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Actualizado às 11:21 PM, Dec 4, 2019

True Detective - Segunda temporada

Vince Vaughn e Colin Farrell Vince Vaughn e Colin Farrell

True Detective regressou com uma nova roupagem com a mudança de ares para a Califórnia e com um novo e invejável elenco. Esta antologia criminal continua sob a batuta de Nic Pizzolatto, o escritor e argumentista, continua a trazer até aos ecrãs histórias negras que combinam personagens em convulsão interna perante um thriller criminal que explora a corrupção política e o mundo do crime.

A segunda temporada segue uma linearidade narrativa, inicia-se com um ritualístico homicídio de Casper um político corrupto de Vinci, a cidade ficcional no sul da Califórnia no centro desta trama. O homem em questão tinha os dedos em vários negócios ilegais, ao sair de cena deixa sem rede o seu parceiro de negócios, Frank Semyon (Vince Vaughn constrói uma figura com uma multiplicidade de nuances dramáticas e com uma temível presença física em cena). Este ex-gangster estava a um passo de se tornar legítimo graças a um esquema para arrecadar milhões de fundos públicos através um mega projecto de construção ferroviária. Frank ao ficar sem dinheiro, com o seu investimento perdido com Casper, é impelido a regressar a velhos hábitos (drogas, extorsão, jogo e prostituição) para "sobreviver" para infortúnio da sua companheira (Kelly Reilly), uma ex-actriz de série Z que procura construir uma família mas não consegue dar à luz.

Três agentes da Lei por força do destino deparam-se a trabalhar numa equipa especial para descobrir as ligações corruptas de Casper e as motivações que levaram ao seu homicídio. A detective Ani Bezzerides (Rachel McAdams) é claramente uma mulher num mundo de homens mas faz o seu trabalho como poucos, fora da força policial é atraída pela bebida e o jogo, a relação com o passado com o pai (um guru refinamente interpretado por David Morse) e as preocupações com a irmã (Leven Rambin) criam múltiplos e interessantes veios narrativos; o detective Ray Velcoro (Colin Farrell), tem o rótulo de corrupto, vive atormentado por um crime que cometeu no passado, sobre o homem que supostamente violou a sua ex-esposa ( de «Rectify»), a disputa paternal pela custódia do filho leva-o a ser o músculo de Frank, um encontro quase fatal com a morte parece ser uma peça chave para a sua viragem, uma metamorfose que expõe a versatilidade da série; e um agente de patrulha de trânsito, Paul Woodrugh (Taylor Kitsch), em tempos um ex-mercenário da guerra no Médio Oriente, está num limbo após um caso disciplinar, este sofre a pressão da sua companheira para estabelecer um relacionamento funcional e lida com a sua atribulada sexualidade.

Os actores principais, Vince Vaughn, Colin Farrell, Rachel McAdams e Taylor Kitsch, têm performances afirmativas com personagens rebuscados. Também são inúmeros os actores com papéis secundários que deixam a sua marca numa série que traz à memória a monumental qualidade e quantidade interpretativa de «The Wire».

Nos Estados Unidos prevalece um debate bizarro sobre a misoginia e a escrita do seu autor face a presença das mulheres na série. Há várias e boas representações do feminino nesta temporada, é certo que têm as suas falhas no perfil mas também as existem no masculino. Rachael McAdams como protagonista desafia as acusações e a suposta falta de complexidade feminina e, não está só, basta olhar para as participações de Lolita Davidovich, Abigail Spencer e Kelly Reilly, esta última, inicialmente interpretava uma esposa troféu que foi ganhando contornos dramáticos com o decorrer da temporada.

A série deixa de ter apenas um realizador (a primeira temporada foi toda realizada por Cary Fukunaga), Justin Lin é o primeiro a estrear-se na cadeira de realização, o seu trabalho imprime o estilo para a restante temporada. Os espaços são um personagem, no decurso da época estes ganham uma dimensão viva na combinação entre o industrial e a paisagem natural, ambos conservam o seu apelo, veja-se, as constantes imagens das vias rápidas, vistas do céu, que parecem veias a pulsar sangue para o coração da metrópole.

A série não perde o misticismo (da primeira temporada) e o lado noir das histórias de detectives conseguindo ser tão hipnotizante na investigação criminal como na construção e interação dos diferentes personagens. Os diálogos expõem figuras destroçadas que procuram a redenção num enredo gótico que volta a percorrer a linha entre o imaginário e a realidade com alusão para cultos religiosos e os meandros da corrupção do ser humano. A segunda temporada de «True Detective» continua sedutora e misteriosa, é uma série atmosférica como raramente se viu na televisão e ganha o seu próprio espaço comparativamente ao primeiro tomo.

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:20
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