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Actualizado às 10:22 PM, Nov 12, 2019

Jackie Brown - ciclo Tarantino

Por mais filmes que faça, por mais brilhantes que sejam esses mesmos filmes, por mais que as opiniões se dividam sobre qual é o melhor ou o preferido, é importante ganhar consciência que sem «Jackie Brown», Quentin Tarantino seria hoje um QT diferente daquele que conhecemos. «Cães Danados» é o cartão de visita de um novo tipo de realizador independente e é o prenúncio da obra-prima que viria, essa sim, a virar do avesso a opinião generalizada sobre o cinema independente americano e a injectar-lhe uma nova vida. Mas «Pulp Fiction», bem lá do alto da sua genialidade, poderia facilmente ter-se revelado uma nova versão do mito de Ícaro e Quentin Tarantino veria as suas asas arderem se não conseguisse provar que tinha mais para dar do que os conceitos já explorados tanto em «Cães Danados» como em «Pulp Fiction» (que convenhamos, são filmes primos). A título de comparação, veja-se o caso de M. Night Shyamalan: um auspicioso início de carreira com «O Sexto Sentido» ao qual se seguiu, com um considerável salto qualitativo, «O Protegido», o seu melhor filme e o ponto mais alto de uma carreira que depois se transformou numa avalanche de maus filmes.

Tarantino precisava então de provar, com o seu 3º filme, que era mais — muito mais — do que um realizador com uma única receita e alguns ingredientes de qualidade roubados do videoclube onde passara a juventude. E numa jogada digna de mestre, Tarantino abdica — pela primeira e única vez até hoje — de um argumento original de sua autoria e adapta ao grande ecrã um romance de Elmore Leonard intitulado «Rum Punch», o qual seria re-batizado para o cinema como «Jackie Brown». Abdica do malabarismo narrativo, adoptando uma abordagem mais clássica e adequada ao género noir — mas sem nunca deixar de revelar a sua presença e sem nunca anular a do autor. Abdica também da violência explícita em detrimento de uma atmosfera mais hipnótica e de uma intrincada trama onde vivem algumas das mais fascinantes personagens de toda a filmografia do realizador de «Era Uma Vez Em... Hollywood».

Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert Forster, Michael Keaton, Robert De Niro
1997 | 154 min

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Homem-Aranha: Regresso a Casa

Um dos aspetos que mais deliciaram os fãs em «Capitão América: Guerra Civil» foi a presença carismática e airosa de Tom Holland na pele de um jovem Homem-Aranha ainda inexperiente mas muito despachado. Agora, o jovem ator britânico – que começou por dar nas vistas em «O Impossível» (2012) – tem o grande desafio da sua ainda curta carreira, num spin-off que carrega expectativas elevadas. Afinal, é a terceira vez que a história do aracnídeo volta a ser reiniciada no Cinema, depois de Tobey Maguire e Andrew Garfield terem interpretado o personagem. Maguire inaugurou as adaptações cinematográficas em «Homem-Aranha» (2002) e Garfield voltou a contar a origem do super-herói em «O Fantástico Homem-Aranha» (2012). Pela primeira vez, o Homem-Aranha é um adolescente, sendo esta uma abordagem mais juvenil mas nem por isso menos arrojada em termos de superpoderes.

Além de Holland, figuram também no chamativo elenco Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Donald Glover, Michael Keaton, que interpreta o papel do vilão Vulture. Jon Watts assume a realização, após ter assinados os thrillers «Clown» (2014) e «Carro da Polícia» (2015), sendo este o seu primeiro filme de maior orçamento e com uma projeção internacional mais alargada. Muito se espera para que «Homem-Aranha: Regresso a Casa» encontre finalmente o tom certo para contar a história de um dos super-heróis mais acarinhados do mundo, mas se for tão bom como a amostra da participação do aracnídeo em «Capitão América: Guerra Civil» já será mais do que satisfatório.

História: Depois das aventuras de «Capitão América: Guerra Civil» (2016), o jovem Peter Parker volta à sua antiga rotina, tentando levar uma vida normal. Mas “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” e o fato de Homem-Aranha acaba por ter de ser usado mais vezes...
Realizador: Jon Watts («Carro da Polícia», 2015)
Elenco: Tom Holland, Marisa Tomei, Donald Glover, Robert Downey Jr., Michael Keaton
Data de estreia prevista: 6 de julho

 

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O Fundador - A epopeia dos hamburgers

Como nasceram os restaurantes McDonald's? A história, épica e desconcertante, surge agora contada num filme de grande concisão, protagonizado por Michael Keaton.

Que faz um consumidor típico dos restaurantes McDonald’s? Mantém-se fiel ao hamburger clássico? Ou procura a melhor conjugação de elementos para encomendar o menu mais económico? Arrisca nos desvios pelos pedaços de frango ou, heresia máxima, os filetes de peixe? Ou abraça o radicalismo biológico e só encomenda a variante vegetariana? Todas essas perguntas podem ser condensadas numa perplexidade filosófica que o filme O Fundador condensa com especial acutilância dramática e inteligência narrativa. A saber: de que falamos quando falamos do McDonald’s?

O primeiro mérito do filme dirigido por John Lee Hancock decorre da sua recusa de qualquer digressão “panfletária” (recorde-se que na sua filmografia encontramos, por exemplo, Ao Encontro de Mr. Banks, um curioso retrato de Walt Disney). Agora, não se trata de visar quem consome “muito” ou “pouco” do menu do McDonald’s. Trata-se, isso sim, de elaborar uma crónica ao mesmo histórica e psicológica sobre a personagem fascinante do fundador de um império gastronómico que, nos nossos dias, ultrapassou os 35 mil restaurantes em cerca de 120 países.

Aliás, a definição de Ray Kroc como “fundador” da marca McDonald’s é uma ironia sugestiva que, desde logo, o título propõe. Tudo começa em 1954 quando Kroc não é mais do que um esforçado vendedor de máquinas para fazer batidos de leite, conseguindo, aqui e ali, colocar uma modesta unidade do seu produto... Até que, um dia, recebe uma encomenda de um restaurante da cidade californiana de San Bernardino: os respectivos gestores, os irmãos Maurice e Richard McDonald, não querem uma batedeira, mas sim seis! Aliás, oito!
Quando visita aquele que é, para todos os efeitos, o primeiro restaurante identificado como McDonald’s, Kroc fica siderado pelo racionalismo, eficácia e qualidade de oferta do empreendimento. Os dois irmãos inventaram um sistema de confecção e venda que, além do mais, garante uma excepcional velocidade de atendimento. Verdadeiro empreendedor com apurado faro para o negócio, Kroc não quer vender mais batedeiras — o seu objectivo será a criação de uma sociedade a três, visando o crescimento daquele modelo de restaurante para todos os recantos dos EUA e, por fim, para todo o planeta!

Evitando revelar as peripécias do processo, por vezes irónico, muitas vezes dramático, digamos apenas que o crescimento da empresa McDonald’s nem sempre correspondeu à felicidade regional de Maurice e Richard. E que a saga de Kroc ilustra, afinal, as maravilhas e assombramentos do mais puro desenvolvimento capitalista, tendo sempre a utopia do “Sonho Americano” em pano de fundo.

Acima de tudo, a realização de Hancock sabe preservar um tom em que a dinâmica dos cifrões nunca se sobrepõe ao conhecimento real das personagens com todas as suas singularidades e contradições. No papel de Kroc, Michael Keaton oferece-nos uma composição de deliciosas convulsões. É um menu que chegou a ser tido como um bom trunfo para os Oscars — falhou por completo mas, com ou sem ketchup, vale a pena saboreá-lo.

(este texto foi publicado no Diário de Notícias (9 Março))

Netflix - Escolhas Metropolis – Semana de 13 de Março

Um defensor da Marvel, uma comediante em estado de graça, espiões na Guerra Fria... Personagens diversos e histórias únicas são algo que não falta na Netflix Portugal. Se ainda não escolheu o que ver, a Metropolis apresenta-lhe algumas sugestões.

Novidades



PUNHO DE FERRO
A parceria entre Marvel e Netflix já deu bons frutos, como são exemplo as séries «Demolidor», «Jessica Jones» e «Luke Cage» (ambas disponíveis na Netflix Portugal). Agora chega-nos um novo trabalho em conjunto, desta vez com um novo super-herói como protagonista: Iron Fist. Danny Rand sobreviveu a um acidente aéreo que vitimou a sua família e todos julgavam-no morto. Contudo, Rand regressa, muitos anos depois, sendo agora um mestre das artes especiais com a capacidade de invocar a força mística do Poder de Ferro.
Criada por Scott Buck, nomeado para 7 Emmys, «Punho de Ferro» é protagonizada por Finn Jones, o Loras Tyrell da série «A Guerra dos Tronos», tendo também no elenco David Wenham, Jessica Henwick, Rosario Dawson e Carrie-Anne Moss. Iron Fist é o último herói a ser apresentado antes do crossover «The Defenders», que junta Daredevil, Jessica Jones, Luke Cage e Iron Fist na luta contra o crime em Nova Iorque, uma série que tem estreia prevista na Netflix ainda para este ano. Para já, conheça o último Defensor, a partir de 17 de março.

AMY SCHUMER: THE LEATHER SPECIAL
É uma das humoristas norte-americanas mais famosas no mundo e até deu cartas no cinema, quando escreveu e protagonizou «Descarrilada» (2015), que lhe valeu a nomeação para o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Comédia/Musical, além da indicação da obra para Melhor Filme de Comédia ou Musical. Schumer volta em breve ao grande ecrã com o filme «Olha Que Duas», onde divide o protagonismo com Goldie Hawn, mas, antes disso, a Netflix apresenta-nos este especial de stand-up picante e irreverente, como só poderia ser com Amy Schumer.

Filmado no Bellco Theater, em Denver, a comediante discorre sobre sexo, encontros românticos e o lado absurdo e caricato da fama, prometendo muitas gargalhadas e momentos descomplexados.

LOVE
Depois do sucesso da 1.ª temporada, «Love» regressa para mais 12 episódios. Criada por Judd Apatow, Lesley Arfin e Paul Rust, a série acompanha um casal que enfrenta as humilhações da intimidade e do compromisso após um desgosto amoroso. Gillian Jacobs e Paul Rust dão vida aos dois personagens principais em que a comédia predomina, sem deixar de haver lugar para momentos menos airosos. Entretanto, está já confirmada a 3.ª temporada.

Maratona da Semana

luther
LUTHER
Mistério, crime e uma mente prodigiosa para desvendar imbróglios inexplicáveis, «Luther» foca-se num detetive esforçado em cumprir da melhor maneira o seu propósito, acabando por enfrentar as consequências psicológicas dos crimes que resolve. A série britânica de 4 temporadas foi a oportunidade de ouro para Idris Elba mostrar todo o seu potencial artístico e o ator não desperdiçou, tendo vencido vários prémios pela sua interpretação, como um Globo de Ouro e um prémio atribuído pelo Sindicato dos Atores. Suspense e até um pouco de Ciência Comportamental são alguns dos ingredientes da série, que revelou um dos personagens mais complexos e interessantes da televisão nos últimos anos.


Agora na Netflix

mustang

MUSTANG
Um filme que explora a liberdade e autonomia do sexo feminino, «Mustang» é uma ode à luta pelos sonhos mesmo quando os obstáculos culturais e sociais são gigantes. A história passa-se na Turquia e foca-se em cinco meninas que são vistas a brincar com rapazes numa praia, escandalizando a sua família, que imediatamente as tranca em casa e começa a preparar casamentos arranjados para elas.
A cineasta turca Deniz Gamze Ergüven teve com «Mustang» a sua primeira longa-metragem e o sucesso repercutiu-se por vários locais. A obra venceu o Prémio LUX em 2015, atribuído pelo Cinema Europeu, sendo ainda nomeado na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira nos BAFTA, Globos de Ouro e Óscares.

the americans the americans

THE AMERICANS
A série passa-se no início da década de 1980, com a Guerra Fria como palco, em que dois agentes do KGB, Elizabeth (Keri Russell) e Philip Jennings (Matthew Rhys), fingem que são um casal a viver discretamente perto de Washington. Apesar de existirem elementos de drama e suspense, o foco é mesmo para as relações humanas.
Os protagonistas foram ambos nomeados para o Globo de Ouro e Margo Martindale venceu dois Emmys pela sua interpretação. A série foi criada por Joe Weisberg, um antigo agente da CIA, e tem sido muito elogiada pela crítica e público, tendo já sido confirmada a sua sexta e última temporada. Entretanto, poderá ver na Netflix Portugal, as três primeiras.

 

Film Michael Keaton
Figura da Semana: Michael Keaton

Outrora conhecido como o Batman ou mais ligado a papéis cómicos, Michael Keaton tem revelado, nos últimos anos, uma vertente mais dramática e tem sido muito bem sucedido. Caso disso é o filme que chega esta semana às salas portuguesas, «O Fundador», em que interpreta Kay Kroc, um vendedor que transformou a McDonald’s no mega sucesso comercial que hoje conhecemos.

JACKIE BROWN
Realizado e escrito por Quentin Tarantino depois do filme de culto «Pulp Fiction» (1994), «Jackie Brown» centra-se numa hospedeira que se vê envolvida numa contenda em que pode ter lucro ou perder a vida. Pam Grier, Samuel L. Jackson, Robert De Niro e Michael Keaton fazem parte do elenco do filme, mas foi Robert Foster que conseguiu uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator Secundário. Quer seja pela história ou pelo elenco, «Jackie Brown» é mais uma oportunidade para ver o talento de Quentin Tarantino em ação.

BIRDMAN
Foi um dos filmes-sensação dos Óscares 2015 e não faltam razões para isso: «Birdman» é um dos filmes mais intrigantes e entusiasmantes dos últimos anos. Filmado de uma forma invulgar (praticamente sem cortes) por Alejandro G. Iñárritu, a obra mostra os avanços e recuos da produção de uma peça na Broadway, em que um ator outrora famoso tenta retomar a sua velha glória.
Para Michael Keaton, «Birdman» foi uma espécie de renascimento artístico, tendo sido nomeado para o Óscar de Melhor Ator Principal e vencido o Globo de Ouro, entre várias indicações. O filme venceu 4 Óscares, incluindo nas categorias de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia e Melhor Argumento Original.

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O Fundador - antevisão

A cadeia de restaurantes McDonald’s tem um poderio mundial como poucas, sendo, igualmente, um símbolo do capitalismo norte-americano. Em «O Fundador», disseca-se a origem deste enorme sucesso, centrando-se na vida de Ray Kroc, um vendedor do Illinois que conheceu Mac e Dick McDonald, dois irmãos que geriam uma empresa de hambúrgueres na década de 1950. Kroc convenceu os irmãos a venderem-lhe a empresa e transformou a cadeia de fast food naquilo que hoje conhecemos.

Acabado de sair do biopic «Ao Encontro de Mr. Banks» (2013), John Lee Hancock não ambicionava realizar outro logo de seguida, mas acabaria por não resistir ao projeto: “Quanto mais pensava nisso, mais achava que era um biopic contado de uma forma estranha sobre a McDonald’s, fast food e a identidade corporativa americana”. “Tentas ser o mais rigoroso e justo possível porque há uma responsabilidade quando abordas a história de alguém”, destaca o realizador, que investigou os arquivos dos irmãos McDonald, bem como analisou entrevistas e discursos de Kroc. Michael Keaton, o protagonista do filme, também o acompanhou neste processo. “Passámos muito tempo juntos a falar sobre isso e a garantir que havia certos aspetos do Ray Kroc que queríamos mostrar que eram muito admiráveis”, realça Hancock. O argumento do filme está a cargo de Robert D. Siegel, guionista de «O Wrestler» (2008). A McDonald’s não interferiu no processo de produção do filme. “Não precisámos da permissão da McDonald’s para fazer o filme e eles ficaram bastante afastados”, salienta o realizador.

Michael Keaton foi protagonista das últimas duas obras a vencerem o Óscar de Melhor Filme, «Birdman» (2014) e «O Caso Spotlight» (2015), o que acaba por aumentar as expectativas para «O Fundador». Neste biopic, Keaton terá todas as atenções viradas para si, num papel cheio de nuances e força dramática. Quem sabe não será desta que leva para casa a estatueta dourada que lhe escapou quando foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator por «Birdman».

HISTÓRIA
O filme debruça-se sobre a vida de Ray Kroc (Michael Keaton), o responsável por ter tornado a McDonald’s numa marca conhecida internacionalmente e símbolo do capitalismo norte-americano.

REALIZADOR:
JOHN LEE HANCOCK
(«Um Sonho Possível», 2009; «Ao Encontro de Mr. Banks», 2013)

ELENCO:
MICHAEL KEATON, LAURA DERN, PATRICK WILSON

DATA DE ESTREIA PREVISTA:
2 DE FEVEREIRO DE 2017 (PORTUGAL)

 

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