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Actualizado às 10:58 PM, May 15, 2019

«Pen15»: esta comédia é um assunto sério

Destaque «Pen15»: esta comédia é um assunto sério

A mais recente aposta do TV Séries é uma ‘falsa’ comédia, bem diferente daquilo a que estamos habituados.

Tudo em «PEN15» roça o ridículo – mas não necessariamente no mau sentido. A série é da autoria de Maya Erskine, Anna Konkle e Sam Zvibleman, com as duas primeiras a protagonizarem esta trama da Hulu, que estreou recentemente no canal TV Séries. Até aqui tudo bem, não fosse esta uma série sobre alunos do 7º ano... protagonizada por duas atrizes na casa dos 30. É certo que não é a primeira vez que atores mais velhos se fazem passar por estudantes de liceu, veja-se o que acontecia em «Glee» ou «Morangos com Açúcar», mas ter duas adultas no meio de um elenco juvenil acaba por tornar a diferença demasiado evidente.

Esta decisão não agradará certamente a todos, sobretudo quando a dupla objetifica os rapazes da turma, algo próprio da adolescência; mas, se formos pragmáticos, são duas mulheres adultas a ‘babar’ por jovens com metade da sua idade. Algo que, não sendo objetivamente errado, porque são desabafos para já inconsequentes, não deixa de provocar algum ‘desconforto’.

Constrói-se como uma comédia-caricatura, é certo, muito apoiada no exagero da ação, mas «PEN15» é uma série que quer colocar a audiência a falar sobre assuntos muito sérios. Já vimos muitas séries sobre bullying, mas poucas terão a audácia de ir até onde esta série vai.

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Maya e Anna – as personagens partilham o nome com as atrizes – são duas adolescentes à procura do primeiro amor. Perante o início de um novo ano letivo, ambas estão entusiasmadas e apostadas em passar pelos momentos mais marcantes desta fase juntas. Entre os arrufos próprios entre adolescentes, por vezes mais extremados, tudo parece decorrer com a normalidade esperada, até Maya ser considerada pelos pares a miúda mais feia da escola. Esta premiação cruel, histórica no estabelecimento de ensino e que leva ao bullying coletivo, revela uma atitude brutal mas também honesta. O argumento está organizado de uma forma tão consistente, goste-se ou não da opção pelas protagonistas, que o primeiro episódio é um verdadeiro murro no estômago do espectador. E o bullying é um problema em camadas, onde a empatia com a vítima ‘embate’, por vezes, nas suas escolhas.

«PEN15» não é uma série para toda a gente. E não há problema nenhum nisso. As opções de estilo dos criadores são duvidosas, demasiado arriscadas, e parte da audiência ficará pelo caminho logo aí. No entanto, quem ficar depois desse choque inicial, prepara-se para algo maior do que a ficção ou a comédia aparente. Esta não é uma caricatura que apenas faz rir, fácil e de reações imediatas e efémeras. A mensagem passa e fica connosco, não apenas durante o episódio, mas também depois. O exagero é descabido a espaços, mas tem um fundo de verdade inescapável, que dirá muito certamente a pais e encarregados de educação, por vezes desconhecedores da realidade mais cruel das escolas.

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