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Actualizado às 9:45 PM, Sep 22, 2019

«Game of Thrones»: o inverno só agora está a começar

Destaque «Game of Thrones»: o inverno só agora está a começar

A série mais popular da atualidade regressou na madrugada de segunda-feira, pela primeira vez com estreia em simultâneo com os Estados Unidos. Falha da HBO Portugal acabou por marcar o rescaldo do episódio.

Depois de uma ausência de 595 dias, «A Guerra dos Tronos» voltou para a temporada de despedida. No entanto, a festa acabou por ser abalada por um atraso de 70 minutos da HBO Portugal, que não disponibilizou o episódio à hora anunciada (às duas da manhã); já o Syfy cumpriu e exibiu o episódio legendado ao mesmo tempo que este dava nos Estados Unidos. Embora se tenha tratado de uma falha da HBO em vários pontos do globo, a incidência dos meios de comunicação portugueses no erro do serviço de streaming desviou bastante as atenções do primeiro episódio da oitava temporada. Não há dúvidas: a ‘guerra’ está aberta – e não falamos apenas do pequeno ecrã –, sendo que a HBO e o Syfy disputam acerrimamente as audiências e o canal, com o segundo a vencer o primeiro round.

O fenómeno de «A Guerra dos Tronos» é incrível. A tal ponto que, mais uma vez, a HBO não foi capaz de ‘aguentar’ a procura e o serviço acabou por ir abaixo. Nem mesmo o facto de o problema já ter acontecido em 2017 serviu de lição. Para a semana, há novo episódio ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, às duas horas de segunda-feira, tanto na HBO Portugal como no Syfy. Enquanto o serviço de streaming disponibiliza o episódio de forma definitiva, o Syfy não tem direitos para gravação e rewind – atribuídos pela HBO-mãe –, algo que foi contornado na NOS pelo videoclube e noutras operadoras pelas aplicações móveis. Para quem não quer perder uma boa noite de sono ou improvisar durante o dia, e se conseguir sobreviver aos spoilers que invadem tradicionalmente a Internet, o Syfy repete o episódio todas as segundas-feiras às 22h15.

game of thrones

Inverno sem temporal: teorias e outras considerações

O primeiro episódio da oitava e última temporada passou quase despercebido em termos de acontecimentos relevantes, mas não tenho qualquer dúvida que, após a series finale, o vamos ver com outros olhos. A forma como Bran (Isaac Hempstead Wright) observa Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), por exemplo, pode revelar-se determinante. Como o mais novo dos Stark afirmou, ele já não é Bran, mas sim o Three-Eyed Raven, não se tratando portanto de uma reação emocional ao que Jaime lhe fez no arranque da trama, quando o miúdo o apanhou a fazer sexo com a irmã Cersei (Lena Headey), e tudo o que isso despoletou. Bran terá visto, em vez disso, algo do passado ou futuro do Lannister que o perturbou de alguma forma.

Também podemos referir o discurso de Arya (Maisie Williams) e Jon Snow (Kit Harrington) sobre Sansa (Sophie Turner). Anteriormente sempre às ‘cabeçadas’ com a irmã, a lady que virou assassina defendeu que Sansa era, talvez, a pessoa mais inteligente que conhecia. Os paralelismos de «A Guerra dos Tronos», saga imaginada por George R.R. Martin, com a história do Reino Unido leva muitos a apostar na presença de Sansa no Trono de Ferro no fim da série, numa associação a Isabel I e Isabel II. Por sua vez, e no campo das suspeitas, se Arya não aparecer simultaneamente com outra personagem, no mesmo espaço e em diferentes cenas, irei sempre desconfiar que ela poderá ter matado essa personagem e assumido a sua cara. A jovem encomendou ainda uma arma específica a Gendry (Joe Dempsie), que também está de regresso, pelo que resta perceber o que vem daí.

Não há dúvidas de que Arya tem potencial para assumir ainda maior destaque na última temporada, sendo que há muito espaço para surpresas. Resta, por exemplo, saber se será ela a matar Cersei. Que a atual rainha morre é praticamente uma certeza, já que a profecia rezava que ela teria três filhos, ia ver todos morrer, e depois morreria às mãos daquele que se pensou, na altura, ser o irmão mais novo. Se Tyrion (Peter Dinklage) se revelar um Targaryen, como muitas teorias apontam, as atenções ficam postas em Jaime – mas não poderá Arya matá-lo e assumir mais tarde a sua figura? Ou terá a profecia um significado mais profundo?

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“Winterfell”, o episódio inicial da temporada 8, é sobretudo de contexto. E só tem a ganhar com isso. Os criadores David Benioff e D.B. Weiss organizam jogo uma última vez, contextualizando o inverno que se avizinha e, qual jogo de xadrez, colocam as peças no local onde pertencem, com a Armada dos Mortos a assumir já algumas jogadas contundentes. Os argumentistas optaram, e ainda bem, por colocar desde já Jon com o mesmo conhecimento do público, ao ouvir de Sam Tarly (John Bradley) que é o herdeiro ao Trono de Ferro. Embora o romance com a tia possa chocar, a verdade é que os Targaryen sempre foram conhecidos por relações incestuosas, pelo que não é desde logo garantido um ponto final no casal-sensação da série. Deverá ser, ainda assim, uma questão de poder: Daenerys (Emilia Clarke) abdicou de demasiadas coisas, perdeu e lutou muito, para agora desistir de ser rainha dos Sete Reinos.

Conhecido como a personagem que “não sabe nada”, Jon Snow pode ser agora uma figura honesta, e colocar logo Danny a par do que sabe, ou ser estratega com pés e cabeça pela primeira vez, ou simplesmente evitar distrações. O filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, que sempre viveu como bastardo, encontra-se numa posição que desconhece e, perante a aproximação rápida do Rei da Noite, não deverá querer dispersar as atenções da grande luta. Por sua vez, montou um dragão e, se a teoria de que apenas os Targaryen o podem fazer não está confirmada, pode acontecer que os dois se tenham ligado e, ironicamente, Rhaegar obedeça a Jon. Também Jaime, que assassinou o pai de Danny e avô de Jon, é recebido com desconfiança mas, em hora de necessidade, este conflito deverá ser deixado para mais tarde. Já Tyrion continua a ser uma personagem-mistério, que a qualquer momento poderá denunciar a sua verdadeira face e, então, tudo aquilo a que assistimos nas últimas temporadas ganhará outro sentido.

Contas feitas, o regresso de «A Guerra dos Tronos» não foi memorável. Sem mortes chocantes ou revelações surpreendentes, o episódio de arranque cumpriu o seu propósito como catalisador da narrativa que, a partir do terceiro capítulo, deverá disparar a alta velocidade. É também nessa altura que os episódios começam a ter uma duração maior, na casa da 1h20, com a ação a ter o ponto final derradeiro no dia 19 de maio. No entanto, não desesperem: em breve começam as prequelas e, perante o sucesso de «A Guerra dos Tronos», não deveremos ter de esperar muito por mais séries. A dúvida é se George R.R. Martin consegue acabar a saga literária entretanto. E quantas personagens morrem até ao final da temporada. Conselho: se estiverem à espera que todos morram, qualquer sobrevivente é motivo de festa.

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