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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

House of Cards - Primeira Temporada - opinião

  • Escrito por João Lopes
  • Publicado em TV

Nas nossas sociedades, fala-se muito de “imagem” na vida política, mas reflecte-se pouco sobre a percepção que temos da política... através das imagens. Mais concretamente, importa perguntar até que ponto a “fulanização” simplista, todos os dias favorecida pelas televisões, tem contribuído também para esvaziar a política da própria exigência de pensar os seus valores e determinações.

House of Cards é uma série concebida no coração desse problema (herdando, obviamente, o sentido crítico e a verve da original inglesa, lançada em 1990). Trata-se não apenas de olhar os bastidores da política, mas de compreender como através dos seus labirintos se podem forjar relações mais ou menos obscuras e consolidar identidades mais ou menos inquietantes.

Que haja um cineasta como David Fincher ligado à gestação deste projecto (tendo dirigido os dois primeiros episódios), eis o que diz bem da sua fascinante ambivalência. De facto, House of Cards é mais um espantoso exemplo de uma lógica criativa que, hoje em dia, mais do que nunca, concebe “cinema” e “televisão” não como dois pólos antagónicos, antes como entidades renovadas numa paisagem em que, para o melhor ou para o pior, as fronteiras clássicas já não funcionam.

Só ganhamos em pensar a lição inerente a tudo isto, sobretudo num contexto de trágica degradação televisiva como é o português: respeitar e promover a inteligência criativa é um bom princípio televisivo e cinematográfico. E humano, já agora.

(Publicado originalmente na Metropolis nº7)

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Modificado emsábado, 26 março 2016 15:37