logo

Entrar
Actualizado às 12:39 AM, Dec 17, 2017

Battlefield 1 Turning Tides

Battlefield 1 Turning Tides será lançado em duas fases – a primeira será a 11 de dezembro para quem possuir o Premium Pass de Battlefield 1. Os jogadores terão a oportunidade de combater em dois mapas épicos, Cape Helles e Achi Baba. Numa totalmente nova Operation incluída, os jogadores poderão participar do assalto anfíbio britânico de 1915 da península de Gallipoli. Haverá uma nova classe Infiltrator Elite, seis armas e duas armas de curto alcance adicionadas ao teu arsenal, e, assim, conseguirás dominar as ondas com o L-Class Destroyer. A segunda fase, que será em janeiro de 2018, irá levar os jogadores ao Mar do Norte onde irão combater dois outros mapas únicos: Zeebrugge e Heligoland Blight, com a oportunidade de mergulhar em batalhas com os recentes Royal Marines e descenderem no C-Class Airship.

Fonte: EA

  • Publicado em Jogos

Formula 1 2017

F1 2017 continua sem tirar o pé do acelerador, incrementa a experiência de jogo de uma série sem rivais, mantém o título indiscutível de melhor simulador de Formula 1. A grande adição deste lançamento está na introdução de carros clássicos que fizeram as delícias de pilotos e adeptos da F1 no passado.

O jogo criado pela Codemasters oferece múltiplas possibilidades: o modo online no formato “multiplayer”; o “grand prix” que consiste em termos um fim-de-semana de grande prémio ou criar o nosso circuito mundial; e o “evento” que não estava disponível aquando do teste deste jogo mas que está directamente ligado à actual temporada de F1 com desafios muitos específicos do campeonato real. Temos a curiosa modalidade de desafios, um total de quarenta, divididos em “championships” ou “events”. Os “championships” vão de uma temporada completa de F1 até campeonatos de circuitos citadinos, circuitos de chuva (China, Grã-Bretanha, Mónaco, Áustria e Japão) ou a temporada clássica. Nos “events” temos, por exemplo, a possibilidade de correr contra o relógio e tentar ultrapassar o maior número de carros. É nesta atmosfera de desafios que podemos colocar as mãos nos carros clássicos, o carro mais antigo deste lançamento data de 1988, é o McLaren MP4/4, esperamos poder recuar ainda mais no passado em próximas edições.

A cereja no topo do bolo de F1 2017 não poderia deixar de ser o modo “carreira”, após gerar o piloto, escolher o seu capacete e selecionar a equipa aceleramos em direção ao título. A primeira reação é correr desalmadamente nas corridas de domingo, não queremos saber de agentes, chefes da equipa ou especificações técnicas mas com o vício chega a busca pela perfeição e essa ambição leva-nos a explorar outro universo de F1 2017. Antes de cada corrida o jogador tem acesso a um portátil virtual, aí podemos ver a evolução do carro que pode ser incrementado através do painel de pesquisa e desenvolvimento, um mapa com vários estágios de evolução desde chassis, motor, aerodinâmica e durabilidade. Neste momento percebemos que está tudo interligado, os treinos livres são fundamentais para conhecer o carro através de pequenos desafios que resultam em pontos, os mesmos são a moeda de troca para fazer evoluir o carro e torná-lo mais fiável a cada fim-de-semana. A par do painel de pesquisa e desenvolvimento o jogador também tem a opção de mudar peças-chave na unidade de energia do automóvel. Tal como a caixa de velocidades, só podemos trocar os componentes do motor até quatro vezes em cada temporada, a sua substituição por vezes torna-se urgente para não prejudicarmos a performance do carro, por exemplo, não substituir a componente de combustível pode implicar não terminar as corridas.

Jogos F1 2017 July screenshot 12
O jogo foi claramente pensado para replicar da melhor forma possível a experiência F1 sem ser um quebra-cabeças. As corridas, a estratégia e o desenvolvimento do motor faz-se de um modo intuitivo. O nível de dificuldade dos adversários AI também vai aumentado à medida que vamos vencendo mais corridas. Durante a condução temos várias ferramentas de auxílio para percebermos o que está à nossa volta, desde diferenciais de tempo ao estado do motor, pneus e combustível que tem a opção de diferentes programas de consumo. Não é fácil ir a 300 Km/h e começar a falar com a box, é algo que terá de ser otimizado no futuro, já o sentir o pulso ao estado mecânico do bólide ou a introdução de novos programas de combustível é uma decisão que não provoca nenhum despiste. A condução propriamente dita terá de ser feita dentro das regras e respeitando a teoria da gravidade, existem penalizações por cortar curvas, colisões e ultrapassar à papo seco. Inicialmente surgem os avisos no ecrã, se somarmos infrações temos deduções de tempo. Os carros não são indestrutíveis e nas corridas sem zona de escapatória bater contra o muro é sinónimo de abandono e danos imediatos no chassis e mazelas a longo prazo no motor com a deterioração dos componentes mecânicos. Devemos evitar a todo custo andar a pastar na relva ou passear pela gravilha. Após as três sessões de treinos livres e a qualificação, que se faz apenas numa volta (ainda não temos o actual modelo a Fórmula 1) a corrida pode ser feita em 25% da sua duração, o que dá normalmente 13 a 15 voltas e inclui uma paragem obrigatória nas boxes. Os gráficos e a sensação de condução atinge píncaros de puro realismo, é um disparo de adrenalina sempre que estamos aos comandos de um bólide deste jogo.

F1 2017 é uma sinfonia em quatro rodas, o único defeito é ser demasiado perigoso porque pode causar um sério congestionamento noutras tarefas domésticas ou relações com o mundo exterior mas fica a certeza absoluta que é um jogo que proporciona centenas de horas de diversão.

F1 capa

  • Publicado em Jogos

Call of Duty: WWII recebe documentário sobre o modo Campanha

Foi lançado um documentário sobre a criação do modo Campanha de Call of Duty: WWII, no qual são mostradas imagens de alguns locais presentes no jogo e testemunhos de vários criadores deste título. Call of Duty: WWII chega à PlayStation®4 a 3 de novembro e o modo Campanha promete reviver os grandes momentos da Segunda Guerra Mundial de uma forma quase real.

O documentário conta, entre outros, com a presença de Michael Condrey e Glen Schofield, dois dos fundadores do estúdio Sledgehammer Games, e do historiador Martin K.A. Morgan, especialista em história militar e norte-americana e autor de várias obras sobre esta temática.

Ao longo do documentário são percorridos vários locais históricos da Segunda Guerra Mundial que são recriados no jogo, como a praia de Omaha, na Normandia, Ardenas ou Paris. O documentário mostra ainda o pormenor, detalhe e exatidão com que tudo foi criado para tornar Call of Duty: WWII o mais realista e historicamente fiel.

No modo Campanha irás assumir o papel de Ronald “Red” Daniel, um soldado que tenta sair dos campos Nazi com os seus colegas Zussman, Pierson e Turner. Numa história repleta de ação, junta-te aos camaradas do teu esquadrão e enfrenta os inimigos em locais históricos como a floresta de Hürtgen ou das Ardenas.

No novo título da Activision, poderás também encontrar o modo cooperativo zombie de Call of Duty: WWII. Nazi Zombies é uma experiência cooperativa aterrorizante que te transporta para um labirinto de experiências ocultas e arrepiantes de zombies nazis na Segunda Guerra Mundial.

Call of Duty: WWII, PEGI 18, chega à PlayStation®4 a 3 de novembro.

Mais informações em www.callofduty.com

Fonte: Playstation Portugal

 

  • Publicado em Jogos

Spintires: MudRunner - trailer

A Focus Home Interactive anunciou a sua colaboração com a Sabre Interactive para o jogo Spintires: MudRunner, a versão ultimate de Spintires o jogo indie com mais de uma milhão de vendas, este jogo chega em outubro para PC e pela primeira vez para as consolas. Tal como Spintires, Spintires: MudRunner coloca os jogadores no banco do condutor audaz que se atreve a assumir o controle de incríveis veículos todo-o-terreno, aventurando-se nas extremas paisagens siberianas com apenas um mapa e uma bússola como seus guias!

  • Publicado em Jogos

«120 Batimentos por Minuto» - Nahuel Pérez Biscayart em entrevista

O ator protagonista de 120 Batimentos por Minuto, o franco-argentino Nahuel Pérez Biscayart, foi uma das sensações da secção Pérolas em San Sebastian. Depois do Grand Prix em Cannes, esta ficção sobre o Act Up de Paris nos anos 90 e a sua luta no combate à SIDA, tem conquistado festivais em todo o mundo. O ator recebeu a Metropolis horas antes da gala do filme e mostrou que tem sangue na guelra.
Rui Pedro Tendinha em San Sebastian

Parece estar num momento em alta na sua carreira. Além de «120 Batimentos por Minuto», não tem parado de filmar e em San Sebastian tem também «Au Revoir Là-Haut», de Albert Dupontel e «Si Tu Voyais son Coeur», de Juan Chemla. Trata-se de uma questão de bons agentes?
Não me ponha a falar da minha agente...Temos uma relação demasiado íntima que não pode ser divulgada! Sem ironia, a verdade é que sou terrível para produzir encontros e tentar angariar trabalho para mim próprio. Tudo me sai mal e não me interessa nada! Mas o ano passado, graças a uma coincidência cósmica, cruzei-me sem querer com uma série de projetos e pessoas que me interessaram. O filme do Dupontel aconteceu graças a uma diretora de casting francesa que conheci há oito anos. Depois, para o outro, foi através de uma diretora de casting que me tinha visto num outro filme francês. Tudo conexões que não têm vínculos diretos. A minha agente não teve nada a ver com isto, apenas a chamavam...

Foi então o destino...
Sim, o destino. A minha vida é um acidente total! Mas um acidente sem conotações positivas ou negativas.

E agora é a estrela do filme francês mais aclamado do ano...
Quando estávamos a fazê-lo não imaginámos o fenómeno que iria gerar. O cinema tem destas coisas...Quando pensas que estás a trabalhar num filme fenómeno, o filme fracassa! Além do mais, não é possível estares convencido disso. É impossível estares a trabalhar a pensar que vai ser um sucesso. Um ator tem de estar apenas concentrado no seu trabalho e sentir que pode estar em determinadas rodagens com gente inspiradora e que arrisca. Nesses casos, sim, podem acontecer sinais que algo pode vir a acontecer...

Para um ator que não era conhecido como foi estar em Cannes a assistir a toda a aclamação do seu filme?
Tinha vindo de uma viagem de quatro meses aos locais mais inóspitos do mundo. Tinha feito essa viagem para me perder depois de um ano muito intenso. E cheguei a Cannes depois de estar muito perto de um contacto direto com a natureza. Pois bem, a minha ideia foi olhar para tudo aquilo como se de uma paisagem natural se tratasse. Aquilo era a natureza humana em todo o seu eco sistema, uma selva. Quis observar o artificio de toda aquela parafernália e toda a maneira como as pessoas se emocionam e ficam nervosas. Devo dizer que a minha observação foi com uma distância espetacular. Desfrutei muito mas desfrutei ainda mais porque «120 Batimentos por Minuto» correu muito bem!

beats 3

E o seu ego? Chegou a pensar que poderia vencer o prémio de melhor ator? Chegou a ser apontado como o favorito...
Não, aquilo não mexeu com o meu ego. Quanto ao prémio, percebi que não iria vencer pois o filme se ganhasse um prémio seria incompatível. Isso não conta! Eu trabalho para que os filmes fiquem bons e para que sejam vistos. Um bom papel só é válido se servir uma estrutura maior. Acho ridículo quando se diz que o filme está bom devido a um ator...O que quero é trabalhar cada vez mais e melhor. Os prémios valem o que valem e creio que não dão prestígio, embora, infelizmente, neste mundo um filme premiado em Cannes funciona melhor do que aquele que não o foi. O prestígio é uma criação, não existe.

Por um lado, «120 Batimentos por Minuto» funciona como filme de época, os anos 90, por outro, tem uma atualidade indisfarçável...
Sem dúvida. Nunca senti que estava a fazer um filme sobre o passado por muito que aquela roupa não seja a que vestimos hoje e a prioridade não era captar uma época, mas sim o que unia toda esta gente e toda esta luta coletiva.

Estamos em 2017 e ainda há quem se espante por este filme mostrar sexo. Como lida com o preconceito?
Não se vê nada de mais! E, claro, há muito preconceito! Este filme não mostra nada escandaloso! Creio que todos os direitos que conquistámos estão-nos a ser arrancados! Nesse sentido, o sistema está a ganhar. O conservadorismo está a ganhar...tem a ver com proteger o campo próprio. Trata-se de um sistema que protege o individualismo. Estamos a viver dias de desastre!

Mas o cinema não pode ser uma arma?
É um pouco pretensioso acreditar que o cinema pode mudar o mundo. O máximo que podemos tentar é que as imagens que saem dos ecrãs de cinema não reforcem estas ideologias dominadoras. O mundo para ser mudado é nas ruas! As mudanças sociais não são feitas através do cinema.

O Nahuel luta em prole do quê?
Por estar sempre em viagem, lamentavelmente, estou num momento mais individualista...Por isso, estou sem nenhuma paixão militante. Apenas tento ser menos vítima de mim mesmo. Acredito que a merda que este mundo nos dá não chega por culpa do outro. Este mundo é uma merda porque somos todos uma merda. O mal está em todos e o sistema não é mais do que uma manifestação disso mesmo. Todos usamos a miséria humana para benefício próprio...Se nós mudássemos este sistema não iria funcionar, desarmar-se-ia.

beats 1

E a homofobia parece ganhar terreno. Como reagiu quando Vincent Maraval, patrão da Wild Bunch, ao saber que «120 Batimentos por Minuto» era o candidato da França ao Óscar de melhor filme em língua estrangeira, fez nas redes sociais um comentário com insinuações de “bullying” anti-gay?
Celebro que esse ser humano tenha dito isso. Celebro porque ao expor-se desta maneira mostra a pobreza emocional e humana que tem, quanto mais não seja porque esta criatura tem um poder imenso no cinema. A merda está em todo o lado. Acredito apenas é nas novas gerações, talvez eles venham a conseguir trazer algo de diferente.

Mas será este um filme que pode fazer bem às mentalidades homofóbicas?
Sim, qualquer pessoa vai conseguir identificar-se com estas personagens, não importa se se tratam de jovens gays que têm relações sexuais. Este não é um filme sobre sexo, mas sim sobre a vida e o amor. Também é sobre abraçar a vida e lutar pela liberdade.

Por isso, o realizador filma-os a dançar. A dançar como se não houvesse amanhã.
A dança é o corpo livre, é a forma de expressão dos nossos corpos. A dança é também a rebeldia e para este grupo ganha uma dimensão vital

Fear the Walking Dead - entrevista Daniel Sharman

Daniel Sharman despontou em séries populares junto de adolescentes e jovens adultos como «The Originals» e «Teen Wolf» mas demonstra em «Fear the Walking Dead» que tem uma longa e promissora carreira à sua frente. O actor interpreta o polarizante Troy Otto, responsável pelo valente abalo na terceira temporada de FTWD. O actor britânico estava pronto para mais uma segunda-feira exigente após uma longa viagem de San Diego para Madrid, tinha estado no sábado à noite na Comic Com San Diego para promover a série e aterrou na capital espanhola na noite de domingo após uma viagem de 12 horas. A nossa conversa decorreu no raiar da manhã madrilena, Daniel Sharman estava totalmente desperto e preparado para um dia fortíssimo em Madrid entre as entrevistas no hotel The Westin Palace e um evento com os fãs ao final da tarde. A Daniel “mania” tinha aterrado em Madrid, passadas longas horas da nossa entrevista, estavam perto de uma centena de jovens espanholas acampadas à frente do hotel com os termómetros a ultrapassarem os 40 graus, temperatura que nos remete para as filmagens de FTWD no México... 

Com duas presenças em séries muito populares junto do público mais jovem graduou-se em grande estilo em FTWD. É sem dúvida a adição mais interessante e enigmática da terceira temporada. Como é que chegou ao papel de Troy Otto?
Obrigado! Consegui o papel de uma forma bastante normal, fiz a audição e nem sabia muito do papel que iria desempenhar, foi na audição que conheci o Dave [Erickson] e fizemos umas falas, nem sequer sabia o nome do personagem até um dia antes de começar a filmar. O ambiente em torno da rodagem é muito secreto, do argumento aos personagens, depois começamos a receber algumas migalhas de informação e então agarrámo-nos a esses dados e começámos a desbravar o personagem. E à medida que ia sabendo mais informações sobre o Troy ia aumentando a vontade de conhecer esta figura e o desejo de explorar todos os detalhes.

É um grande desafio interpretar um personagem pivot nesta série com inúmeras ligações afectivas a Madison [Kim Dickens], Nick [Frank Dillane] e a Jake [Sam Underwood].
O que é fantástico nele é que se torna um peso para tantos personagens na série, muitas das histórias são determinadas pelas suas emoções e acções. Estamos a lidar com alguém que vai aprendendo as coisas à medida que os factos vão ocorrendo. Há pessoas novas neste ambiente com quem ele tem de lidar subitamente, é como observar alguém que está a atravessar a sua adolescência, ele está a atravessar uma grande mudança. É influente e determina grande parte da história devido à natureza do poder que existe no seu rancho. É sempre fabuloso poder interpretar algo assim. Os argumentistas fizeram um grande trabalho ao escreverem sobre alguém que está a atravessar tanta coisa ao mesmo tempo, é bom poder partilhar essa experiência com o público que consegue ter uma janela para a sua mente e as suas acções. Podemos ficar horrorizados pelos seus actos ou tentar compreender as suas motivações. O meu trabalho como actor é sempre tentar que o público possa entender o personagem. À medida que a série avança vamos começando a percebê-lo melhor e o que acontece devido a isso.

Como explica a sua química com a Kim Dickens?
A Kim é um ser humano maravilhoso e uma actriz fabulosa, eu adoro-a. O que é bom na nossa relação na série é que desfrutamos interpretar os nossos personagens neste jogo do gato e do rato em que os nossos personagens se encontram. E nada é a preto e branco, embora possa parecer do exterior -que a sua personagem tem a vantagem sobre o Troy, que ela possa estar a manipulá-lo. Penso que isso não é inteiramente verdade, ele permite que isso aconteça, o Troy está consciente das motivações da Madison e o inverso também acontece. Todas as camadas destes personagens se espelham no ecrã; é como magia que acontece em cena: podemos observar as motivações, a sua inteligência e a perceção de cada um deles e quando temos isso perante nós é uma bênção termos alguém como a Kim ao nosso lado com a habilidade de representar essas nuances.

A propósito do debate sobre as mulheres que representarem heroínas, o que pensa de ter uma protagonista kick-ass na figura de Kim Dickens?
Penso que a noção de que as mulheres não podem liderar séries ou filmes é uma ideia antiquada, o que esta série consegue patentear de forma tão bela é que as mulheres conseguem ser perfeitamente cabeças de cartaz, tal como os homens. E as histórias que podemos contar possuem um maior número de tonalidades quando saímos do estereótipo masculino do protagonista principal. E quando temos uma equipa de argumentistas pronta a utilizar todos os recursos que têm ao seu dispor, o resultado são grandes histórias. É claro que as mulheres podem interpretar o papel de protagonistas e as pessoas vão querer ver e estarão envolvidas na história. Acho que essas barreiras estão a cair lentamente mas o sucesso desta série e até mesmo os filmes estão a provar que essa discriminação é absurda. Uma boa história é o aspecto mais valioso para o sucesso de qualquer produção.

FTWD Alicia

Como é a relação com o processo criativo da série, recebem muito input dramático da parte dos realizadores ou argumentistas durante a rodagem?
Nutri e aprofundei uma relação com todos os argumentistas. A sala de argumentistas para esta temporada está recheada de talento e pessoas cheias de vida que estão motivadas para a escrita de personagens. Penso que é um elemento admirável e chave para o sucesso da terceira temporada. E o segredo para este sucesso reside em que a maioria dos argumentistas são encenadores e vivem obcecados pelo perfil dos personagens. Na TV, quando os personagens são interessantes tudo o resto cai no seu lugar, desde que possamos escrever personagens genuínos em circunstâncias em que possamos identificar a série acaba por ganhar asas. O que é fantástico neste processo criativo não são tanto as circunstâncias extenuantes, como o apocalipse; nesta temporada apesar desse ser o pano de fundo não é esse o elemento que se apresenta como a força motriz mas antes aquilo que os seres humanos fazem perante essa situação. Os argumentistas têm sido maravilhosos a explorar essa natureza humana em todos os seus detalhes.

Os personagens vivem sobre um legado maldito um pouco como a realidade norte-americana de uma terra polarizada. Sente que FTWD é muito mais do que uma série de terror dramático?
O que é interessente nisto é que não é necessariamente uma investigação política mas está mais relacionada com a natureza humana. Esta série livra-se dos pilares básicos de uma sociedade e de tudo aquilo sobre o que assenta uma civilização, colocando a questão do que aconteceria então aos seres humanos, aonde é que se encaixaria a raça ou a religião? E o que vemos é primeiro um elemento básico de sobrevivência e depois o que é relevante, o que ainda interessa? Separar as pessoas pela cor da pele torna-se algo fácil porque é aquilo que os homens fazem ou a separação faz-se em termos ideológicos. O que é fascinante é essa investigação no colocar em cima da mesa os princípios que realmente interessam no mundo desta série depois de retiramos todos os elementos que formam uma sociedade moderna.

Todas as temporadas desta série se alicerçam sobre grandes temas, nesta época o tema chave é a coexistência, o que será um enorme desafio para o seu personagem.
Coexistência, como diz, é um tema bastante interessante, o mundo onde vivíamos antes é radicalmente diferente do mundo onde vivemos num ambiente pós-apocalíptico e os compromissos que possam ser feitos são também muito diferentes. Para o Troy os compromissos não são uma coisa fácil, é algo que não encaixa com o seu fervor ideológico, perceber que fazer compromissos é uma coisa que faz parte da vida é algo novo para ele. Na última metade dos episódios desta temporada exploramos o que acontece quando ele é puxado ao limiar da existência, o quanto podes empurrar um personagem, o quanto podes aprender o que vais errar – e vão ver que ele vai errar bastante – e no fim até consegue acertar algumas coisas. Isso é fantástico, especialmente o que acontece no final. Os primeiros oito episódios desta temporada forçaram-no a esta coabitação e ao compromisso e a segunda metade é sobre como estes alicerces conseguem subsistir.

EM EXIBIÇÃO NO CANAL AMC

A Casa Animada de Pedro Serrazina

“Já não caibo numa casa/Onde o espaço é todo meu/Não são obras que me salvam/Eu só sei crescer”. Em “É Preciso Que eu Diminua”, Samuel Úria lançou a premissa. O realizador do videoclip, Pedro Serrazina, acatou-a, mas, ao fazê-lo – em vez de diminuir –, tornou o seu universo musical ainda mais denso. Este mini-filme animado já andava por aí, mas o cineasta levou-o ao Festival Monstra e, para sua própria surpresa, este valeu-lhe o Prémio Vasco Granja – SPAutores. A METROPOLIS esteve à conversa com o realizador, que deu nas vistas, pela primeira vez, com o premiado filme de animação «Estória do Gato e da Lua» (1995).

Encontramo-nos com Pedro Serrazina no Jardim do Príncipe Real, em Lisboa. Este é um convite, ainda que implícito, à entrada em sua casa, uma vez que a transporta consigo para onde quer que vá. Facilmente, aliás, nos vêm à lembrança as ruas da capital no vídeo musical de “É Preciso que eu Diminua” (2017), ou a aparente calmaria do Porto no icónico «Estória do Gato e da Lua» (1995). Sem que o professor se ausente para dar lugar ao cineasta, a verdade é que, mais uma vez, Pedro se dividiu entre as duas ‘peles’ que habita. Vem ter com a METROPOLIS depois de uma tarde bem passada com os alunos, na Galeria ZDB, ali perto. “Quero que os meus alunos olhem para a animação e procurem uma linguagem nova”, conta-nos.

Depressa viajamos até ao passado. Estava no carro com a mulher, inglesa. “O produtor do Samuel Úria contactou-me e eu, na altura, disse-lhe que não. Queria acabar o meu doutoramento”, explica o realizador. Mas, nesse dia, no lugar do pendura, começou a ler a letra de Samuel Úria, então sem música. “A letra começa com 'Já não caibo numa casa' e aquilo bateu em vários pontos da minha vida. O facto de ter mudado de casa, de ter muitas coisas, de a minha mãe ter morrido e me ter deixado uma casa cheia de objetos”, recorda. Traduziu, no momento, a letra para inglês e a mulher não teve dúvidas: “Vais ter de fazer isso”. “Para mim, foi um processo muito bonito e deram-me carta livre, parece que caiu no meu colo”, descreve Pedro, entre risos.

Leia o artigo completo na edição de junho da revista METROPOLIS

«Amarelinho» entrevista a Antoine Barraud

Antoine Barraud, o argumentista do filme de animação 3D «Amarelinho», veio a Portugal apresentar o filme realizado por Christian De Vita. Esta é a história de um improvável herói: um passarinho órfão e amedrontado. Sem nunca ter visto outro pássaro e tendo por companhia apenas uma simpática joaninha e uns alienados coelhos, o Amarelinho irá encontrar-se numa situação em que tem de conduzir todo um bando de aves migratórias até África. Ele, que mal sabia voar e nunca conheceu nenhum outro lugar para além das ruínas de uma casa abandonada onde sempre viveu, vai ter de vencer os seus medos do Outro e do desconhecido e embarcar numa viagem de milhares de quilómetros. O filme é para crianças, mas levanta questões sobre a auto-sabotagem, as migrações e o medo do Outro, que são bem actuais, pertinentes e adultas.

Como nasce este projecto do «Amarelinho»?

ANTOINE BARRAUD (AB) – Trabalhei com uma produtora de animação que se chama Corinne Couper que fazia séries de desenhos animados para a televisão e ela perguntou-me se eu tinha alguma ideia para um filme. E, curiosamente, uns dias antes de ela me perguntar eu tinha tido uma espécie de flash de uma imagem de um rapaz pequeno com o seu pai a observarem as aves migratórias a voarem no céu, que partiam e, ao mesmo tempo, outras aves voavam em sentido inverso. Foi a minha primeira imagem e, curiosamente, não está no filme. Mas foi essa imagem que espoletou a ideia do filme. A de aves migratórias que voam em sentido oposto. Essa ideia agradou-me.

O Amarelinho, que na versão original se chama Gus, fez-me lembrar um pouco a conhecida personagem de animação dos anos 70, criada por Toni Pago, o Calimero. O passarinho que se queixava constantemente e tinha receio de tudo. Como descreveria o seu Gus?

AB – Talvez pareça, talvez. Não o pensei. (Risos) Para mim o que me interessou sobretudo na personagem de Gus e neste projecto foi de criar um filme sem um vilão. Queria que a personagem principal fosse o seu próprio inimigo: ele é, a um tempo, o bom e o mau. Colocar ambos os traços na mesma personagem interessava-me bastante porque nos filmes que vemos – sobretudo os dirigidos a crianças – há sempre uma dicotomia permanente entre o bem e o mal, o herói e o vilão. É, por vezes, agradável quando é tomado num segundo grau como, por exemplo, em «Despicable Me» onde há um jogo entre o bem e o mal. Mas, de resto, é algo que acho demasiado simplista e é algo que não me agrada que se transmita às crianças.

Amarelinho 1

Os filmes para crianças tomam sempre uma visão maniqueísta, certamente. Mas e os gatos? Não serão eles os vilões?

AB – Sim, claro. O mal e os vilões existem. Mas não queria que o filme se reduzisse a uma visão de luta do bem contra o mal. Não queria isso de forma alguma ; antes algo mais humano, mais complexo, mas mantendo-o simples. Queria mostrar essa personagem em que ele é o seu próprio inimigo. Ele é amoroso, alguém que gostamos, mas durante todo o filme ele está enganado, não tem razão. Enquanto que o personagem mais desagradável, o Karl, tem razão. Ele sabe que Gus está a conduzir o bando no sentido contrário. Eu gosto de jogar com os códigos e os pressupostos.

No caso do Gus é mais uma luta dos seus fantasmas internos: os seus medos, o não querer descobrir o mundo para além do seu pequeno espaço, ...

AB – Exacto. Mas o curioso é que tive essa ideia a ver um filme que não tem nada a ver com este: «Breakfast at Tiffany's». Porque vi o filme e pensei exactamente isso: ela é o seu próprio inimigo. Holly Golightly (Audrey Hepburn) é a personagem que amamos, a personagem principal, mas que é o seu próprio obstáculo que tem que transpor, como o Gus.

Não só há sempre a questão do maniqueísmo nos filmes para crianças, mas também tendem a ter sempre uma moral. Em «O Amarelinho», qual é a moral? Isto é se a tem...

AB – Para mim existem duas. Em primeiro – que não sei se é propriamente uma moral – há a questão do encorajar a ter curiosidade pelo Mundo e pelo o Outro. O Gus é uma personagem que não quer sair do seu pequeno mundo e que tem medo de tudo... Há a ideia de se abrir aos outros para poder fazer coisas maiores. É um pouco como num filme: um filme não pode ser feito por só uma pessoa, é preciso uma equipa de cem, duzentas pessoas. Neste filme trabalhamos com cerca de trezentos membros. O filme nasceu na minha cabeça, imaginei-o eu, mas gosto da curiosidade dos outros: da pessoa que vai inventar o aspecto gráfico, a pessoa que vai inventar a música, a pessoa que vai dar a voz,... É um trabalho de todos. E penso que este filme mostra isso sobre o tema da imigração.
E depois há uma outra moral que me agrada bastante. Neste momento há uma crise migratória que é terrível. Não era tão forte quando comecei a produzir o filme mas que se tem vindo a agravar. É algo que me perturba muito e acho que o filme está lá para mostrar que, por vezes, para se ter uma vida melhor temos que imigrar. É importante. Nós vivemos na Europa, em países que mesmo com a crise financeira, têm uma boa qualidade de vida. Enquanto há outros países onde não se vive bem. E é importante mostrar que por vezes a solução é a imigração e que o Mundo é de toda a gente. Para mim isso é mesmo importante. E,se houver a oportunidade de dar continuidade ao filme, eu gostaria de mostrar Gus a voltar com as aves africanas.

Amarelinho 2

O que também permite apostar no sentido cómico dos contrastes, como em «Madagascar», quando os animais africanos estão nos EUA e há um certo choque civilizacional...

AB - Sim, mas para mim é a imigração é uma questão importante. Aqui são aves francesas que vão para África, mas eles partem para lá à procura de melhores condições de vida. E se é verdade para eles também é verdade em todos os sentidos. Mas queria que o filme mostrasse isso em filigrana, não queria um filme político. Mas queria que o filme dissesse algo de humanista.

Aqui temos também uma estética muito particular. De alguma forma parecia que as personagens eram feitas de papel, como bonecos de origami. Cada pluma é como um pedacinho de papel. Esse cuidado com a estética é o trunfo para fazer frente ao universo estandardizado da Pixar e da Disney?

AB – Digamos que houve por parte do estúdio de animação uma vontade de procurar uma estética diferente. Benjamin Renner, que trabalhou em curtas-metragens de animação muito específicas, muito particulares visualmente, tinha uma vontade uma vontade de fazer esse aspecto de papel: de pop-up book. E é algo que ele trouxe especificamente e que a produtora encorajou.

E porquê a escolha do 3D? Pessoalmente tendo a acreditar que o 3D se transforma facilmente num artifício, num gimmick – como dizem os americanos – que subtrai mais à obra do que acrescenta.

AB – Eu nunca gostei do 3D também. Foi algo decidido no fim do filme, mas foi a primeira vez que o achei justificável tendo em conta o estilo de animação do Renner que lhe deu aquele aspecto de pop-up book. O estilo dele já era 3D na representação 2D. E isso foi o que me convenceu.

Amarelinho 3

Não pude deixar de reparar que o filme foi feito em 2014. Porquê só agora nas salas de cinema em Portugal?

AB – Bom, isso não sei. Mas o interessante é que este filme, para mim, foi um caminho longo. Eu tive a ideia do filme em 2004. Foi um processo de desenvolvimento extremamente longo. Tudo foi muito complicado, tudo foi uma aventura...

Mas acabou por surgir num bom momento. Ou melhor, num mau momento para a história humana mas para um bom justamente para chamar à atenção sobre, como referiu, as questões da imigração. Agora faz mais sentido vê-lo. Surge quase como uma premonição.

AB – Espero sinceramente que sim.

Curiosamente, no mesmo ano que fez o «Amarelinho», faz também «Le Dos Rouge» que é um mergulho no mundo da história de arte e nos conceitos de transformação, alteração e monstruosidade. Uma obra muito diferente. É certo que neste filme, o Antoine é argumentista e não realizador, mas como definiria o seu trabalho? Das obras que vi, pareceu-me como que um mosaico e, se bem que veja cada tessela, custa-me a perceber o desenho que formam.

AB - Isso é justamente o que me agrada. Sou muito cinéfilo, quase “cinéfago”. Vejo uma quantidade enorme de filmes. Talvez cerca de 250 filmes por ano nas salas de cinema mais todos os outros filmes que vejo em casa em dvd. E tenho o mesmo gosto enquanto espectador como enquanto realizador. Ou seja, um gosto pelo que me agrada, que acho bem feito, seja qual for o género: animação, de autor, comercial, intelectual, de aventuras,... Para mim isso não tem qualquer importância. Gosto do que gosto tão somente. E trabalho também como produtor e produzi um filme português no ano passado, «O Ornitólogo» (João Pedro Reis)...

E, mais uma vez, um filme de um universo muito diferente. Pese embora a curiosa relação do título...

AB – De facto, um universo completamente diferente. Mas a mim agrada-me muito o ecletismo, a diversidade. E os realizadores de quem me sinto mais próximo, que admiro mais são Barbet Schroeder, Werner Herzog, John Huston... gente que fez toda a sua carreira com filmes completamente diferentes. Que passaram de westerns a um romance a um documentário... Por exemplo, o Barbet que faz um documentário sobre Idi Amin Dada [«Général Idi Amin Dada : Autoportrait», 1974], depois um filme na Colômbia [«La Virgen de los Sicarios», 2000] e depois uma coisa hollywoodesca [episódio da série «Mad Men»]... Acho isso extraordinário! A pessoa que sou é isso. Esse mosaico. O que se torna algo difícil para mim. Porque as pessoas têm dificuldade em identificar o que eu faço. Nós gostamos de etiquetas, de rótulos: de dizer que este realizador faz isto e outro faz aqueloutro. E em mim é difícil por a etiqueta.

A sua personagem Bertrand [Bertrand Bonello] no filme «Le Dos Rouge» fala disso no diálogo que mantém com o jornalista que o entrevista sobre o seu trabalho como realizador. Mas falando desse mosaico. O Antoine tem mais dois filmes na calha: «Madeleine Collins» e «Monument Valley». Quer falar-nos dessas duas novas tesselas?

AB - «Madeleine Collins» vai ser o meu próximo projecto de realizador. É um filme, mais uma vez, completamente diferente. Fala sobre uma mulher que tem uma vida dupla, entre a França e a Suíça; e que vai recusar ver a verdade, vai enterrar-se em mentiras sobre mentiras. Irei filmar no próximo ano, na França e na Suíça, ... E o «Monument Valley» é também completamente diferente! È uma espécie de comédia de aventuras, com uma história de amor gay, no Brasil e que termina no Monument Valley, nos EUA. É um filme que co-escrevi e que co-realizo com um jovem realizador brasileiro.

E, para terminar, o que diria às crianças ou aos pais para virem ver o «Amarelinho»?

AB – Antes de mais queria dizer que acabo de ver o filme em português - já o tinha visto obviamente em francês e inglês- e, não sei quem são os actores mas fiquei muito surpreendido pela qualidade das vozes.
Convido as crianças a virem ver o filme e encorajo-as a saber mais sobre a migração dos pássaros porque é absolutamente apaixonante. Eu trabalhei com um especialista ornitólogo [Guilhem Lesaffre] e passei dias inteiros de boca aberta a escutar o que me dizia. São incríveis os mistérios ainda por resolver da migração dos pássaros, mesmo com todos os estudos científicos. A complexidade da natureza é deslumbrante.