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Actualizado às 4:15 PM, Oct 16, 2017

Call of Duty: WWII recebe documentário sobre o modo Campanha

Foi lançado um documentário sobre a criação do modo Campanha de Call of Duty: WWII, no qual são mostradas imagens de alguns locais presentes no jogo e testemunhos de vários criadores deste título. Call of Duty: WWII chega à PlayStation®4 a 3 de novembro e o modo Campanha promete reviver os grandes momentos da Segunda Guerra Mundial de uma forma quase real.

O documentário conta, entre outros, com a presença de Michael Condrey e Glen Schofield, dois dos fundadores do estúdio Sledgehammer Games, e do historiador Martin K.A. Morgan, especialista em história militar e norte-americana e autor de várias obras sobre esta temática.

Ao longo do documentário são percorridos vários locais históricos da Segunda Guerra Mundial que são recriados no jogo, como a praia de Omaha, na Normandia, Ardenas ou Paris. O documentário mostra ainda o pormenor, detalhe e exatidão com que tudo foi criado para tornar Call of Duty: WWII o mais realista e historicamente fiel.

No modo Campanha irás assumir o papel de Ronald “Red” Daniel, um soldado que tenta sair dos campos Nazi com os seus colegas Zussman, Pierson e Turner. Numa história repleta de ação, junta-te aos camaradas do teu esquadrão e enfrenta os inimigos em locais históricos como a floresta de Hürtgen ou das Ardenas.

No novo título da Activision, poderás também encontrar o modo cooperativo zombie de Call of Duty: WWII. Nazi Zombies é uma experiência cooperativa aterrorizante que te transporta para um labirinto de experiências ocultas e arrepiantes de zombies nazis na Segunda Guerra Mundial.

Call of Duty: WWII, PEGI 18, chega à PlayStation®4 a 3 de novembro.

Mais informações em www.callofduty.com

Fonte: Playstation Portugal

 

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Spintires: MudRunner - trailer

A Focus Home Interactive anunciou a sua colaboração com a Sabre Interactive para o jogo Spintires: MudRunner, a versão ultimate de Spintires o jogo indie com mais de uma milhão de vendas, este jogo chega em outubro para PC e pela primeira vez para as consolas. Tal como Spintires, Spintires: MudRunner coloca os jogadores no banco do condutor audaz que se atreve a assumir o controle de incríveis veículos todo-o-terreno, aventurando-se nas extremas paisagens siberianas com apenas um mapa e uma bússola como seus guias!

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A.O.T. 2 - teaser

A KOEI TECMO Europe revelou a sequela do titânico jogo de ação de 2016, A.O.T. Wings of Freedom está em desenvolvimento pela Omega Force. Para celebrar o anúncio, a KOEI TECMO Europe lançou um teaser que revela o título e imagens impressionantes do jogo baseado no fenómeno mundial da série de anime, 'Attack on Titan'.

Com base em ação rápida, a série é famosa e terá a abundância de novas mecânicas, esta emocionante sequela será lançada na Europa como 'A.O.T. 2 'no início de 2018. Os jogadores voltarão a estar no interior do Omni-Directional Manoeuver Gear enquanto restauram a paz e lutam para repelir os temíveis Titãs que ameaçam a humanidade.

Site Oficial: www.koeitecmoeurope.com/aot2

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LEGO Marvel Super Heroes 2

A Warner Bros. Interactive Entertainment divulgou o trailer oficial de LEGO® Marvel Super Heroes 2, com uma ampliada linha de icónicos super heróis e super vilões da Marvel de diferentes épocas e realidades, incluindo os personagens de Guardiões da Galáxia, Groot, Rocket Raccoon, Star-Lord, Gamora e Drax, bem como o Doutor Estranho, o Doctor Octopus, o Green Goblin, Spider-Gwen, o Homem-Aranha, o Homem-Aranha 2099, o Capitão América, Thor, Hulk, o Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Capitão Marvel, Homem-Formiga, Kang e muito mais!

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A Casa Animada de Pedro Serrazina

“Já não caibo numa casa/Onde o espaço é todo meu/Não são obras que me salvam/Eu só sei crescer”. Em “É Preciso Que eu Diminua”, Samuel Úria lançou a premissa. O realizador do videoclip, Pedro Serrazina, acatou-a, mas, ao fazê-lo – em vez de diminuir –, tornou o seu universo musical ainda mais denso. Este mini-filme animado já andava por aí, mas o cineasta levou-o ao Festival Monstra e, para sua própria surpresa, este valeu-lhe o Prémio Vasco Granja – SPAutores. A METROPOLIS esteve à conversa com o realizador, que deu nas vistas, pela primeira vez, com o premiado filme de animação «Estória do Gato e da Lua» (1995).

Encontramo-nos com Pedro Serrazina no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa. Este é um convite, ainda que implícito, à entrada em sua casa, uma vez que a transporta consigo para onde quer que vá. Facilmente, aliás, nos vêm à lembrança as ruas da capital no vídeo musical de “É Preciso que eu Diminua” (2017), ou a aparente calmaria do Porto no icónico «Estória do Gato e da Lua» (1995). Sem que o professor se ausente para dar lugar ao cineasta, a verdade é que, mais uma vez, Pedro se dividiu entre as duas ‘peles’ que habita. Vem ter com a METROPOLIS depois de uma tarde bem passada com os alunos, na Galeria ZDB, ali perto. “Quero que os meus alunos olhem para a animação e procurem uma linguagem nova”, conta-nos.

Depressa viajamos até ao passado. Estava no carro com a mulher, inglesa. “O produtor do Samuel Úria contactou-me e eu, na altura, disse-lhe que não. Queria acabar o meu doutoramento”, explica o realizador. Mas, nesse dia, no lugar do pendura, começou a ler a letra de Samuel Úria, então sem música. “A letra começa com 'Já não caibo numa casa' e aquilo bateu em vários pontos da minha vida. O facto de ter mudado de casa, de ter muitas coisas, de a minha mãe ter morrido e me ter deixado uma casa cheia de objetos”, recorda. Traduziu, no momento, a letra para inglês e a mulher não teve dúvidas: “Vais ter de fazer isso”. “Para mim, foi um processo muito bonito e deram-me carta livre, parece que caiu no meu colo”, descreve Pedro, entre risos.

Leia o artigo completo na edição de junho da revista METROPOLIS

«Amarelinho» entrevista a Antoine Barraud

Antoine Barraud, o argumentista do filme de animação 3D «Amarelinho», veio a Portugal apresentar o filme realizado por Christian De Vita. Esta é a história de um improvável herói: um passarinho órfão e amedrontado. Sem nunca ter visto outro pássaro e tendo por companhia apenas uma simpática joaninha e uns alienados coelhos, o Amarelinho irá encontrar-se numa situação em que tem de conduzir todo um bando de aves migratórias até África. Ele, que mal sabia voar e nunca conheceu nenhum outro lugar para além das ruínas de uma casa abandonada onde sempre viveu, vai ter de vencer os seus medos do Outro e do desconhecido e embarcar numa viagem de milhares de quilómetros. O filme é para crianças, mas levanta questões sobre a auto-sabotagem, as migrações e o medo do Outro, que são bem actuais, pertinentes e adultas.

Como nasce este projecto do «Amarelinho»?

ANTOINE BARRAUD (AB) – Trabalhei com uma produtora de animação que se chama Corinne Couper que fazia séries de desenhos animados para a televisão e ela perguntou-me se eu tinha alguma ideia para um filme. E, curiosamente, uns dias antes de ela me perguntar eu tinha tido uma espécie de flash de uma imagem de um rapaz pequeno com o seu pai a observarem as aves migratórias a voarem no céu, que partiam e, ao mesmo tempo, outras aves voavam em sentido inverso. Foi a minha primeira imagem e, curiosamente, não está no filme. Mas foi essa imagem que espoletou a ideia do filme. A de aves migratórias que voam em sentido oposto. Essa ideia agradou-me.

O Amarelinho, que na versão original se chama Gus, fez-me lembrar um pouco a conhecida personagem de animação dos anos 70, criada por Toni Pago, o Calimero. O passarinho que se queixava constantemente e tinha receio de tudo. Como descreveria o seu Gus?

AB – Talvez pareça, talvez. Não o pensei. (Risos) Para mim o que me interessou sobretudo na personagem de Gus e neste projecto foi de criar um filme sem um vilão. Queria que a personagem principal fosse o seu próprio inimigo: ele é, a um tempo, o bom e o mau. Colocar ambos os traços na mesma personagem interessava-me bastante porque nos filmes que vemos – sobretudo os dirigidos a crianças – há sempre uma dicotomia permanente entre o bem e o mal, o herói e o vilão. É, por vezes, agradável quando é tomado num segundo grau como, por exemplo, em «Despicable Me» onde há um jogo entre o bem e o mal. Mas, de resto, é algo que acho demasiado simplista e é algo que não me agrada que se transmita às crianças.

Amarelinho 1

Os filmes para crianças tomam sempre uma visão maniqueísta, certamente. Mas e os gatos? Não serão eles os vilões?

AB – Sim, claro. O mal e os vilões existem. Mas não queria que o filme se reduzisse a uma visão de luta do bem contra o mal. Não queria isso de forma alguma ; antes algo mais humano, mais complexo, mas mantendo-o simples. Queria mostrar essa personagem em que ele é o seu próprio inimigo. Ele é amoroso, alguém que gostamos, mas durante todo o filme ele está enganado, não tem razão. Enquanto que o personagem mais desagradável, o Karl, tem razão. Ele sabe que Gus está a conduzir o bando no sentido contrário. Eu gosto de jogar com os códigos e os pressupostos.

No caso do Gus é mais uma luta dos seus fantasmas internos: os seus medos, o não querer descobrir o mundo para além do seu pequeno espaço, ...

AB – Exacto. Mas o curioso é que tive essa ideia a ver um filme que não tem nada a ver com este: «Breakfast at Tiffany's». Porque vi o filme e pensei exactamente isso: ela é o seu próprio inimigo. Holly Golightly (Audrey Hepburn) é a personagem que amamos, a personagem principal, mas que é o seu próprio obstáculo que tem que transpor, como o Gus.

Não só há sempre a questão do maniqueísmo nos filmes para crianças, mas também tendem a ter sempre uma moral. Em «O Amarelinho», qual é a moral? Isto é se a tem...

AB – Para mim existem duas. Em primeiro – que não sei se é propriamente uma moral – há a questão do encorajar a ter curiosidade pelo Mundo e pelo o Outro. O Gus é uma personagem que não quer sair do seu pequeno mundo e que tem medo de tudo... Há a ideia de se abrir aos outros para poder fazer coisas maiores. É um pouco como num filme: um filme não pode ser feito por só uma pessoa, é preciso uma equipa de cem, duzentas pessoas. Neste filme trabalhamos com cerca de trezentos membros. O filme nasceu na minha cabeça, imaginei-o eu, mas gosto da curiosidade dos outros: da pessoa que vai inventar o aspecto gráfico, a pessoa que vai inventar a música, a pessoa que vai dar a voz,... É um trabalho de todos. E penso que este filme mostra isso sobre o tema da imigração.
E depois há uma outra moral que me agrada bastante. Neste momento há uma crise migratória que é terrível. Não era tão forte quando comecei a produzir o filme mas que se tem vindo a agravar. É algo que me perturba muito e acho que o filme está lá para mostrar que, por vezes, para se ter uma vida melhor temos que imigrar. É importante. Nós vivemos na Europa, em países que mesmo com a crise financeira, têm uma boa qualidade de vida. Enquanto há outros países onde não se vive bem. E é importante mostrar que por vezes a solução é a imigração e que o Mundo é de toda a gente. Para mim isso é mesmo importante. E,se houver a oportunidade de dar continuidade ao filme, eu gostaria de mostrar Gus a voltar com as aves africanas.

Amarelinho 2

O que também permite apostar no sentido cómico dos contrastes, como em «Madagascar», quando os animais africanos estão nos EUA e há um certo choque civilizacional...

AB - Sim, mas para mim é a imigração é uma questão importante. Aqui são aves francesas que vão para África, mas eles partem para lá à procura de melhores condições de vida. E se é verdade para eles também é verdade em todos os sentidos. Mas queria que o filme mostrasse isso em filigrana, não queria um filme político. Mas queria que o filme dissesse algo de humanista.

Aqui temos também uma estética muito particular. De alguma forma parecia que as personagens eram feitas de papel, como bonecos de origami. Cada pluma é como um pedacinho de papel. Esse cuidado com a estética é o trunfo para fazer frente ao universo estandardizado da Pixar e da Disney?

AB – Digamos que houve por parte do estúdio de animação uma vontade de procurar uma estética diferente. Benjamin Renner, que trabalhou em curtas-metragens de animação muito específicas, muito particulares visualmente, tinha uma vontade uma vontade de fazer esse aspecto de papel: de pop-up book. E é algo que ele trouxe especificamente e que a produtora encorajou.

E porquê a escolha do 3D? Pessoalmente tendo a acreditar que o 3D se transforma facilmente num artifício, num gimmick – como dizem os americanos – que subtrai mais à obra do que acrescenta.

AB – Eu nunca gostei do 3D também. Foi algo decidido no fim do filme, mas foi a primeira vez que o achei justificável tendo em conta o estilo de animação do Renner que lhe deu aquele aspecto de pop-up book. O estilo dele já era 3D na representação 2D. E isso foi o que me convenceu.

Amarelinho 3

Não pude deixar de reparar que o filme foi feito em 2014. Porquê só agora nas salas de cinema em Portugal?

AB – Bom, isso não sei. Mas o interessante é que este filme, para mim, foi um caminho longo. Eu tive a ideia do filme em 2004. Foi um processo de desenvolvimento extremamente longo. Tudo foi muito complicado, tudo foi uma aventura...

Mas acabou por surgir num bom momento. Ou melhor, num mau momento para a história humana mas para um bom justamente para chamar à atenção sobre, como referiu, as questões da imigração. Agora faz mais sentido vê-lo. Surge quase como uma premonição.

AB – Espero sinceramente que sim.

Curiosamente, no mesmo ano que fez o «Amarelinho», faz também «Le Dos Rouge» que é um mergulho no mundo da história de arte e nos conceitos de transformação, alteração e monstruosidade. Uma obra muito diferente. É certo que neste filme, o Antoine é argumentista e não realizador, mas como definiria o seu trabalho? Das obras que vi, pareceu-me como que um mosaico e, se bem que veja cada tessela, custa-me a perceber o desenho que formam.

AB - Isso é justamente o que me agrada. Sou muito cinéfilo, quase “cinéfago”. Vejo uma quantidade enorme de filmes. Talvez cerca de 250 filmes por ano nas salas de cinema mais todos os outros filmes que vejo em casa em dvd. E tenho o mesmo gosto enquanto espectador como enquanto realizador. Ou seja, um gosto pelo que me agrada, que acho bem feito, seja qual for o género: animação, de autor, comercial, intelectual, de aventuras,... Para mim isso não tem qualquer importância. Gosto do que gosto tão somente. E trabalho também como produtor e produzi um filme português no ano passado, «O Ornitólogo» (João Pedro Reis)...

E, mais uma vez, um filme de um universo muito diferente. Pese embora a curiosa relação do título...

AB – De facto, um universo completamente diferente. Mas a mim agrada-me muito o ecletismo, a diversidade. E os realizadores de quem me sinto mais próximo, que admiro mais são Barbet Schroeder, Werner Herzog, John Huston... gente que fez toda a sua carreira com filmes completamente diferentes. Que passaram de westerns a um romance a um documentário... Por exemplo, o Barbet que faz um documentário sobre Idi Amin Dada [«Général Idi Amin Dada : Autoportrait», 1974], depois um filme na Colômbia [«La Virgen de los Sicarios», 2000] e depois uma coisa hollywoodesca [episódio da série «Mad Men»]... Acho isso extraordinário! A pessoa que sou é isso. Esse mosaico. O que se torna algo difícil para mim. Porque as pessoas têm dificuldade em identificar o que eu faço. Nós gostamos de etiquetas, de rótulos: de dizer que este realizador faz isto e outro faz aqueloutro. E em mim é difícil por a etiqueta.

A sua personagem Bertrand [Bertrand Bonello] no filme «Le Dos Rouge» fala disso no diálogo que mantém com o jornalista que o entrevista sobre o seu trabalho como realizador. Mas falando desse mosaico. O Antoine tem mais dois filmes na calha: «Madeleine Collins» e «Monument Valley». Quer falar-nos dessas duas novas tesselas?

AB - «Madeleine Collins» vai ser o meu próximo projecto de realizador. É um filme, mais uma vez, completamente diferente. Fala sobre uma mulher que tem uma vida dupla, entre a França e a Suíça; e que vai recusar ver a verdade, vai enterrar-se em mentiras sobre mentiras. Irei filmar no próximo ano, na França e na Suíça, ... E o «Monument Valley» é também completamente diferente! È uma espécie de comédia de aventuras, com uma história de amor gay, no Brasil e que termina no Monument Valley, nos EUA. É um filme que co-escrevi e que co-realizo com um jovem realizador brasileiro.

E, para terminar, o que diria às crianças ou aos pais para virem ver o «Amarelinho»?

AB – Antes de mais queria dizer que acabo de ver o filme em português - já o tinha visto obviamente em francês e inglês- e, não sei quem são os actores mas fiquei muito surpreendido pela qualidade das vozes.
Convido as crianças a virem ver o filme e encorajo-as a saber mais sobre a migração dos pássaros porque é absolutamente apaixonante. Eu trabalhei com um especialista ornitólogo [Guilhem Lesaffre] e passei dias inteiros de boca aberta a escutar o que me dizia. São incríveis os mistérios ainda por resolver da migração dos pássaros, mesmo com todos os estudos científicos. A complexidade da natureza é deslumbrante.

Richard Gere — entrevista

Em O Benfeitor, escrito e dirigido por Andrew Renzi, Richard Gere interpreta um filantropo com um passado obscuro — este entrevista foi publicada no Diário de Notícias (12 Dezembro), com o título '“O essencial do cinema americano são as produções independentes"'.

A sua personagem no filme O Benfeitor é uma figura paradoxal. A vontade que manifesta de ajudar o casal interpretado por Dakota Fanning e Theo James parece nascer de uma preocupação genuína, mas também de um sentimento de culpa. Quando leu o argumento, como é que o encarou? Inocente ou culpado?
Nunca julgo uma personagem — creio mesmo que é uma atitude perigosa. É evidente que ele está marcado pela culpa (por causa do acidente em que morreu o casal amigo, acidente que ele de alguma maneira provocou), despreza-se a si próprio. Mas é um ser humano. Na verdade, não creio que seja uma questão de culpa. Todos vivemos coisas que lamentamos, todos fizemos escolhas imperfeitas, nem sempre conseguimos ver de forma clara aquilo que nos impele a agir. Na maior parte do tempo, sentimo-nos envolvidos por forças desconhecidas e misteriosas.

Uma personagem pode levar um actor a revisitar memórias que têm a ver com a sua própria experiência — neste caso, isso aconteceu de alguma maneira?
Não, não especialmente.

Será mais fácil, ou mais interessante, interpretar uma personagem mais distante de si próprio?
Não é fácil responder. Provavelmente, é mais fácil interpretar alguém muito distante daquilo que somos — sentimo-nos mais livres. Quando interpretamos alguém que nos é mais próximo, torna-se difícil, quase impossível, ser objectivo. Mas aquilo que parece fácil, acaba por complicar-se... Enfim, ninguém se torna actor por querer funcionar como papel de parede [riso].

Sente que há diferenças importantes entre um filme de estúdio e uma produção independente como O Benfeitor?
A maior parte dos meus filmes são de estúdio, mas com baixos orçamentos. Nos anos 70/80, um filme como O Benfeitor teria sido feito por um grande estúdio — agora, corresponde à produção independente. Podemos ter menos dinheiro e um calendário de rodagem mais apertado mas, para mim, a sensação é a mesma.

Quer isso dizer que um filme como American Gigolo (1980) não seria possível, agora, com a chancela de um grande estúdio?
Provavelmente, não.

Que memórias guarda desse filme, em particular do encontro com o argumentista/realizador Paul Schrader que, poucos anos antes, tinha escrito Taxi Driver (1976), para Martin Scorsese?
Paul já se tinha estreado na realização, com um belo filme chamado Blue Collar (1978); estava, de facto, num momento alto da sua carreira. Senti-me muito honrado quando me convidou e confesso que hesitei, já que se tratava de uma personagem completamente diferente de tudo o que tinha feito antes. Pedi-lhe tempo para pensar, mas ele tinha urgência em lançar a produção. Acabei por aceitar, mesmo tendo apenas duas semanas de preparação. Uma coisa é certa: na altura, no cinema americano, ele era, provavelmente, o melhor a saber construir a estrutura de uma história.

Recuando um pouco, como foi a experiência com Terrence Malick, em Dias do Paraíso (1978)?
Na verdade, foi o meu primeiro filme. É como o primeiro amor: nunca esquecemos. Tinha feito algumas coisas na televisão, para ganhar dinheiro, mas era um actor de teatro. O primeiro filme de Malick, Badlands/Noivos Sangrentos (1973), impressionara-me, disse mesmo ao meu agente que gostava imenso de trabalhar com ele... e algumas semanas depois fui contactado para o casting de Dias do Paraíso. O processo foi complicado: Terrence levou imenso tempo e eu próprio fui um dos que o pressionou para tomar decisões. Até que, lembro-me perfeitamente, estava num hotel em Los Angeles e recebi um telefonema: “Richard, só consigo fazer este filme se for contigo.” Lembro-me da sensação de que estava a começar um novo capítulo da minha vida.

Lamenta que, agora, a produção de filmes como esse tenha mudado tanto?
Não, porque continuamos a poder fazer esses filmes. Além do mais, a televisão também está a trabalhar nesse sentido — há coisas que se fazem em televisão que nunca poderiam surgir no âmbito de um estúdio.

Há sectores importantes do público que, infelizmente, são levados a pensar que o cinema americano se esgota em Star Wars e outras produções da mesma dimensão.
De facto, um filme como Star Wars, com o seu custo de 300 ou 400 milhões de dólares, incluindo a publicidade, só pode ser feito na América. Mas o essencial do que se faz na América são os pequenos filmes independentes, normalmente rodados em muito menos tempo. No passado, um filme como O Benfeitor teria uma rodagem de uns 50 dias, mas nós fizemo-lo em 30 — e creio que a maior parte das pessoas, a começar por mim, se dá bem com isso.

Ken Loach - entrevista exclusiva «Eu, Daniel Blake»

Presente antecipado para o aniversário de 80 anos de uma vida marxista, dedicada à denúncia das vicissitudes morais inerentes à luta de classes, a Palma de Ouro foi dada ao inglês Kenneth Loach no dia 22 maio, em reconhecimento da vitalidade dramatúrgica e do espírito humanista de «I, Daniel Blake». Este prémio coroou uma trajetória cinematográfica cujo foco sempre foi a exclusão, em suas mais variadas e cruéis formas. Dia 17 de junho, o leitor de Marx que entre 1964 e 2016 usou os aforismos políticos do “velho barbudo” em 42 filmes e oito séries de TV passa para o clube dos octogenários. Mas esta vitória recente em Cannes deu a ele passaporte para outro clubinho seleto: a confraria de diretores que ganharam a Palma duas vezes. Antes dele, que ganhou a láurea pela primeira vez em 2006, por «Ventos da Liberdade», só sete realizadores tiveram a mesma honra: o sueco Alf Sjöberg, o americano Francis Ford Coppola, o austríaco Micheal Haneke, o japonês Shohei Imamura, o dinamarquês Bille August, os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (irmãos que, por só filmarem em dupla, contam como um) e o sérvio Emir Kusturica. Seu novíssimo trabalho está à altura das obras-primas destes seus colegas de vitória.
“Agora em 2017, eu completo 50 anos como cineasta e, neste período todo de trabalho em prol da Arte, eu sempre retratei a questão do desemprego pela minha perplexidade em perceber que o Estado, não apenas na Inglaterra, mas também em outros países da Europa, parece culpabilizar os desempregados pela sua demissão. Há uma cultura institucional de atribuir à vítima a razão de seu infortúnio”, diz Loach, em entrevista à METROPOLIS.

Marcada por atuações memoráveis, inclusive a de não-atores, o drama «I, Daniel Blake» radiografa as sequelas do desemprego e do desamparo social na Inglaterra, a partir da relação de amizade estabelecida pela sorte do acaso entre uma mãe solteira (Hayley Squires) e um cinquentão com problemas cardíacos, Daniel, vivido por Dave Johns, humorista especializado em comédias stand up, sem nenhuma intimidade com sets de filmagem. Para Loach, o novo longa-metragem é uma denuncia da burocracia e um convite à discussão sobre formas institucionalizadas de exclusão. No depoimento a seguir, Loach explica suas escolhas estéticas.

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Como é que o senhor definiria seu estilo formal como realizador em relação ao Real?
KEN LOACH: Não concordo quando dizem que meu estilo de filmar é documental pelo fato de eu tratar temas sociais. A câmera do documentário tem movimento, faz-se na mão do operador, treme. A minha, não. A minha é rígida. Invisível. Eu uso tripé. Deixo a câmera sóbria, sem mexer. Por quê? Porque a câmera parada observa, sem invadir. E meu cinema é feito de observação. Observar é a estratégia que Brecht me deu para esmiuçar o olhar de um personagem e compartilhar do que ele sente.

Se a câmara é “invisível” na cena projetada, como ela se comporta em relação aos atores que constroem cada uma de suas sequências? Como o senhor dirige seu elenco, por vezes coalhado de pessoas sem experiência de interpretação profissional?
LOACH: Tenho muita facilidade de lidar com atores porque eles, em geral, são pessoas com muita imaginação e com potencial para explorar as próprias fragilidades. Em «I, Daniel Blake», por exemplo, quando eu vou até ONGs de apoio a famintos, os atendentes que eu filmo não são atores e sim pessoas que trabalham ali. Sigo a cartilha neorrealista de Rossellini neste aspecto. Como fazer esse processo dar certo? Basta filmar o roteiro na ordem que a historia é contada, revelando parte da trama para os atores, porque assim você cria uma sensação de mutua descoberta, que tira a hierarquia da direção sobre o elenco. Estamos aprendendo juntos, os atores e eu, que filme estamos rodando.

«I, Daniel Blake» mostra uma Inglaterra emperrada pela burocracia estatal. Existe alguma reforma política em vista que mude esta situação?
LOACH: Eu filmo para que esta reforma chegue. Há quem acredite que o cinema é um lugar de anestesia, de sonho. Cinema para mim é o lugar da iluminação, do levante, do incômodo. Só assim pode haver reação. É assustador perceber que chegamos a somar 4 milhões de desempregados no Reino Unido. Escolhi fazer este filme em Newcastle, uma cidadezinha a 450 Km ao norte de Londres, pela tradição local de lutas sindicais, a fim de gerar uma reflexão sobre a continuidade dessa prática de exclusão a pessoas à procura de emprego. Eu não quero apenas emocionar com este filme: quero deixar o público com raiva.

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Que posição o senhor pretende tomar em relação ao referendo do dia 23 de junho, acerca da opção de a Inglaterra permanecer ou não na União Europeia?
LOACH: A União Europeia é um projeto liberal que nasceu com a proposta de unir nações com o projeto de fortalecer uma moeda única e garantir uma circulação mútua. Por mais que o liberalismo em assuste, aquele investimento trouxe bons frutos, talvez por ser calçado por um bom respaldo filosófico. É esse respaldo que eu levo em conta ao pensar nos caminhos para a Inglaterra, que penou durante anos sob a gestão de líderes que não consideravam a condição do povo, só do Estado. Pela primeira vez depois de quase duas décadas, temos na figura de David Cameron um Primeiro-Ministro que se preocupa com o bem-estar da população e não apenas com negócios. Esta escolha é uma decisão tática que envolve o quanto a Inglaterra pode lucrar se sair. Não é claro ainda o que temos ganhar nem o que temos a perder se continuarmos. Mas é necessário levar em conta que a União nasceu de uma filosofia liberal e esse aspecto precisa ser respeitado em nome da democracia.

Qual é o sentido que leva o senhor a ler Karl Marx até hoje?
LOACH: O “velho” sempre tem o que dizer. Eu tenho sempre as palavras dele do meu lado pois elas me garantem lucidez. Sabe qual foi o nosso maior erro? Fechámos os livros. Parámos de ouvir o que os livros têm a nos dizer. Marx criou um modelo de funcionamento de mundo com engrenagens muito sólidas. Ele fez da dialética uma estrutura de funcionamento da vida prática. Os livros dele não são teoria: são armas. E estamos precisando de armas para buscar a democracia.

(entrevista publicada na revista Metropolis nº39)

BLACK PANTHER - trailer

O filme conta a história de T'Challa, que depois da morte do seu pai, o Rei de Wakanda, volta a casa, à nação africana isolada e tecnologicamente avançada, para subir ao trono e assumir o seu lugar como rei. Mas, quando um antigo e poderoso inimigo reaparece, a força de T'Challa como rei e Pantera Negra é testada, quando é atraído para um conflito que coloca o destino de Wakanda e do mundo em risco. Diante da traição e do perigo, o jovem rei deve reunir os seus aliados e libertar o poder total de Pantera Negra para derrotar os seus inimigos e garantir a segurança do seu povo.

BLACK PANTHER estreia nos cinemas em fevereiro de 2018.

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"Ficheiros Secretos", 2018

A série Ficheiros Secretos vai regressar àquela que sempre foi a sua paisagem ideal — a saber: a televisão. A 11ª temporada de The X Files está agendada para Janeiro de 2018 e já tem trailer (e também um belo poster).

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«Caçador de Mentes» realizado por David Fincher

Como nos antecipamos a um louco se não sabemos como ele pensa?! Em CAÇADOR DE MENTES, dois agentes do FBI, Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany), estudam as mentes de assassinos em série numa tentativa de os compreender e os apanhar.

CAÇADOR DE MENTES, série original realizada por David Fincher estreia na Netflix já esta sexta-feira, dia 13.

Fonte: Netflix

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Marcas de Guerra - trailer

Marcas de Guerra, da DreamWorks Pictures, segue um grupo de soldados americanos que regressam do Iraque e lutam para se reintegrarem na vida familiar e civil, vivendo ao mesmo tempo com as memórias de uma guerra que ameaça destruí-los muito depois de terem deixado o campo de batalha.

Protagonizado por um elenco liderado por Miles Teller, Haley Bennett, Amy Schumer, Joe Cole, Beulah Koale, Scott Haze, Keisha Castle-Hughes, Brad Beyer, Omar J. Dorsey e Jayson Warner Smith, este drama é inspirado no best-seller do jornalista e escritor David Finkel, vencedor de um prémio Pulitzer.

Jason Hall, que escreveu o argumento de Sniper Americano, faz a sua estreia como realizador com Marcas de Guerra, sendo também autor do argumento. A produção é de Jon Kilik (saga The Hunger Games: Os Jogos da Fome, Babel) e Ann Ruark (Biutiful) é a produtora executiva.

NOS CINEMAS A 9 DE NOVEMBRO

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