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Actualizado às 8:37 AM, Jun 18, 2019

«Maria, Rainha dos Escoceses» com Saoirse Ronan e Margot Robbie

Os retratos históricos têm sempre um lugar muito especial no Cinema, mesmo quando são tomadas algumas liberdades na narrativa. «Mary Queen of Scots» é mais um exemplo de uma obra que junta uma história poderosa com atores magnetizantes. A narrativa centra-se na vida turbulenta de Mary Stuart, rainha de França aos 16 anos e viúva aos 19, que desafiou a pressão para casar novamente. Em vez disso, voltou para a Escócia, sua terra-natal, para reclamar o seu direito de ocupar o trono, enfrentando diretamente Elizabeth I. Rivais no poder mas ambas símbolos de empoderamento feminino, esperam-se muitas intrigas e revoltas, não fosse este um filme que se passa nos meandros da realeza, um pouco ao estilo, por exemplo, de «Duas Irmãs, Um Rei» (2008), de Justin Chadwick.

Esta é uma das maiores rivalidades da História e já foi abordada várias vezes no Cinema e na Televisão, ganhando agora nova versão por Josie Rourke, com os dois lados da contenda a serem interpretados por Saiorse Ronan, que dá vida à personagem principal, e Margot Robbie, que assume o papel de Elizabeth I. Ambas as atrizes já contam com nomeações para os Óscares, sendo este filme, quiçá, outra oportunidade para uma nova indicação.

Os historiadores afirmam que as duas figuras histórias não chegaram a conhecer-se em pessoa. Contudo, o filme irá retratar o encontro e, para se prepararem para este importante momento, as atrizes fizeram questão de não se cruzarem nas filmagens até esse dia. Margot Robbie fala sobre a relação das figuras retratadas e considera que “elas têm uma irmandade, um amor pela outra, mas o amor complexifica-se pelo facto de que a sobrevivência de uma ameaça a outra. É uma história de amor entre as duas personagens. Uma história de amor muito, muito complicada”.

HISTÓRIA
Quando ainda era criança, Mary Stuart (Saoirse Ronan) foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e foi levada para França. Contudo, Francis morre e Mary volta para a Escócia para tentar derrubar do poder a sua prima, Elizabeth I (Margot Robbie), rainha de Inglaterra.

Realizadora: Josie Rourke («Much Ado About Nothing», 2011)

Elenco: Saoirse Ronan, Margot Robbie, Guy Pearce

Estreia: 17 de janeiro

  • Publicado em Feature

Na Praia de Chesil - trailer

Protagonizado por Saoirse Ronan (3 nomeações para o ÓSCAR®), “Na praia de Chesil” é baseado no livro homónimo de Ian McEwan).

Estamos no verão de 1962 e em Inglaterra falta ainda um ano para as grandes mudanças sociais: a Beatlemania, a revolução sexual e os Swinging Sixties. Florence e Edward, um jovem casal de vinte e poucos anos, recém-casados, decidem passar a sua lua-de-mel num hotel abafado e enfadonho perto da praia de Chesil, em Dorset. Mas à medida que se aproximam da consumação do casamento, a conversa entre eles fica mais tensa e incómoda e resulta numa discussão entre os dois. É então que confrontam as diferenças entre si - as suas diferentes origens, atitudes, temperamentos, e segredos. Na praia de Chesil, no fatídico dia do casamento, um deles toma uma decisão importante que mudará radicalmente as suas vidas para sempre.

  • Publicado em Videos

Greta Gerwig - A ‘Lady Bird’ finalmente ganhou asas

Sem ser uma estreante nas lides de realização e de argumento, Greta Gerwig vive por esta altura a melhor fase da sua carreira de 11 anos. A atriz, mais conhecida do cinema independente, é a primeira mulher entre os indicados a Melhor Realizador desde a vitória de Kathryn Bigelow, em 2009, e apenas a quinta da história dos Óscares. Mas a sua conquista não chega sem uma valente dose de ironia. 

Estávamos em 2014. «Foi Assim Que Aconteceu» [«How I Met Your Mother», no título original] chegava ao fim após nove temporadas e, embalados pelo sucesso desta série, os criadores e produtores apostaram no spin-off «How I Met Your Dad» [como conheci o teu pai, na tradução literal]. A protagonista seria a atriz Greta Gerwig, rosto conhecido do cinema independente, que, assim como Josh Radnor no original, iria contar aos filhos como tinha conhecido o outro progenitor. Após a reação nada consensual à ‘series finale’, que ainda hoje divide os fãs de «Foi Assim Que Aconteceu», o entusiasmo pelo spin-off parecia estar ameaçado, mas o principal problema foi outro...

Greta 1

Em entrevista ao «The Late Show with Stephen Colbert», Greta esclareceu, três anos depois, o maior travão no arranque da aposta: ela mesma. Tudo porque o piloto foi enviado para um ‘focus group’ que, segundo Greta, não engraçou muito com ela. Passamos a explicar: as pessoas tinham de assistir ao primeiro episódio, ainda por comprar, e ir avaliando aquilo com que se deparavam no ecrã. Para tal, receberam uma ‘maçaneta’, que funcionava de maneira bastante simples: se gostassem, deviam virá-la para a direita, e no sentido contrário caso não gostassem. Sempre que Greta aparecia no ecrã, o ‘júri’ era perentório e virava para a esquerda. «How I Met Your Dad» caiu por terra e Greta continuou no cinema.

Com participações regulares em argumento, Greta ocupou também a cadeira de realização, pela primeira vez a solo, no quase autobiográfico «Lady Bird: É Hora de Voar» (2017). No início da carreira, aliás, Greta planeava ser argumentista, mas, influenciada pelas colaborações com Joe Swanberg – com quem escreveu e realizou a sua outra longa-metragem, «Nights and Weekends» (2008) –, acabou por se envolver no cinema independente, e de baixo orçamento, como atriz. Fez parte do movimento Mumblecore [a geração do resmungo em português], tal como Lena Dunhan de «Girls», um grupo outsider que defendia a originalidade em tudo o que fazia, à margem dos grandes estúdios e das regras estabelecidas.

Greta 2

Não se tratando necessariamente de um regresso às origens, «Lady Bird: É Hora de Voar» (2017) representa um desapegar dos hábitos e, com a confiança reforçada por mais de 10 anos de carreira, o total controlo de Greta – e a respetiva presença, e ao mesmo tempo ausência, da cineasta na tela. Mas, como já foi referido, há muita ironia entre o sucesso estrondoso de «Lady Bird: É Hora de Voar» (2017). Este é o seu maior êxito, mas também o primeiro filme do currículo de Greta Gerwig onde ela não aparece: a cineasta assinou o argumento e realizou o filme mas, pela primeira vez, não ocupa qualquer função de representação. Como resultado, conseguiu figurar entre os nomeados a Melhor Argumento Original, cujo Óscar deverá cair para «Três Cartazes à Beira da Estrada», e a Melhor Realizador (o filme concorre a cinco estatuetas).

Como não podia deixar de ser, a ironia também tem batido à porta na caminhada do filme pelas cerimónias: Greta subiu ao palco dos Globos de Ouro para o discurso da vitória, mas pela categoria de Melhor Filme (Comédia ou Musical), sendo que o seu nome não figurava entre os produtores. Esquecida em muitas das cerimónias na categoria de Realizador, muito por ‘culpa’ de Steven Spielberg e do seu «The Post», Greta alcançou um feito invejável nos Óscares e deixou o lendário realizador de fora. Atendendo à ‘veia’ política da cerimónia, pode até considerar-se que o facto de ser a única mulher na corrida à estatueta, e a primeira em nove anos, pode jogar a seu favor. Kathryn Bigelow foi a única mulher a vencer na Realização, depois das indicações de Lina Wertmüller (1977), Jane Campion (1994) e Sofia Coppola (2004). Mas, independentemente de vencedores e vencidos, a questão é histórica. Segundo dados estatísticos, só cerca de sete por cento dos 250 filmes mais lucrativos de 2016 foram realizados por mulheres.

  • Publicado em Feature
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