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Actualizado às 10:34 PM, Sep 15, 2019

Ethan Hawke - Melhor Actor 2018 Revista Metropolis

O desempenho complexo de Ethan Hawke em «No Coração da Escuridão» parece dizer-nos que todo o trabalho do ator foi sendo desenvolvido para chegar aqui. Será excessivo, sobretudo se considerarmos o que fez durante 12 anos para filmar «Boyhood: Momentos de Uma Vida», o épico temporal do crescimento, ou na trilogia «Antes do Anoitecer, Amanhecer e Meia-Noite», sob direção de Richard Linklater. Mas aos 48 anos o ator está a receber, justamente, o reconhecimento que não tinha tido noutros grandes papéis e será, seguramente, nomeado para um quinto Óscar. O reverendo Toller, do filme de Paul Schrader, revela facetas desconhecidas do ator. Ele captou sentimentos de vergonha e redenção, fraqueza e força, resignação e determinação, toda a complexidade de uma personagem atormentada. O espectador é arrebatado por esta interpretação silenciosa e ruidosa que dá forma a um conflito entre fé e culpa.

Texto publicado na Metropolis nº 65 (Janeiro 2019)

  • Publicado em Feature

No Coração da Escuridão - trailer

Um ex-capelão militar, de luto pela morte do filho que convencera a ingressar no exército, começa a questionar a sua fé em relação a Deus e à sociedade.

Toller, é um homem atormentado por demónios pessoais e sentimentos de culpa pela morte do filho e também pelo divórcio que se seguiu. Os seus dilemas pessoais ganham uma nova dimensão, quando confrontado com as dúvidas de Mary. A jovem está grávida, mas o marido não quer ter a criança, por considerar que o mundo não tem qualquer salvação ou futuro.

  • Publicado em Videos

«O Homem dos Blues» Chet Baker — jazz & cinema

Há quase um ano e meio, assinalava-se aqui a trajectória de um filme que suscitava muita curiosidade e expectativa: Born to Be Blue tinha Ethan Hawke a interpretar Chet Baker! Infelizmente, confirmaram-se as mais cépticas previsões. Ou seja: o filme nunca chegou às salas portuguesas. Agora, anda discretamente a circular pela televisão por cabo, para mais identificado por um título português, no mínimo, equívoco: O Homem dos Blues. Fica o essencial: importa descobrir tão frágil diamante.

A canção Born to Be Blue, composta em 1946 pela dupla Mel Tormé/Robert Wells é um lendário standard do jazz, conhecido através de versões de Dexter Gordon, Ella Fitzgerald, Helen Merrill, Ray Charles ou Chet Baker. Born to Be Blue é também o título de um belo filme canadiano de 2015, sobre o trompetista Chet Baker, precisamente, agora disponível na televisão por cabo (TVCine).

Como qualquer outro filme, também este vale por si, independentemente das condições (ou, como agora se diz, das plataformas) da sua divulgação. Ainda assim, como não lamentar que tão delicado objecto de cinema surja no pequeno ecrã sem ter passado pelas salas escuras? A sua odisseia comercial surge também assombrada pelo infeliz título português, O Homem dos Blues. Mesmo tendo em conta as muitas contaminações entre jazz e blues (recorde-se o valor pedagógico da série televisiva The Blues, produzida por Martin Scorsese em 2003), a definição de Chet Baker como “homem de blues” carece de pertinência histórica e estética.

Será preciso acrescentar que o “blue” de Born to Be Blue não é uma classificação musical, antes remete para um misto de desencanto e melancolia? De facto, a existência de Chet Baker (1929-1988) foi uma tragédia suspensa entre o confronto com os grandes intérpretes negros do seu tempo (a começar por Miles Davis) e uma violenta dependência da heroína. Robert Budreau, argumentista e realizador de Born to Be Blue, encena-o nesse ziguezague entre uma cruel pulsão auto-destrutiva e a nunca vencida utopia da música.
Como intérprete de Chet Baker, Ethan Hawke encontra, aqui, um dos maiores desafios da sua carreira. Desde logo, pela aposta em “reproduzir” o olhar triste, a fragilidade da voz e a pose cansada da personagem. Mas sobretudo porque seria demasiado fácil apresentar Chet Baker através de algumas explicações “psicológicas” mais ou menos redentoras.
Daí o jogo de espelhos que Budreau propõe, arriscando para além das obrigações “factuais” de uma biografia. Born to Be Blue oscila entre a vida vivida e a vida imaginada (o filme dentro do filme em que Chet Baker teria interpretado o seu próprio papel), numa ambivalência em que a personagem se define contra a sua própria identidade. Nesse sentido, este é um filme eminentemente jazzístico, não pelos factos narrados, mas pela sua própria construção: trata-se de saber que variações dramáticas são possíveis a partir do tema “Chet Baker” — mesmo quando a melodia inicial parece perder-se pelo caminho, há uma emoção que persiste.

Este texto foi publicado no Diário de Notícias (13 Agosto), com o título 'Chet Baker contra Chet Baker'.

«OS SETE MAGNÍFICOS» - novos trailers

A Columbia Pictures e a Metro-Goldwyn-Mayer divulgou dois novos trailers do filme «Os Sete Magníficos», o remake do icónico western de 1960 (por sua vez um remake do filme de Akira Kurosawa, «Os Sete Samurais»), realizado por Antoine Fuqua («Dia de Treino» e «The Equalizer - Sem Misericórdia»).

Com a cidade de Rose Creek sob o cruel domínio do industrial Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), a população desesperada contrata a proteção de sete marginais, caçadores de prémios, jogadores e pistoleiros a soldo: Sam Chisolm (Denzel Washington), Josh Faraday (Chris Pratt), Goodnight Robicheaux (Ethan Hawke), Jack Horne (Vincent D'Onofrio), Billy Rocks (Byung-Hun Lee), Vasquez (Manuel Garcia-Rulfo) e Red Harvest (Martin Sensmeier).

Enquanto preparam a cidade para o confronto violento que sabem estar a aproximar-se, os sete mercenários acabam a lutar por mais do que apenas dinheiro.

FILME ESTREIA EM PORTUGAL A 22 DE SETEMBRO

Fonte: MGM

  • Publicado em Videos

Maggie Tem Um Plano

Nova Iorque é o cenário predileto em dezenas de séries e centenas de películas. Porém, quando pensamos em filmes “nova-iorquinos” há claramente um nome que se destaca: Woody Allen. Mas desta vez é Rebbeca Miller quem requisita a cidade para palco da sua quinta obra cinematográfica: «Maggie’s Plan».

Como o próprio título anuncia, Maggie (Greta Gerwig) tem um plano, ou melhor, vários planos. A protagonista está decidida a controlar todos os aspetos da sua vida, e, logo nos primeiros momentos do filme, ficamos a saber de um dos mais importantes: tornar-se mãe. Como não pode esperar até que o destino lhe apresente um companheiro fiável, Maggie opta por procurar um doador de esperma compatível, que encontra em Guy (Travis Fimmel), um pacato produtor de pickles artesanais. Porém, o destino gosta de pregar partidas e coloca-lhe no caminho John (Ethan Hawke), um charmoso professor temporário com aspirações a escritor, que vive um casamento sufocante por causa da sua dominante e bem-sucedida esposa Georgette (Julianne Moore). Inevitavelmente, Maggie e John envolvem-se e constroem uma nova família. Maggie tem finalmente a sua tão desejada filha. No entanto, passados alguns anos, Maggie percebe que a cada momento que passa a sua paixão por John desvanece e que a sua relação foi definitivamente um erro. Por isso formula um plano: devolver John a Georgette. É nesta reviravolta que está o passo de magia, a surpresa deste filme.

maggie 2

«Maggie’s Plan» é um filme equilibrado e bem construído, revelando ser uma comédia com uma boa dose de reflexão. Ou seja, Rebecca Miller não ornamenta a realidade para ser mais risível, não necessita. Nós rimo-nos das imperfeições de cada personagem, das suas falhas e fantasias. O filme faz-nos pensar até que ponto são estas personagens caricaturas. Mas, para além disso, divertimo-nos a cruzar referências: Georgette lembra-nos Maude Lebowski – «O Grande Lebowski» (1998) –, John é um Jesse ainda a viver em Nova Iorque e com problemas conjugais – «Antes do Anoitecer» (2004) –, Maggie é o oposto de Frances – «Frances Ha» (2012).

Esta comédia funciona não só por causa da narrativa, mas também pela prestação dos atores; a excentricidade tanto de Maggie como de Georgette não seria a mesma sem a representação de Greta Gerwig e Julianne Moore, comprovando-se que esta última também se move bastante bem no registo cómico. Mas Miller consegue também construir imagens de grande beleza ao captar e aliar momentos cómicos a momentos delicados ou sensuais, como, por exemplo, quando John vai desabotoando lenta e luxuriosamente a antiquada camisa de noite de Maggie, botão a botão, dos joelhos ao peito.

Rebecca Miller filma as ruas nova-iorquinas, o ambiente intelectual da cidade, as frustrações pessoais, os labirintos amorosos, tudo isto nos encaminha para o imaginário woodyliano. Porém, há uma grande diferença: o filme está centrado numa mulher. Não é o professor na sua crise de meia idade que faz a história avançar, mas sim Maggie com as suas decisões. É a vida de uma mulher que luta para ser feliz, mesmo que os seus planos não resultem.

No filme aparece o nome do filósofo Slovoj Zizek, talvez por questões da narrativa, ou talvez para lembrar que o controlo é sempre uma ilusão e que o desejo é perverso, pois o que se deseja nem sempre é o que se precisa e vice-versa. 

tres estrelas

Título Nacional Maggie Tem Um Plano Título Original Maggie’s Plan Realizadora Rebecca Miller Actores Greta Gerwig, Ethan Hawke, Julianne Moore Origem Estados Unidos Duração 98’ Ano 2015

(Texto publicado originalmente na Metropolis nº39)

Greta Gerwig Ethan Hawke Julianne Moore

 

Morte Limpa

«Morte Limpa» desenrola-se no período da intervenção militar norte-americana no Afeganistão, aquando a utilização de drones para vigiar e eliminar os alvos no solo. Andrew Niccol realiza um filme com uma perspectiva pessoal do impacto no terreno e à distância na utilização destas máquinas de guerra contrapondo o conflito militar perante o lado humano e moral. Após várias campanhas num caça F16, um major da força aérea (Ethan Hawke) é encarregue de comandar drones a partir de uma consola numa base, no deserto do Mojave. Os dilemas do desejo de liberdade do piloto, a moralidade das mortes à distância e a conduta de guerra vão sendo filtradas pelas várias interpretações em cena. A par deste novelo bélico e moral está a relação de Tom com a esposa e os seus filhos com o peso da sua ocupação a refletirem-se na conduta familiar. Um drama que levanta várias questões pertinentes focando igualmente um lado esquecido e menos glamoroso da guerra através da representação das consequências psicológicas e humanas nos intervenientes.

tres estrelas

Título Nacional Morte Limpa Título Original Good Kill Realizador Andrew Niccol Actores Ethan Hawke, January Jones, Zoë Kravitz Origem Estados Unidos Duração 102’ Ano 2014

 

 

 

Denzel Washington em The Magnificent Seven

A Sony Pictures e a MGM apresentaram o primeiro trailer de «The Magnificent Seven» um dos filmes mais aguardados de 2016 no remake do western clássico de 1960 de John Sturges inspirado no original «Os Sete Samurais» (1954) de Akira Kurosawa.

A história do filme relata um grupo de sete renegados que se juntam para proteger uma pequena cidade de um violento industrial interpretado por Peter Sarsgaard que pretende as terras do povoado. O enredo é simples e linear num filme realizado por Antoine Fuqua («The Equalizer - Sem Misericórdia») com um super elenco liderado por Denzel Washington.
O argumento foi escrito por John Lee Hancock («Um Sonho Possível»), Richard Wenk («The Mechanic - O Profissional») e Nic Pizzolatto («True Detective») numa adaptação do argumento original de Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni.

O trailer corre ao som de uma poderosa reinterpretação do clássico “The House of the Rising Sun” dos The Animals.

Título Original The Magnificent Seven Realizador Antoine Fuqua Actores Chris Pratt, Haley Bennett, Vincent D'Onofrio, Denzel Washington, Ethan Hawke, Vinnie Jones, Peter Sarsgaard Origem Estados Unidos Duração n.d. Ano 2016

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