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Actualizado às 11:09 AM, Mar 22, 2019

«Mr. Link» dos estúdios Laika

Dois metros e quarenta, 290 quilos, muito pelo, e uma personalidade cativante, assim se define Mr. Link, o protagonista desta comédia-aventura épica dos Estúdios LAIKA, que chega às salas de cinema portuguesas a 18 de abril, e promete cativar miúdos e graúdos com uma mensagem clara de perseverança e aceitação, passada com humor e emoção, ideal para as férias da Páscoa, em família.

Mr. Link marca o regresso dos Estúdios LAIKA aos cinemas, na sua quinta-produção em stop-motion depois do sucesso dos seus filmes anteriores: Coraline e a Porta Secreta, ParaNorman, Os Monstros das Caixas, Kubo e as Duas Cordas.

Escrito e realizado por Chris Butler (ParaNorman), já nomeado para um ÓSCAR®, MR. LINK junta na produção Arianne Sutner (ParaNorman, Kubo e as Duas Cordas), responsável da LAIKA, também já nomeada para um ÓSCAR®, e Travis Night, que tem no currículo uma nomeação para um ÓSCAR®, assim como um prémio BAFTA pela sua estreia na realização de Kubo e as Duas Cordas.

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Entre Sombras - entrevista Alice Guimarães e Mónica Santos

Depois de terem conquistado dois prémios no “Curtas” de 2015, com «Amélia e Duarte» rodado em technicolor, Alice Guimarães e Mónica Santos viraram-se agora para a estética do film Noir. «Entre Sombras» (2018) desenrola-se nos anos 1940 e tem como cenário a cidade do Porto envolta em mistério, um mundo onde os corações podem ser depositados em bancos e a protagonista se envolve numa aventura em busca de coração selvagem. Conversámos com as realizadoras já depois de receberem o prémio do público do “Curtas” de Vila do Conde deste ano: sobre a origem do filme, a estética, as técnicas de animação utilizadas entre outros assuntos.

O vosso filme é uma bonita surpresa. Falem-nos da génese deste filme: como e quando surgiu a ideia para realizar Entre Sombras?

Começou, entre outras coisas, com uma vontade de fugir do ambiente Technicolor da nossa última curta-metragem "Amélia & Duarte", o que nos levou para o universo do film noir. Queríamos dar outra perspectiva a este sub-género, que nos parecia bastante patriarcal, onde habitualmente a mulher, além de não ter voz, não conseguia sobreviver se tivesse poder ou era aglutinada pelo status quo.

A estética do Film Noir. Qual a razão para esta opção? E a cidade do Porto é o cenário ideal para esta estética?
“Entre sombras”, no que respeita a narrativa, é um filme de detectives em que alguém pede ajuda, quase uma contratação de um detective, para solucionar um crime/mistério.
A nível estético, interessou-nos trabalhar o contraste entre a luz e sombra que assumem um papel principal na ausência de cor tanto na técnica (como, por exemplo, os Homens-Sombra) como na estrutura narrativa (dia/noite/dia).
A cidade do Porto não é a ideal: não há muitos edifícios Art Déco e os que existem estão cercados de elementos modernos, o que para um filme de época, são tidos como ruído. Foi preciso uma adaptação dos espaços e um jogo de cintura da equipa e muito trabalho de pós-produção para que estes edifícios resultassem num todo coerente.

A escolha da técnica de animação “Stop Motion” com recurso à “pixilação”? Quais as razões que estiveram na base da utilização desta técnica? O processo criativo foi mais complexo do que esperavam?
A pixilação é uma técnica que permite usar o corpo e as expressões para demonstrar sentimentos, logo, pareceu-nos importante ter essa ligação humana. A união da pixilação com o stop-motion permite transmitir ideias mais abstratas de modo a construir uma narrativa mais surreal através de metáforas visuais.

“Somos todos Criminosos mas só alguns são apanhados”. O Amor é um crime?
Com o desenrolar do filme, amar, para esta personagem, acaba por ser um jogo de poder: alguém que quer roubar o coração de outrem. Não há reciprocidade amorosa na vida dela, ninguém troca a chave do seu coração. Este discurso também se coaduna com o ambiente daquela cidade, onde os corações são moeda de troca, fazendo parte de um mercado negro.
No entanto, no final, a protagonista não desistiu de procurar o Amor, mantém a chave do seu coração, disponível, no seu peito. Mas, a vida, na qual se incluí o amor, é um jogo de escolhas e para cada decepção amorosa há uma oportunidade de mudar de vida para sempre, lícita ou não.

Temos um homme fatale, a narrativa é contada pela protagonista e o final é um triunfo de afirmação da mulher. Há claramente um ponto de vista feminino neste filme. Concorda?
Sim. O que pretendíamos com este filme era usar as convenções do film noir e fazer um neo-noir em que o papel da mulher estivesse enaltecido e em que o seu final fosse esperançoso e não castrador de alguma forma.

O filme acaba de conquistar o prémio do público no “Curtas” deste ano. Qual a importância deste prémio?
É muito importante, porque é uma prova física que o filme comunica bem o que queremos dizer, que chega às pessoas e as toca de alguma forma.

Como foi trabalhar em conjunto, novamente, depois da bem-sucedida experiência anterior em “Amélia & Duarte”? Vocês já se conhecem há muito tempo?
Em ambos os projectos, o trabalho em conjunto permite-nos dividir tarefas e ter um controlo criativo maior sobre todos os aspectos do filme, mesmo antes de começar as filmagens, o que para um filme de animação é crucial.
Este projecto foi mais desafiante do que “Amélia & Duarte”, porque em termos de produção era mais complexo: trabalhamos com uma equipa muito maior, o universo do filme é bastante mais lato e em algumas cenas tínhamos de animar muitas personagens em simultâneo.
Conhecemo-nos desde a faculdade, e já tínhamos trabalhado nessa altura num projecto da Porto 2001.

*A Académie des Arts et Techniques du Cinéma anunciou, a 23 de Janeiro, os nomeados aos prémios César de 2019. A 44ª edição da cerimónia, que acontece no próximo dia 22 de fevereiro na Sala Pleyel (Paris), com transmissão direta no Canal+, contará com a presença de «Entre Sombras» na categoria de Melhor Curta Metragem de Animação.

Entrevista publicada na Metropolis nº 62 (Setembro 2018)

«O Filme Lego 2» estreia a 28 de Fevereiro

‘O Filme LEGO 2´reúne os heróis da Aldeia do Tijoloque, numa aventura cheia de ação, onde vão salvar a sua adorada cidade. Passaram-se cinco anos desde que tudo esteve fantástico e os cidadãos enfrentam agora uma nova e enorme ameaça: invasores extraterrestres.

A batalha para os derrotar e restaurar a harmonia do universo LEGO levará Emmet, Lucy, Batman e os seus amigos a mundos longínquos e inexplorados, incluindo uma galáxia onde tudo é um musical. Será um teste à coragem, à criatividade e aos talentos destes Mestres Construtores e mostrará como eles são especiais.

Fonte: Warner Bros. Pictures

Força Ralph: Ralph vs Internet - antevisão

«Força Ralph» foi um sucesso assinalável em 2012, recebendo a nomeação para o Óscar de Melhor Filme de Animação. A sequela, «Força Ralph: Ralph vs Internet», volta a trazer o vilão dos videojogos, Ralph, e a sua amiga Vanellope von Schweetz, agora imersos no inesgotável mundo da internet, o que dá origem a muitas surpresas. O primeiro filme arrecadou 470 milhões de dólares em todo o mundo e as expectativas para este segundo filme são consideráveis.

Como o palco do novo filme é a internet, haverá lugar para muitos cameos especiais e para a presença das princesas Disney, pelo que as atrizes que deram voz a estas personagens participam também neste filme. Falamos, por exemplo, de Kristen Bell (Anna), Mandy Moore (Rapunzel), Kelly Macdonald (Merida), Ming-Na Wen (Mulan), Auli'i Cravalho (Moana) ou de Anika Noni Rose (Tiana). John C. Reilly e Sarah voltam a dar voz a Ralph e Vanellope, respetivamente, sendo que também regressam Jack McBrayer e Jane Lynch. Mas há uma nova e aguardada estreia: Gal Gadot, que dá voz à velocista Shank.

Rich Moore realizou «Força Ralph» e volta para assinar a sequela, tendo agora a companhia de Phil Johnston. O cineasta explica que, para este novo filme, queriam “testar” a amizade dos dois personagens principais, “e que melhor lugar para isso do que a internet?”. Contudo, “ele quer estabilidade e ela quer mudança”. “As amizades vão necessariamente mudar e isso é algo que o Ralph tem de aprender. É por isso que acho que a Internet é também um bom pano de fundo, porque está em mudança constante”, ajunta.

HISTÓRIA
Ralph (voz de John C. Reilly), o vilão dos videojogos, e Vanellope (Sarah Silverman), a sua companheira de aventuras, viajam para a Internet com a missão de encontrar uma peça reserva para salvar o videojogo de Vanellope.
Realizadores: Phil Johnston e Rich Moore («Força Ralph», 2012; «Zootrópolis», 2016)
Elenco (vozes): John C. Reilly, Sarah Silverman, Taraji P. Henson
Data de estreia: 29 de novembro

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O Rei Macaco

«O Rei Macaco», animação chinesa em 3D que foi um sucesso de bilheteira entre o público chinês e cujo trabalho artístico não fica atrás das produções dos grandes estúdios da Pixar/Disney.

De facto, este era um dos objetivos do realizador Tian Xiao Peng: igualar a qualidade artística sem porém abandonar a sua própria cultura e histórias. Daí que tenha escolhido uma das mais populares lendas e figuras do folclore chinês como base do argumento da película animada. Ora o Rei Macaco é uma personagem lendária, possuidor de muitos poderes, que desafia os Céus e os deuses, pois pensa que merece também figurar no panteão sagrado. Depois de derrotar os seus oponentes com grande valentia e mestria, é castigado por Buda e aprisionado numa montanha por 500 anos, devido a tamanha arrogância. Assim reza a lenda, contada e partilhada por gerações. Até que um dia, ao fugir de um ataque de trolls, um pequeno monge budista, Liuer (Zijie Lin/ Kannon Kurowski), liberta por mero acaso o Rei Macaco (Lei Zhang/ Jackie Chan) da sua prisão. E aqui começa a história da animação, quando Su Wukong inicia a contragosto uma caminhada com o pequeno Liuer para recuperar a totalidade dos seus poderes. Durante esta aventura deparam-se com um demónio malvado, criaturas mágicas e muitas cenas de luta.

A presença das artes marciais enche, com efeito, o olho. As cenas de ação estão bem concebidas, fazendo lembrar os antigos filmes chineses de Kung Fu ou mesmo os primeiros trabalhos de Jackie Chan ou Jet Li. Os movimentos são registados por diferentes “câmaras” o que nos entusiasma, no entanto por vezes acrescentam o efeito de “câmara lenta” nestas cenas, o que se torna supérfluo. É de destacar a cena de abertura: sequência vibrante, cheia de cor e de velocidade. Todavia esta sensação não se mantém ao longo do filme, porque apesar de apresentar uma história interessante, o argumento revela-se previsível. Ou seja, conseguimos antecipar a próxima cena, ação ou expressão da personagem. Para além disto, o final é abrupto, um corte frio, depois de algumas imagens deveras entusiasmantes de Su Wukong, chamando à memória a personagem de Son Goku, da manga e série anime «Dragon Ball». Porém, não é novidade que esta popular série se inspirou no livro mitológico chinês Jornada ao Oeste, no qual o Rei Macaco é um dos protagonistas e que o seu nome em japonês é precisamente Son Goku.

«O Rei Macaco» é um grande passo para a animação chinesa, que a nível técnico consegue entrar na competição com os estúdios de Hollywood, e que mergulha no seu folclore, dando-lhe assim uma nova vida. Contudo há importantes arestas a lapidar.

«Amarelinho» entrevista a Antoine Barraud

Antoine Barraud, o argumentista do filme de animação 3D «Amarelinho», veio a Portugal apresentar o filme realizado por Christian De Vita. Esta é a história de um improvável herói: um passarinho órfão e amedrontado. Sem nunca ter visto outro pássaro e tendo por companhia apenas uma simpática joaninha e uns alienados coelhos, o Amarelinho irá encontrar-se numa situação em que tem de conduzir todo um bando de aves migratórias até África. Ele, que mal sabia voar e nunca conheceu nenhum outro lugar para além das ruínas de uma casa abandonada onde sempre viveu, vai ter de vencer os seus medos do Outro e do desconhecido e embarcar numa viagem de milhares de quilómetros. O filme é para crianças, mas levanta questões sobre a auto-sabotagem, as migrações e o medo do Outro, que são bem actuais, pertinentes e adultas.

Como nasce este projecto do «Amarelinho»?

ANTOINE BARRAUD (AB) – Trabalhei com uma produtora de animação que se chama Corinne Couper que fazia séries de desenhos animados para a televisão e ela perguntou-me se eu tinha alguma ideia para um filme. E, curiosamente, uns dias antes de ela me perguntar eu tinha tido uma espécie de flash de uma imagem de um rapaz pequeno com o seu pai a observarem as aves migratórias a voarem no céu, que partiam e, ao mesmo tempo, outras aves voavam em sentido inverso. Foi a minha primeira imagem e, curiosamente, não está no filme. Mas foi essa imagem que espoletou a ideia do filme. A de aves migratórias que voam em sentido oposto. Essa ideia agradou-me.

O Amarelinho, que na versão original se chama Gus, fez-me lembrar um pouco a conhecida personagem de animação dos anos 70, criada por Toni Pago, o Calimero. O passarinho que se queixava constantemente e tinha receio de tudo. Como descreveria o seu Gus?

AB – Talvez pareça, talvez. Não o pensei. (Risos) Para mim o que me interessou sobretudo na personagem de Gus e neste projecto foi de criar um filme sem um vilão. Queria que a personagem principal fosse o seu próprio inimigo: ele é, a um tempo, o bom e o mau. Colocar ambos os traços na mesma personagem interessava-me bastante porque nos filmes que vemos – sobretudo os dirigidos a crianças – há sempre uma dicotomia permanente entre o bem e o mal, o herói e o vilão. É, por vezes, agradável quando é tomado num segundo grau como, por exemplo, em «Despicable Me» onde há um jogo entre o bem e o mal. Mas, de resto, é algo que acho demasiado simplista e é algo que não me agrada que se transmita às crianças.

Amarelinho 1

Os filmes para crianças tomam sempre uma visão maniqueísta, certamente. Mas e os gatos? Não serão eles os vilões?

AB – Sim, claro. O mal e os vilões existem. Mas não queria que o filme se reduzisse a uma visão de luta do bem contra o mal. Não queria isso de forma alguma ; antes algo mais humano, mais complexo, mas mantendo-o simples. Queria mostrar essa personagem em que ele é o seu próprio inimigo. Ele é amoroso, alguém que gostamos, mas durante todo o filme ele está enganado, não tem razão. Enquanto que o personagem mais desagradável, o Karl, tem razão. Ele sabe que Gus está a conduzir o bando no sentido contrário. Eu gosto de jogar com os códigos e os pressupostos.

No caso do Gus é mais uma luta dos seus fantasmas internos: os seus medos, o não querer descobrir o mundo para além do seu pequeno espaço, ...

AB – Exacto. Mas o curioso é que tive essa ideia a ver um filme que não tem nada a ver com este: «Breakfast at Tiffany's». Porque vi o filme e pensei exactamente isso: ela é o seu próprio inimigo. Holly Golightly (Audrey Hepburn) é a personagem que amamos, a personagem principal, mas que é o seu próprio obstáculo que tem que transpor, como o Gus.

Não só há sempre a questão do maniqueísmo nos filmes para crianças, mas também tendem a ter sempre uma moral. Em «O Amarelinho», qual é a moral? Isto é se a tem...

AB – Para mim existem duas. Em primeiro – que não sei se é propriamente uma moral – há a questão do encorajar a ter curiosidade pelo Mundo e pelo o Outro. O Gus é uma personagem que não quer sair do seu pequeno mundo e que tem medo de tudo... Há a ideia de se abrir aos outros para poder fazer coisas maiores. É um pouco como num filme: um filme não pode ser feito por só uma pessoa, é preciso uma equipa de cem, duzentas pessoas. Neste filme trabalhamos com cerca de trezentos membros. O filme nasceu na minha cabeça, imaginei-o eu, mas gosto da curiosidade dos outros: da pessoa que vai inventar o aspecto gráfico, a pessoa que vai inventar a música, a pessoa que vai dar a voz,... É um trabalho de todos. E penso que este filme mostra isso sobre o tema da imigração.
E depois há uma outra moral que me agrada bastante. Neste momento há uma crise migratória que é terrível. Não era tão forte quando comecei a produzir o filme mas que se tem vindo a agravar. É algo que me perturba muito e acho que o filme está lá para mostrar que, por vezes, para se ter uma vida melhor temos que imigrar. É importante. Nós vivemos na Europa, em países que mesmo com a crise financeira, têm uma boa qualidade de vida. Enquanto há outros países onde não se vive bem. E é importante mostrar que por vezes a solução é a imigração e que o Mundo é de toda a gente. Para mim isso é mesmo importante. E,se houver a oportunidade de dar continuidade ao filme, eu gostaria de mostrar Gus a voltar com as aves africanas.

Amarelinho 2

O que também permite apostar no sentido cómico dos contrastes, como em «Madagascar», quando os animais africanos estão nos EUA e há um certo choque civilizacional...

AB - Sim, mas para mim é a imigração é uma questão importante. Aqui são aves francesas que vão para África, mas eles partem para lá à procura de melhores condições de vida. E se é verdade para eles também é verdade em todos os sentidos. Mas queria que o filme mostrasse isso em filigrana, não queria um filme político. Mas queria que o filme dissesse algo de humanista.

Aqui temos também uma estética muito particular. De alguma forma parecia que as personagens eram feitas de papel, como bonecos de origami. Cada pluma é como um pedacinho de papel. Esse cuidado com a estética é o trunfo para fazer frente ao universo estandardizado da Pixar e da Disney?

AB – Digamos que houve por parte do estúdio de animação uma vontade de procurar uma estética diferente. Benjamin Renner, que trabalhou em curtas-metragens de animação muito específicas, muito particulares visualmente, tinha uma vontade uma vontade de fazer esse aspecto de papel: de pop-up book. E é algo que ele trouxe especificamente e que a produtora encorajou.

E porquê a escolha do 3D? Pessoalmente tendo a acreditar que o 3D se transforma facilmente num artifício, num gimmick – como dizem os americanos – que subtrai mais à obra do que acrescenta.

AB – Eu nunca gostei do 3D também. Foi algo decidido no fim do filme, mas foi a primeira vez que o achei justificável tendo em conta o estilo de animação do Renner que lhe deu aquele aspecto de pop-up book. O estilo dele já era 3D na representação 2D. E isso foi o que me convenceu.

Amarelinho 3

Não pude deixar de reparar que o filme foi feito em 2014. Porquê só agora nas salas de cinema em Portugal?

AB – Bom, isso não sei. Mas o interessante é que este filme, para mim, foi um caminho longo. Eu tive a ideia do filme em 2004. Foi um processo de desenvolvimento extremamente longo. Tudo foi muito complicado, tudo foi uma aventura...

Mas acabou por surgir num bom momento. Ou melhor, num mau momento para a história humana mas para um bom justamente para chamar à atenção sobre, como referiu, as questões da imigração. Agora faz mais sentido vê-lo. Surge quase como uma premonição.

AB – Espero sinceramente que sim.

Curiosamente, no mesmo ano que fez o «Amarelinho», faz também «Le Dos Rouge» que é um mergulho no mundo da história de arte e nos conceitos de transformação, alteração e monstruosidade. Uma obra muito diferente. É certo que neste filme, o Antoine é argumentista e não realizador, mas como definiria o seu trabalho? Das obras que vi, pareceu-me como que um mosaico e, se bem que veja cada tessela, custa-me a perceber o desenho que formam.

AB - Isso é justamente o que me agrada. Sou muito cinéfilo, quase “cinéfago”. Vejo uma quantidade enorme de filmes. Talvez cerca de 250 filmes por ano nas salas de cinema mais todos os outros filmes que vejo em casa em dvd. E tenho o mesmo gosto enquanto espectador como enquanto realizador. Ou seja, um gosto pelo que me agrada, que acho bem feito, seja qual for o género: animação, de autor, comercial, intelectual, de aventuras,... Para mim isso não tem qualquer importância. Gosto do que gosto tão somente. E trabalho também como produtor e produzi um filme português no ano passado, «O Ornitólogo» (João Pedro Reis)...

E, mais uma vez, um filme de um universo muito diferente. Pese embora a curiosa relação do título...

AB – De facto, um universo completamente diferente. Mas a mim agrada-me muito o ecletismo, a diversidade. E os realizadores de quem me sinto mais próximo, que admiro mais são Barbet Schroeder, Werner Herzog, John Huston... gente que fez toda a sua carreira com filmes completamente diferentes. Que passaram de westerns a um romance a um documentário... Por exemplo, o Barbet que faz um documentário sobre Idi Amin Dada [«Général Idi Amin Dada : Autoportrait», 1974], depois um filme na Colômbia [«La Virgen de los Sicarios», 2000] e depois uma coisa hollywoodesca [episódio da série «Mad Men»]... Acho isso extraordinário! A pessoa que sou é isso. Esse mosaico. O que se torna algo difícil para mim. Porque as pessoas têm dificuldade em identificar o que eu faço. Nós gostamos de etiquetas, de rótulos: de dizer que este realizador faz isto e outro faz aqueloutro. E em mim é difícil por a etiqueta.

A sua personagem Bertrand [Bertrand Bonello] no filme «Le Dos Rouge» fala disso no diálogo que mantém com o jornalista que o entrevista sobre o seu trabalho como realizador. Mas falando desse mosaico. O Antoine tem mais dois filmes na calha: «Madeleine Collins» e «Monument Valley». Quer falar-nos dessas duas novas tesselas?

AB - «Madeleine Collins» vai ser o meu próximo projecto de realizador. É um filme, mais uma vez, completamente diferente. Fala sobre uma mulher que tem uma vida dupla, entre a França e a Suíça; e que vai recusar ver a verdade, vai enterrar-se em mentiras sobre mentiras. Irei filmar no próximo ano, na França e na Suíça, ... E o «Monument Valley» é também completamente diferente! È uma espécie de comédia de aventuras, com uma história de amor gay, no Brasil e que termina no Monument Valley, nos EUA. É um filme que co-escrevi e que co-realizo com um jovem realizador brasileiro.

E, para terminar, o que diria às crianças ou aos pais para virem ver o «Amarelinho»?

AB – Antes de mais queria dizer que acabo de ver o filme em português - já o tinha visto obviamente em francês e inglês- e, não sei quem são os actores mas fiquei muito surpreendido pela qualidade das vozes.
Convido as crianças a virem ver o filme e encorajo-as a saber mais sobre a migração dos pássaros porque é absolutamente apaixonante. Eu trabalhei com um especialista ornitólogo [Guilhem Lesaffre] e passei dias inteiros de boca aberta a escutar o que me dizia. São incríveis os mistérios ainda por resolver da migração dos pássaros, mesmo com todos os estudos científicos. A complexidade da natureza é deslumbrante.

Ferdinando - nova animação do criador de «Rio»

FERDINANDO conta a história de um touro gigante com um coração enorme, que ao ser confundido com um animal perigoso, é capturado e arrancado de sua casa. Determinado a voltar para a sua família, ele reúne uma equipa totalmente desajustada para esta fantástica aventura. Passado em Espanha, Ferdinando prova que não devemos julgar ninguém pelas aparências.

Da Blue Sky Studios e Carlos Saldanha, realizador de "Rio" e inspirado no livro "A História de Ferdinand", de Munro Leaf e Robert Lawson, "Ferdinando" é uma emocionante aventura animada com um elenco de estrelas que inclui John Cena, Kate McKinnon, Gina Rodriguez, Anthony Anderson e muitos mais.

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Lego Batman: O Filme

«O Filme Lego» (2014), de Phil Lord e Christopher Miller, foi muito bem recebido, tornando-se num filme bastante rentável (mais de 460 milhões de dólares em todo o mundo) e arrecadando uma nomeação para o Óscar de Melhor Música Original por “Everything is Awesome”. Tudo era tão fantástico que rapidamente se pensou numa forma de rentabilizar a ideia, concretizando-se neste spin-off, focado num dos heróis mais carismáticos do primeiro filme: Batman. Nesta nova obra, o herói enfrenta uma espécie de crise de identidade, como explica o realizador Chris McKay: “Ele pensa que o Bruce Wayne é desapontante mas, felizmente, o Alfred sempre atrai o Batman para ir a uma gala, permitindo-o ter um fato elegante como em O Sexo e a Cidade”.

Will Arnett regressa enquanto intérprete vocal de Batman, estando a seu lado um elenco vistoso de vozes: Ralph Fiennes, Zach Galifianakis, Michael Cera, Rosario Dawson e até Mariah Carey. Na versão portuguesa, os personagens terão as vozes de Diogo Infante, Pedro Bargardo, Nuno Markl, Luís Franco-Bastos e Benedita Pereira. Ao contrário de «O Filme Lego», Phil Lord e Christopher Miller não assinam o argumento ou realizam, mas mantêm-se como produtores. A cadeira de realização é agora ocupada por Chris McKay, que realizou vários episódios de «Robot Chicken» e foi supervisor do departamento de animação de «O Filme Lego». Batman ganha agora o protagonismo e Arnett refere que “há momentos em que o tornamos um pouco inseguro e outros em que se torna estranhamente confiante de maneiras que não merecia propriamente sê-lo”. Sarcasmo e diversão, aliados à materialização no grande ecrã de um dos brinquedos preferidos das crianças, são alguns dos ingredientes que não irão faltar neste filme.

História: Batman (Will Arnett) precisa de salvar a cidade de Gotham do perigoso vilão Joker (Zach Galifianakis) e, para tal, terá de deixar de ser o vigilante solitário e trabalhar em parceria com outros. Além disso, tem também a responsabilidade de criar um rapaz que adotou, Robin (Michael Cera).

Realizador: Chris McKay
Elenco (vozes): Ralph Fiennes, Zach Galifianakis, Will Arnett, Michael Cera

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