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Actualizado às 11:18 PM, Aug 21, 2019

Scream Queens

Scream Queens Scream Queens

«Scream Queens» é uma série criada por Ian Brennan, Brad Falchuk e Ryan Murphy – este último um escriba que anda a voar baixinho há vários anos com irreverentes criações como «Nip/Tuck», «Glee» e «American Horror Story». Ryan Murphy e companhia viram novamente do avesso a televisão mainstream nos Estados Unidos graças a um humor perverso, genuinamente original e absolutamente sanguinário, «Scream Queens» é uma das melhores estreias da temporada.

 

A história arranca na recepção ao caloiro da mais odiada casa estudantil, a Kappa
Kappa Tau (KKT), do campus universitário da ficcional Universidade de Wallace. A KKT é liderada por Chanel Oberlin (Emma Roberts) uma menina mimada com punho de ferro que sonha ser pivot do principal noticiário de prime-time na América. Chanel movimenta-se com uma verdadeira entourage de lacaias apelidadas de “Channeis”, vão do Channel número um ao cinco, obviamente que a Channel número um é Oberlin. Ela ascendeu ao posto após a sua antecessora ter levado um banho de ácido, e a sua chegada ao poder na casa estudantil despertou uma onda de crimes contra a KKT na precisa altura em que também desembarca no campus Grace Gardner (Skyler Samuels) que tem um passado misterioso ligado à KKT. O mesmo se pode afirmar da reitora da escola (Jamie Lee Curtis), que para impedir a exclusividade da KKT de jovens perfeitas e maioritariamente brancas abre a entrada a todas estudantes femininas da faculdade o que leva a elite da casa a fugir a sete pés ficando só o refugo incluindo a ambiciosa e duplamente deformada (corpo e espírito) Hester Ulrich (Lea Michele).

A série desconstrói filmes e mitos desenrolados nas universidades americanas em torno das suas tradições e sistemas de classes das casas estudantis/fraternidades cruzando esses ambientes com as histórias de horror que a cultura pop celebra à boleia dos jovens universitários que têm à perna assassinos em série. Só uma criação de Ryan Murphy poderia ter um serial killer trajado de diabo, a empunhar uma motosserra a condizer com a vestimenta, a cortar cirurgicamente os braços a um jovem betinho (que teve a absurda ideia de atacar o vilão com um taco de basebol), tudo regado ao som dos Backstreet Boys... é absurdo mas totalmente delicioso. A construção de Ryan Murphy só podia resultar com grandes performances que tornam credível a insanidade desta história graças a uma mão cheia de jovens actrizes pejadas de talento e beleza lideradas pela veterana Jamie Lee Curtis (a própria, uma “rainha do terror”). O elenco de jovens actores e a graciosidade de Jamie Lee Curtis são um selo de garantia ao inquestionável sucesso de «Scream Queens».

«Scream Queens» não é uma série para ser levada a sério, mas é brilhante na construção da narrativa, interpretações e diálogos semelhantes a um canivete ponte e mola na forma como rasgam os personagens e encantam os espectadores com a sua adorável perversidade.

(artigo originalmente publicado no nº32 da Revista Metropolis)

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:24

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