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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

Stranger Things - melhores séries 2016 #2

Destaque Stranger Things - melhores séries 2016 #2

Como é bom ver Winona Ryder na televisão e num papel à sua altura. A atriz, que fez carreira no cinema desde cedo, é uma das atrizes em destaque num dos grandes sucessos da Netflix em 2016: «Stranger Things». Winona é Joyce Byers, uma mãe solteira que vê o seu filho desaparecer misteriosamente logo no piloto. Will (Noah Schnapp) regressava da casa de um amigo quando, após uma sucessão de planos de cortar a respiração, parece evaporar da realidade que conhecemos. Estão prontos para conhecer o “outro lado”?



Em sentido oposto, “Eleven” (Millie Bobby Brown), uma criança misteriosa que mal se consegue expressar, surge num bar e provoca a morte do dono que a ajuda, com a entrada em jogo de uma agência governamental. Cada vez mais convencidos de que há uma conspiração à espreita, vemos “Eleven” enturmar-se com os amigos de Will que, desconfiados, também se deixam envolver no mistério. Num sem fim de linhas que se cruzam e nos intrigam, «Stranger Things» vai construindo, pacientemente, uma dualidade física e narrativa que, aos poucos, se torna mais clara e, paradoxalmente, mais complexa. Parece, até, que a nostalgia das séries dos anos 80, das roupas à banda sonora, passando por um estilo quase nostálgico, encontrou a magia de «O Labirinto de Fauno» (2006). Que o diga Ivana Baquero, a protagonista da obra de Guillermo del Toro, que confessou, em plena Comic Con Portugal, ter pesquisado na Internet se a série se inspirava no filme de forma propositada.

2 Stranger Things 3

A primeira temporada de «Stranger Things», que já tem garantido o regresso, foi disponibilizada de uma assentada e convida a uma maratona praticamente sem pausas. Somos conquistados pela trama tal como Jim Hopper (David Harbour), o xerife cético que acaba por acreditar que há uma conspiração por detrás da aparente morte de Will. Num género próximo do terror, ainda que de forma mais suave, a série respira suspense e alimenta o medo de quem, rodeado do que não compreende, apenas pode esperar (e temer) o pior. Há “monstros”, agências misteriosas e segredos vindos do submundo: os elementos combinam-se de forma contagiante e, a uma velocidade cada vez mais intoxicante, vão desfazendo as camadas que cercam a pacata localidade (ficcional) de Hawkins.

Por sua vez, os acontecimentos sucedem-se e, inevitavelmente, não se pode ignorar que está a acontecer algo de natureza sobrenatural. A resposta pode estar em “Eleven”, mas a rapariga parece incapaz de se expressar e, enquanto os flashbacks dão pistas ao espectador, esse conhecimento passa ao lado de quem convive com ela. Embora Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) desconfiem da nova amiga, que desperta um interesse amoroso em Mike (Finn Wolfhard), os pontos, aparentemente não relacionados, vão tardando a revelar o puzzle que se esconde no “upside down”, o lado da moeda onde ninguém quer ir parar.

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Se Winona Ryder e David Harbour são atores competentes e pouco ou nada têm a provar, a verdade é que a grande revelação de «Stranger Things» é Millie Bobby Brown, de apenas 12 anos. E, se nos Globos de Ouro foi ofuscada pela colega de elenco, o mesmo não aconteceu nos Screen Actors Guild Awards, onde concorre com Winona pela estatueta de melhor atriz numa série dramática. O restante elenco jovem é muito competente, dos mais pequenos aos adolescentes, nomeadamente Nancy (Natalia Dyer) e Jonathan Byers (Charlie Heaton), que encabeçam um arco paralelo bastante interessante. Já o estilo de realização, em que se evidenciam os criadores Matt e Ross Duffer, contribuiu para enriquecer a narrativa, potenciando a história à boleia de uma banda sonora extasiante, que ajuda a criar o ambiente de terror que se vive em Hawkins.

A reta final de «Stranger Things» é também um golpe de mestria, na linha do que foi toda a temporada. Tal como se esperava, as respostas foram fonte de mais perguntas e, depois de uma sucessão de mudanças profundas, paira a desconfiança e as teorias sobre o que se avizinha. No centro, uma vez mais e quase irremediavelmente, “Eleven” e Will, os mesmos que despoletaram – em grande parte – a ação até aqui. Poderemos contar com o regresso de ambos à naturalidade? Ou, pelo menos, à vida normal possível? Será que, ao contrário do que o público anseia, há personagens que se despediram definitivamente? A julgar pelas pistas finais deixadas pelos criadores, o público pode ter esperança, mas, ainda assim, há muitas alterações e revelações à espreita. Aconteceram “coisas estranhas” e chegou a hora de perceber até que ponto estas influenciaram os envolvidos.

A afirmação de «Stranger Things» como uma das séries do ano, e a melhor da Netflix, surge como consequência natural de todos os fatores já enunciados, tornando ainda evidente que o serviço de streaming não vive apenas da Marvel e de apostas independentes. Como já escrevemos, o paradigma mudou e a televisão vive hoje muito para além do formato que lhe conhecíamos: há alguns anos seria impensável ter uma série deste género lançada na totalidade de uma só vez e, mesmo assim, ser capaz de gerar o hype e a atenção que teve. Vivem-se tempos novos, é um facto, e a audiência já se habituou a eles.

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Modificado emquinta, 12 janeiro 2017 01:10

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