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Actualizado às 11:18 PM, Aug 21, 2019

Flesh and Bone

A cadeia norte-americana Starz tem vindo nos últimos anos a aprimorar as suas produções, após a super produção «Black Sails» chega mais uma série que deslumbra pela sua beleza e complexidade dramática. «Flesh and Bone» desenrola-se no mundo ultra-competitivo do ballet no seio de uma companhia de bailado de Nova Iorque. A mini-série além de possuir uma narrativa e planos visuais que são absolutamente inebriantes detém todos os ingredientes, apresentados de forma explícita, na sua linguagem física e psicológica, num exercício de puro hipnotismo onde tudo está a nu perante as câmaras.


O sucesso de «Flesh and Bone» não acontece por acaso, a série foi criada por Moira Walley-Beckett uma argumentista que vem da escola de «Breaking Bad» que iniciou a sua carreira anos antes em séries como «Raines» com Jeff Goldblum e «Eli Stone» com Jonny Lee Miller. O seu salto criativo ocorreu quando entrou para o staff de argumentistas da série de Vince Gilligan na segunda temporada, como editora de argumento, onde assinou alguns episódios de «Breaking Bad». Ao longo das temporadas subiu de estatuto como produtora e escreveu argumentos memoráveis como “Fly” e “Ozymandias”. O décimo quinto episódio da quinta temporada foi considerado um dos grandes episódios da história da televisão e Moira Walley-Beckett recebeu o Emmy pelo argumento a solo de “Ozymandias”.

A história de «Flesh and Bone» é contada na perspectiva de Claire Robbins, interpretação estonteante de Sarah Hay numa performance de corpo e alma. A actriz é bailarina na vida real e teve uma pequena participação em «Cisne Negro». Interpreta uma jovem que foge do seu lar em Pittsburgh na Pensilvânia e vem para Nova Iorque só com o seu talento natural e com um único plano – singrar ao mais alto nível – falhar não é uma opção. A ambição e a vocação pura para a arte do bailado fazem dela uma prima-dona no momento em que os seus pés de bailarina entram em contacto com o solo. Paul Grayson (Ben Daniels, um actor com vasta experiência no teatro) é o director artístico da American Ballet Caompany, é um tirano que aposta tudo no seu legado sem olhar a meios para atingir os fins após a morte do seu namorado e co-director artístico da companhia, ele está só para enfrentar as adversidades e o seu ego.

Há uma mão cheia de histórias prontas a serem reveladas em «Flesh and Bone» ao longo de oito episódios que andam sempre no fio da navalha e invariavelmente têm interpretações de primeira água. Os enredos paralelos retratam relatos sobre a competição entre as bailarinas, as formas de arrecadar dinheiro noutros palcos num clube de strip com ligação ao crime organizado, o chocante passado de Claire e a relação com o seu irmão (Josh Helman), o relato de Mia (Emily Tyra) a parceira de apartamento de Claire que sofre de um complicado distúrbio alimentar, o imprevisível Romeo (Damon Herriman), um estranho sem-abrigo do prédio de Claire, que nas suas alucinações tem o poder da premonição, um bailarino (Sascha Radetsky, bailarino solista na vida real no American Ballet Theatre) que se vê forçado a efectuar outros compromissos para ganhar o seu lugar e a deslumbrante prima-bailarina Kiira que está à beira do fim. A convincente interpretação de Kiira pertenceu a Irina Dvorovenko, uma bela bailarina de origem ucraniana do American Ballet Theatre que se retirou dos palcos em 2013.

O farol condutor da série faz-se pela via da dança e dos demónios de cada um dos personagens mas também pelo cunho visual da sua produção na coreografia dos bailados e ensaios e a realização dos episódios. Neste último aspecto, destaque para a brilhante direcção do primeiro episódio dirigido com perspicácia pelo australiano David Michôd («Reino Animal»), veja-se como foca as faces e as emoções gravadas nos seus rostos optando por deixar os espectadores e a surpresa da dança de Claire para o clímax do primeiro episódio. A música da série foi composta por Dave Porter (orquestração) e Adam Crystal (compositor dos bailados).

Uma nota final para o genérico da série que sintetiza o brilhantismo da mesma ao som de “Obsession” de Karen O, uma melodia que retrata na perfeição o lado obsessivo que se esconde nos vários personagens.
«Flesh and Bone» é uma das grandes surpresas da temporada na revelação de uma estrela e numa série que toca na alma dos espectadores.

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:49
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