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Actualizado às 3:58 PM, Jan 19, 2020

Crazy Ex-Girlfriend - melhores séries 2016 #3

Destaque Crazy Ex-Girlfriend - melhores séries 2016 #3

Quem é Rachel Bloom, a desconhecida que, na última edição dos Globos de Ouro, venceu a categoria de melhor atriz de comédia, superando nomes como Julia Louis-Dreyfrus («Veep») ou Lily Tomlin «Grace and Frankie»)? Esta surpresa aparente viraria confirmação uma semana depois, a 17 de janeiro, quando repetia a proeza nos prémios Critics’ Choice. De facto, ao jeito de uma mulher-relâmpago, Rachel conquistou imediatamente a crítica com a subvalorizada «Crazy Ex-Girlfriend» que, ironicamente, viu a sua renovação ameaçada pelas baixas audiências no canal de origem, a CW. Ainda assim, a série, que viaja entre o humor e o musical, conseguiu uma segunda temporada, que está em andamento e cujos episódios estão a ser lançados na Netflix Portugal.

Rachel nasceu em 1987 e formou-se em Teatro na Universidade de Nova Iorque, onde foi argumentista principal e diretora do principal grupo de sketches cómicos, o Hammerkatz. Uma das principais revelações em televisão em 2016, a atriz surgiu pela primeira vez no panorama mediático há seis anos quando, por altura do 90º aniversário do escritor Ray Bradbury, um dos seus ídolos, lançou a improvável música “F*ck Me, Ray Bradbury”. Em apenas uma semana, o hit inesperado alcançou mais de 630 mil visualizações no Youtube e teve direito até a uma reação de Bradbury, que viria a falecer em 2012, bem como a uma nomeação nos prémios Hugo. Entretanto, a jovem californiana foi aproveitando as oportunidades e destacou-se como argumentista em «Allen Gregory» e «Robot Chicken», sendo que, nesta última, também fez dobragens. Pelo caminho, fez uma “perninha” na sétima temporada de «Foi Assim que Aconteceu», no episódio The Drunk Train.

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Com apenas 29 anos, Rachel tem diversos créditos entre a representação e a música, tipicamente sarcástica e caricatural, tendo atingido o mais alto nível após ter filmado, em 2015, um piloto de meia hora para a Showtime. Num volte-face inesperado, «Crazy Ex-Girlfriend» acabaria por estrear nesse mesmo ano, é certo, mas na CW e com episódios a rondar os 40 minutos. “Infelizmente, vamos ter de reduzir um pouco o tom, porque não somos um canal de cabo. Há certas palavras que não podemos usar”, afirmou à revista Variety Mark Pedowitz, o presidente do canal, depois da aposta surpreendente na série criada por Rachel e Aline Brosh McKenna, a argumentista de «O Diabo Veste Prada» (2006). Entre os produtores executivos figuram ainda Erin Ehrlich e Marc Webb, realizador de filmes como «(500) Dias com Summer» (2009) ou «O Fantástico Homem Aranha» (2012).
Convencer alguém a ver «Crazy Ex-Girlfriend» é também uma tarefa exigente. As palavras comédia e musical tendem a “afastar” determinados públicos, nomeadamente pelo preconceito que existe relativamente a números musicais que convivem com a realidade aparente da ficção. Não obstante, o argumento da série é bem estruturado e as músicas, aguçadas e de humor inteligente, encaixam na perfeição na narrativa. Há, aliás, um cuidado evidente na hora de cruzar a história com a musicalidade, levando a que ambas as facetas de «Crazy Ex-Girlfriend» convivam com naturalidade e não saturem o espectador. Já a sinopse daquela que considerámos a terceira melhor série do ano é bastante inusitada e, tal como se diz comummente, é preciso “ver para crer”.

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A advogada de sucesso Rebecca Bunch, a personagem interpretada por Rachel, está prestes a assumir o cargo de sócia numa firma de elite em Nova Iorque. Esta “ex-namorada maluca” encontra Josh Chan (Vincent Rodriguez III), o seu primeiro (e breve) amor, casualmente na rua e, de forma abrupta, decide segui-lo até à pequena localidade californiana de West Covina, “apenas a duas horas da praia”. Rebecca muda radicalmente de vida e começa a trabalhar numa firma local, claramente abaixo das suas capacidades mas, apesar de surreal, a verdade é que Rebecca consegue convencer as restantes personagens – e o próprio espectador – de que aquela mudança repentina tem, na realidade, algum sentido.
Com um elenco habituado ao teatro musical, onde se destacam Santino Fontana e Donna Lynne Champlin, Rachel e companhia transpõem a magia do palco para o pequeno ecrã. Num ritmo eletrizante, «Crazy Ex-Girlfriend» tem a capacidade de unir a sagacidade do humor com a ironia da própria vida, num jeito caricatural que explora as personagens, os locais por onde passam e a realidade cultural e social, nomeadamente norte-americana. Os números musicais são inteligentes e, uma vez mais, vem ao de cima o talento de Rachel Bloom, que cresceu profissionalmente falando verdade a cantar. Por sua vez, a inspiração é encontrada em músicas já familiares, como Spice Girls ou musicais da Broadway, reformulando, e também homenageando, as diferentes sonoridades que encontramos ao longo da nossa vida, da infância à idade adulta, passando pela irreverência da adolescência.

Novo ano, problemas antigos. A série da CW continua a estar em risco de cancelamento, sobretudo depois da saída de uma das personagens em destaque na primeira temporada. O rude golpe tem-se feito sentir nos episódios mais recentes, embora as criadoras tenham garantido que o arco estava planeado desde início. Para contrariar esta tendência, e depois da participação de atores de «Ground Floor», uma comédia parcialmente musical – cancelada cedo demais –, destaca-se a entrada de figuras familiares como Brittany Snow («Um Ritmo Perfeito») ou Scott Michael Foster («Era Uma Vez»). 

[Foi anunciado a 9 de Janeiro de 2017 que a série foi renovada para uma 3ª temporada]

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