Camille estar a fazer cobertura a um caso tão macabro, pelo que o drama atual vai criando paralelos com o passado, nomeadamente com a morte trágica da irmã. Por um lado, Adora associa a sua dor à dos casos atuais, uma vez que passou por algo idêntico, enquanto há velhas feridas em Camille claramente mal saradas. Num sentido mais literal, não se pode ignorar os cortes que fez na pele, e que ainda estão marcados, dando assim nome ao livro e à série, “Objetos Cortantes”. Ela tinha por hábito cravar palavras na pele e viver num constante estado de escuridão, algo que contrasta com a popularidade que tinha então e a família quase perfeita.

Presente e passado estão sempre muito ligados, com flashbacks a surgirem frequentemente, ainda que por vezes não sejam suficientemente bem contextualizados. É certo que a trama não tem de revelar tudo, mas a velocidade com que surgem e desaparecem, com imagens soltas e sem o pensamento da protagonista – algo que acontece no livro –, não permite uma perceção tão profunda do que está a acontecer na tela. São momentos, todavia, que colocam a fotografia e realização da série em destaque, um pouco ao estilo do que Jean-Marc Vallée já tinha feito em «Big Little Lies» e a sua imagem de marca. A crítica normalmente tece largos elogios ao cineasta, mas há uma questão que se torna cada vez mais pertinente: será que a técnica não está a castigar a narrativa? Podemos justificar sempre o ritmo lento, e de valorização excessiva da imagem, com o facto de ser o estilo do realizador?

sharp objects tooth floor

O livro é mesmo melhor do que a série (mas não faz mal?)
“O livro é sempre melhor do que o filme (ou a série)”. É recorrente ouvir a esta frase quando falamos de adaptações de livros ao pequeno ou grande ecrã, e no caso de «Sharp Objects» a afirmação é justa. O arranque da narrativa é lento mas, ao contrário do livro publicado em 2006, não é explícito no desenho das suas personagens. Sem o contexto que traz a obra escrita, alguns intervenientes e ‘storylines’ encaixam na trama de forma forçada e, a espaços, é difícil para quem não leu o livro perceber o alcance de cenas que aparecem e desaparecem rapidamente e sem explicação, nomeadamente flashbacks. Há um exagero do estilo de Jean-Marc Vallée, sem ser dado ao espectador nada em troca, para abraçar mais rapidamente a complexidade da série. Esta chega mais tarde, é certo, mas há pontas soltas que poderiam ter sido unidas mais cedo. Nem tudo tem de ser um mistério.

Assim que a série entra no ritmo, o melhor de Gillian Flynn vem ao de cima, com toda a densidade dramática e individual que marca a história de “Objetos Cortantes”. Quando se trata de um elenco com nomes como Amy Adams e Patricia Clarkson – que já venceu o Globo de Ouro em janeiro –, bem como secundários como Chris Messina, Elizabeth Perkins ou a promissora Sophia Lillis, de «It» (2018), a qualidade é uma inevitabilidade. A série peca apenas por colocar a técnica à frente da história propriamente dita, algo que poderá não causar tanta confusão a quem não leu o livro e, dessa forma, não nota a diferença de tratamento narrativo. Poderemos simplesmente assumir que são universos diferentes e que existem de forma independente, mas será que os pontos aqui apontados como negativos não ‘castigam’, de algum modo, a experiência? A título de exemplo, será que as cenas apressadas vão ser lembradas mais para frente, encaixando no resto da narrativa? Ou serão apenas mais uma cena, sem impacto significativo e, como tal, nunca vão atingir todo o seu potencial?

Colocando de parte o estilo de realização, há que destacar os diálogos entre personagens, sobretudo entre Camille e Adora e Camille e Amma (Eliza Scanlen), a meia-irmã. As personagens crescem nesses momentos e a narrativa avança com naturalidade, reforçando a figura da protagonista e tornando-a mais ‘palpável’ para a audiência. Será que, atendendo à qualidade interpretativa de Amy, a atriz pode contar com uma vitória nos Emmys de setembro, algo que nos Óscares nunca aconteceu, apesar das seis nomeações? Ou já terá passado demasiado tempo (praticamente um ano) desde a emissão? Prémios e distinções à parte, a verdade é que a reta final da série a coloca num nível superior e deixa o público à espera de uma continuação, até porque é ligeiramente mais aberto do que o do livro. Algo que indica que, desde início, os produtores não colocaram de parte uma segunda temporada.

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Considerações finais
Apesar das críticas a «Sharp Objects», trata-se de uma experiência quase cinematográfica e muito interessante do ponto de vista sociológico. A ficção tem uma inspiração real e, à medida que os episódios se vão sucedendo, percebemos melhor a forma como as personagens se relacionam dentro e fora do seio familiar, por entre a aparente calmaria da América mais rural. No fim de contas, o que prevalece é a componente social e psicológica dos habitantes, que os vai moldando perante a dor da perda enquanto sociedade, à vista, e o que acontece dentro das quatro paredes de cada casa. Essa hipocrisia é espelhada magistralmente em Camille que, ao não saber lidar com ela, encontra conforto no álcool e em atitudes mais ou menos chocantes.

O final da série é surpreendente, já que até os palpites mais certeiros podem não ter alcançado a abrangência das atitudes de cada personagem. Algo que acontece, por assim dizer, nos ‘bastidores’ do que realmente chega à audiência e que, qual mágico depois do truque, só após nos enganar revela como o fez. Será que, tendo um final tão forte, faz sentido dar-lhe uma continuação? Se é para continuar a ter Amy Adams como protagonista de uma série de TV, com novos episódios de semana a semana, vale a pena o risco. Trata-se, provavelmente, de uma das intérpretes mais subvalorizadas da sua geração e há sempre a esperança de os Emmys fazerem justiça.

  • Publicado em TV

Animais Noturnos - Na noite de Tom Ford

Depois de Um Homem Singular (2009), Tom Ford assina mais um filme admirável — este texto foi publicado no Diário de Notícias (23 Novembro), com o título 'A arte do assombramento'.

Há um lugar-comum que promove o espectáculo cinematográfico como misto de artifício e pompa vivido na sala escura. O lugar-comum é verdadeiro (até porque ver filmes em ecrãs de computador faz parte do nosso mais triste masoquismo cultural), mas francamente insuficiente. Um grande filme não se define apenas pelo seu grau de surpresa — um grande filme entranha-se na consciência, avisando-nos que temos um inconsciente onde se travam as guerras de uma cruel economia afectiva e simbólica.

Animais Nocturnos é um desses grandes filmes. E tanto mais quanto a arte narrativa de Tom Ford nos projecta no labirinto da escrita, a mais poderosa linguagem que os humanos inventaram (muito antes de se lembrarem de ligar uma imagem com outra, chamando ao evento qualquer coisa como “cinematógrafo”).

Repare-se na transparência dramática de Susan (Amy Adams, a justificar dois Oscars, um pela presença, outro pela abstracção). Quando ela começa a ler o romance do ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), assistimos a quê? Acontece que a escrita se vai insinuando como “coisa” que desafia a evidência do corpo e a nitidez do pensamento: Susan descobre que a escrita, uma palavra a seguir a outra, uma frase enredada na frase seguinte, existe como espelho glorioso do desejo — e também do seu pressentimento da morte.

Se Susan nos vai parecendo tão desamparada, isso decorre do facto de ela ser também um espelho, neste caso da insensatez do espectador. Porque o espectador, mesmo avisado das convulsões insolúveis de cada história que se conta, cai no erro de desejar um final, se não feliz, pelo menos redentor. No caso de Animais Nocturnos, sentimos que o filme decide não acabar, preferindo insinuar-se como assombramento privado — resta saber se somos dignos do medo que isso faz.

  • Publicado em Feature

Animais Noturnos

«Animais Noturnos» é um elegante e provocador thriller, que nos prende na sua rede de sub-tramas entrelaçadas. Susan Morrow (Amy Adams) é uma bem-sucedida negociadora de arte, mas sente-se vazia. Entretanto, recebe um romance, escrito pelo seu ex-marido Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal), com quem já não tem qualquer contacto. O livro é dedicado a Susan e é muito violento e emocionalmente devastador, o que Susan interpreta como uma vingança simbólica, numa leitura que a obriga a enfrentar o seu passado e as escolhas que a levaram até a vida que hoje tem, bem como à própria relação que manteve com o autor.

Tom Ford é um esteta na forma e no conteúdo, providenciando um filme bem estruturado, que consegue apresentar, de forma pertinente e harmoniosa, diferentes momentos de uma mesma história, para que se consiga construir uma melhor construção da identidade da protagonista. O cineasta também assina o argumento, a partir do romance “Tony and Susan”, de Austin Wright, conseguindo descomplicar no grande ecrã uma narrativa que poderia ficar confusa, realçando-se uma montagem acertada de Joan Sobel em alternar as histórias de uma forma suave e cadenciada. Destaca-se ainda em «Animais Noturnos» uma fotografia sagaz e intimista, assinada por Seamus McGarvey, bem como uma banda-sonora de Abel Korzeniowski que imprime o tom certo na altura certa.

O elenco da obra é fastuoso, encabeçado pela interpretação sensível e minuciosa de Amy Adams e um Jake Gyllenhaal no fio da navalha, roubando todas as cenas. Ao longo do filme, assistimos ainda a um desfile de nomes como Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Laura Linney, Michael Sheen, Armie Hammer e Isla Fisher, em que os dois primeiros têm mais espaço para explorar um maior espectro dramático, garantindo desempenhos vistosos.

Com uma história dentro da história, Ford constrói um thriller obsessivo com algum grau de introspeção e um clima de tensão latente, alternando entre cenas de brutalidade e cenários artisticamente arrojados e ostensivos, num paradoxo metafórico da própria protagonista. Tal como diz o ditado, “a vingança é um prato que se serve frio”, e, neste caso, absolutamente gelado.

quatro estrelas

Título Nacional Animais Noturnos Título Original Nocturnal Animals Realizador Tom Ford Actores Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

O Primeiro Encontro

Um filme de ficção científica profundo e imersivo, «O Primeiro Encontro» mergulha nas limitações inexoráveis da comunicação e no quão importante ela pode revelar-se. Baseada no conto “Story of Your Life”, de Ted Chiang, a narrativa arranca quando, num dia aparentemente normal, naves especiais aterram em vários locais da Terra. Rapidamente é formada uma equipa de elite para investigar esta misteriosa visita e Louise Banks (Amy Adams), uma especialista em linguística, lidera as tentativas de conseguir comunicar com aqueles seres e acalmar uma população mundial apavorada, numa verdadeira corrida contra – e com – o tempo.

O género de ficção científica é-nos, muitas vezes, enganosamente transmitido como muito próximo do disaster movie. Mas a verdade é que não é preciso que assim seja. Desta forma, é refrescante que «O Primeiro Encontro» nos ofereça uma outra leitura, muito mais focalizada e minuciosa. Aqui, o principal tema abordado é a falta de comunicação, que afugenta o significado e encaminha para tantos erros, numa metáfora para os tempos em que vivemos. Denis Villeneuve apodera-se desta premissa e consegue construir um filme que enredeia, num drama de ritmo pausado, que deixa respirar a narrativa. A poderosa banda-sonora de Jóhann Jóhannsson contribui, em grande parte, para aumentar o ambiente claustrofóbico e tenso que preenche a obra.

Amy Adams apresenta-nos uma das suas personagens mais frágeis e sensíveis, numa interpretação exemplar da atriz norte-americana, que assume com segurança o total protagonismo do filme. Jeremy Renner e Forest Whitaker não conseguem ter grande espaço para se evidenciar, já que os seus personagens são muito pouco expansivos e trabalhados.

Villeneuve é um dos mais profícuos realizadores em atividade na Hollywood atual, desenvolvendo temas distintos mas conseguindo sempre prender o espectador pela forma como transporta para o grande ecrã histórias cheias de significância e este filme é a prova de que está mais do que preparado para voos mais ambiciosos, aumentando as expectativas para a sequela de «Blade Runner: Perigo Iminente» (1982), «Blade Runner 2049». «O Primeiro Encontro» é ficção científica em estado puro, numa história sem espaço para a previsibilidade e que, decerto, deixará o espectador a pensar.

quatro estrelas

Título Nacional O Primeiro Encontro Título Original Arrival Realizador Denis Villeneuve Actores Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

 

O Primeiro Encontro

Nesta altura, futuro está nas mãos de Denis Villeneuve. O realizador canadiano está a rodar a sequela de Blade Runner, intitulada «Blade Runner 2049», que estreará em outubro de 2017, e um ano antes propõe uma viagem futurista que é aguardada com expectativa porque nos permite antever o que ele consegue fazer com o género. «Primeiro Encontro» deixa-nos tranquilos em relação ao podemos esperar do desenvolvimento de «Blade Runner» porque é um filme de ficção científica que não depende dos efeitos visuais para criar impacto, nem necessita de sequências espantosas de ação para suportar a narrativa. Villeneuve não inventa um futuro nunca visto em cinema e realiza o seu filme tendo consciência de que esta história já foi contada. Em «Primeiro Encontro» imagina como seria o contacto entre a humanidade e uma raça alienígena que se instala na terra para estabelecer diálogo. São doze naves suspensas, que parecem seixos gigantescos, em doze países diferentes. Ameaça? Até onde estão dispostos a ir? Porque escolheram a Terra? As questões habituais adensam a trama e para encontrar as responder seguimos dois académicos, Ian e Louise, um especialista na área da matemática (Jeremy Renner) e uma linguista (Amy Adams). O filme deve ser emprateleirado ao lado de «Encontros Imediatos do Terceiro Grau», obra seminal de Steven Spielberg sobre as relações entre humanos e alienígenas, e «Contacto», de Robert Zemeckis, que aprofunda o tema com uma dimensão espiritual. Já vimos este encontro mas a visão que proposta é ligeiramente diferente e estimulante. «Primeiro Encontro» aprofunda o tema da comunicação e da capacidade científica que a humanidade terá para entender as mensagens que os alienígenas desenham através de símbolos complexos, semelhantes a hieróglifos, e que revelam ter uma estrutura linguística não linear extremamente complexa. O tempo corre contra a capacidade de aprender esta língua e descodificar a mensagem, algo que é acentuado de forma óbvia quando as principais nações, Rússia, Estados Unidos e China, revelam abordagens diferentes do problema. Paralalemente ao tema principal, seguimos o drama interior de Louise que vive atormentada pela morte da filha, que lutou contra um cancro até aos 12 anos. Villeneuve vai sobrepondo os avanços que se estabelecem na comunicação com as memórias pessoais da protagonista, criando dois círculos narrativos distintos que se sobrepõe numa complexa experiência de comunicação. Desta forma, desenvolve com enorme elegância visual, uma trama adulta, muito cerebral, adensando sempre a tensão que se exige num filme de ficção científica, e tocando de forma efetiva algumas notas sobre o amor e a dor. «Primeiro Encontro» é um filme original porque nos confronta com os limites da nossa comunicação e envolve-nos nesse processo enquanto espectadores.

quatro estrelas

Título Nacional O Primeiro Encontro Título Original Arrival Realizador Denis Villeneuve Actores Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker Origem Estados Unidos Duração 116’ Ano 2016

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº43)

 

Arrival

O mundo fica em suspenso quando 12 naves espaciais aterram em vários pontos do globo, sem nada anuncia - rem. Amy Adams interpreta uma professora universi - tária, especialista em línguas, chamada pelo exército norte-americano para tentar comunicar com os alieníge - nas e obter resposta às questões mais urgentes: Porque vieram? E o que pretendem da Terra?

«The Arrival: O primeiro Encontro» de Dennis Villeneuve procura estabelecer essa ligação que vimos em «Encon - tros Imediatos do Terceiro Grau», de Steven Spielberg, ou «Contacto», de Robert Zemeckis. O filme explora o desconhecido acentuando a mais primária das emoções: o medo. E desenvolve duas dimensões narrativas, uma global e outra íntima, para alcançar outro plano de comu - nicação que nos permite ter uma relação emocional com a história

Animais Noturnos - rentrée 2016

O texano Tom Ford é um dos mais conhecidos estilistas a nível mundial, mas surpreendeu a indústria cinematográfica quando realizou «Um Homem Singular» (2009), que rendeu a Colin Firth a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Ator, que viria efetivamente a vencer um ano mais tarde, por «O Discurso do Rei» (2010).

«Animais Noturnos» é a adaptação cinematográfica do romance “Tony and Susan”, escrito por Austin Wright e lançado em 1993. Foi o próprio Tom Ford quem escreveu o argumento, aumentando, ainda mais, as expectativas para este seu regresso ao Cinema, após sete anos de interregno. Tal como aconteceu com «Um Homem Singular», Ford mune-se de um elenco de peso para compor a sua obra, com nomes como Jake Gyllenhaal, Amy Adams, Laura Linney, Michael Shannon, Isla Fisher, Armie Hammer e Aaron Taylor Johnson.

Um dos filmes que mais despertam curiosidade, «Animais Noturnos» consegue reunir um elenco de luxo e um realizador que apaixonou a crítica, que espera dele um novo triunfo. O hype foi aumentado pela presença em dois dos principais Festivais de Cinema mundiais: Toronto e Veneza.

HISTÓRIA Susan Morrow (Amy Adams) é obrigada a enfrentar o seu passado quando o seu ex-marido, Walker Morrow (Armie Hammer), lhe envia um exemplar do seu primeiro romance. O livro é um thriller violento que explora temas como o amor, crueldade, vingança e redenção. Susan interpreta a história como uma ameaça velada e uma vingança simbólica.

REALIZADOR: TOM FORD («Um Homem Singular», 2009)

ELENCO: JAKE GYLLENHAAL, AMY ADAMS, ISLA FISHER, LAURA LINNEY, ARMIE HAMMER

DATA DE ESTREIA PREVISTA: 17 DE NOVEMBRO (PORTUGAL)

 

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"O Primeiro Encontro" com Amy Adams - Trailer Oficial

O PRIMEIRO ENCONTRO é um provocador thriller de ficção científica do aclamado realizador Denis Villeneuve (Sicario – Infiltrado, Raptadas). Quando misteriosas naves espaciais aterram em vários pontos do globo, uma equipa de elite – liderada pela especialista em linguística Louise Banks (Amy Adams) – reune-se para investigar. Enquanto a Humanidade está à beira de uma guerra mundia, Banks e a sua equipa lutam contra o tempo em busca de respostas – e para as encontrar, ela irá correr o risco que pode ameaçar a sua vida, e possivelmente da Humanidade.

Fonte: Sony Pictures Portugal

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