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Actualizado às 9:31 PM, Aug 22, 2019

Stallone garante vitalidade a 'Creed II', enfim nas telas do Brasil

Custou para que “Creed II” chegasse ao Brasil: quase dois meses se passaram desde sua estreia nos EUA e, de novembro para cá, a produção de US$ 50 milhões já arrecadou US$ 175 milhões pelo mundo. Um dos mais ferinos críticos dos EUA hoje, A. O. Scott, do “The New York Times” afirma que “a retomada da franquia ‘Rocky’, focada nos dilemas e triunfos de Adonis Creed, representa a única série cinematográfica de heróis digna de atenção hoje”, elogiando o trabalho de Steven Caple Jr. na direção – ele herdou o projeto de seu colega de universidade Ryan Coogler. “Os momentos de dor, de humor e de intimidade tornam ‘Creed 2’, uma experiência sólida e satisfatória”, escreve Scott, destacando a colaboração de Stallone no roteiro, que revisita a geopolítica de ‘Rocky IV’, fenômeno popular de 1985, com bilheteria de US$ 300 milhões, que lançou o pugilista russo Ivan Drago (Dolph Lundgren), de volta aqui.

Na revista “Variety”, o crítico Owen Gleiberman elogia em sua resenha a discrição que marca a interpretação de Balboa, 43 anos depois do lançamento de “Rocky, um lutador”, produção de US$ 960 mil que arrecadou US$ 225 milhões e ganhou os Oscars de melhor filme, direção (para John G. Avildsen) e montagem. Segundo Gleiberman, Stallona usa “um resmungo sincronizado e um brilho no olhar mais poderoso do que suas palavras”. A “Variety” foi um dos primeiros veículos a divulgar o cartaz de “Rambo 5”, visto pela primeira vez nas paredes do Festival de Cannes, em maio. Já rodado, a longa traz o ex-combatente do Vietnã John Rambo no rancho de sua família, às voltas com um cartel de drogas do México. “Foi um trabalho duro, mas me deu muito prazer chegar ao fim dessa aventura”, disse Stallone em sua conta no Instagram, ao concluir as filmagens, em locações na Espanha e na Bulgária, em meio ao êxito comercial de “Creed 2” nos EUA.

Revelado em Sundance, há três anos, com o drama juvenil «The Land», Steven Caple Jr. tomou para si a direção de “Creed II” na esteira da consagração autoral de Ryan Coogler, realizador do filme anterior, com “Pantera Negra” (2017). O sucesso de Coogler nas florestas de Wakanda fez com que este optasse apenas por um posto de produtor executivo, deixando o caminho livre para outro cineasta pilotar a saga de Adonis Creed no auge do êxito de seu intérprete, Michael B. Jordan, e da reciclagem mediática da imagem de Stallone, com a conquista do Globo de Ouro, em 2016, pelo regresso (já grisalho) de Rocky Balboa. A tarefa era difícil, mas Caple Jr. executou-a de maneira impecável, não apenas pela alquimia plena entre sua concepção de tônus trágico de planos e o enquadramento convulsivo do fotógrafo Kramer Morgenthau (de «Game of Thrones»), mas por sua aposta na dimensão afetiva dos antagonistas.

Nem John G. Avildsen (1935-2017), artesão por trás do primeiro e do quinto filme da franquia Balboa, foi capaz de dar tanto relevo emocional aos adversários dos heróis pugilistas da Filadélfia como Caple Jr. faz aqui, a partir do roteiro de Juel Taylor e do próprio Stallone, com o apoio de Dolph Lundgren. Em cartaz hoje (muito bem) como Rei Nereus, em “Aquaman”, Maciste sueco dá à figura derrotada de Ivan Drago uma dimensão de mito caído, de Prometeu acorrentado a um passado falido, tão vívida e doída quanto a imagem envelhecida e enlutada que Stallone soube construir para o Garanhão Italiano. Na trama, Drago regressa de um buraco ucraniano, 32 anos após ter matado Apollo Creed, o Doutrinador (Carl Weathers), para desafiar o herdeiro deste, Adonis (Jordan, sempre preciso). Os punhos que hão de bater de Adonis não serão os de Drago e sim de seu filho, Viktor, vivido por Florian Munteanu, que apesar de ter poucos recursos cénicos, transmite uma angústia que nenhum rival de Rocky teve. Na montagem, a edição das viradas dramáticas de afeto, paralelas aos combates, são tão frenéticas quanto as lutas em si. E o auge da fúria vem quando uma velha conhecida da série, Ludmilla (Brigitte Nielsen, a ex de Sly), a mãe de Viktor, reaparece, como um mimo cinéfilo: seu desdém dói mais que qualquer knockout, num filme que coroa o desejo de Lundgren de envelhecer como um ator respeitável, reinventando-se assim como Stallone se reciclou. E assim como Brigitte traz potência do feminino para um universo sobre os códigos da virilidade e do emasculamento, as atrizes Tessa Thompson (como Bianca, a mulher de Adonis) e (a ótima) Phylicia Rashad, a viúva de Apollo, têm espaço em cena para escavarem complexidade para suas personagens.

Creed 2 - trailer

A MGM divulgou o primeiro trailer do filme ‘Creed II’ que chega às salas de cinema nacionais a 6 de dezembro. O filme volta a contar com a dupla Michael B. Jordan e Sylvester Stallone nos papéis de Adonis Creed e Rocky Balboa, respetivamente. ‘Creed: O Legado de Rocky’ valeu a Sylvester Stallone um Golden Globe® e uma nomeação para o ÓSCAR® de Melhor Ator Secundário. O regresso de Dolph Lundgren no papel de Ivan Drago, de Rocky IV (1985), está também confirmado em ‘Creed II’. O ator vai estar em Portugal no âmbito da Comic Con, que se realiza de 6 a 9 de setembro em Oeiras.

O filme ‘Creed II’ é a continuação da saga Rocky (que teve início em 1976) e uma sequela do sucesso de ‘Creed: O Legado de Rocky’ que em 2015 fez mais de 170 milhões de dólares de receita de bilheteira em todo o mundo, tendo sido visto em Portugal por perto de 100 mil espectadores.

‘Creed II’ é realizado por Steven Caple Jr. (‘The Land’) e conta com Ryan Coogler, realizador de ‘Creed: O Legado de Rocky’, como produtor executivo.

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