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Actualizado às 11:37 PM, Nov 4, 2019

Kong: Ilha da Caveira

Ao que parece, entrámos numa nova idade de King Kong (cujo lendário original, convém lembrar, data de 1933). No caso de Kong: A Ilha da Caveira, de Jordan Vogt-Roberts, com uma transferência insólita e sugestiva para um contexto traumático em que está a terminar a guerra do Vietname — as personagens de alguns militares americanos procuram mesmo algo como uma redenção metafísica numa missão para desvendar os mistérios de uma ilha desconhecida no pacífico.

Lá encontram o império do macaco gigante, Kong, com as marcas (e os monstros) de um tempo pré-histórico, alheio a todas as civilizações. O argumento mais parece um esboço que alguém se esqueceu de concluir, desbaratando personagens e multiplicando clímaxes. Em todo o caso, o filme consegue conservar um certo espírito de “série B”, fantasioso e divertido, capaz de suscitar a nossa cumplicidade.

Tom Hiddleston e Samuel L. Jackson em «Kong: Skull Island»

«Kong: Skull Island» tem estreia mundial marcada para Março de 2017. A Warner revelou este sábado (23) na Comic-Con International em San Diego o primeiro trailer de novo filme de "King-Kong", intitulado "Kong: Skull Island".

Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson, John Goodman e John C. Reilly estão no elenco.

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The Night Manager

Uma das grandes surpresas na televisão em 2016 reside na adaptação contemporânea da BBC do romance do genial John le Carré, um dos maiores autores de romances de espionagem do século XX.

John le Carré não poderia estar mais entusiasmado, subitamente, 20 anos após a publicação do seu livro (cujos direitos foram adquiridos por um estúdio de cinema que o deixou enterrado no arquivo de produção), chega-nos «The Night Manager», uma história de amor, perda e vingança no complexo mundo do crime e espionagem. A série conta com a produção de Simon e Stephen Cornwell, os filhos de John le Carré.

O livro sofreu várias alterações para o argumento final da BBC, uma das mais importantes prende-se com o aparecimento de uma personagem feminina na série que substitui uma personagem masculina e pivot no livro. Angela Burr é a resiliente e corajosa chefe de espionagem britânica que está grávida e trabalha num mundo de homens, não tem muitos amigos porque é honesta – soberba interpretação de Olivia Colman. O centro da acção também se altera de um iate de luxo para uma ilha paradisíaca em Maiorca e da América do Sul e a Guerra contra a Droga mudamos de quadrante e dirigimo-nos para os países do Médio Oriente, sobretudo o Egipto, onde a democracia está em jogo e se tem a cabeça a prémio. No seio da história mantem-se a fabulosa dinâmica de vontades e obsessões entre os principais protagonistas, Richard Roper e Jonathan Pine.

Jonathan Pine (Tom Hiddleston) é um ex-militar, veterano de duas campanhasno Iraque, que preferiu a vida discreta de um manager no turno da noite de um hotel e foge a compromissos emocionais. No Cairo, aquando a primavera árabe, acção que depôs Hosni Mubarak, em plena convulsão nas ruas, uma residente do hotel, a amante do filho de uma família rica da cidade com ligações ao submundo do crime, passa uma pasta com documentos secretos a Jonathan Pine. A documentação indicia que um multimilionário britânico (Richard Roper) trafica armas por detrás da fachada de empresário legítimo. Jonathan Pine contacta o governo britânico mas é traído e a informadora é brutalmente assassinada no hotel. Anos mais tarde, Jonathan Pine cruza-se com Richard Roper quando está a trabalhar como night manager num resort nos alpes suíços, o sentimento de culpa e vingança vem ao de cima e Jonathan Pine torna-se um agente infiltrado de um departamento de investigação britânica. O pequeno departamento está à margem da jurisdição e da posição dúbia do MI6, é liderado por Angela Burr (Olivia Colman) que persegue há vários anos o elusivo Richard Roper. A trama, além de cruzar dois homens com agendas distintas relembra os segredos nos corredores de poder, nas relações por vezes cinzentas em nome de um bem maior entre governos e agências de segurança internacionais que tentam perverter a via da Justiça.

«The Night Manager» é exuberante pela atmosfera de mistério, charme e complexidade nas relações e interesses pessoais e globais. É também um acto de puro realismo no olhar e na crueza de um mundo podre onde Richard Roper, um sociopata charmoso, carregado de cinismo e sem qualquer tipo de escrúpulos se torna rei e senhor quando compreende essa realidade sabendo navegar perante águas pestilentas. Richard Roper tem poder, dinheiro, é um homem implacável. O actor Hugh Laurie está no sétimo céu com este personagem e não falha uma nota. Numa sequência insólita que define o seu personagem, a filha de um anfitrião de uma festa suicida-se e Roper fica consternado por achar péssimo o timing do sucedido pois obriga-o a adiar a reunião agendada com o anfitrião...

É titânico o confronto entre Jonathan Pine e Richard Roper, uma história pessoal de redenção de um homem solitário, convicto nos seus princípios, que acaba por encontrar a sua alma no confronto com um criminoso internacional que é visto pelo mundo como um empresário legítimo, um filantropo com berço de ouro e educação de Eton, com os tiques da alta-sociedade britânica, mas que na realidade ficou multimilionário a vender armas que espalham a carnificina no mundo.

A acção desenrola-se numa ilha em Maiorca, onde Jonathan se torna membro do círculo privado de Richard Roper quando salva o seu filho de uma tentativa de rapto. Jonathan Pine tem de se proteger da desconfiança do braço direito de Richard Roper, Corcoran (Tom Hollander) e começa a sentir-se perigosamente atraído por Jed Marshall (Elizabeth Debicki), a namorada com metade da idade do nosso antagonista, uma mulher inteligente que tem um passado turvo e opta por não ver o verdadeiro monstro que tem à sua frente. Elizabeth Debicki confirma não só a sua extraordinária beleza mas a sua plena versatilidade dramática, recordamos que a vimos recentemente em «O Agente da U.N.C.L.E.» (2015), a actriz ainda participou na peça The Maids, ao lado de Cate Blanchett e Isabelle Huppert, no Lincoln Center Festival, em Nova Iorque, em 2014.

A série traz-nos à memória a interpretação superlativa de Alec Guinness em «Tinker Tailor Soldier Spy», da BBC, muito por culpa de uma realização sem espinhas de Susanne Bier, oscarizada em «Num Mundo Melhor» (2010). A realizadora dinamarquesa tem o melhor trabalho da sua carreira, é a principal responsável da coesão entre o clima de tensão absoluta, a direcção de actores e os cenários de fundo que capturam o mistério e a constante atmosfera de perigo iminente. A série foi filmada em Maiorca, Marrocos e Londres. O argumentista, David Farr, fez um trabalho exemplar na adaptação e reinvenção do romance e na lapidação dos personagens. Finalmente o que dizer do xadrez humano perpetuado pelos desempenhos de sonho de Hugh Laurie e Tom Hiddleston, aliás, ficamos absolutamente rendidos perante as performances nesta série de seis episódios.
«The Night Manager» é um verdeiro deleite, uma das séries do ano.

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