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Actualizado às 12:39 AM, Dec 17, 2017

S.W.A.T.

Destaque S.W.A.T.

Replicar o sucesso do filme de 2003 será, para já, utópico. «S.W.A.T.», a série, tem uma narrativa mais fluída e menos interessante, encabeçada pelo ator Shemar Moore que, há pouco mais de um ano, saiu de «Mentes Criminosas», onde estava desde 2005, por iniciativa própria. Embora «S.W.A.T.» estreie apenas a 27 de novembro no AXN, a METROPOLIS já viu o primeiro episódio e diz-lhe o que pode esperar.

Mãos ao ar! Há mais uma série criminal pronta a invadir o horário nobre da televisão portuguesa e a deter-nos em frente ao ecrã. «S.W.A.T.», que estreia nos Estados Unidos no dia 2 de novembro, chega à antena do AXN Portugal algumas semanas depois, a 27. A nova série da CBS é uma reinvenção do filme «S.W.A.T. - Força de Intervenção», de 2003, que, por sua vez, foi inspirado pela série «S.W.A.T.», exibida entre 1975 e 1976, que era um spin-off de «The Rookies», estreada em 1972. Se achamos que «S.W.A.T.» não nos vai trazer nada de novo, depois de vermos o primeiro episódio temos a certeza disso.

Mas os bastidores desta série escrevem-se à custa de algum drama e, até, com uma dose de mistério que se arrisca a ser mais aliciante do que a da própria série. Shemar Moore foi escolhido em 2005 para interpretar o agente Derek Morgan de «Mentes Criminosas», mas, após 10 temporadas, informou os responsáveis de que queria sair e abraçar novos projetos no cinema. No entanto, tirando a polémica da praxe nas redes sociais, a espaços, não ouvimos falar do ator nos meses que se seguiram à sua saída – parcialmente abafada pela polémica que envolveu o despedimento de Thomas Gibson (o Hotch da série), que terá pontapeado um dos produtores executivos. Contrariando as perspetivas mais otimistas, foi anunciado que Shemar iria regressar no mesmo canal, a CBS, e novamente como figura da autoridade – apenas trocava a farda do FBI pela da SWAT. Não houve nenhuma oferta atrativa no cinema? A oportunidade foi ao encontro do que procurava? Ou foi tudo uma questão de ego?

tv swat

Shemar deixou de dividir o protagonismo com seis ou sete atores e é, assumidamente, o rosto principal de «S.W.A.T.». Ironicamente, a sua personagem, Daniel 'Hondo' Harrelson, consegue em minutos aquilo que Morgan não alcançou em 11 temporadas: uma promoção e, por conseguinte, a liderança (definitva). Após o seu mentor Buck (Louis Ferreira) ser despedido na sequência de um escândalo racial, o chefe ignora a hierarquia e aponta Hondo ao papel principal, deixando Deacon (Jay Harrington) visivelmente descontente.

Com os dramas românticos do costume como pano de fundo, a narrativa vai preparando o conflito para os próximos episódios: Hondo tem de decidir o que é mais importante para ele, a sua profissão ou o bairro onde nasceu. Numa espécie de alegoria dos problemas raciais que marcam frequentemente a atualidade noticiosa, «S.W.A.T.» centra a sua premissa em Hondo pela sua cor de pele ao invés das suas capacidades, numa consequência que é uma crítica à sociedade em que vivemos. A igualdade de oportunidades não passa de um teatro – e cabe a Hondo escolher ser o herói ou o vilão.

Pode assumir-se que «S.W.A.T.» é uma caricatura do seu passado – da série e de Shemar –, ao jeito do que já foi feito com séries como «Hora de Ponta» ou «Arma Mortífera». Ainda assim, falta perceber se será mais semelhante à primeira – que foi rapidamente cancelada – ou se conseguirá imitar o sucesso da segunda. Shemar Moore não quererá, certamente, partilhar o azar de Katherine Heigl, que pouca sorte tem tido, sobretudo no pequeno ecrã, desde que saiu de «Anatomia de Grey». Vale-lhe ter saído a ‘bem’, o que até tem permitido alguns regressos muito breves a «Mentes Criminosas», e vai dando para publicitar a série.

[artigo publicado na Revista Metropolis nº54

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