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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Happy Valley

Sarah Lancashire Sarah Lancashire

Série revelação de 2014, aquando da estreia da primeira temporada na BBC, «Happy Valley» confirma agora toda a sua qualidade ao nível da escrita e da interpretação no regresso com a segunda temporada. Objecto difícil de catalogar, por cruzar inúmeros géneros, «Happy Valley» poderá definir-se como um drama criminal com humor negro e laivos hitchcockianos à mistura. É também, sem grande margem para dúvidas, uma das melhores séries do panorama internacional actual.

A autora da série, a britânica Sally Waynwright, constrói este thriller no noroeste de Inglaterra. A série é filmada no vale de Calder, o tal Happy Valley do título, e relaciona-se com o problema do consumo de drogas. A série centra-se na personagem de uma detective que desapareceu do mapa depois de um choque devastador na sua vida, o suicídio da sua filha, e que se torna sargento da esquadra local. O ambiente do Yorkshire adequa-se à narrativa de Sally Waynwright, uma argumentista com vários sucessos no seu CV na televisão britânica «Last Tango in Halifax», «Scott & Bailey» e «Unforgiven».

A primeira temporada é sustentada por Catherine Cawood (soberba interpretação de Sarah Lancashire), vejam como a personagem se apresenta a um toxicodependente que ameaça imolar-se porque a namorada o deixou: “Sou a Catherine. Tenho 47 anos, divorciada e vivo com a minha irmã, reabilitada do vício da heroína. Tenho dois filhos adultos – um está morto, o outro não fala comigo – e tenho um neto. O porquê do meu filho não falar comigo? É complicado. Agora, vamos falar de ti.” O foco desta temporada é um rapto que corre terrivelmente mal. Um contabilista ganancioso e ressabiado com o patrão planeia com um traficante local raptar a jovem Ann Gallagher (Charlie Murphy), a filha do patrão, em troca de meio milhão de libras. O problema são os dois criminosos que vão fazer o trabalho; um deles, o psicopata Tommy Lee Royce (James Norton), é o violador da filha de Catherine e pai do seu neto, ele vai deixar um rasto de sangue e destruição quando o plano começa a descambar.

A segunda temporada recupera uma das revelações da primeira série, a mulher que se torna agente da polícia local. O enredo envolve um assassino em série que conecta perigosamente Catherine aos crimes. Há um detective que assassina a amante em jeito de copycat, e o perigo de Tommy Lee Royce, que arranja uma proxy (Shirley Henderson) para se aproximar do filho e assim vingar-se de Catherine. Mas há ainda uma linha narrativa mais terna que envolve a irmã (Siobhan Finneran) da estrela da série. O melhor mesmo é mergulharem nesta história e deixarem-se atordoar por cada episódio.

A premissa é realmente forte e não fica por aqui mas não se assustem que o equilíbrio encontrado entre o enredo criminal que força os personagens a confrontarem os seus demónios e a viverem o dia-a-dia, as centenas de canecas de chá nas pausas entre as irmãs (Catherine e Clare) para conversarem enquanto dão uma passa num cigarro e o humor negro da protagonista trazem a série à terra e criam um perigoso objecto de binge viewing, quando se começa a ver «Happy Valley» é difícil parar...

A primeira temporada da série foi um estrondo, a segunda foi uma confirmação que arrasou o público nos dois lados do oceano (a série está na Netflix nos Estados Unidos). O “passar a palavra” elevou a primeira temporada em Inglaterra para a marca dos 8 milhões de espectadores e deu dois BAFTAS de televisão [os prémios máximos da televisão britânica] na categoria de Melhor Drama e Melhor Actriz. A série serviu também de rampa de lançamento de mais um jovem valor da interpretação britânica, o actor James Norton que interpreta o perigoso e perturbado psicopata Tommy Lee Royce – o mesmo que recentemente participou noutra produção da BBC, a mini-série épica «Guerra e Paz» e que está também na ITV com «Grantchester». James Norton é o menino de ouro da interpretação britânica e está no ponto para explodir nos grandes ecrãs e quebrar muitos corações.
«Happy Valley» é encenada com naturalidade, segue a regra de ouro das séries britânicas: é cinzenta na abordagem do dia-a-dia dos personagens, daí ser tão cativante. Consegue fugir ao banal e constrói personagens muito fortes, especialmente as figuras femininas. A violência é explicita e crua, não digo excessiva, a criadora defendeu-se das críticas afirmando “Se bates com a cabeça na parede, sangras (...) Este drama é sobre o lado negro. Como coisas terríveis acontecem a pessoas boas.”

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