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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Black Mirror: combater ou aceitar a tecnologia que mora em nós? (review)

Destaque Black Mirror: combater ou aceitar a tecnologia que mora em nós? (review)

A METROPOLIS teve acesso antecipado à quinta temporada de «Black Mirror», que tem três episódios e estreia esta quarta-feira, 5. Leia a nossa opinião, abaixo.

Ninguém sabe muito bem quando ou em que moldes, mas, tal como acontece com o destino, também «Black Mirror» é inevitável e acaba por chegar mais cedo ou mais tarde. Cerca de um ano e meio depois da quarta temporada, e seis meses depois do especial «Black Mirror: Bandersnatch», que dividiu as opiniões da audiência, Charlie Brooker traz para o catálogo da Netflix três novos episódios, numa temporada mais curta do que as mais recentes. Não há nenhum episódio ‘wow’ nem ‘twists’ surpreendentes ao jeito daquilo a que o criador nos habituou, mas há uma visão muito forte e humanizada sobre o papel que o vício da tecnologia tem vindo a ocupar na sociedade.

Anthony Mackie, Andrew Scott e Miley Cyrus são os protagonistas das três histórias assinadas pelo criador de «Black Mirror», que centram a narrativa na dependência, respetivamente, dos jogos, das redes sociais e no endeusamento de famosos, traçando um perfil forte das fraquezas da sociedade. No entanto, não se trata simplesmente de abordar o vício tecnológico, mas sobretudo de avaliar a forma como este molda o nosso relacionamento com os outros, a nossa rotina e nos fecha sobre nós próprios. Quer isto dizer que, no fundo, a quinta temporada de «Black Mirror» se desliga sobremaneira da tecnologia como vilão ou contaminador de rotinas – sendo que nunca o foi completamente, ou pelo menos sozinha – colocando o foco nas personagens, nas suas escolhas e no modo como constroem os seus relacionamentos.

BM Andrew scott

É certo que «Black Mirror» nunca descurou a componente humana e a chamada à responsabilidade do indivíduo, mas isso muitas vezes acontecia com muito ‘fogo de artifício’ e revelações mirabolantes que ninguém esperava, deixando o espectador da série num constante estado de ansiedade. Talvez essa fórmula não se concretize, como habitualmente, nos três episódios que são lançados esta quarta-feira, 5, pelo que nos arriscamos a antecipar críticas bastante negativas – e audíveis – ao rumo escolhido por Brooker neste regresso. O presente no sapatinho pode, afinal, sair envenenado, ainda que o descontentamento do público, ou de parte dele, também possa revelar-se uma boa campanha de marketing.

Pessoalmente, acredito que «Black Mirror» cumpriu o seu papel. Desconcerta, incomoda, leva-nos a identificar dependências nossas nas personagens, afasta-nos pelo argumento mas aproxima-nos pelo discurso. Não nos é indiferente. Contudo, banalizou, em certa medida, aquilo que marcava a diferença: fica constantemente um nível abaixo daquele onde poderia ter chegado, e que carateriza alguns dos episódios mais marcantes da série de origem britânica. Não quer isto dizer que a trama de Charlie Brooker tivesse sempre de ser fantasiada ou hiperbolizada, mas sim que o facto de nunca seguir o caminho mais complicado e inesperado, como antes fazia com mestria, resulta numa temporada de três episódios banais, ao invés de um momento televisivo marcante. Culpa das expetativas ou conformismo de Brooker?

BM miley

Striking Vipers
Com Anthony Mackie, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Beharie
Por esta altura, tudo o que venha da TCKR Systems, a empresa tecnológica e ficcional de «Black Mirror» é de desconfiar. Como tal, quando o presente de uma personagem para outra vem dessa marca, o espectador já sabe que a ‘tragédia’ está à espreita. No centro, dois amigos do tempo de universidade (Anthony Mackie e Yahya Abdul-Mateen II) que se reaproximam depois de vários anos afastados.

Smithereens
Com Andrew Scott, Damson Idris e Topher Grace
É totalmente abismal a performance de Andrew Scott, o Moriarty do Sherlock de Benedict Cumberbatch. O episódio vive todo dele, um motorista de uma empresa tipo Uber ou Kapten, que passa os dias junto à empresa Smithereens à espera de clientes. Claramente desequilibrado, com vários momentos de loucura pelo meio, a sua personagem personifica a raiva pelo vício das redes sociais... Até onde estará disposto a ir?

Rachel, Jack and Ashley Too
Com Miley Cyrus, Angourie Rice e Madison Davenport
É impossível assistir a este episódio sem nos lembrarmos de Hannah Montana, a estrela adolescente que marcou o início de carreira de Miley Cyrus, que interpreta uma pop star na mesma linha em “Rachel, Jack and Ashley Too”. Em paralelo, a personagem de Angourie Rice lida com a mudança de casa e de escola, sem facilidade de ter amigos, e cria uma ligação muito forte a Ashley O, a cantora que admira... Quando a estrela lança uma linha de bonecas iguais a ela, a relação torna-se ainda mais intensa.

Não perca a análise mais completa na Metropolis nº69.

Mídia

Modificado emterça, 04 junho 2019 23:13

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