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Actualizado às 11:14 PM, Nov 22, 2017

Ex Machina

Há qualquer coisa que não funciona bem neste filme... Mas não é o robô. A arriscar, e sem querer entrar em demasiados pormenores – o jogo de adivinhação é parte importante da experiência –, apontaria o argumento como defeito principal. Facto curioso, uma vez que, sendo «Ex Machina» a sua estreia na realização, Alex Garland tem vindo a construir ao longo dos últimos 15 anos um currículo bastante apreciável enquanto argumentista. Entre romances, argumentos originais e adaptações, contam-se 11 filmes, alguns bastante bons – «A Praia» (2000), «28 Dias Depois» (2002) ou «Nunca me Deixes» (2010), são disso exemplo. Seria, pois, de esperar que as maiores dificuldades não surgissem do lado do argumento que, apesar de muito simples (é quase uma peça de câmara), parece depender demasiado dos pequenos equívocos, da ocultação de factos, das reviravoltas na trama. Neste sentido, Caleb (Domhnall Gleeson) funciona como o nosso duplo, alguém que vai, a pouco e pouco, e com base na sua intuição, desvendando o enredo.

Acabam por ser as excelentes interpretações dos actores a trazer uma maior complexidade a um filme que arrisca muito pouco na exploração das questões que realmente interessava investigar: será possível criar uma máquina consciente? Existe alguma diferença de fundo entre a realidade de um sentimento e o seu simulacro? A haver, é isso suficiente para nos distinguir das máquinas? E, finalmente, que tipo de relação nos pode vir a unir, homens e robôs, num futuro não tão longínquo?

A verdade é que quando o robô tem o rosto e a silhueta de Alicia Vikander, tudo se torna mais confuso. A fisicalidade é uma dimensão determinante que felizmente não é descurada ou vulgarizada. Com uma sólida formação de bailarina, Vikander confere a Ava uma existência grácil e sedutora, mas, ao mesmo tempo, demasiado precisa. Esta dualidade é perfeitamente captada pela actriz que transforma cada interacção sua com o espaço e diferentes interlocutores numa experiência inquietante. O facto de Garland abordar de frente a questão do erotismo, imprimindo-lhe contornos bastante sombrios, é também um aspecto a valorizar. Em suma, apesar de pouco original, «Ex Machina» conseguirá sem dúvida prender a atenção daqueles que olham para o futuro da inteligência artificial com um misto de fascínio e de pavor.

tres estrelas

Título Nacional: Ex Machina Título Original: Ex Machina Realização: Alex Garland Actores: Alicia Vikander, Domhnall Gleeson, Oscar Isaac Duração: 108’ Ano: 2015 Origem: EUA

Cartas da Guerra - trailer

CARTAS DA GUERRA, a terceira longa-metragem de Ivo M. Ferreira, está seleccionada para a Competição Oficial da 66ª Edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, concorrendo ao Urso de Ouro para Melhor Filme. O Festival decorrerá entre 11 e 21 de Fevereiro 2016.

CARTAS DA GUERRA é uma adaptação do livro D'Este Viver Aqui Neste Papel Descripto, Cartas da Guerra de António Lobo Antunes, com organização de Maria José e Joana Lobo Antunes.

O argumento é de Ivo M. Ferreira e Edgar Medina.

1971. António vê a sua vida brutalmente interrompida quando é incorporado no exército português, para servir como médico numa das piores zonas da guerra colonial – o Leste de Angola. Longe de tudo que ama, escreve cartas à mulher à medida que se afunda num cenário de crescente violência. Enquanto percorre diversos aquartelamentos, apaixona-se por África e amadurece politicamente. A seu lado, uma geração desespera pelo regresso. Na incerteza dos acontecimentos de guerra, apenas as cartas o podem fazer sobreviver.

Miguel Nunes interpreta a personagem de António e Margarida-Vila Nova de sua mulher, Maria José.

Do elenco fazem parte também Ricardo Pereira, João Pedro Vaz, Simão Cayatte, Isac Graça, entre outros.

CARTAS DA GUERRA é uma produção da O SOM E A FÚRIA com o apoio do ICA e a participação da RTP e do Governo Provincial do Cuando-Cubango, República de Angola.

Fonte: Som e a Fúria

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Joy

A impressão que nos fica depois de ver «Joy» é a de algo pouco coeso e que nunca chega a deslumbrar por completo. O filme dá-nos a conhecer a história de Joy Mangano (Jennifer Lawrence), uma mulher lutadora que superou inúmeros obstáculos para conseguir provar a força do seu talento. Dona de uma criatividade ímpar, Joy construiu nos anos 1990 um império milionário em torno de uma ideia inovadora para uma esfregona (a famosa “Miracle Mop”). Mas este sucesso, como fica bem claro no filme, não foi instantâneo. A começar pelo peso excessivo das responsabilidades familiares, os problemas financeiros, mas, sobretudo, a falta de confiança em si própria foram várias as barreiras que Joy teve de ultrapassar para chegar ao seu objetivo.

Assistir ao crescimento da personagem, à mudança de atitude para consigo mesma acabam por ser os aspetos mais interessantes do argumento, mas tudo o resto se dissipa. Joy é o centro da ação, as personagens secundárias apenas orbitam à sua volta, não acrescentando muito ao cômputo geral. E é neste sentido que vemos algum talento desperdiçado, como acontece com Bradley Cooper e Robert DeNiro.

Este filme quer ser mais do que a simples história de Joy, quer falar de um conjunto de mulheres corajosas e inspiradoras – uma delas a própria Jennifer Lawrence, segundo palavras do argumentista e realizador da obra, David O. Russell. Contudo, neste filme, O. Russell sai-se muito melhor no papel de realizador, conseguindo belos momentos, com enquadramentos criativos e engenhosos, que engrandecem o talento da protagonista. Já o argumento causa alguma desilusão, até porque sabemos do especial trato que O. Russell habitualmente consegue dar às emoções, como no formidável «Guia para um Final Feliz» (2012). «Joy» também é feito de emoções, mas estas não tiveram a merecida atenção.

Jennifer Lawrence é uma atriz em estado de graça e, por vezes, até sentimos que ainda não vimos o melhor dela, conseguindo neste novo filme um desempenho irrepreensível e exemplar. É por ela que o filme se salva, pelas suas nuances dramáticas, pela forma como se entrega à personagem e, sobretudo, pela forma como a entende. Lawrence consegue perceber o âmago das suas personagens como poucos, o que faz com que a atriz consiga arrancar o melhor que elas têm para dar.

A obra assenta numa história de alguém profundamente inspirador. «Joy» vale pela sua protagonista e pela singularidade da história que conta, mas contávamos sair com mais algum rejúbilo da sala de cinema...

Título Nacional
Joy
Título Original
Joy
REALIZADOR
David O. Russell
ACTORES
Jennifer Lawrence
Robert De Niro
Bradley Cooper
ORIGEM
Estados Unidos
DURAÇÃO
124’
ANO
2015

Estrelas: 3

Carol

Na lista de candidatos aos Oscars, encontramos «Carol» com uma magnífica performance: nada mais nada menos que seis nomeações, incluindo duas no sector de interpretação, para Cate Blanchett e Rooney Mara, respectivamente para melhor actriz e melhor actriz secundária.

Se a temporada dos prémios vai gerando alguma frágil lógica de “vencedores” e “vencidos”, podemos até supor que «Carol» não surgirá na linha da frente da cerimónia do dia 28 de Fevereiro (mesmo Blanchett, até certa altura tida como favorita, poderá ceder a honra à também brilhante Brie Larson, em «Room»). Seja como for, seria importante que um filme como este não ficasse prisioneiro de qualquer simplismo mediático. De facto, com ou sem prémios, Todd Haynes conseguiu a proeza de revitalizar o mais clássico modelo melodramático, por assim dizer, expondo o seu avesso moral.
Não é uma surpresa, claro. Afinal de contas, em 2002, com Julianne Moore no papel central, Haynes assinara o belíssimo «Longe do Paraíso», assumindo-se como herdeiro directo de uma tradição que tem em Douglas Sirk (1897-1987) uma referência primordial. «Carol», adaptando o primeiro romance de Patricia Highsmith (1921-1995), centrado na paixão de duas mulheres, em 1952, recupera um vector fundamental dessa tradição. A saber: a ocultação social dos movimentos amorosos exprime-se através das singularidades do desejo e da irredutibilidade dos corpos — a contradição que assim se exprime está no cerne de qualquer escrita melodramática.

Há, por isso, em «Carol», um desafio, simultaneamente estético e comercial, simbólico e industrial, cuja pertinência se tem reforçado nos últimos anos. Trata-se de saber se, num espaço de produção e difusão em que os “blockbusters” ainda impõem as suas leis, continua (ou não) a haver lugar para um cinema que não abdica da intimidade das personagens e, nessa medida, se enraíza na verdade específica do trabalho dos actores... Enfim, simplificando, para além da excelência narrativa de Haynes, digamos que Blanchett e Mara nos garantem que tal cinema, com a sua contagiante intensidade humana, não desapareceu.

Título Nacional
Carol
Título Original
Carol
REALIZADOR
Todd Haynes
ACTORES
Cate Blanchett
Rooney Mara
Kyle Chandler
ORIGEM
Estados Unidos
DURAÇÃO
118’
ANO
2015

Estrelas: 5

Quarto

Conhecemos o realizador irlandês Lenny Abrahamson através de Frank (2014), filme cuja personagem central, interpretada por Michael Fassbender, tinha a particularidade de “enfrentar” o mundo à sua volta usando uma enorme cabeça de cartão... Em qualquer caso, nem mesmo a fascinante estranheza desse filme nos terá preparado para a beleza, terrível e convulsiva, deste Quarto (Room no original, baseado no romance de Emma Donoghue, também responsável pelo argumento).

Este é um daqueles casos em que, mais do que nunca, importa respeitar o direito do leitor/espectador descobrir o filme sem receber excessiva informação sobre aquilo que vai ver — de facto, uma coisa é apresentar um filme, outra é “explicá-lo” como se se reduzisse a peripécias mais ou menos lineares.
Digamos, então, para simplificar, que esta é a história de dois seres que vivem em clausura: Jack (Jacob Tremblay) foi educado pela mãe (Brie Larson) a entender o seu quarto, não como uma divisão de uma casa, mas sim o mundo todo — não se trata de um quarto, mas de “Quarto”, como se fosse uma cidade ou um país.
Questão eminentemente cinematográfica: como expor um espaço claustrofóbico onde, em todo o caso, se vive uma vida de inusitada complexidade e energia? Mais do que isso: caso seja possível sair desse “Quarto”, como dar a ver o exterior que, afinal, para o olhar de Jack, não é o complemento físico da sua existência anterior, mas uma verdadeira galáxia, povoada de seres e significados que ele não sabe como interpretar?
É raro um objecto de cinema conseguir retomar o mais ancestral dos temas — o amor de uma mãe pelo filho — para arquitectar uma narrativa tão delicada, capaz de nos confrontar com a vulnerabilidade primordial da dimensão humana. Daí que Quarto seja, ao mesmo tempo, uma viagem fantástica e o mais realista dos filmes, uma história de radical intimismo e uma fábula contemporânea sobre a omnipresença do Mal e o desejo do Bem.
Simplificando ainda mais, acrescentemos que nada disto poderia acontecer sem uma “mise en scène” apoiada numa admirável direcção de actores. Ou ainda: Brie Larson vai ganhar o Oscar.

REALIZAÇÃO
Lenny Abrahamson

ACTORES
Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Amanda Brugel

Duração: 118 min.

2015, Irlanda/Canadá

* * * * *

 

Frank

What kind of bird are you? Neste filme há toda uma nova espécie de aves raras. Um corvo-marinho, uma galinha-d’água, uma coruja... Mas Frank (Michael Fassbender), a cabeça do grupo, o génio que dá nome ao filme, não recebe nenhum epíteto do género. Pelo contrário, é ele que nomeia, e é ele o enigma que todos querem mas não podem resolver.

No filme seguimos de perto a personagem de Jon (Domhnall Gleeson), o nosso portal subjectivo. É através dele que somos guiados até ao centro do vórtice: Frank e a sua banda, os “Soronprfbs”. Jovem e ambicioso, descontente com o seu emprego de escritório, Jon sonha com a fama e a glória de uma carreira musical. Quando surge a oportunidade de substituir o homem do teclado – que entretanto se tenta afogar no mar – ele não pensa duas vezes. Porém, ao lado da excentricidade criativa dos outros elementos da banda aquilo que sobressai em Jon é a sua enorme falta de talento, comparável apenas à sua extrema dedicação e persistência.

Domhnall Gleeson empresta à personagem uma genuinidade absolutamente desarmante. Ele e Maggie Gyllenhaal (no papel de Clara) oferecem os momentos mais hilariantes do filme. Mas todo o casting é perfeito. Fassbender, mesmo debaixo da enorme máscara de papel, exerce uma força de atracção irresistível. A premiar as excelentes performances dos actores está, é claro, a música – criada in loco durante as filmagens. “I Love You All”, com que termina «Frank», simplesmente não me sai da cabeça. Este ano esta é já a segunda banda fictícia que eu adorava ver actuar (a outra é de «Ciclo Interrompido»). O mérito é também de Jon Ronson, o argumentista e autor das fabulosas letras, Stephen Rennicks, compositor da música original, e do realizador, Lenny Abrahamson, que juntos conseguem achar a harmonia no meio do caos.

quatro estrelas

Título Nacional: Frank
Título Original: Frank
Realização: Lenny Abrahamson
Actores: Domhnall Gleeson, Michael Fassbender, Maggie Gyllenhaal
Duração: 95
Ano: 2014
Origem: UK / Irlanda

 

Trolls - trailer

TROLLS da DreamWorks Animation, é uma comédia do outro mundo com músicas incríveis! Dos geniais criadores de Shrek, TROLLS conta-nos a história de Poppy, a otimista líder dos Trolls, e o seu oposto, Branch. Juntos, esta dupla improvável de Trolls embarca numa aventura que os leva muito além do único mundo que conhecem.

FONTE: Big Picture

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Triplo 9 - Trailer

Em TRIPLO 9 um grupo de polícias corruptos é chantageado pela máfia russa para executar um assalto praticamente impossível e a única forma de o realizar é simular um pedido de código 999, que correspondente a um sinal de “polícia abatido".
O seu plano sofre uma reviravolta quando o insuspeito recruta que eles planearam matar frusta o ataque, desencadeando um final cheio de vertiginosa ação que envolve traições, cobiça e vingança ".

Realizado por John Hillcoat, autor de A ESTRADA e DOS HOMENS SEM LEI, TRIPLO 9 conta com Kate Winslet, Woody Harrelson, Chiwetel Ejiofor, Casey Affleck, Aaron Paul,
Norman Reedus e Gal Gadot.

Triplo 9 – Lista de Créditos
Título Original: Triple Nine
Realizador: John Hillcoat
Elenco: Gal Gadot, Teresa Palmer, Kate Winslet, Woody Harrelson, Chiwetel Ejiofor, Casey Affleck

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