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Actualizado às 10:16 PM, Dec 11, 2019

«Caçador de Mentes» realizado por David Fincher

Como nos antecipamos a um louco se não sabemos como ele pensa?! Em CAÇADOR DE MENTES, dois agentes do FBI, Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany), estudam as mentes de assassinos em série numa tentativa de os compreender e os apanhar.

CAÇADOR DE MENTES, série original realizada por David Fincher estreia na Netflix já esta sexta-feira, dia 13.

Fonte: Netflix

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House of Cards - Primeira Temporada

Uma leitura menos automática e, sem dúvida, mais perversa não pode deixar de considerar que o impacto global de House of Cards está também ligado a muitas formas de pessimismo com que, nos EUA e não só, são olhadas muitas das movimentações dos protagonistas da cena política. Não se trata, entenda-se, de favorecer generalizações simplistas como “os políticos são todos corruptos...”. Trata-se, isso sim, de reconhecer que, nos tempos de globalização que vivemos — incluindo uma muito particular exposição pública dos gestos políticos —, há muitas e cruéis clivagens entre a actividade política e a chamada sociedade civil.

Dito isto, importará sublinhar também que muito do envolvimento de House of Cards provém da precisão maníaca dos seus pormenores. Não estamos, de facto, perante uma parábola “abstracta” sobre o comportamento dos políticos. Aliás, a adaptação da série homónima britânica, criada por Michael Dobbs (emitida pela primeira vez na BBC em 1990), é admirável, passando sem mácula, com invulgar agilidade dramática, dos cenários londrinos para os corredores de Washington.

Na primeira temporada da série, agora editada — e também na segunda (a terceira está agendada para Fevereiro de 2015) —, a ascensão da personagem de Kevin Spacey, o democrata Frank J. Underwood, intensifica a bizarra sensação de intimidade que é apanágio de House of Cards. E não apenas porque quase tudo se passa em bastidores mais ou menos reservados; sobretudo porque a consolidação das suas ambições políticas vai a par de um metódico desnudamento psicológico das personagens principais, seus segredos e desígnios.

Basta observar, aliás, como evolui a relação entre Frank e a sua mulher, Claire (Robin Wright). Dir-se-ia que a sua proximidade afectiva se faz tanto da vida conjugal que partilham como das agressivas estratégias de combate que, com conhecimento mútuo ou não, vão adoptando. No limite, talvez se possa dizer que House of Cards é um retrato de relações de radical cumplicidade, não necessariamente alicerçadas em formas tradicionais de amor — será preciso acrescentar que, neste universo, já não resta nem um simulacro de romantismo?

(Publicado originalmente na Metropolis nº22)

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House of Cards - Primeira Temporada - opinião

Nas nossas sociedades, fala-se muito de “imagem” na vida política, mas reflecte-se pouco sobre a percepção que temos da política... através das imagens. Mais concretamente, importa perguntar até que ponto a “fulanização” simplista, todos os dias favorecida pelas televisões, tem contribuído também para esvaziar a política da própria exigência de pensar os seus valores e determinações.

House of Cards é uma série concebida no coração desse problema (herdando, obviamente, o sentido crítico e a verve da original inglesa, lançada em 1990). Trata-se não apenas de olhar os bastidores da política, mas de compreender como através dos seus labirintos se podem forjar relações mais ou menos obscuras e consolidar identidades mais ou menos inquietantes.

Que haja um cineasta como David Fincher ligado à gestação deste projecto (tendo dirigido os dois primeiros episódios), eis o que diz bem da sua fascinante ambivalência. De facto, House of Cards é mais um espantoso exemplo de uma lógica criativa que, hoje em dia, mais do que nunca, concebe “cinema” e “televisão” não como dois pólos antagónicos, antes como entidades renovadas numa paisagem em que, para o melhor ou para o pior, as fronteiras clássicas já não funcionam.

Só ganhamos em pensar a lição inerente a tudo isto, sobretudo num contexto de trágica degradação televisiva como é o português: respeitar e promover a inteligência criativa é um bom princípio televisivo e cinematográfico. E humano, já agora.

(Publicado originalmente na Metropolis nº7)

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«Mind Hunter» de David Fincher na Netflix

David Fincher que já produz «House of Cards» para a Netflix vai juntar mais uma série com o seu selo de qualidade ao serviço global de streaming. A série intitulada «Mind Hunter» é protagonizada por Anna Torv («Fringe») e Jonathan Groff («Looking») sendo encabeçada por Holt McCallany que já tinha participado em «Clube de Combate» e «Alien 3» de David Fincher.

«Mind Hunter» esteve a ser produzida para a HBO antes de cair nas mãos da Netflix. David Fincher com a excepção de «House of Cards» teve um período conturbado no pequeno ecrã em 2015 quando a HBO “desconectou” dois projectos com a sua assinatura. «Videosyncrasy» parou as filmagens após o término do quarto episódio, uma série inspirada na vida de um assistente de produção de vídeos de música, uma função desempenhada por David Fincher no passado antes do próprio se tornar um realizador de videoclips e publicidade. A outra série colocada em águas de bacalhau pela HBO foi o épico «Utopia», com alguns episódios escritos por Gillian Flynn (autora de “Gone Girl”) e com Rooney Mara no principal papel, uma produção de 100 milhões que teve ordem de paragem quando se estavam a iniciar os ensaios em Agosto de 2015. A HBO promete no futuro retomar os dois projectos.

«Mind Hunter» é inspirado num livro de 1996 “Mind Hunter: Inside the FBI's Elite Serial Crime Unit ” escrito por John Douglas e Mark Olshanker. Pensa-se que o enredo da série seja baseado em dois agentes do FBI que em 1979 entrevistam serial killers encarcerados para terem pistas na investigação de crimes activos. Holt McCallany interpreta um expedito agente do FBI com uma abordagem diferente aos crimes, a actriz Anna Torv interpreta a psicologista Wendy e Jonathan Groff desempenha o papel de um dos agentes.

A série será escrita por Joe Penhall (argumentista de «A Estrada» de John Hillcoat) juntamente com Scott Buck (argumentista de «Dexter») que também assume as funções de showrunner. A produção será assinada pelas produtoras de David Fincher e da actriz Charlize Theron.

mind hunter

 

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