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Actualizado às 3:34 PM, Mar 25, 2020

«Operação Fronteira»

Lembram-se de «O Tesouro da Sierra Madre», de John Huston? «Operação Fronteira» não é um remake mas sim um cruzamento dos seus temas. Em vez de cowboys, temos soldados americanos num contexto moderno. Este foi o desafio inicial de Mark Boal que escreveu este guião para Kathryn Bigelow, cineasta que acabou por passar o projeto a J.C. Chandor depois de muitas outras encarnações. Aliás, o projeto chegou a ser da Paramount e meteu Will Smith e Mahershala Ali ao barulho.

A história narra as aventuras de cinco membros do exército americano que numa missão não oficial vão executar um perigoso barão da droga numa selva da América do Sul. Além de um “cachet” não oficial, estes cinco mercenários metem-se na missão pela promessa de levar a fortuna do cartel. O esconderijo do criminoso latino está forrado com notas que ultrapassam os 150 milhões de dólares. Depois de despacharem o homem o problema é sair de lá com os sacos de dinheiro...

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A partir da primeira meia-hora, a intriga dedica-se essencialmente às peripécias deste grupo em regressar a casa com a fortuna, incluindo um voo que se despenha em plenas montanhas dos Andes, crescente desconfiança entre eles e a forma como imaginam as suas vidas milionários.

«Triple Frontier» é o que se pode chamar de exemplo de novíssima geração de filme de ação. Cinema adulto e com densidade psicológica, mas sem nunca deixar de ser um espetáculo com uma escala grande, porventura uma das maiores apostas de sempre dos Netflix Originals.

O que é verdadeiramente imponente no trabalho de Chandor, além da caracterização psicológica destes soldados em perdição moral, é a forma como mistura ingredientes de um típico filme de Hollywood de aventuras com um discurso político que alude para o imperialismo americano quase terrorista. Em última instância, estes cinco mercenários matam e roubam num país da América do Sul supostamente a bem da guerra às drogas. Tal como em «Sicario» (sobretudo o primeiro), fica uma reflexão sobre os conflitos ideológicos da presença militar do exército americano em países desta região. Uma história com um longo passado e que aqui é relatada do lado do “bromance”. Se quisermos, este é um filme sobre bons amigos com armas.

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De lamentar apenas que Boal e Chandor não consigam no último terço serem mais subtis no processo do conto sobre a ganância humana. Mas «Operação Fronteira» tem os “timings” certos nas regras de filmar ação em contexto de guerra e selva. O diretor de fotografia Roman Yasnanov consegue tirar partido de uma sensação de estarmos reféns da imensa selva da América Latina – sente-se o gelo da serra dos Andes ou a humidade da floresta.

Tal como em «Quando tudo Está Perdido», Chandor assina outra peça de cinema físico e com um diálogo entusiasmante com a natureza, embora o que salte mais ao olho seja seja a forma como encena a degradação da natureza humana. E, já agora, com uma adrenalina que mexe connosco.

Não é a obra-prima de filme de guerra que poderia ser, mas é garantido que não há momentos mortos na intriga. Em boa verdade, era um filme que pedia a experiência de ser visto em sala.

[crítica originalmente publicada na Metropolis nº67]

tres estrelas

Netflix - Escolhas Metropolis – Semana de 9 de Jan.

Um dos acontecimentos mais importantes na vida de muitos fãs de séries é o regresso de «Sherlock». A série da BBC está de volta, três anos depois, e os episódios serão disponibilizados semanalmente na Netflix Portugal. Entre as outras novidades, destaque para o regresso de Neil Patrick Harris e para o lançamento de «As Crónicas de Shannara» e «O Meu Nome é Alice».

Novidades

SHERLOCK
Diz-se que quem espera sempre alcança mas, no caso dos fãs de «Sherlock», a espera teima em ser demasiado longa. Três anos depois da terceira temporada, e um ano após um episódio especial – «The Abominable Bride» –, a série que trouxe Benedict Cumberbatch para a elite de atores britânicos está (finalmente!) de regresso. Os três episódios da nova temporada serão lançados semanalmente na Netflix Portugal, que tem disponível a série completa.
Sherlock Holmes (Cumberbatch) encontra agora um dos “casos” mais exigentes da sua vida, com John Watson (Martin Freeman) e Mary (Amanda Abbington) prestes a serem pais. Ao mesmo tempo, o nosso detetive favorito tem de lidar com a iminência do regresso de Moriarty (Andrew Scott) ou, pelo menos, dos seus planos maquiavélicos. Não há mistério em Terra de Sua Majestade que Sherlock não seja capaz de antecipar... Ou será que há? O segundo episódio sai no início desta semana.

UMA SÉRIE DE DESGRAÇAS
“Suit up!”. Neil Patrick Harris está de volta à televisão três anos depois do final de «Foi Assim que Aconteceu» – e de uma curta passagem por «American Horror Story». No entanto, a sua personagem na nova série original da Netflix não poderia ser mais diferente do inesquecível Barney Stinson. O ator interpreta Olaf – que no filme «Uma Série de Desgraças», de 2004, era interpretado por Jim Carrey – e promete aterrorizar miúdos e graúdos. Tudo começa com a morte dos pais de três crianças que, então, são lançadas à descoberta dos segredos da família Baudelaire, encontrando pelo caminho vários obstáculos e, tal como o nome sugere, a sorte nem sempre estará do lado delas. A série é baseada nos livros de Lemony Snicket.

ronaldo doc


RONALDO

Ele é o melhor do mundo (tema discutível, é certo), é português e a sua história pode ser conhecida desde o dia 1 no catálogo da Netflix Portugal. Para fechar um ano repleto de sucessos para o craque nascido na Madeira, onde se evidencia a conquista do título europeu, fique a conhecer o seu passado, o seu presente e forma como encara o futuro no documentário «Ronaldo» (2015). Entre as pérolas, destaque para o facto de Cristiano Ronaldo não encarar com bons olhos a possibilidade de o filho fazer carreira como guarda-redes...

orphan black 

Maratona da Semana

ORPHAN BLACK
Os Globos de Ouro podem ter-se esquecido de Tatiana Maslany, mas a METROPOLIS não e, como tal, a sugestão para “maratonar” esta semana é a brilhante série «Orphan Black». A atriz canadiana arrecadou, em setembro, o Emmy de melhor atriz em série dramática, depois de uma quarta temporada feita de altos e baixos para as suas personagens. Mulher das 1001 caras, Tatiana encontrará o desfecho final para os seus clones na quinta e última temporada da série, que tem a sua estreia agendada para abril.

Agora na Netflix

AS CRÓNICAS DE SHANNARA
A pequena Ofelia de «O Labirinto de Fauno» cresceu e, em dezembro, parou na Comic Con Portugal, onde promoveu a série «As Crónicas de Shannara», cuja primeira temporada está disponível na Netflix. Ivana Baquero é uma das protagonistas desta jornada, centrada na busca de um grupo improvável pela salvação das Four Lands. À procura da magia prometida, que salve a população dos perigos do Demon World, os nossos aventureiros descobrem também o valor da amizade e do amor, bem como uma série de obstáculos...

OFFICE SPACE

OFFICE SPACE
Depois das festividades de Natal e Ano Novo, o regresso ao trabalho é inescapável, pelo que não há nada como acompanhá-lo com uma boa comédia. «Office Space» (1999), que também recebeu o título «O Insustentável Peso do Trabalho», conta a história improvável de Peter Gibbons (Ron Livingston), que acaba por ficar preso numa hipnose quando o responsável pela mesma morre durante o processo. Outrora inseguro e infeliz, este funcionário muda de atitude, o que lhe garante uma inesperada promoção no trabalho, e ganha uma vida totalmente nova. Mas nem tudo vai correr bem.

O MEU NOME É ALICE
O filme que valeu a Julianne Moore o seu primeiro Óscar, em 2015, já está disponível na Netflix Portugal. «O Meu Nome é Alice» (2014) centra-se numa personagem de meia-idade com o mesmo nome, que tem de lidar com as fragilidades da sua saúde e a forma como isso afeta a sua vida e a daqueles que a rodeiam. Diagnostica com a doença de Alzheimer, ainda na fase inicial, Alice (Moore) tem de enfrentar a iminência de perder o controlo da memória e do quotidiano, num desafio que ultrapassa o ecrã e emociona o espectador.

 

tarzan and jane

TARZAN AND JANE
Tarzan e Jane estão de volta numa animação digital, num original Netflix a pensar nos mais pequenos. Ele tem poderes sobrenaturais e ela muita coragem, sendo que não vão descansar enquanto não defenderem a selva de todos os perigos.

Ben Affleck 

Figura da Semana: Ben Affleck
O verdadeiro homem dos sete ofícios, Ben Affleck faz de tudo no cinema: produz, realiza, escreve, protagoniza e ainda tem tempo para ser super-herói. Na próxima semana estreará nos cinemas «Viver na Noite», um filme que conta com o ator em várias frentes, estando para breve «Liga da Justiça» e «The Batman». Na Netflix as escolhas também são várias, mas nós deixamos duas sugestões.

EM PARTE INCERTA
Numa genial obra de David Fincher, Affleck é Nick Dunne, um homem destroçado que tem de lidar com o circo mediático montado à volta do desaparecimento da esposa, Amy (Rosamund Pike). Primeiro como vítima e depois como suspeito, a vida de Nick e da família Dunne, aparentemente perfeita, vai-se desfazendo à frente do espectador, à medida que a narrativa viaja pelo passado e pela inevitabilidade do futuro.

ChasingAmy

CHASING AMY
Voltando um pouco atrás, até 1997, «Chasing Amy» mostra um Ben Affleck bem mais novo, imediatamente antes do bem-sucedido «O Bom Rebelde», também do mesmo ano. O ator interpreta o azarado Holden, um jovem que se apaixona por Alyssa que, apesar de ele achar que é a mulher perfeita, é lésbica.

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The Accountant – Acerto de Contas

Uma história de ação com algum conteúdo mas pouco trabalhada, «The Accountant – Acerto de Contas» não borra a pintura mas não transcende. A narrativa foca-se em Christian Wolff (Ben Affleck), um autista tão brilhante na matemática como em técnicas de combate. Com uma vida marcada pelas dificuldades nos relacionamentos interpessoais, Wolff torna-se num contabilista com atividades paralelas particularmente perigosas. Enquanto é investigado pelo agente Ray King (J.K. Simmons), da Divisão Criminal do Tesouro, Christian aceita um novo trabalho, no qual conhece a jovem contabilista Dana Cummings (Anna Kendrick), numa parceria que descobrirá uma fraude de milhões de dólares e que colocará as suas vidas em risco.

Com uma realização mais enérgica e acertada do que em «As Armas de Jane» (2016), Gavin O’Connor constrói um thriller de ação que não dá muito espaço ao suspense mas investe – e bem – na complexidade dramática do personagem principal.

Todavia, o argumento falha ao não conseguir entrelaçar da melhor forma diferentes sub-tramas, acabando por tropeçar num caminho tortuoso que não acrescenta muito – a investigação criminal de que o protagonista é alvo não cativa e distrai do foco.

Ben Affleck não compromete, apesar de não ter uma interpretação verdadeiramente carismática. No cômputo geral acaba por elevar-se o irrepreensível J.K. Simmons, que garante bons momentos, apesar do seu arco narrativo pouco pertinente. Não obstante as suas falhas, o filme consegue um bom retrato do autismo, evidenciando os diferentes aspetos da doença em pequenos pormenores que vão pontilhando ao longo da obra.

«The Accountant – Acerto de Contas» tem uma premissa interessante e que, se fosse desenvolvida de outra forma, talvez resultasse num filme verdadeiramente vencedor. Desta forma, sobrevive à tangente e não ficará na memória dos admiradores de suspense.

tres estrelas

Título Nacional The Accountant - Acerto de Contas Título Original The Accountant Realizador Gavin O'Connor Actores Ben Affleck, Anna Kendrick, J.K. Simmons Origem Estados Unidos Duração 128’ Ano 2016

 

«Justice League» - As super-estrelas da DC

A Warner divulgou este sábado (23) na Comic-Con International em San Diego o primeiro trailer de «Justice League». Batman, Wonder Woman, Aquaman, The Flash e Cyborg aparecem no vídeo do filme, realizado por Zack Snyder. Apesar de não aparecer no trailer, Superman (Henry Cavill) está na primeira imagem oficial divulgada pelo estúdio.

O filme conta nos principais papéis com Henry Cavill, Jason Momoa, Ben Affleck, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Ezra Miller, J.K. Simmons, Jeremy Irons e Willem Dafoe. O filme tem estreia mundial agendada para Novembro de 2017.

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Ben Affleck assassino profissional em «The Accountant»

A Warner Bros. editou o primeiro trailer do thriller de acção «The Accountant», um filme dirigido pelo norte-americano Gavin O´Connor («Warrior - Combate Entre Irmãos ») e protagonizado por Ben Affleck e Anna Kendrick.

O trailer evolui ao som de “Everything In Its Right Place” dos Radiohead claramente uma ironia à narrativa em torno do protagonista interpretado por Ben Affleck que segundo este vídeo deixa para trás a miséria de «Batman vs. Superman».

O argumento foi escrito por Bill Dubuque («O Juiz») num relato sobre um pacato contabilista, com mais interesse pelos números do que pelas pessoas, que revela uma personalidade secreta como assassino profissional, vejam o vídeo...

É um trailer que nos deixa em bicos de pés até à estreia do filme.

Título Original The Accountant Realizador Gavin O´Connor Actores Ben Affleck, Anna Kendrick, Jon Bernthal Origem Estados Unidos Duração n.d Ano 2016

 

 

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Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça

«Batman v Super Homem: O Despertar da Justiça» é um espetáculo visual chamativo mas titubeante na sua base narrativa. A história conta a batalha (supostamente) épica de dois pujantes super-heróis: Batman (Ben Affleck) e Super-Homem (Henry Cavill). Batman está cada vez mais céptico em relação a Super-Homem que, no fundo, é um alienígena com poder suficiente para acabar com a Humanidade quando lhe der na gana. Já o Super-Homem não vê nada com bons olhos a atual conduta de Batman, que é cada vez mais radical e até cruel na forma como combate a criminalidade. Juntamos a estas desconfianças um psicótico vilão, Lex Luthor (Jesse Eisenberg), e a festa está pronta para começar.

Ora, o filme arrebata-nos com o seu poder visual, efeitos especiais de tirar o fôlego e uma realização até bastante bem conseguida de Zack Snyder, notando-se perfeitamente a sua evolução desde o esquecível «Homem de Aço» (2013). A fotografia resulta bem no cômputo geral e a banda-sonora é simplesmente genial, unindo Hans Zimmer, um veterano sempre inventivo, e Junkie XL, que mostra que é um nome a ter muito em atenção.

As coisas começam a falhar quando nos focamos no argumento, sensaborão e com alguns buracos. Apesar de haver uma boa exploração da linha ténue entre o bem e o mal, que acaba por ser o fio-condutor de toda a obra, a tal luta que tanto aguardávamos entre Batman e Super-Homem acaba por ser pouco fundamentada e resolvida de uma forma demasiado rápida. Num minuto, os heróis passam de inimigos mortais a quase melhores amigos. Além disso, há pouca exploração das personagens. Com a excepção de Batman – o rei do filme –, a complexidade dos restantes fica aquém, sobretudo quando se trata do Super-Homem, que não teve evolução narrativa desde o seu filme a solo. Tal resulta com que os atores não consigam brilhar muito, sobretudo Amy Adams, que acaba por ficar com uma Lois Lane qual dama em apuros e com pouca dimensão. Apesar de tanta controvérsia, Ben Affleck cumpre e até surpreende em alguns momentos, compondo um Batman mais sofrido e cínico do que noutras versões cinematográficas. Destaque ainda para Jesse Eisenberg, que mistura na sua personagem traços de Mark Zuckerberg de «A Rede Social» (2010) com Joker, conseguindo alguns dos momentos mais impactantes da narrativa.
Mais do que um filme por si só, «Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça» é um excelente aperitivo para os próximos filmes que se seguem nas adaptações da DC Comics. O mais próximo é «Mulher Maravilha» e a personagem, interpretada por Gal Gadot, é um dos trunfos deste filme, com uma presença misteriosa mas resplandecente e uma entrada em luta da qual muitos super-heróis teriam decerto alguma inveja.

«Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça» está muitos degraus acima de «Homem de Aço» mas ainda alguns furos abaixo da trilogia Batman de Christopher Nolan. Contudo, é um bom filme de super-heróis e entretém o espectador do príncipio ao fim – e o filme ainda é longo. Missão cumprida.

tres estrelas

Título Nacional Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça Título Original Batman v Superman: Dawn of Justice Realizador Zack Snyder Actores Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams Origem Estados Unidos Duração
151’ Ano 2016

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