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Actualizado às 3:32 PM, May 20, 2018

God of War | Trailer "Flecha" | PS4

A complexa relação entre os dois protagonistas do novo God of War serve de mote para o extraordinário trailer cinemático “flecha” que, pela voz do ator Ricardo Carriço, antecipa os diversos desafios que Kratos e Atreus terão pela frente, nesta inesquecível aventura.

Cinco edições disponíveis em Portugal:

God of War chega a Portugal no próximo dia 20 de abril, e poderá ser adquirido na PlayStation®Store e pontos de venda habituais, e conta com cinco fantásticas edições, ligadas diretamente ao universo da mitologia nórdica e à narrativa do jogo:

Edição Standard, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 69,99 €): inclui versão em Blu-Ray.
Edição Digital Deluxe: disponível apenas em formato digital (PVP 69,99 €): inclui versão digital do jogo, para ser descarregada na PlayStation®Store, a banda desenhada digital da “Dark Horse”, o livro de arte digital da “Dark Horse”, o conjunto de armadura promessa da morte, o escudo guardião do exílio, um tema dinâmico de PS4™ e um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Day One, disponível em formato físico (PVP 69,99€) que inclui versão Blu-ray, um tema dinâmico de PS4™. e que, mediante reserva, incluirá um DLC com 2 escudos e um talismã da sorte eterna – Exclusivo Edição Day One, e um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Limitada, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 79,99 €): inclui versão Blu-Ray, com caixa metálica preta e prateada, com o símbolo dos irmãos Huldra, o livro de arte “Dark Horse” em formato físico, e três conteúdos digitais exclusivos: o set de armadura “Death’s Vow”, o escudo “Exile’s Guardian” e um tema dinâmico de PS4™. Quem efetuar a reserva desta edição receberá também um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
Edição Colecionador, disponível apenas em formato físico (PVP recomendado 149,99 €): inclui versão Blu-Ray com caixa metálica preta e prateada com o símbolo dos irmãos Huldra, todos os conteúdos digitais exclusivos incluídos na Edição Digital Deluxe, uma litografia exclusiva, um mapa de tecido Midgard, duas estátuas esculpidas dos irmãos Huldra e uma estátua espetacular de Kratos e Atreus de 23 cm desenhada pela Gentle Giant Ltd. Quem efetuar a reserva desta edição receberá também um DLC extra de reserva com 3 escudos para jogo.
O renascer de um semideus numa história cheia de mitos e magia

Desenvolvido pelo estúdio americano Santa Monica Studio (criadores de todos os títulos desta importante franquia), esta fantástica reinvenção de God of War, aproveita na perfeição a capacidade gráfica da PS4 e PS4 Pro, conseguindo reproduzir na perfeição os mais misteriosos bosques e as mais belas montanhas nórdicas. A narrativa do novo God of War centra-se na relação entre um protetor Kratos e o seu filho Ateus. Consciente do legado sombrio que poderá deixar ao seu filho, Kratos fará o possível para apagar os erros do passado em relação ao filho, enquanto enfrenta novos desafios, perigos, criaturas e deuses.

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Shadow of The Colossus | Uma tour pelos estúdios Bluepoint

A PlayStation® e a Bluepoint Games acabam de lançar um vídeo sobre o trabalho realizado pelo estúdio norte-americano na remasterização do mítico Shadow of the Colossus, o próximo lançamento exclusivo para a PlayStation®4, que chega às lojas portuguesas no dia 7 de fevereiro.

Marco Thrush, diretor do estúdio, Peter Dalton, diretor técnico, Randall Lowe, produtor e Marc Skelton, diretor de arte, explicam no vídeo o trabalho realizado e evolução feita ao longo dos seus remakes e remasterizações. Entre os vários títulos trabalhados, destacam-se God of War, Gravity Rush, Metal Gear Solid, Uncharted e a remasterização para a PlayStation®3 das obras de Fumito Ueda, Ico e Shadow of the Colossus.

Shadow of the Colossus coloca o jogador na pele de Wander, um jovem com a missão de enfrentar e derrotar 16 bestas para poder devolver a vida a uma misteriosa rapariga. Com o estúdio Bluepoint Games no comando, a beleza da aventura original de Fumito Ueda recebe grandes melhorias em termos visuais e de rendimento. Estas alterações fazem com que o jogador viva os momentos épicos do jogo da melhor maneira.

Fonte: Playstation

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Battlefield 1 Turning Tides

Battlefield 1 Turning Tides será lançado em duas fases – a primeira será a 11 de dezembro para quem possuir o Premium Pass de Battlefield 1. Os jogadores terão a oportunidade de combater em dois mapas épicos, Cape Helles e Achi Baba. Numa totalmente nova Operation incluída, os jogadores poderão participar do assalto anfíbio britânico de 1915 da península de Gallipoli. Haverá uma nova classe Infiltrator Elite, seis armas e duas armas de curto alcance adicionadas ao teu arsenal, e, assim, conseguirás dominar as ondas com o L-Class Destroyer. A segunda fase, que será em janeiro de 2018, irá levar os jogadores ao Mar do Norte onde irão combater dois outros mapas únicos: Zeebrugge e Heligoland Blight, com a oportunidade de mergulhar em batalhas com os recentes Royal Marines e descenderem no C-Class Airship.

Fonte: EA

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Formula 1 2017

F1 2017 continua sem tirar o pé do acelerador, incrementa a experiência de jogo de uma série sem rivais, mantém o título indiscutível de melhor simulador de Formula 1. A grande adição deste lançamento está na introdução de carros clássicos que fizeram as delícias de pilotos e adeptos da F1 no passado.

O jogo criado pela Codemasters oferece múltiplas possibilidades: o modo online no formato “multiplayer”; o “grand prix” que consiste em termos um fim-de-semana de grande prémio ou criar o nosso circuito mundial; e o “evento” que não estava disponível aquando do teste deste jogo mas que está directamente ligado à actual temporada de F1 com desafios muitos específicos do campeonato real. Temos a curiosa modalidade de desafios, um total de quarenta, divididos em “championships” ou “events”. Os “championships” vão de uma temporada completa de F1 até campeonatos de circuitos citadinos, circuitos de chuva (China, Grã-Bretanha, Mónaco, Áustria e Japão) ou a temporada clássica. Nos “events” temos, por exemplo, a possibilidade de correr contra o relógio e tentar ultrapassar o maior número de carros. É nesta atmosfera de desafios que podemos colocar as mãos nos carros clássicos, o carro mais antigo deste lançamento data de 1988, é o McLaren MP4/4, esperamos poder recuar ainda mais no passado em próximas edições.

A cereja no topo do bolo de F1 2017 não poderia deixar de ser o modo “carreira”, após gerar o piloto, escolher o seu capacete e selecionar a equipa aceleramos em direção ao título. A primeira reação é correr desalmadamente nas corridas de domingo, não queremos saber de agentes, chefes da equipa ou especificações técnicas mas com o vício chega a busca pela perfeição e essa ambição leva-nos a explorar outro universo de F1 2017. Antes de cada corrida o jogador tem acesso a um portátil virtual, aí podemos ver a evolução do carro que pode ser incrementado através do painel de pesquisa e desenvolvimento, um mapa com vários estágios de evolução desde chassis, motor, aerodinâmica e durabilidade. Neste momento percebemos que está tudo interligado, os treinos livres são fundamentais para conhecer o carro através de pequenos desafios que resultam em pontos, os mesmos são a moeda de troca para fazer evoluir o carro e torná-lo mais fiável a cada fim-de-semana. A par do painel de pesquisa e desenvolvimento o jogador também tem a opção de mudar peças-chave na unidade de energia do automóvel. Tal como a caixa de velocidades, só podemos trocar os componentes do motor até quatro vezes em cada temporada, a sua substituição por vezes torna-se urgente para não prejudicarmos a performance do carro, por exemplo, não substituir a componente de combustível pode implicar não terminar as corridas.

Jogos F1 2017 July screenshot 12
O jogo foi claramente pensado para replicar da melhor forma possível a experiência F1 sem ser um quebra-cabeças. As corridas, a estratégia e o desenvolvimento do motor faz-se de um modo intuitivo. O nível de dificuldade dos adversários AI também vai aumentado à medida que vamos vencendo mais corridas. Durante a condução temos várias ferramentas de auxílio para percebermos o que está à nossa volta, desde diferenciais de tempo ao estado do motor, pneus e combustível que tem a opção de diferentes programas de consumo. Não é fácil ir a 300 Km/h e começar a falar com a box, é algo que terá de ser otimizado no futuro, já o sentir o pulso ao estado mecânico do bólide ou a introdução de novos programas de combustível é uma decisão que não provoca nenhum despiste. A condução propriamente dita terá de ser feita dentro das regras e respeitando a teoria da gravidade, existem penalizações por cortar curvas, colisões e ultrapassar à papo seco. Inicialmente surgem os avisos no ecrã, se somarmos infrações temos deduções de tempo. Os carros não são indestrutíveis e nas corridas sem zona de escapatória bater contra o muro é sinónimo de abandono e danos imediatos no chassis e mazelas a longo prazo no motor com a deterioração dos componentes mecânicos. Devemos evitar a todo custo andar a pastar na relva ou passear pela gravilha. Após as três sessões de treinos livres e a qualificação, que se faz apenas numa volta (ainda não temos o actual modelo a Fórmula 1) a corrida pode ser feita em 25% da sua duração, o que dá normalmente 13 a 15 voltas e inclui uma paragem obrigatória nas boxes. Os gráficos e a sensação de condução atinge píncaros de puro realismo, é um disparo de adrenalina sempre que estamos aos comandos de um bólide deste jogo.

F1 2017 é uma sinfonia em quatro rodas, o único defeito é ser demasiado perigoso porque pode causar um sério congestionamento noutras tarefas domésticas ou relações com o mundo exterior mas fica a certeza absoluta que é um jogo que proporciona centenas de horas de diversão.

F1 capa

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Entrevista a Guillermo Del Toro - A forma da água

Guillermo del toro tem dedicado a vida a fábulas e criaturas fantásticas.

Desde o início da carreira com «Cronos» (1993) até «A Forma da Àgua» (2017), candidato a triunfar nos óscares deste ano, o trabalho do cineasta mexicano tem narrado histórias mágicas recheadas de magia e surpresa. Passado em plena Guerra Fria, o filme leva o espetador para o interior dum laboratório secreto do governo norte-americano onde acaba de chegar uma criatura anfíbia com poderes extraordinários. A sua relação com Elisa, uma empregada de limpeza muda, ameaçada pelo agente impiedoso Strickland e acarinhada pelo vizinho Giles vai levar a consequências trágicas. Filmado durante o outono de 2016 em Toronto, Canadá, o filme teve a sua primeira apresentação mundial no festival de Veneza do ano passado. Em plena rodagem, o realizador fala-nos sobre esta história de amor única.

Donde surgiu a ideia para este filme?

Nos anos 1990 pensei na ideia de fazer um romance dum romance com um anfíbio, como um filme de ficção científica. Era sobre exploradores que vão para a Amazónia. Ninguém ficou entusiasmado com a ideia e quis fazer o filme. Mas a ideia ficou na minha cabeça, pois um dos motivos principais das histórias de encantar é a história dum peixe que concede três desejos e um pescador ou a mulher dum pescador que deixa o peixe fugir. Queria fazer um filme sobre uma criatura anfíbia que transforma a vida de quem a salvar, duma forma mágica. Escrevi em parceria com o Daniel Krauss uma obra chamada Trollhunters e estávamos a tomar o pequeno almoço em Toronto quando preparava «Batalha do Pacífico» e ele disse-me, Sabes, tenho esta ideia sobre um governo esconder um segredo acerca duma criatura anfíbia, e uma empregada de limpeza construir uma relação de amizade com ela. Respondi-lhe, Compro-te essa ideia. Não digas mais nada. Não escrevas nada. Disse-lhe, faz uma sinopse e diz o preço. Ele assim o fez, comprei-lhe e garanti-lhe a co-autoria. Isso foi há 4 ou 5 anos atrás. Pensei-a como uma história de amor, comecei a escrevê-la e decidi que devia passar-se em 1962, que marca o fim do sonho americano. A guerra do Vietname está em curso, o Kennedy vai ser morto, todos pensam que o futuro vai ser grandioso. É o momento no qual acho que tudo começou a mudar e seria a altura ideal para algo primitivo e espiritualmente poderoso como a criatura aparecer. É também uma altura em que tipos como o Strickland são brutais, acho que isso ligava-se muito à atualidade.

A Forma da Água

É um filme de monstros, mas o monstro não é aquilo que pensamos ser.

Claro que sim. A ideia era, podemos contar a história da criatura duma outra forma? Uma imagem clássica é a do monstro a levar a miúda, o que, habitualmente é mau sinal. No final deste filme, quando a criatura leva a mulher, é belíssimo. Por isso a ideia era pegar nas convenções e dar-lhes um toque diferente. Normalmente, a personagem do Michael Shannon seria um herói. Um tipo bonito num fato elegante que trabalha para o Governo.

Como vê a odisseia de Elisa?

Para mim, ela nasceu num lugar onde não se sente integrada e a essência da história de amor e de encantar é que existem duas viagens que os heróis e as heroínas fazem nestas histórias mágicas: para se encontrarem - o seu lugar no mundo - ou encontrar o seu lugar num mundo alternativo onde possam viver. Nesses desafios pode caber em qualquer história de encantar alguma vez escrita. Elisa cumpre-os todos. É uma desalinhada e é, literalmente, invisível, a limpar casas de banho e apanhar o lixo, ninguém a vê. Ela torna-se muito forte e enfrenta uma figura muito poderosa. É muito corajosa, torna-se assim. E também, encontra o seu lugar no mundo e alguém que a respeite. Ela é muito bonita.

A forma da água - Elisa (Sally Hawkins)

E para uma personagem que nunca fala – ela é muda – tem a melhor fala do filme.

Estou mesmo a falar de amor e da forma de o compreender. Pensei, o momento em que te apaixonas não é o momento em que se trocam olhares, mas sim o momento em que se olham e tu existes. Acho que ela foi invisível durante toda a sua vida e de repente conhece a criatura e esta está feliz. Observa-a e não espera nada em troca. Apenas está feliz por olhar para ela. Muitos têm essa experiência com os seus cães e gatos. Mas aqui o sentimento é mais profundo dado o reconhecimento. Nas histórias de encantar o mais importante é o reconhecimento da nossa essência. Conhecer-nos a nós próprios é o mais importante nessa viagem. Foi um discurso que gostei muito de escrever porque é o que ela diz. E a essência do herói é alguém que diz, Não posso deixar que isto aconteça. Não têm a ver com não ter medo, é Não posso permitir isto, mesmo que não sobreviva. Há uma criança no meio da estrada e os carros não param de passar, vou morrer se a salvar, mas vou fazê-lo.

Como foram as cenas com a Sally e com o Doug?

Filmámos e ao 7ºtake já estava escuro. Os meus óculos estavam embaciados. Este foi um daqueles argumentos que quando terminei, estava a chorar. Emociono-me com facilidade. Aconteceu o mesmo com Labirinto de Fauno (2006) e «Nas Costas do Diabo» (2001). «Crimson Peak: A Colina Vermelha» (2015) para mim foi muito emotivo, porque tudo o que faço são histórias de encantar.

Como se desenvolveu o design da criatura?

Levou três anos a desenhá-la e a construí-la. Passei a maior parte do tempo a financiá-la. Gastei mais de 200 mil dólares na sua criação, do meu próprio bolso. Precisava dum ano de design antes da criatura ser feita. E depois foi moldada da forma tradicional, Tivemos três escultores a trabalhar de forma ininterrupta. E depois voltamos a pintá-la toda uma série de vezes. A forma como está agora leva-nos a parar de ver a criatura e começar a ver a personagem.

Falou-nos da atualidade da história. Isso pesou muito quando a escreveu?

Pensei nisso. Está desenhado para ser dessa forma. As histórias deste género surgem em tempos bem difíceis. Aparecem em momentos de fome, guerra e pestilência. Não foram escritas para crianças. São fontes de tradição oral. Falam de corrupção real ou reafirmação do poder do monarca. Cada uma das narrativas de encantar separase em duas categorias: uma que reafirma o poder instituído e a outra que o subverte. O mesmo se passa nos filmes de terror e nos de ficção científica. Se estivesse a fazer um filme de género de filme o herói seria o Strickland. Protagonista, bem vestido e com uma boa apresentação, elegante e capaz. E ele tem de controlar a criatura que está solta nos corredores do local onde está. Essa é a história habitual, sabe? Se adora monstros, quer contar a outra história. Fiz o «Hellboy» (2004), «Batalha do Pacífico» (2013) e construí sempre instalações de raiz, que são espetaculares, mas conto a história sempre do ponto de vista dos agentes. Agora quis contar a história da perspetiva das empregadas de limpeza, as que arrumam e limpam os locais onde esses funcionários trabalham.

O filme tem muitos momentos de humor.

Acho que isso está presente. Até o design tem humor. Algumas pessoas acham que as minhas histórias são dolorosas, mas o tom do filme são os atores. O diálogo e tudo isso. Sim, claro que isso também se percebe no look do filme e na cor e na fotografia: se a abordagem deste filme fosse com a mesma fotografia que utilizámos em «Crimson Peak: A Colina Vermelha» (2015), o humor evaporava. Se a abordares com um tipo de design super estilizado, como no filme «Doutor EstranhoAmor» (1964), o humor desaparece. Se o fizeres com algum realismo e toques de magia, é isso que quero.

Já disse que escreveu este argumento para os atores. Em relação a Michael Shannon: desde quando teve a certeza que ele era o ator ideal para o papel de Strickland?

Escrevi o argumento a pensar no Michael. Pensava mesmo que ele podia ser o Strickland, mas nunca falei com ele antes de iniciarmos o casting. Foi o primeiro ator que abordámos. Fui ter com ele mas ele disse-me que estava a acabar outro filme e depois ia fazer teatro. Que só iria ler o argumento daí a mês e meio. Apostei tudo que ele iria gostar do argumento. Nunca tens a certeza. Com o Richard Jenkins aconteceu o mesmo: não tinha a certeza se ele aceitaria participar neste tipo de filme mas depois lembrei-me que ele já tinha participado em filmes como «A Casa na Floresta» ou «A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas». Pensei para mim: Vou arriscar.

Qual o significado da projeção de «Os Amores de Ruth» (1960) na sala de cinema durante o filme?

Toda a gente fala da criatura como sendo um deus. Quis muito ter uma história sobre uma mulher cheia de fé que fizesse uma transgressão, mas não quis citar nenhum dos clássicos bíblicos que todos conhecem. Acho que se torna chato quando citas coisas que todos conhecem. Torna-se meta. Não quis fazer isso, mas antes citar um filme bíblico pouco relevante.

Escreveu todas estas referências.

Levou nove meses. A última fase do argumento foi em 2014/15. A Fox Searchlight entrou no projeto em 2014 e eles sabiam tudo o que iria acontecer pois já tinha uma boa parte do guião. Tinha um esboço completo já pronto e disse-lhes, Quero uma lista de todos os filmes feitos pela Fox e as canções que posso utilizar pois não tenho dinheiro para pagar os direitos. Vi bons e maus filmes. Queria algo que não fosse popular. Posso escolher a Carmen Miranda, posso optar por «Os Amores de Ruth» (1960) e «Carnaval do Amor» (1958) pois a maioria nunca ouviu falar deles.

Os Escolhidos

«Os Escolhidos», aposta da D&D criações, é um projeto de série de televisão inspirado nas aventuras de super-heróis. Angélica, Madalena, David e Gabriel são 4 jovens com poderes especiais e um objetivo comum. Recusado pela Stopline, os seus criadores procuram novas formas de financiamento num mercado exíguo e dominado pelos gigantes norte-americanos do entretenimento. Conversámos com o Diego Martins e o David Pereira sobre a origem da série, as motivações, as expetativas em relação à sua viabilidade e ainda sobre a escolha do elenco principal. 

Como, quando e onde nasceu este projeto?
Diego: A ideia surgiu há cerca de um ano e meio enquanto conversava com o David, aliás, a maioria das nossas ideias surgem fora do ambiente de trabalho, em conversas casuais. Na altura eu já tinha falado com ele sobre a minha vontade de criar um argumento sobre um grupo de jovens, a minha ideia era algo semelhante aos livros d'Os Cinco. Mas depois de algum tempo a discutirmos várias ideias começou a fazer sentido para nós que eles tivessem super-poderes.

Porque tanto eu como o David somos fãs de histórias com super-heróis.
David: Isso e combater a falta de conteúdos deste género, no nosso país. Sabem que tanto Os Escolhidos, como qualquer projecto que tenhamos ou que venhamos a ter, advém de uma simbiose artística muito curiosa. Felizmente, além de grandes amigos, somos grandes colegas de trabalho. Criamos quase compulsivamente e sem nos dar conta. E este projecto em concreto, foi surgindo, como o Diego referiu.

Quais as motivações que estiveram na origem de «Os Escolhidos»? O que vos levou a apostar neste projeto?
Diego: Desde pequeno que sou fã das comics da Marvel e da DC, e cresci a ver desenhos animados, filmes e séries de super-heróis ou de pessoas com habilidades especiais, esse universo sempre me fascinou. Sempre me encantou a ideia de uma pessoa normal que, aparentemente não tem nenhuma hipótese de fazer a diferença no mundo mas, que de repente ganha poderes que alteram a sua vida por completo e que o obrigam a pensar se deve usar aqueles poderes para fazer o bem ou para o seu próprio proveito. Por isso sempre que nos reunimos para discutir algum assunto d'Os Escolhidos eu estou sempre ansioso e motivado.
No meu ponto de vista, Os Escolhidos deveriam ser uma aposta ganha. Séries juvenis sempre tiveram sucesso em Portugal e esta ainda tem o 'extra' dos jovens terem super-poderes, algo muito utilizado lá fora mas que aqui nunca foi feito. Os portugueses já estão a precisar de uma série ou de um filme com a temática dos super-poderes.

David: Apostamos muito na dúvida, na parte humana. Imaginem terem 20 e poucos anos e, do nada, acordam a conseguir mover objetos com a mente. Eu falo por mim, sair à rua para combater o crime não seria de todo a minha primeira opção. E esse lado humano é muito explorado nesta série.

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Como foi a escolha do elenco? Foi através de casting?
Diego: Não foi necessário casting. Nós estivemos numa escola de formação de actores durante três anos e pelo caminho fomos conhecendo actores com muita qualidade, entre colegas e professores. Por essa razão, quando começámos a desenvolver os personagens quase que em paralelo fomos também escolhendo o elenco. A Susana e a Catarina são um exemplo disso mesmo, foram nossas colegas e participámos em vários espectáculos de teatro juntos, por isso na altura de escolher as actrizes para a Angélica e para a Madalena, elas vieram logo ao nosso pensamento. Mas temos mais pessoas da escola, como por exemplo uma aluna mais nova do curso, a Vera Canhoto, e um antigo professor nosso, o Filipe Crawford, que já é um actor de renome, entre outros.

Quais são as vossas expetativas para o projeto?
David : Queremos avançar com a sua produção, seja como uma série ou até em filme. Quando lançámos o teaser d’Os Escolhidos no Youtube, foi em parte como estudo de mercado. Para mostrar que sim, há interesse em ver algo nosso (português), dentro deste género. E resultou, superou as nossas expectativas em termos de recetividade. As pessoas querem ver algo diferente, principalmente os jovens.

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A série foi recusada pela Stopline filmes? Que motivos foram apontados para essa decisão?
Diego: Isso é algo que nem nós sabemos responder. Durante o Verão tivemos uma reunião na Stopline com alguns responsáveis da produtora e foi-nos dito que o projecto era promissor. Mais tarde fomos contactados pela responsável do departamento de projectos que nos disse que a Stopline iria concorrer ao ICA com Os Escolhidos para o apoio à Escrita e Desenvolvimento de Obras Audiovisuais e Multimédia.
Esperámos até ao mês passado por novidades, até que entrámos em contacto com a pessoa responsável pelo nosso projecto e que nos disse que já não trabalhava na Stopline e que, Os Escolhidos nunca tinham chegado a concorrer ao ICA. Até hoje não recebemos mais notícias da Stopline.

David: Ui! Caríssimo colega, estás mesmo a contar tudo, que sinceridade...mas ainda bem, nós somos assim! Enfim, passamos bem com o “não”, esse é garantido e sabemos que esta não é uma jornada fácil. O que não gostamos é a falta de resposta. É que saímos todos a perder. Uma produtora nunca sabe o que temos para oferecer, nós ou qualquer jovem empreendedor. Podemos muito bem ter em mãos a próxima galinha dos ovos de ouro. O que, bem produzido, temos! Sabemos reconhecer o valor deste projecto.

Quais os planos para a série? Crowdfunding?
David: O Crowdfunding é uma das possibilidades. Procuramos um suporte financeiro, seja ele através do crowdfunding, de produtoras, ICA, parcerias com marcas, etc. Como a marca de roupa, BANA, que foi a nossa primeira parceria oficial e nos facultou roupa. Toda a ajuda que seja a favor deste projecto é bem-vinda.

Descreva-nos a série «Os Escolhidos» para que os nossos leitores a conheçam.
Diego: Os Escolhidos é uma série de drama e ficção científica que segue a jornada de 4 jovens com habilidades especiais, Angélica, Madalena, David e Gabriel que procuram respostas sobre a origem dos seus poderes.

O Fim da Inocência - Joaquim Leitão

«O Fim da Inocência», adaptação do best-seller homónimo de Francisco Salgueiro marca o regresso de Joaquim Leitão. É a história de Inês, uma adolescente seduzida pelo risco de novas experiências, algumas delas perigosas numa atmosfera sombria. A origem do projeto, o desafio desta nova adaptação, a escolha da protagonista e o trabalho com o elenco foram alguns dos temas da conversa com o realizador.

Em primeiro lugar como e quando nasceu o projeto de adaptar “O Fim da Inocência” ao cinema?
Este projeto é uma ideia da produtora, Ana Costa, a ideia original e a vontade de adaptar o projeto são dela. Depois contatou-me a perguntar se estaria interessado. Ela já tinha avançado com a adaptação e, ao ler o livro e o trabalho de adaptação que já havia, percebi que podia fazer dali um filme do qual me orgulhasse, que tivesse prazer em fazer e que acho que muitas pessoas vão ter prazer em ver.

O Joaquim já adaptou algumas obras: esta foi um desafio diferente?
Todas elas são desafios diferentes. A maneira como as encaro é sempre a mesma: para já respeitar o espírito original e respeitar também, na medida do possível, a letra. Por vezes respeitar o espírito é relativamente mais simples de fazer, porque respeitar a letra é mais complicado ...

É uma linguagem diferente...
É uma linguagem diferente e a economia narrativa dum filme não é exatamente igual à do livro. Não é possível transportar a narrativa dum romance para um filme. À partida sabíamos o que tínhamos como orçamento, como tempo de rodagem e sabia que era preciso fazer um trabalho de adaptação em termos da eficácia narrativa e da eficácia em termos de produção.

fim 2

Essas foram as principais dificuldades do processo?

Não lhe chamo dificuldades, são as circunstâncias. Essas circunstâncias duma maneira ou doutra são sempre similares, apresentam desafios diferentes enquanto se está a adaptar algo que tem uma estrutura e certos parâmetros que são necessários manter. Portanto, depois é transportar isso e adaptar isso para a estrutura dum filme e para as circunstâncias específicas de cada filme (o orçamento, o tempo de rodagem) que são definidos à partida e às quais sou alheio. Porém, quando aceito fazer um filme, aceito na consciência de quaisquer que sejam as circunstâncias de produção que me propõem consiga fazer algo com qualidade. Acho que consegui neste caso. Eu e a Ana Costa tentámos que fossem visíveis os meios utilizados nas imagens, ou seja no filme.

Os temas abordados no filme são sensíveis, delicados. Sente que hoje é mais fácil – e o Joaquim já filma há alguns anos- abordar certos assuntos do que era há uns anos atrás?
Por mim esse problema não se põe. Tento fazer as coisas da maneira como acho que devem ser feitas. Nunca tive grandes problemas em abordar temas que às vezes são complicados mas procuro fazê-lo com sensibilidade e percebendo que existem pessoas para quem aqueles temas podem ser chocantes. Agora tudo depende da maneira como as pessoas abordam as coisas: neste caso fiz um esforço para abordar situações que são complicadas – aquele universo juvenil – naquela vertigem da adolescência, de experimentar tudo e no meio de tudo o que experimentam acontecem coisas terríveis e outras muito boas. Isso faz parte da obra original –do romance do Francisco Salgueiro– e sem isso o filme não faria sentido. O lado das experiências com drogas é outro tema com o qual é preciso ter algum cuidado. Já tinha feito outro filme onde isso aparecia, «Tentação» (1997),

Exato ...
E já tinha alguns conhecimentos, já tinha feito a pesquisa também para conhecer parte desse mundo. Embora neste caso as personagens sejam completamente diferentes desse filme: neste caso é sobretudo a experiência duma adolescente pois a história é muito centrada na Inês, sob o ponto de vista de quem o filme é contado. O romance é baseado num diário dessa adolescente e o filme conta as experiências dela. As experiências com drogas são contadas e por isso tinham de ser incluídas no filme. Mas com alguma sensibilidade!

É essa vertigem da experiência que carateriza a protagonista do filme?
Sim. Acho que isso é comum a muitos jovens. Posso falar pela minha experiência e acho que esse lado me impeliu a fazer o filme. Recordo-me dos tempos da minha adolescência – já estão muito longínquos, mas ainda me recordo – sobretudo do estado de espírito. Essa ânsia de viver, esse estado de espírito de experimentar, de saber como é, no caso da protagonista do filme, a pressão do que está à volta dela. Na minha altura e para mim isso, não era importante, mas neste momento é decisivo: o não querer ficar para trás, ir tão longe como os amigos que estão ao lado, e ela arrastada para esse mundo onde acontecem coisas terríveis. Mas o filme também tem esse lado que me apaixona, que tem muito a ver com a minha visão sobre vida: podem acontecer coisas muito más, algumas delas por opção nossa, outras que não controlamos. Há, porém, uma coisa que podemos controlar que é a forma como reagimos às coisas que nos acontecem, isso depende de cada um de nós.

É a história do filme ...
É uma história de perdição porque a dada altura a Inês parece que vai num caminho de auto – destruição. Mas é também uma história de redenção, pois ela encontra uma forma de sair dessa espiral auto- destrutiva.

Por falar na protagonista do filme, como foi dirigir este elenco jovem?
Cada ator tem a sua individualidade, é preciso trata-los de maneira diferente. Existem situações nas quais a experiência facilita muito e neste caso a atriz principal não a tinha. Mas grande parte da eficácia do trabalho dum ator resulta duma escolha feliz ...

...um bom Casting?
Demorei muito tempo nesse processo, fiz muitos castings para o papel da personagem principal. E depois há aquele momento, que mais do que um feeling, é a sensação que tenho que subitamente aparece alguém à tua frente que tu reconheces como se fosse uma imagem daquela personagem que já estava desenhada na tua cabeça. Não escolhes, reconheces aquela pessoa!...

...Interessante...
E foi o que aconteceu neste caso. Depois fizemos um trabalho o mais exaustivo possível naquelas circunstâncias: ensaiámos, defini o texto – ela por vezes trazia sugestões, pois dada a proximidade de idades com a personagem, conhece aquele mundo melhor do que eu. E conhece melhor a linguagem daquele universo do que eu. Com ela e com todos os atores, embora com ela fosse mais exaustivo, pois está em quase todo o filme.

fim 3

E o resultado final?
Acho que ela fez um trabalho magnífico, aquilo que pressenti nos castings manifestou-se ou explodiu na rodagem. Acho o trabalho dela impressionante! Como o resto do elenco, incluindo os mais velhos.

É gratificante sentir que o trabalho com os atores correu bem?
O grande prazer para mim é na rodagem.

No processo?
Exatamente. Quando vês tudo a acontecer à tua frente: existe aquilo que já previras antes, mas existem outras coisas que os atores trazem e que não eram esperadas e que resultam muito bem. Dá-me imenso prazer e às vezes até me toca emocionalmente.

Os filmes do Joaquim costumam marcar a contemporaneidade. Sente que este filme também reflete isso?
Isso tenho alguma dificuldade em responder. Gosto de trabalhar sobre os dias em que vivo, de retratar o mundo que está à minha volta e é uma coisa que me dá gozo. Mas não tenho ilusões sobre a capacidade dum filme mostrar a realidade. Nenhum o faz!

Claro, claro...
É algo sempre construído. Mas apresentar um mundo que seja reconhecível para as pessoas que habitam o mundo real e que se identifiquem e reconheçam experiências como as que viram no filme, isso a mim dá-me prazer. Faço os possíveis para que isso aconteça. Mas, no fundo, procuro histórias que me apeteçam contar e sobretudo há uma coisa que procuro bastante: tentar não me repetir. Já fiz filmes de época, já fiz thrillers, comédias, filmes de muito géneros e não me apetece nada estar a repetir filmes que já fiz. E este é completamente diferente, embora o ponto de vista seja o mesmo.

Corpo e Alma - entrevista c/ Ildikó Enyedi

Em tempos de empoderamento das mulheres, o feminino foi a palavra de ordem do cinema em 2017, com um reposicionamento das realizadoras na hierarquia audiovisual, seja de baixo orçamento, seja de padrão mais industrial. A Berlinale sacou isso rápido e contemplou uma realizadora com quase três décadas de experiência, mas com uma notoriedade ainda aquém de seu talento: Ildikó Enyedi.

Contrariando apostas no cinema político e previsões acerca da vitória de realizadores já consagrados, o júri do 67º Festival de Berlim, na cerimónia de encerramento, optou por jogar os seus holofotes sob uma diretora da Hungria, com 62 anos de idade e 36 de carreira, que nunca teve a visibilidade merecida. Ildikó Enyedi ganhou o Urso de Ouro por «On Body And Soul», uma história de amor entre raspas, restos e rios de sangue de bois que são abatidos diariamente no matadouro onde seus personagens – ela, uma taciturna e suicida fiscal de qualidade; ele, um administrador com um braço paralisado – desenvolvem algo próximo de um romance. A justificação da escolha do presidente do corpo de jurados, o cineasta Paul Verhoeven («Elle»), referia-se à potência visual com que a cineasta radiografa aquele mundo de silêncios.

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“Existe uma riqueza sentimental enorme em pessoas que são fechadas em si. Foi isso o que eu tentei explorar, interessada na delicadeza”, disse Ildikó à Metrópolis.
O seu filme foi o mais premiado da Berlinale: além do Urso de Ouro, «On Body and Soul» conquistou a láurea do Júri Ecumênico, a do júri dos leitores do jornal alemão Berliner Morgenpost e a do júri de críticos da Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica (a Fipresci). “Eu venho de um país que pode ser assustador, muitas vezes, mas que desenvolveu um cinema muito potente num intervalo de tempo que, não necessariamente é o da minha geração. Nos últimos 30 anos, em meio aos problemas que eu e meus contemporâneos encaramos, cresceu uma nova turma, com um cinema inovador”, diz a cineasta, que rodou curtas, documentários e a versão húngara da série «Em Terapia». “É um orgulho ver que grandes autores cinematográficos estão surgindo da minha nação”.

Em 1989, Ildikó foi premiada no Festival de Cannes com o troféu Câmara de Ouro, dado a estreantes, por «My 20th Century», filme que lhe deu algum prestígio à época. Mas ela não chegou a ser um nome de destaque no cenário internacional do cinema de autor – até agora. “Eu fiquei muito tempo fora do jogo, sem acreditar que havia lugar para mim, até o meu produtor me convencer a contar a história de «On Body and Soul»”, contou Ildikó à Berlinale. “Eu sou uma cineasta que não gosta de impor um estilo visual às tramas ou aos atores. Sou da filosofia da simplicidade”.