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Actualizado às 7:54 PM, Nov 12, 2018

O regresso de Sabrina: o prenúncio de um Salem que não fala (review)

Destaque O regresso de Sabrina: o prenúncio de um Salem que não fala (review)

Uma das protagonistas mais queridas da década de 90 está de regresso ao pequeno ecrã, esta sexta-feira, 26, pela mão da Netflix.

Não foram precisos muitos minutos de «As Arrepiantes Aventuras de Sabrina» para surgir uma dúvida que se anunciava inevitável: será a abordagem da Netflix demasiado jovem, ou serei eu demasiado velha para me deixar encantar pelas desventuras de Sabrina Spellman? Do mesmo criador de «Riverdale», Roberto Aguirre-Sacasa, o novo original do serviço de streaming oferece um olhar renovado, mais gore e longe do humor de «Sabrina, a Bruxinha Adolescente», que marcou os serões de muitas famílias portuguesas no final da década de 90 e também na seguinte. A base da narrativa são as comics lançadas desde 2014, e que oferecem uma visão bem mais negra à história da personagem que apareceu pela primeira vez nas comics em 1962.

Na história recente da TV, séries como «Os Diários do Vampiro», «The Magicians» e «Teen Wolf» – assim como a já mencionada «Riverdale», que ‘fica’ do outro lado do rio (crossover à vista?) – têm alterado a relação da audiência com o género de fantasia/sobrenatural. As narrativas são suportadas por conteúdos mais sombrios, violentos e as personagens têm de lidar com problemas mais ‘adultos’, ainda que sejam tradicionalmente mais jovens e imaturas. A comédia deixa de ser o fio condutor da trama, para dar lugar a incursões pelo drama, pelo mistério e até pelo terror soft.

Sabrina 3

Mas vamos ao que realmente importa. «As Arrepiantes Aventuras de Sabrina», que têm Kiernan Shipka – nascida três anos depois da estreia da precursora – como protagonista, trazem um contexto diferente a uma personagem que julgávamos conhecer. Aproxima-se novamente o 16º aniversário de Sabrina Spellman, mas desta feita ela não vive no desconhecimento: Sabrina sabe que se aproxima a cerimónia de ‘batismo’, na qual terá de acolher o seu papel de serva do Diabo e abandonar a sua vida de humana. A iminência deste acontecimento solene é acompanhada pela apresentação das personagens, nomeadamente os dois núcleos que marcam a sua rotina: a família de bruxos – as já conhecidas Zelda (Miranda Otto) e Hilda (Lucy Davis) e o primo Ambrose (Chance Perdomo), introduzido na nova série – e, do outro lado, o namorado (Ross Lynch, o Austin de «Austin & Ally», longe da figura de trapalhão eternizada por Nate Richert) e demais amigos.

Sabrina 2

A alteração mais chocante de «As Arrepiantes Aventuras de Sabrina» está, ainda assim, em algo tido como ‘sagrado’: o inigualável Salem, que não fala... Mas será que já nada está a salvo? Embora queira marcar pela diferença, ainda que a espaços pareça uma caricatura da série dos anos 90, a série corta com algo que os fãs podem não ser capazes de perdoar. O humor sagaz do felino é substituído pelo de Ambrose, uma personagem que destoa do duo de tias já bem conhecido, onde se evidencia o talento de Miranda Otto e a habitual rivalidade das irmãs Spellman. Estaremos perante um caso de “primeiro estranha-se, depois entranha-se”?

A entrada de Sabrina na vida de bruxa tem bem menos piada do que aquela que foi experienciada pela personagem de Melissa Joan Hart, que ocupou o pequeno ecrã durante sete temporadas, num total de 163 episódios. Há uma componente feminista e social mais marcada, com o Diabo a retirar a independência e a capacidade de escolha a Sabrina, com a entrada num sistema sustentado pelo patriarcado e com homens nos principais lugares de poder. Da mesma forma, é também um drama social, com problemas que vão do sobrenatural ao mundano, como o bullying, a afirmação da identidade na adolescência e os tradicionais dramas escolares. Menos cómica e com uma narrativa mais ‘adulta’ na sua essência – ainda que mais colada às séries juvenis que têm habitado a TV –, «As Arrepiantes Aventuras de Sabrina» podem dividir a audiência em relação à sua qualidade, mas uma coisa é certa: ficamos cá com uma vontade de rever a série criada Jonathan Schmock e Nell Scovell em 1996...

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