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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

Humans

Emily Berrington Emily Berrington

Humans» desenrola-se num presente paralelo onde robots, intitulados Synth, são o último grito da moda sendo um objecto obrigatório para se ter em casa ou no trabalho no auxílio numa imensidão de tarefas, algo que não é muito consentâneo em toda a sociedade britânica. O problema é que alguns androides não são um objecto (na linha do clássico «Blade Runner»). Um selecto grupo de Synths, graças ao seu criador, ganhou consciência e têm o desejo de serem livres da "escravatura" e discriminação que são sujeitos. Inicia-se um interessante debate subliminar na consciência dos personagens, synths e humanos, onde se questiona os vários significados de humanidade.

Gemma Chan, uma jovem actriz que desfruta de formação musical a nível académico e um curso de direito na carteira é a principal protagonista de «Humans» uma co-produção da britânica Channel 4 e do canal americano AMC. A série conta no elenco com alguns jovens actores e o veterano William Hurt, foi escrita pela dupla de argumentistas britânicos Sam Vincent e Jonathan Brackley a partir de «Real Humans», uma premiada série sueca de 2012.

O enredo inicia-se com o rapto de três Synths, que estavam afastados de olhos humanos, são vendidos/reciclados sem o conhecimento que os mesmos têm uma consciência humana: Anita (Gemma Chan) tem o seu código substituído por um sistema operativo que suporta as funções de uma empregada doméstica, Niska (Emily Berrington) é vendida a um bordel só com Synths e Fred (Sope Dirisu) é capturado pela empresa que fabrica os androides com o desejo de saber como é que ele adquiriu consciência. O seu captor, Hobb (Danny Webb), é o antagonista da história, esteve na equipa que criou os seres sintéticos e desconhecia a capacidade destas "máquinas" conseguirem atingir a "singularidade" (momento que a inteligência artificial ultrapassa a inteligência humana), segundo ele um risco para a humanidade e um perigo para os lucros da empresa que fabrica os Synths.

A série abre várias narrativas quando Max (Ivanno Jeremiah) e Leo (Colin Morgan), filho do inventor dos Synths e guardião dos três companheiros raptados tenta descobrir o seu paradeiro e resgatá-los. O centro da acção reside na residência suburbana onde está Anita com a oposição de Laura (Katherine Parkinson), a matriarca do lar e da sua filha mais velha, Mattie (Lucy Carless), que não querem a robot a cuidar da família mas encontram oposição em Joe Hawkins (Tom Goodman-Hill), o pai, no filho adolescente Toby (Theo Stevenson) e Sophie (Pixie Davies) filha mais nova que adora a nova sua babbysitter. Laura, uma advogada de profissão, desconfia que Anita seja diferente de outros androides no modo como age e raciocina mas sobretudo o lugar que ela ocupa na família ressalvando as suas próprias lacunas maternais. Na série são vários os personagens que vão cruzando diferentes linhas morais e ajustam a suas percepções ao interagirem perante situações de conflito e várias vertentes dramáticas na dinâmica familiar e pessoal.

Os androides são os elementos menos assustadores da série, à semelhança de «The Walking Dead» os humanos fazem mais estragos do que os zombies inconscientes. Em «Humans» aborda-se não só diferentes níveis de afectividade como também as questões como a natureza da tecnologia e a maneira como interagimos perante este mundo estabelecendo paralelismos arrepiantes e reminiscentes da forma como seres humanos, no passado e presente, agem perante raças, extratos sociais e religiões diferentes na sua discriminação e, em última análise, forçam a sua escravatura.

«Humans» faz justiça ao seu nome sendo racional nos temas que aborda aliando ao thriller sci-fy que está presente em constante crescendo do primeiro ao último episódio.

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:19
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