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Actualizado às 9:01 PM, Jun 25, 2017

LEGO Marvel Super Heroes 2

A Warner Bros. Interactive Entertainment divulgou o trailer oficial de LEGO® Marvel Super Heroes 2, com uma ampliada linha de icónicos super heróis e super vilões da Marvel de diferentes épocas e realidades, incluindo os personagens de Guardiões da Galáxia, Groot, Rocket Raccoon, Star-Lord, Gamora e Drax, bem como o Doutor Estranho, o Doctor Octopus, o Green Goblin, Spider-Gwen, o Homem-Aranha, o Homem-Aranha 2099, o Capitão América, Thor, Hulk, o Gavião Arqueiro, Homem de Ferro, Capitão Marvel, Homem-Formiga, Kang e muito mais!

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Prey | Fight The Invasion Launch Trailer

Quando acordamos a bordo da estação espacial Talos I, descobrimos que somos uma peça chave de uma experiência destinada a alterar a humanidade para sempre - mas as coisas correram terrivelmente mal. Talos I foi invadida por uma força alienígena, e devemos parar a ameaça Typhon que ameaça destruir a humanidade. Como Morgan Yu, a última esperança da humanidade, temos de combater a infestação alienígena apenas armados com as ferramentas encontradas na estação, a nossa perspicácia, armas e habilidades da mente. Cabe a nós descobrirmos os mistérios de Talos I e salvaguardar o mundo da ameaça Typhon.

Prey 2

Mal podes esperar para colocar as mãos no jogo? Podes jogar a primeira hora de Prey gratuitamente na PlayStation 4 e Xbox One. The Prey Demo: Opening Hour coloca-nos no papel de Morgan Yu, cientista principal a bordo do Talos I, a trabalhar numa pesquisa científica. O que começa como um emocionante primeiro dia de trabalho muito rapidamente se torna num dia negro. O jogador encontra-se sozinho a bordo de uma luxuosa mas abandonada instalação de pesquisa interestelar. Os alienígenas invadiram a estação e caçam todos os membros da tripulação que sobreviveram, inclusive você. Se essas criaturas chegarem à Terra, a vida como nós sabemos vai acabar.

Prey é o aguardado jogo de acção de ficção científica na primeira pessoa da Arkane Studios - criadores da premiada série Dishonored, que inclui o ' Game of the Year " de 2012 e a aclamada sequela pela crítica, Dishonored 2.

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«Injustice 2» - Cheetah Trailer

O mais recente trailer de Injustice 2 foi revelado pela Warner Bros. Interactive Entertainment e a DC Entertainment e mostra a recém-revelada Cheetah.

Em desenvolvimento pelo premiado NetherRealm Studios, Injustice 2 apresenta uma enorme lista de super-heróis e super-vilões da DC e permite aos jogadores construir e incrementar a versão final dos seus personagens favoritos da DC.

O jogo estará disponível para PlayStation 4 e Xbox One a 19 de maio de 2017.

www.injustice.com

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Kona - Playstation 4

Norte do Canadá, 1970. Um estranho nevão abata-se sobre o Lago Atamipek. Entre na pele do detetive particular Carl Faubert para explorar a misteriosa aldeia, investigar eventos surreais e combater os elementos para sobreviver.

KONA é um novo título de terror de sobrevivência e aventura, é um jogo submerso no mistério e na intriga tem uma narrativa capaz de provocar arrepios na espinha e um drama que vai criando uma tensão a cada segundo.

 

 

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A Casa Animada de Pedro Serrazina

“Já não caibo numa casa/Onde o espaço é todo meu/Não são obras que me salvam/Eu só sei crescer”. Em “É Preciso Que eu Diminua”, Samuel Úria lançou a premissa. O realizador do videoclip, Pedro Serrazina, acatou-a, mas, ao fazê-lo – em vez de diminuir –, tornou o seu universo musical ainda mais denso. Este mini-filme animado já andava por aí, mas o cineasta levou-o ao Festival Monstra e, para sua própria surpresa, este valeu-lhe o Prémio Vasco Granja – SPAutores. A METROPOLIS esteve à conversa com o realizador, que deu nas vistas, pela primeira vez, com o premiado filme de animação «Estória do Gato e da Lua» (1995).

Encontramo-nos com Pedro Serrazina no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa. Este é um convite, ainda que implícito, à entrada em sua casa, uma vez que a transporta consigo para onde quer que vá. Facilmente, aliás, nos vêm à lembrança as ruas da capital no vídeo musical de “É Preciso que eu Diminua” (2017), ou a aparente calmaria do Porto no icónico «Estória do Gato e da Lua» (1995). Sem que o professor se ausente para dar lugar ao cineasta, a verdade é que, mais uma vez, Pedro se dividiu entre as duas ‘peles’ que habita. Vem ter com a METROPOLIS depois de uma tarde bem passada com os alunos, na Galeria ZDB, ali perto. “Quero que os meus alunos olhem para a animação e procurem uma linguagem nova”, conta-nos.

Depressa viajamos até ao passado. Estava no carro com a mulher, inglesa. “O produtor do Samuel Úria contactou-me e eu, na altura, disse-lhe que não. Queria acabar o meu doutoramento”, explica o realizador. Mas, nesse dia, no lugar do pendura, começou a ler a letra de Samuel Úria, então sem música. “A letra começa com 'Já não caibo numa casa' e aquilo bateu em vários pontos da minha vida. O facto de ter mudado de casa, de ter muitas coisas, de a minha mãe ter morrido e me ter deixado uma casa cheia de objetos”, recorda. Traduziu, no momento, a letra para inglês e a mulher não teve dúvidas: “Vais ter de fazer isso”. “Para mim, foi um processo muito bonito e deram-me carta livre, parece que caiu no meu colo”, descreve Pedro, entre risos.

Leia o artigo completo na edição de junho da revista METROPOLIS

«Amarelinho» entrevista a Antoine Barraud

Antoine Barraud, o argumentista do filme de animação 3D «Amarelinho», veio a Portugal apresentar o filme realizado por Christian De Vita. Esta é a história de um improvável herói: um passarinho órfão e amedrontado. Sem nunca ter visto outro pássaro e tendo por companhia apenas uma simpática joaninha e uns alienados coelhos, o Amarelinho irá encontrar-se numa situação em que tem de conduzir todo um bando de aves migratórias até África. Ele, que mal sabia voar e nunca conheceu nenhum outro lugar para além das ruínas de uma casa abandonada onde sempre viveu, vai ter de vencer os seus medos do Outro e do desconhecido e embarcar numa viagem de milhares de quilómetros. O filme é para crianças, mas levanta questões sobre a auto-sabotagem, as migrações e o medo do Outro, que são bem actuais, pertinentes e adultas.

Como nasce este projecto do «Amarelinho»?

ANTOINE BARRAUD (AB) – Trabalhei com uma produtora de animação que se chama Corinne Couper que fazia séries de desenhos animados para a televisão e ela perguntou-me se eu tinha alguma ideia para um filme. E, curiosamente, uns dias antes de ela me perguntar eu tinha tido uma espécie de flash de uma imagem de um rapaz pequeno com o seu pai a observarem as aves migratórias a voarem no céu, que partiam e, ao mesmo tempo, outras aves voavam em sentido inverso. Foi a minha primeira imagem e, curiosamente, não está no filme. Mas foi essa imagem que espoletou a ideia do filme. A de aves migratórias que voam em sentido oposto. Essa ideia agradou-me.

O Amarelinho, que na versão original se chama Gus, fez-me lembrar um pouco a conhecida personagem de animação dos anos 70, criada por Toni Pago, o Calimero. O passarinho que se queixava constantemente e tinha receio de tudo. Como descreveria o seu Gus?

AB – Talvez pareça, talvez. Não o pensei. (Risos) Para mim o que me interessou sobretudo na personagem de Gus e neste projecto foi de criar um filme sem um vilão. Queria que a personagem principal fosse o seu próprio inimigo: ele é, a um tempo, o bom e o mau. Colocar ambos os traços na mesma personagem interessava-me bastante porque nos filmes que vemos – sobretudo os dirigidos a crianças – há sempre uma dicotomia permanente entre o bem e o mal, o herói e o vilão. É, por vezes, agradável quando é tomado num segundo grau como, por exemplo, em «Despicable Me» onde há um jogo entre o bem e o mal. Mas, de resto, é algo que acho demasiado simplista e é algo que não me agrada que se transmita às crianças.

Amarelinho 1

Os filmes para crianças tomam sempre uma visão maniqueísta, certamente. Mas e os gatos? Não serão eles os vilões?

AB – Sim, claro. O mal e os vilões existem. Mas não queria que o filme se reduzisse a uma visão de luta do bem contra o mal. Não queria isso de forma alguma ; antes algo mais humano, mais complexo, mas mantendo-o simples. Queria mostrar essa personagem em que ele é o seu próprio inimigo. Ele é amoroso, alguém que gostamos, mas durante todo o filme ele está enganado, não tem razão. Enquanto que o personagem mais desagradável, o Karl, tem razão. Ele sabe que Gus está a conduzir o bando no sentido contrário. Eu gosto de jogar com os códigos e os pressupostos.

No caso do Gus é mais uma luta dos seus fantasmas internos: os seus medos, o não querer descobrir o mundo para além do seu pequeno espaço, ...

AB – Exacto. Mas o curioso é que tive essa ideia a ver um filme que não tem nada a ver com este: «Breakfast at Tiffany's». Porque vi o filme e pensei exactamente isso: ela é o seu próprio inimigo. Holly Golightly (Audrey Hepburn) é a personagem que amamos, a personagem principal, mas que é o seu próprio obstáculo que tem que transpor, como o Gus.

Não só há sempre a questão do maniqueísmo nos filmes para crianças, mas também tendem a ter sempre uma moral. Em «O Amarelinho», qual é a moral? Isto é se a tem...

AB – Para mim existem duas. Em primeiro – que não sei se é propriamente uma moral – há a questão do encorajar a ter curiosidade pelo Mundo e pelo o Outro. O Gus é uma personagem que não quer sair do seu pequeno mundo e que tem medo de tudo... Há a ideia de se abrir aos outros para poder fazer coisas maiores. É um pouco como num filme: um filme não pode ser feito por só uma pessoa, é preciso uma equipa de cem, duzentas pessoas. Neste filme trabalhamos com cerca de trezentos membros. O filme nasceu na minha cabeça, imaginei-o eu, mas gosto da curiosidade dos outros: da pessoa que vai inventar o aspecto gráfico, a pessoa que vai inventar a música, a pessoa que vai dar a voz,... É um trabalho de todos. E penso que este filme mostra isso sobre o tema da imigração.
E depois há uma outra moral que me agrada bastante. Neste momento há uma crise migratória que é terrível. Não era tão forte quando comecei a produzir o filme mas que se tem vindo a agravar. É algo que me perturba muito e acho que o filme está lá para mostrar que, por vezes, para se ter uma vida melhor temos que imigrar. É importante. Nós vivemos na Europa, em países que mesmo com a crise financeira, têm uma boa qualidade de vida. Enquanto há outros países onde não se vive bem. E é importante mostrar que por vezes a solução é a imigração e que o Mundo é de toda a gente. Para mim isso é mesmo importante. E,se houver a oportunidade de dar continuidade ao filme, eu gostaria de mostrar Gus a voltar com as aves africanas.

Amarelinho 2

O que também permite apostar no sentido cómico dos contrastes, como em «Madagascar», quando os animais africanos estão nos EUA e há um certo choque civilizacional...

AB - Sim, mas para mim é a imigração é uma questão importante. Aqui são aves francesas que vão para África, mas eles partem para lá à procura de melhores condições de vida. E se é verdade para eles também é verdade em todos os sentidos. Mas queria que o filme mostrasse isso em filigrana, não queria um filme político. Mas queria que o filme dissesse algo de humanista.

Aqui temos também uma estética muito particular. De alguma forma parecia que as personagens eram feitas de papel, como bonecos de origami. Cada pluma é como um pedacinho de papel. Esse cuidado com a estética é o trunfo para fazer frente ao universo estandardizado da Pixar e da Disney?

AB – Digamos que houve por parte do estúdio de animação uma vontade de procurar uma estética diferente. Benjamin Renner, que trabalhou em curtas-metragens de animação muito específicas, muito particulares visualmente, tinha uma vontade uma vontade de fazer esse aspecto de papel: de pop-up book. E é algo que ele trouxe especificamente e que a produtora encorajou.

E porquê a escolha do 3D? Pessoalmente tendo a acreditar que o 3D se transforma facilmente num artifício, num gimmick – como dizem os americanos – que subtrai mais à obra do que acrescenta.

AB – Eu nunca gostei do 3D também. Foi algo decidido no fim do filme, mas foi a primeira vez que o achei justificável tendo em conta o estilo de animação do Renner que lhe deu aquele aspecto de pop-up book. O estilo dele já era 3D na representação 2D. E isso foi o que me convenceu.

Amarelinho 3

Não pude deixar de reparar que o filme foi feito em 2014. Porquê só agora nas salas de cinema em Portugal?

AB – Bom, isso não sei. Mas o interessante é que este filme, para mim, foi um caminho longo. Eu tive a ideia do filme em 2004. Foi um processo de desenvolvimento extremamente longo. Tudo foi muito complicado, tudo foi uma aventura...

Mas acabou por surgir num bom momento. Ou melhor, num mau momento para a história humana mas para um bom justamente para chamar à atenção sobre, como referiu, as questões da imigração. Agora faz mais sentido vê-lo. Surge quase como uma premonição.

AB – Espero sinceramente que sim.

Curiosamente, no mesmo ano que fez o «Amarelinho», faz também «Le Dos Rouge» que é um mergulho no mundo da história de arte e nos conceitos de transformação, alteração e monstruosidade. Uma obra muito diferente. É certo que neste filme, o Antoine é argumentista e não realizador, mas como definiria o seu trabalho? Das obras que vi, pareceu-me como que um mosaico e, se bem que veja cada tessela, custa-me a perceber o desenho que formam.

AB - Isso é justamente o que me agrada. Sou muito cinéfilo, quase “cinéfago”. Vejo uma quantidade enorme de filmes. Talvez cerca de 250 filmes por ano nas salas de cinema mais todos os outros filmes que vejo em casa em dvd. E tenho o mesmo gosto enquanto espectador como enquanto realizador. Ou seja, um gosto pelo que me agrada, que acho bem feito, seja qual for o género: animação, de autor, comercial, intelectual, de aventuras,... Para mim isso não tem qualquer importância. Gosto do que gosto tão somente. E trabalho também como produtor e produzi um filme português no ano passado, «O Ornitólogo» (João Pedro Reis)...

E, mais uma vez, um filme de um universo muito diferente. Pese embora a curiosa relação do título...

AB – De facto, um universo completamente diferente. Mas a mim agrada-me muito o ecletismo, a diversidade. E os realizadores de quem me sinto mais próximo, que admiro mais são Barbet Schroeder, Werner Herzog, John Huston... gente que fez toda a sua carreira com filmes completamente diferentes. Que passaram de westerns a um romance a um documentário... Por exemplo, o Barbet que faz um documentário sobre Idi Amin Dada [«Général Idi Amin Dada : Autoportrait», 1974], depois um filme na Colômbia [«La Virgen de los Sicarios», 2000] e depois uma coisa hollywoodesca [episódio da série «Mad Men»]... Acho isso extraordinário! A pessoa que sou é isso. Esse mosaico. O que se torna algo difícil para mim. Porque as pessoas têm dificuldade em identificar o que eu faço. Nós gostamos de etiquetas, de rótulos: de dizer que este realizador faz isto e outro faz aqueloutro. E em mim é difícil por a etiqueta.

A sua personagem Bertrand [Bertrand Bonello] no filme «Le Dos Rouge» fala disso no diálogo que mantém com o jornalista que o entrevista sobre o seu trabalho como realizador. Mas falando desse mosaico. O Antoine tem mais dois filmes na calha: «Madeleine Collins» e «Monument Valley». Quer falar-nos dessas duas novas tesselas?

AB - «Madeleine Collins» vai ser o meu próximo projecto de realizador. É um filme, mais uma vez, completamente diferente. Fala sobre uma mulher que tem uma vida dupla, entre a França e a Suíça; e que vai recusar ver a verdade, vai enterrar-se em mentiras sobre mentiras. Irei filmar no próximo ano, na França e na Suíça, ... E o «Monument Valley» é também completamente diferente! È uma espécie de comédia de aventuras, com uma história de amor gay, no Brasil e que termina no Monument Valley, nos EUA. É um filme que co-escrevi e que co-realizo com um jovem realizador brasileiro.

E, para terminar, o que diria às crianças ou aos pais para virem ver o «Amarelinho»?

AB – Antes de mais queria dizer que acabo de ver o filme em português - já o tinha visto obviamente em francês e inglês- e, não sei quem são os actores mas fiquei muito surpreendido pela qualidade das vozes.
Convido as crianças a virem ver o filme e encorajo-as a saber mais sobre a migração dos pássaros porque é absolutamente apaixonante. Eu trabalhei com um especialista ornitólogo [Guilhem Lesaffre] e passei dias inteiros de boca aberta a escutar o que me dizia. São incríveis os mistérios ainda por resolver da migração dos pássaros, mesmo com todos os estudos científicos. A complexidade da natureza é deslumbrante.

Richard Gere — entrevista

Em O Benfeitor, escrito e dirigido por Andrew Renzi, Richard Gere interpreta um filantropo com um passado obscuro — este entrevista foi publicada no Diário de Notícias (12 Dezembro), com o título '“O essencial do cinema americano são as produções independentes"'.

A sua personagem no filme O Benfeitor é uma figura paradoxal. A vontade que manifesta de ajudar o casal interpretado por Dakota Fanning e Theo James parece nascer de uma preocupação genuína, mas também de um sentimento de culpa. Quando leu o argumento, como é que o encarou? Inocente ou culpado?
Nunca julgo uma personagem — creio mesmo que é uma atitude perigosa. É evidente que ele está marcado pela culpa (por causa do acidente em que morreu o casal amigo, acidente que ele de alguma maneira provocou), despreza-se a si próprio. Mas é um ser humano. Na verdade, não creio que seja uma questão de culpa. Todos vivemos coisas que lamentamos, todos fizemos escolhas imperfeitas, nem sempre conseguimos ver de forma clara aquilo que nos impele a agir. Na maior parte do tempo, sentimo-nos envolvidos por forças desconhecidas e misteriosas.

Uma personagem pode levar um actor a revisitar memórias que têm a ver com a sua própria experiência — neste caso, isso aconteceu de alguma maneira?
Não, não especialmente.

Será mais fácil, ou mais interessante, interpretar uma personagem mais distante de si próprio?
Não é fácil responder. Provavelmente, é mais fácil interpretar alguém muito distante daquilo que somos — sentimo-nos mais livres. Quando interpretamos alguém que nos é mais próximo, torna-se difícil, quase impossível, ser objectivo. Mas aquilo que parece fácil, acaba por complicar-se... Enfim, ninguém se torna actor por querer funcionar como papel de parede [riso].

Sente que há diferenças importantes entre um filme de estúdio e uma produção independente como O Benfeitor?
A maior parte dos meus filmes são de estúdio, mas com baixos orçamentos. Nos anos 70/80, um filme como O Benfeitor teria sido feito por um grande estúdio — agora, corresponde à produção independente. Podemos ter menos dinheiro e um calendário de rodagem mais apertado mas, para mim, a sensação é a mesma.

Quer isso dizer que um filme como American Gigolo (1980) não seria possível, agora, com a chancela de um grande estúdio?
Provavelmente, não.

Que memórias guarda desse filme, em particular do encontro com o argumentista/realizador Paul Schrader que, poucos anos antes, tinha escrito Taxi Driver (1976), para Martin Scorsese?
Paul já se tinha estreado na realização, com um belo filme chamado Blue Collar (1978); estava, de facto, num momento alto da sua carreira. Senti-me muito honrado quando me convidou e confesso que hesitei, já que se tratava de uma personagem completamente diferente de tudo o que tinha feito antes. Pedi-lhe tempo para pensar, mas ele tinha urgência em lançar a produção. Acabei por aceitar, mesmo tendo apenas duas semanas de preparação. Uma coisa é certa: na altura, no cinema americano, ele era, provavelmente, o melhor a saber construir a estrutura de uma história.

Recuando um pouco, como foi a experiência com Terrence Malick, em Dias do Paraíso (1978)?
Na verdade, foi o meu primeiro filme. É como o primeiro amor: nunca esquecemos. Tinha feito algumas coisas na televisão, para ganhar dinheiro, mas era um actor de teatro. O primeiro filme de Malick, Badlands/Noivos Sangrentos (1973), impressionara-me, disse mesmo ao meu agente que gostava imenso de trabalhar com ele... e algumas semanas depois fui contactado para o casting de Dias do Paraíso. O processo foi complicado: Terrence levou imenso tempo e eu próprio fui um dos que o pressionou para tomar decisões. Até que, lembro-me perfeitamente, estava num hotel em Los Angeles e recebi um telefonema: “Richard, só consigo fazer este filme se for contigo.” Lembro-me da sensação de que estava a começar um novo capítulo da minha vida.

Lamenta que, agora, a produção de filmes como esse tenha mudado tanto?
Não, porque continuamos a poder fazer esses filmes. Além do mais, a televisão também está a trabalhar nesse sentido — há coisas que se fazem em televisão que nunca poderiam surgir no âmbito de um estúdio.

Há sectores importantes do público que, infelizmente, são levados a pensar que o cinema americano se esgota em Star Wars e outras produções da mesma dimensão.
De facto, um filme como Star Wars, com o seu custo de 300 ou 400 milhões de dólares, incluindo a publicidade, só pode ser feito na América. Mas o essencial do que se faz na América são os pequenos filmes independentes, normalmente rodados em muito menos tempo. No passado, um filme como O Benfeitor teria uma rodagem de uns 50 dias, mas nós fizemo-lo em 30 — e creio que a maior parte das pessoas, a começar por mim, se dá bem com isso.

Ken Loach - entrevista exclusiva «Eu, Daniel Blake»

Presente antecipado para o aniversário de 80 anos de uma vida marxista, dedicada à denúncia das vicissitudes morais inerentes à luta de classes, a Palma de Ouro foi dada ao inglês Kenneth Loach no dia 22 maio, em reconhecimento da vitalidade dramatúrgica e do espírito humanista de «I, Daniel Blake». Este prémio coroou uma trajetória cinematográfica cujo foco sempre foi a exclusão, em suas mais variadas e cruéis formas. Dia 17 de junho, o leitor de Marx que entre 1964 e 2016 usou os aforismos políticos do “velho barbudo” em 42 filmes e oito séries de TV passa para o clube dos octogenários. Mas esta vitória recente em Cannes deu a ele passaporte para outro clubinho seleto: a confraria de diretores que ganharam a Palma duas vezes. Antes dele, que ganhou a láurea pela primeira vez em 2006, por «Ventos da Liberdade», só sete realizadores tiveram a mesma honra: o sueco Alf Sjöberg, o americano Francis Ford Coppola, o austríaco Micheal Haneke, o japonês Shohei Imamura, o dinamarquês Bille August, os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (irmãos que, por só filmarem em dupla, contam como um) e o sérvio Emir Kusturica. Seu novíssimo trabalho está à altura das obras-primas destes seus colegas de vitória.
“Agora em 2017, eu completo 50 anos como cineasta e, neste período todo de trabalho em prol da Arte, eu sempre retratei a questão do desemprego pela minha perplexidade em perceber que o Estado, não apenas na Inglaterra, mas também em outros países da Europa, parece culpabilizar os desempregados pela sua demissão. Há uma cultura institucional de atribuir à vítima a razão de seu infortúnio”, diz Loach, em entrevista à METROPOLIS.

Marcada por atuações memoráveis, inclusive a de não-atores, o drama «I, Daniel Blake» radiografa as sequelas do desemprego e do desamparo social na Inglaterra, a partir da relação de amizade estabelecida pela sorte do acaso entre uma mãe solteira (Hayley Squires) e um cinquentão com problemas cardíacos, Daniel, vivido por Dave Johns, humorista especializado em comédias stand up, sem nenhuma intimidade com sets de filmagem. Para Loach, o novo longa-metragem é uma denuncia da burocracia e um convite à discussão sobre formas institucionalizadas de exclusão. No depoimento a seguir, Loach explica suas escolhas estéticas.

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Como é que o senhor definiria seu estilo formal como realizador em relação ao Real?
KEN LOACH: Não concordo quando dizem que meu estilo de filmar é documental pelo fato de eu tratar temas sociais. A câmera do documentário tem movimento, faz-se na mão do operador, treme. A minha, não. A minha é rígida. Invisível. Eu uso tripé. Deixo a câmera sóbria, sem mexer. Por quê? Porque a câmera parada observa, sem invadir. E meu cinema é feito de observação. Observar é a estratégia que Brecht me deu para esmiuçar o olhar de um personagem e compartilhar do que ele sente.

Se a câmara é “invisível” na cena projetada, como ela se comporta em relação aos atores que constroem cada uma de suas sequências? Como o senhor dirige seu elenco, por vezes coalhado de pessoas sem experiência de interpretação profissional?
LOACH: Tenho muita facilidade de lidar com atores porque eles, em geral, são pessoas com muita imaginação e com potencial para explorar as próprias fragilidades. Em «I, Daniel Blake», por exemplo, quando eu vou até ONGs de apoio a famintos, os atendentes que eu filmo não são atores e sim pessoas que trabalham ali. Sigo a cartilha neorrealista de Rossellini neste aspecto. Como fazer esse processo dar certo? Basta filmar o roteiro na ordem que a historia é contada, revelando parte da trama para os atores, porque assim você cria uma sensação de mutua descoberta, que tira a hierarquia da direção sobre o elenco. Estamos aprendendo juntos, os atores e eu, que filme estamos rodando.

«I, Daniel Blake» mostra uma Inglaterra emperrada pela burocracia estatal. Existe alguma reforma política em vista que mude esta situação?
LOACH: Eu filmo para que esta reforma chegue. Há quem acredite que o cinema é um lugar de anestesia, de sonho. Cinema para mim é o lugar da iluminação, do levante, do incômodo. Só assim pode haver reação. É assustador perceber que chegamos a somar 4 milhões de desempregados no Reino Unido. Escolhi fazer este filme em Newcastle, uma cidadezinha a 450 Km ao norte de Londres, pela tradição local de lutas sindicais, a fim de gerar uma reflexão sobre a continuidade dessa prática de exclusão a pessoas à procura de emprego. Eu não quero apenas emocionar com este filme: quero deixar o público com raiva.

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Que posição o senhor pretende tomar em relação ao referendo do dia 23 de junho, acerca da opção de a Inglaterra permanecer ou não na União Europeia?
LOACH: A União Europeia é um projeto liberal que nasceu com a proposta de unir nações com o projeto de fortalecer uma moeda única e garantir uma circulação mútua. Por mais que o liberalismo em assuste, aquele investimento trouxe bons frutos, talvez por ser calçado por um bom respaldo filosófico. É esse respaldo que eu levo em conta ao pensar nos caminhos para a Inglaterra, que penou durante anos sob a gestão de líderes que não consideravam a condição do povo, só do Estado. Pela primeira vez depois de quase duas décadas, temos na figura de David Cameron um Primeiro-Ministro que se preocupa com o bem-estar da população e não apenas com negócios. Esta escolha é uma decisão tática que envolve o quanto a Inglaterra pode lucrar se sair. Não é claro ainda o que temos ganhar nem o que temos a perder se continuarmos. Mas é necessário levar em conta que a União nasceu de uma filosofia liberal e esse aspecto precisa ser respeitado em nome da democracia.

Qual é o sentido que leva o senhor a ler Karl Marx até hoje?
LOACH: O “velho” sempre tem o que dizer. Eu tenho sempre as palavras dele do meu lado pois elas me garantem lucidez. Sabe qual foi o nosso maior erro? Fechámos os livros. Parámos de ouvir o que os livros têm a nos dizer. Marx criou um modelo de funcionamento de mundo com engrenagens muito sólidas. Ele fez da dialética uma estrutura de funcionamento da vida prática. Os livros dele não são teoria: são armas. E estamos precisando de armas para buscar a democracia.

(entrevista publicada na revista Metropolis nº39)

Battle of the Sexes - antevisão

O ténis é um desporto intenso que leva os seus jogadores ao limite e já foi alvo de algumas representações cinematográficas, como no memorável «Match Point» (2005), de Woody Allen, onde a história era completamente ficcionada. Desta vez, porém, recorre-se a um evento bastante real: a 20 de setembro de 1973, em Houston (Texas), acontece um jogo único, uma verdadeira batalha dos sexos entre duas figuras marcantes do ténis: Bobby Riggs, um veterano jogador de 55 anos, contra Billie Jean King, com 29 anos. Na época, Riggs afirmou que o jogo feminino era inferior e que poderia vencer qualquer uma das principais tenistas. Começou por desafiar e vencer Margaret Court, instigando depois Billie Jean King, que liderava o top feminino, para um jogo a ser transmitido na televisão com um prémio de 100 mil dólares. O evento desportivo já foi alvo, em 2013, de um documentário com o mesmo nome, realizado por James Erskine e Zara Hayes.

A história também chamou a atenção de Jonathan Dayton e Valerie Faris, a mesma dupla responsável pelo sucesso «Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos» (2006), que recebeu o Óscar de Melhor Argumento Original e lançou para a ribalta Steve Carell, que volta agora a trabalhar com os realizadores. Desde essa altura, o ator tem alternando a sua carreira entre papéis mais cómicos mas também com algum espaço para o drama, o que já lhe rendeu a nomeação para o Óscar de Melhor Ator Principal por «Foxcatcher» (2014). Emma Stone, que venceu recentemente o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical por «La La Land: Melodia de Amor», é a protagonista, reencontrando Carell após terem trabalhado juntos em «Amor, Estúpido e Louco» (2011). O argumento está a cargo de Simon Beaufoy, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Adaptado por «Quem Quer Ser Bilionário?» (2008). Dois atores com química já comprovada e um talento inegável numa batalha entre sexos que fez, literalmente, História: trata-se, sem dúvida, de um filme que promete.

História: O filme conta a história verídica de um jogo mítico de ténis em 1973 entre a número um da altura, Bille Jean King (Emma Stone) e o antigo campeão, Bobby Riggs (Steve Carell).

Realizadores: Jonathan Dayton e Valerie Faris («Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos», 2006; «Ruby Sparks - Uma Mulher de Sonho», 2012)
Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Sarah Silverman
Estreia a 22 de Setembro (EUA)

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Novo filme de Kathryn Bigelow

Foi há 50 anos, em Julho de 1967, que a cidade de Detroit foi abalada por violentos confrontos habitualmente referidos como o 'Incidente do Algiers Motel' — os acontecimentos ficaram inscritos na atribulada década de 60 como momentos trágicos das relações entre brancos e negros. Agora, meio século passado, Kathryn Bigelow aborda esses acontecimentos no filme Detroit, com estreia agendada para 4 de Agosto nas salas americanas; John Boyega, Will Poulter e Anthony Mackie são alguns dos nomes do elenco. É a primeira longa-metragem de Bigelow desde Zero Dark Thirty (2012) — e aqui está o trailer.

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Tom Cruise em «American Made»

Em «American Made», filme produzido pela Universal Pictures, Tom Cruise junta-se novamente ao realizador de «No Limite do Amanhã», Doug Liman («Identidade Desconhecida», «Mr. e Mrs. Smith»), num thriller internacional baseado em factos espantosos (e verídicos) de um burlão e piloto de aviões recrutado inesperadamente pela CIA para executar uma das maiores operações secretas na história dos EUA.

Data prevista de estreia: 31 de Agosto

 

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Idris Elba e Kate Winslet em «A Montanha entre Nós» -trailer

Após um trágico acidente de avião, dois estranhos terão que se unir para sobreviver em condições atmosféricas extremas numa remota montanha.

Quando percebem que a ajuda não vai chegar, decidem embarcar numa viagem assustadora por centenas de quilómetros de terra selvagem, encorajando-se mutuamente para aguentar e abrindo espaço para uma atração inesperada.

Realizado pelo Nomeado para o Óscar da Academia Hany Abu-Asad e interpretado pela Vencedora do Óscar da Academia Kate Winslet e o vencedor do Globo de Ouro Idris Elba.

Estreia a 19 de Outubro 

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