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Actualizado às 10:09 PM, May 20, 2019

FESTIVAL OLHARES DO MEDITERRÂNEO – Entrevista Sara David Lopes (directora)

O Festival Olhares do Mediterrâneo regressa ao cinema São Jorge no final do mês do Setembro com o objetivo claro: divulgar o cinema feminino do mediterrâneo. Por isso, foram selecionados dezenas de filmes dentro desse critério de escolha para um concurso variado e estimulante e imaginou-se uma nova secção temática-Travessias- relativa à questão dos refugiados e das migrações. Nas secções paralelas, o destaque vai para a programação gratuita para o 1ªciclo e para o Secundário, para além das oficinas temáticas e muito mais. Conversámos com Sara David lopes, diretora e programadora principal do evento que deixa o convite aos nossos leitores para conhecerem o Olhares do Mediterrâneo.

A edição deste ano apresenta algumas novidades, incluindo o alargamento do critério da escolha dos filmes e a data de realização. Fale-nos um pouco sobre isso?
Desde a concepção do festival mantemos uma reflexão contínua sobre o que fazer em cada edição e, este ano, pareceu-nos importante alargar a visibilidade deste cinema de mulheres à equipa criativa. Isso levou a que, em 2016, aceitássemos filmes feitos por homens, desde que tivessem sido produzidos por mulheres. Em edições futuras, ponderamos alargar este critério a toda a equipa criativa do filme. Um filme não é só feito pelo seu realizador e julgamos importante dar também visibilidade a outras áreas da sua produção genérica.

Quais os principais objetivos do Olhares do Mediterrâneo?
Como o próprio nome do festival indicia, pretende-se promover o cinema feminino do Mediterrâneo, o qual ainda assume uma percentagem muito pequena tanto na indústria cinematográfica como no cinema independente. Pensamos que é importante divulgar mais o cinema feito por mulheres, uma vez que o olhar que as suas obras mostram sobre o mundo é frequentemente distinto do olhar que nos traz o cinema feito por homens. É importante perceber essas diferenças, pois assim poderemos conhecer melhor a multiplicidade de olhares e de realidades vividas que estes filmes nos trazem.

Para além de divulgar o cinema feito por mulheres, pretendemos também promover o conhecimento sobre a diversidade de formas de viver que encontramos nas margens do Mediterrâneo e sobre os encontros e desencontros que se promovem neste espaço geográfico. Pensamos que podemos ter um papel na desconstrução de estereótipos e na reflexão sobre aquilo que nos distancia e aproxima enquanto mediterrânicos.

Foi isso que nos levou, este ano, a criar uma secção temática, Travessias. Dando continuidade a um interesse que está patente desde a primeira edição do festival - e que é um tema recorrente nos filmes que temos recebido - decidimos dar uma atenção especial à questão dos refugiados e das migrações forçadas, criando um espaço de reflexão transversal a todo o festival com actividades complementares ao cinema. Pretendemos com isto estimular o público a interrogar-se e a avaliar de uma forma mais informada esta questão que afecta de forma brutal o quotidiano das pessoas e dos países do Mediterrâneo.

Quais as principais dificuldades sentidas na elaboração da programação do festival?
A principal dificuldade é financeira, mas temos conseguido contorná-la com criatividade e parcerias.
É óbvio que o constrangimento financeiro gera um desafio à programação, nomeadamente na escolha de cerca de 30 filmes que se enquadrem nos nossos dois eixos de orientação: mulheres e Mediterrâneo. É preciso garantir que os filmes que conseguimos trazer ao festival têm qualidade e que na programação final existe um equilíbrio entre os diferentes países e as temáticas abordadas.

OLHARES Les Messagers1

Para além das competições de longas e curtas-metragens, realizam-se eventos paralelos como as oficinas e a programação para as escolas. Qual a importância destes eventos e quais os destaques deste ano?
Apesar de, desde a primeira edição, ser um festival de cinema, defendemos que é importante mostrar também outros aspectos da criatividade “mediterrânica”. Desde o início, quisemos trazer um “colorido sensorial” que impregnasse o todo do festival e que preenchesse os momentos entre sessões. Quisemos com isto criar um ambiente genérico de festa, por contraste com a mera ida a um festival de cinema. Como tem funcionado muito bem, temos apostado numa diversidade de actividades. Este ano, para além dos momentos musicais e de alguns workshops, nomeadamente de culinária e cinema, temos uma exposição de fotografia que resulta do desafio que fizemos a 5 mulheres refugiadas, que vivem em Lisboa, para fotografar o seu quotidiano. Teremos assim um olhar fotográfico que se junta ao olhar cinematográfico.

Para além disso, teremos sessões gratuitas para escolas - 1º ciclo e secundário - integradas no Plano Nacional de Cinema. Estas sessões permitem, simultaneamente, captar os jovens para o prazer de ver diferentes formas de fazer cinema e chamar a sua atenção para questões sociais importantes do mundo em que vivemos.

Quais os principais pontos de interesse no Olhares do Mediterrâneo deste ano? Convide os leitores da Revista Metropolis a conhecer o festival ...Não podendo destacar nenhum filme em particular, uma vez que todos os filmes concorrem para prémios atribuídos pelo Júri e Público, não queremos deixar de chamar a atenção para a secção temática, as Travessias. Alguns filmes serão seguidos de debates com convidados e algumas realizadoras e/ou elementos da equipa criativa, sendo que estes serão certamente momentos de grande interesse.

Convidamos, ainda, o público a participar nas actividades paralelas, algumas das quais destinadas a famílias, e a conhecer as muitas realizadoras presentes, algo que acreditamos ser uma mais-valia extraordinária para os filmes e para o público em geral.

Festival Olhares do Mediterrâneo – Cinema no feminino

Entre 29 de setembro e 2 de outubro, na sua 3ª edição, o festival Olhares do Mediterrâneo - Cinema no feminino regressa às salas do S. Jorge, em Lisboa, desta vez para quatro dias de atividades que vão muito além da exibição de filmes. No seu âmago, este festival mantém como foco principal a exibição de filmes oriundos da bacia mediterrânica, pretendendo, acima de tudo, divulgar o papel da mulher na produção cinematográfica. Este ano, a direção decidiu alargar o mote ao desempenho da mulher na equipa criativa em filmes de ficção, documentário, animação ou experimental, o que significa que mesmo que alguns dos filmes sejam realizados por homens, uma mulher teve um papel-chave no argumento, produção, direção de fotografia ou montagem, ou até mesmo na representação. Ao mesmo tempo, o Olhares do Mediterrâneo pretende trazer à capital portuguesa um conjunto de iniciativas paralelas, capazes de criar um espaço de partilha e reflexão sobre outras formas de viver a igualdade de todos nós na diferença de cada um.

Seleção de filmes

Após uma submissão de filmes que ultrapassa em grande escala a edição anterior, o festival Olhares do Mediterrâneo selecionou este ano 33 filmes, dos quais nove são longas-metragens e 24 são curtas-metragens, oriundas de 18 países, nomeadamente Albânia, Croácia, Egipto, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Líbano, Marrocos, Portugal, Turquia, entre outros. Nos vários géneros cinematográficos, 20 filmes farão a sua estreia nacional no festival e dois serão mesmo estreia mundial. No final do evento, serão atribuídos os Prémios de Melhor Longa-Metragem, Melhor Curta-Metragem, Travessias e do Público. Os bilhetes estão disponíveis nas bilheteiras do cinema S. Jorge e os preços variam entre os € 3,50 e os € 4, mas existem diversas opções de passes. Ver aqui: Info.

OLHARES Les Messagers5

Travessias

Temas como a morte, o sofrimento, o suicídio, a crise económica, problemas de habitação, mas também a família, o amor, a amizade e o envelhecimento, são transversais aos filmes submetidos a concurso. No entanto, e devido à problemática dos refugiados e das migrações forçadas em muitas das suas vertentes, o Festival considerou a relevância do tema e criou este ano uma secção especial dedicada a esta temática, sob a designação de Travessias. Neste espaço privilegiado, além dos oito filmes que focam a atual intensificação dos fluxos de migrantes, que trazem histórias de pessoas reais arrastadas no mar Mediterrâneo, decorrerão diversas atividades relacionadas com a temática, nomeadamente debates e conferências, uma exposição de fotografia e o acolhimento da SOS Méditerranée, uma ONG que se dedica a tentar impedir que pessoas morram no Mediterrâneo durante as travessias.

Atividades paralelas

Durante todo o festival, muitos dos filmes programados contam com a presença de elementos das equipas criativas durante a sessão, tornando possível sessões de Q&A entre os mesmos e a audiência. A música, os livros, o artesanato, ateliers para crianças e pais, e sessões especiais para escolas também marcarão presença. Para os mais gulosos, as boas notícias chegam através da Oficina de Sobremesas Saudáveis, no domingo, dia 2, pelas 16h30, mas se preferir provar um verdadeiro chá marroquino poderá optar pelo Ritual do Chá no sábado, dia 1,às 18 horas, antes da sessão do filme «Pirates de Salé». Um dos momentos musicais será protagonizado pelo Coro Feminino de Lisboa, que atua também no sábado, pelas 20h30. Todas estas atividades paralelas têm entrada livre, à exceção do atelier para pais e filhos Olhares Pequeninos, que terá um custo de € 7. Pode consultar todas as informações em: (http://www.olharesdomediterraneo.org/actividades-paralelas).

OLHARES exotica

Destaques da 3ª edição

«Exotica, Erotica, Etc» [foto], de Evangelia Kranioti, é o filme de abertura do Festival e é uma verdadeira obra visual. Vencedor de vários prémios, este documentário demorou nove anos a ser desenvolvido, implicou mais de 20 viagens e gerou 450 horas de filmagens. Além de o realizar, Evangelia Kranioti é igualmente a argumentista e diretora de fotografia. No centro do filme está a vida dos marinheiros que passam dias e dias em alto mar e as histórias de quem sempre os recebeu em terra. A cinematografia é fantástica e o enquadramento é feito ao pormenor.

O documentário «Pirates of Salé» traz a Lisboa as suas realizadoras, Rosa Rogers e Merième Addou, para uma conversa informal a seguir à exibição do filme, em conjunto com a associação cultural A Tenda. O foco é um grupo de adolescentes que se agarra ao curso de artista de circo como a única hipótese de terem “um futuro”. As mulheres devem permanecer em casa, enquanto aguardam um noivo que case com elas e é preciso coragem para inverter as regras e enveredar por uma vida de circo. Este curso é tudo o que têm para “serem alguém” e para ajudarem a família.

Da autoria de Hélène Crouzillat e Laetitia Tura, «Les Messagers» traz-nos relatos dos “mensageiros” da atualidade. Pessoas que tentam fugir dos seus países e que acabam tratadas como objetos e deixadas à morte. Enquanto tentam fugir ao controlo da polícia espanhola e marroquina, procuram uma alternativa para viver e, apesar de todas as vedações, o seu único objetivo é continuar a tentar. Não têm nada a perder. É um filme com testemunhos fortes de pessoas que, acima de tudo, são humanos, como todos nós.

OLHARES Nawara and Ali

A ficção chega através de «Nawara» [foto], com realização e argumento de Hala Khalil. No decorrer da Primavera Árabe de 2011, no Egito, Nawara é uma mulher do povo que vive num bairro degradado e pobre, mas trabalha numa mansão, junto dos que conseguiram juntar fortuna. Mantendo sempre o sentido positivo na vida e tendo como princípio a honestidade e a fé, Nawara não está preparada para algo que vai destabilizar todas as suas crenças.
«Women in Sink», de Iris Zaki, leva-nos para o interior de um cabeleireiro árabe de Israel, no qual várias mulheres, árabes ou judias, falam sobre temas como política israelita, a vida e o amor, enquanto lavam a cabeça. Um documentário curto mas um verdadeiro exercício social.

Participação portuguesa

Nesta edição, Portugal é representado por sete filmes. O documentário «A Caça Revoluções», de Margarida Rêgo, é um deles e é sobre duas gerações tocadas pela revolução dos cravos a partir de uma fotografia. Margarida Madeira assina a animação «Dona Fúnfia», uma senhora que um dia troca a saia por umas calças e pega na sua bicicleta para fazer a sua própria volta a Portugal. Também com um filme animado está Raquel Felgueiras e o seu «Galope», sobre a história da imagem em movimento. «Maxamba», realizado por Suzanne Barnard e Sofia Borges, é um documentário sobre um casal descendente de uma família indiana que habita no bairro Quinta da Vitória, que está prestes a ser demolido, e concorre na categoria Travessias. Por fim, «Outubro Acabou», de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, «Pronto, era Assim», a animação de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues sobre a história de vida de seis idosos, e «Retratando Marina», uma estreia mundial que conta a história de uma fotógrafa moldava que reflete sobre o seu Portugal, fecham a participação portuguesa.

Queer Lisboa: «Antes o Tempo Não Acabava» eleito Melhor Filme

Julia Lübbert, a adolescente protagonista de «Rara» – a longa favorita do público –, surpreendeu ao vencer na categoria de Melhor Atriz.

A vigésima edição do Festival Internacional de Cinema Queer – Lisboa coroou «Antes o Tempo Não Acabava» (2016), realizado pelos brasileiros Fábio Baldo e Sérgio Andrade, como a Melhor Longa-Metragem. O filme retrata o quotidiano de Anderson, um indígena que mora nos arredores de Manaus, mas que está em choque com a tradição da sua tribo e as expetativas da sua comunidade. À procura de si mesmo e da sua identidade, bem como da sua sexualidade, o jovem tenta afastar-se da rotina e muda-se para o centro da cidade, onde é verdadeiramente livre de experimentar novas sensações e ambientes. No seguimento deste resultado, não é de estranhar que Anderson Tikuna veja a sua brilhante interpretação ser coroada com o prémio de Melhor Ator.

Por sua vez, o ternurento «Rara» (2015), que marca a estreia de Pepa San Martín na realização, valeu a Julia Lübbert, que interpreta a protagonista Sara, de 13 anos, o título de Melhor Atriz. Também o público não ficou indiferente ao filme chileno, permitindo o “bis” com o Prémio do Público para Melhor Longa-Metragem. Sara é a filha de Paula, uma mulher divorciada que vive com a companheira Lia e as duas filhas. Em plena fase de crescimento, Sara vai observando o que a rodeia, ao mesmo tempo que o espetador conhece, através dela, a sua realidade e a forma como esta se vai moldando à sua volta. A atravessar uma fase mais problemática, a jovem vê a sua custódia e de Catalina, a ingénua irmã mais nova, ser disputada pelos pais.

queerO italiano «Irrawaddy Mon Amour» (2015), realizado por Valeria Testagrossa, Nicola Grignani e Andrea Zambelli , foi escolhido como Melhor Documentário, enquanto «Coming Out» (2015), de Alden Peters, recebeu uma menção especial do júri. «Irrawaddy Mon Amour» (2015) retrata a história de Soe Ko, um vendedor de rua numa aldeia junto ao rio Irrawaddy, no Myanmar. Apaixonado por um pedreiro de uma localidade vizinha, o jovem sonha com o casamento mas, no seu país, tal união é extremamente proibida, embora haja um pequeno núcleo que aceita a homossexualidade. O documentário retrata os preparativos do casamento, com o casal a receber a ajuda indispensável de elementos mais próximos.

«Waiting for B.» (2015) foi o documentário mais votado pela audiência, o que lhe valeu o Prémio do Público nesta categoria. O concerto de Beyoncé em São Paulo, em 2013, atraiu todas as atenções e Abigail Spindel e Paulo Cesar Toledo, à procura de uma história para contar, acabaram por registar a longa jornada de um grupo de jovens, maioritariamente homens e homossexuais, que acamparam durante três meses junto ao estádio para garantirem o melhor lugar possível. Já nas curtas-metragens, «1992» (2015), de Anthony Doncque, venceu o galardão máximo, enquanto «Pink Boy» (2015), de Erick Rockey, foi o melhor para o público.

Melhor Longa-Metragem: «Antes o Tempo Não Acabava», de Fábio Baldo e Sérgio Andrade
Melhor Atriz: Julia Lübbert, em «Rara»
Melhor Ator: Anderson Tikuna, em «Antes o Tempo Não Acabava»
Menção Especial do Júri – Documentários: «Coming Out», de Alden Peters
Melhor Documentário: «Irrawaddy Mon Amour», de Valeria Testagrossa, Nicola Grignani e Andrea Zambelli
Menção Especial do Júri – Curtas-Metragens: «Como en Arcadia», de Jordi Estrada
Melhor Curta-Metragem: «1992», de Anthony Doncque
Menção Especial do Júri – Queer Art: «Trilogie de Nos Vies Défaites», de Vincent Dieutre.
Melhor Filme Queer Art: «A Paixão de JL», de Carlos Nade
Menção Especial do Júri – In My Shorts: «La Tana», de Lorenzo Caproni
Menção Especial do Júri – In My Shorts: «Climax», de Fulvio Balmer Rebullida.
Melhor Curta-Metragem de Escola: «Children, Madonna and Child, Death and Transfiguration», de Ricardo Vieira Lisboa
Prémio do Público para Melhor Longa-Metragem: «Rara», de Pepa San Martín
Prémio do Público para Melhor Documentário: «Waiting For B.», de Abigail Spindel e Paulo César Toledo
Prémio do Público para Melhor Curta-Metragem: «Pink Boy», de Erick Rockey

O regresso da Festa do Cinema Francês

Na sua 17.ª edição, a Festa do Cinema Francês apresenta 25 filmes em antestreia, um ciclo da Association du Cinéma Indépendant pour sa Diffuson (ACID), uma retrospetiva ao cinema francês inspirada por Bertrand Tavernier, masterclasses, bem como um ciclo dedicado à madrinha deste ano, Anne Fontaine. Vários géneros passam por 11 cidades, de 6 de outubro a 13 de novembro, num regresso em força do sempre charmoso e versátil Cinema Francês.


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Antestreias


A obra de abertura da 17.ª edição, que alberga um conjunto de 68 filmes, é «Cézanne e Eu», de Danièle Thompson, que estará em Lisboa para apresentar a sua mais recente obra. O filme de época conta a história de amizade entre o pintor Paul Cézanne (Guillaume Caunet) e o escritor Emile Zola (Guillaume Gallienne). «Tão Só o Fim do Mundo», do irreverente jovem cineasta Xavier Dolan, é outro dos destaques, numa obra sobre confronto familiar que conta com um elenco de luxo, com nomes como Marion Cotillard, Vincent Cassel, Gaspard Ulliel e Léa Seydoux. O filme arrecadou o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes e marca o encerramento da passagem da Festa por Lisboa.
O Cinema Francês é pródigo em mostrar-nos comédias inusitadas e harmoniosas e este ano não será exceção. «Bem-vindos Mas Pouco», de Alexandra Leclère, é um destes exemplos, que obriga os cidadãos franceses que tenham casas com quartos vagos a abrigar os que se encontram numa situação difícil perante o pior inverno de sempre, o que originará divertidos encontros. «Éternité», de Tran Anh Hug (nomeado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por «O Odor da Papaia Verde», 1993), é um filme de época que nos transporta para a história de uma família e os laços que se vão criando, recorrendo a uma fotografia marcante e a um elenco irrepreensível, com Audrey Tautou, Bérénice Béjo, Mélanie Laurent e Jérémie Renier.

Destaque ainda para «La Danseuse», de Stéphanie Di Gusto, um filme que só terá estreia no Porto e se foca na vida de Loïe Fuller, uma jovem do interior americano que se viria a tornar num ícone da Belle Époque. O filme de estreia da realizadora marcou presença na secção Un Certain Regard do último Festival de Cinema de Cannes e tem Gaspard Ulliel, Soko, Mélanie Thierry e Lily Rose-Depp no elenco.

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Ciclo Anne Fontaine e ACID

Depois de já ter apresentado obras de Anne Fontaine em antigas edições da Festa, a realizadora é agora a Madrinha e terá um ciclo dedicado à sua carreira. É nesse sentido que serão exibidos os filmes «Nettoyage à Sec» (1997), «Entre As Suas Mãos» (2005), «O Meu Pior Pesadelo» (2011), «Paixões Proibidas» (2013) e «Gemma Bovery» (2014), bem como a sua mais recente obra, «As Inocentes», uma das antestreias da Festa e um dos mais crus filmes desta edição. Baseada em factos reais, a obra passa-se na Polónia, em 1945, quando uma equipa da Cruz Vermelha inicia uma missão de apoio aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial e descobre, num convento, um conjunto de freiras grávidas após a passagem recente de soldados soviéticos pelo local.

O Ciclo ACID é dedicado aos novos valores do Cinema Francês, que aposta na pluralidade e em diferentes expressões artísticas. A ACID, fundada em 1992, tem como objetivo ajudar o cinema independente a exponenciar o seu potencial e tem presença marcada, desde 1993, no Festival de Cannes, com uma programação própria onde são apresentados 9 longas-metragens, que, por norma, ainda não têm distribuidor. No âmbito deste ciclo da Festa, serão exibidos filmes como «Isola», de Fabianny Deschamps; «Le Voyage au Groenland», de Sébastien Betbeder; «Tombé du Ciel», de Wissam Charaf. Olaf Hund, produtor e compositor franco-alemão que assina a banda-sonora de «Isola», apresentará uma improvisação ao vivo, em parceria com o Musicbox, no dia 7 de outubro. Nesta edição, serão também realizados, em Lisboa e no Porto, vários encontros e masterclasses com os realizadores dos filmes deste Ciclo, em ações dedicadas aos estudantes de Cinema, sob o mote “Novas formas de escritas no Cinema”.

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Uma Viagem pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier

Nesta edição, a Festa propõe uma homenagem ao cinema francês numa retrospetiva inspirada pelo filme «Uma Viagem ao Cinema Francês com Bertrand Tavernier», que terá antestreia na Cinemateca Portuguesa. Na obra, o realizador e ex-crítico evoca algumas obras francesas e as principais etapas do Cinema Francês. Neste sentido, serão apresentados filmes como «O Crime do Sr. Lange» (1935), de Jean Renoir; «La Nuit Est Mon Royaume» (1951), de Georges Lacombe; «Contra Todos os Riscos» (1960), de Claude Sautet; «A Filha de D’Artagnan» (1994), de Bertrand Tavernier.

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A magia da Animação

O Cinema de Animação não ficará de fora e são quatro os filmes protagonistas desta edição: «Gus Petit Oiseau, Grand Voyage», «La Tortue Rouge», «Louise en Hiver» e «Tout en Haut du Monde». De salientar ainda duas seleções de 17 curtas-metragens que foram apresentadas nos últimos cinco anos no Festival Internacional de Animação de Annecy.
Lisboa, Almada, Leiria, Coimbra, Porto, Viana do Castelo, Faro, Seixal, Aveiro, Beja e Setúbal são as cidades pelas quais a Festa do Cinema Francês irá passar nesta 17.ª edição. A Festa do Cinema Francês é organizada pelo Institut Français du Portugal, a Embaixada de França e a rede de Alliances Françaises de Portugal. A METROPOLIS é a revista oficial do evento.

 

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76 filmes a concurso no CINANIMA 2016

Terminaram os trabalhos do Júri de Seleção do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho – é agora o momento de revelar um pouco do muito que poderá ver em Novembro, no Centro Multimeios de Espinho.

Dos 1331 filmes inscritos, provenientes de 71 países, a equipa de programação do Festival selecionou 25 horas de filmes, que foram visionadas pelo Júri de Seleção, constituído por Alice Guimarães, Manuel Matos Barbosa e Pedro Mota Teixeira.

Da escolha deste júri e na Competição Internacional da 40ª Edição do CINANIMA estarão 49 curtas-metragens, das quais quatro são portuguesas - “Fim de linha”, de Paulo D’Alva; “Estilhaços”, de José Miguel Ribeiro; “Faz bem falar de amor”, de Jorge Ribeiro e “Pronto, era assim”, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues. Alguns destes filmes são da autoria de realizadores muito jovens, inclusivamente algumas obras são projectos de fim de estudos e outras são de realizadores consagrados e multipremiados como Igor Kovalyov (Rússia), Alain Gagnol, Jean-Loup Felicioli (França), Theodore Ushev (Canadá), entre muitos outros nomes da animação.

Ainda no que à Competição Internacional diz respeito, mas agora na categoria - longas-metragens -, das 15 inscritas, foram selecionadas quatro, provenientes da Turquia, EUA, Espanha e Canadá.

Relativamente ao Concurso Nacional, do qual o CINANIMA também muito se orgulha em divulgar e promover o cinema de animação de autor, o Festival recebe em 2016, 76 obras, das quais 10 concorrem ao Prémio António Gaio e 13 ao Prémio Jovem Cineasta Português. Em suma, na 40ª Edição do Festival, estão a concurso 76 filmes de 19 países.

Consulte a lista de filmes selecionados para a 40ª Edição do CINANIMA em www.cinanima.pt.

Fonte: Cinanima

Duas produções de PAULO BRANCO seleccionadas para o FESTIVAL DE TORONTO

O FESTIVAL DE TORONTO (TIFF) junta-se à lista dos grandes festivais internacionais de cinema nos quais a LEOPARDO FILMES marca presença este ano, com a selecção de duas produções de PAULO BRANCO, as novas obras de WIM WENDERS (OS BELOS DIAS DE ARANJUEZ) e BENOÎT JACQUOT (À JAMAIS/ NEVER EVER) para o prestigiado festival norte-americano, ambas na secção Masters, dedicada aos mestres do cinema contemporâneo. Estas duas obras integram também a selecção oficial do FESTIVAL DE VENEZA.

OS BELOS DIAS DE ARANJUEZ, primeiro filme de WIM WENDERS rodado em França e realizado a partir da obra homónima do escritor PETER HANDKE, será exibido em estreia norte-americana.

Os protagonistas desta íntima e ao mesmo tempo provocadora história são os actores REDA KATEB (vencedor de um César como Melhor Actor Secundário em 2015) e SOPHIE SEMIN. No elenco destacam-se ainda o actor JENS HARZER e a participação especial do músico NICK CAVE.

A direcção de fotografia de OS BELOS DIAS DE ARANJUEZ está a cargo do conceituado BENOÎT DEBIE, responsável pela cinematografia de filmes como SPRING BREAKERS: VIAGEM DE FINALISTAS (2012), de Harmony Korine, LOST RIVER (2014), de Ryan Gosling e EVERY THING WILL BE FINE (2015), de Wim Wenders.

LES BEAUX JOURS D’ARANJUEZ – UN DIALOGUE D’ÉTÉ é o primeiro texto escrito por PETER HANDKE directamente na língua francesa. Continua uma longa e profícua colaboração entre o cineasta e o escritor, após o sucesso de Movimento em Falso (1975) e As Asas do Desejo (1987), entre outros. A peça “Os Belos Dias de Aranjuez – Um Diálogo de Verão” foi encenada por Tiago Guedes, no âmbito Lisbon & Estoril Film Festival 2014, numa sessão única no Centro Cultural de Belém.

Esta é uma produção da ALFAMA FILMS e da NEUE ROAD MOVIES, com a LEOPARDO FILMES como produtora associada, e a participação da RTP.

À JAMAIS/NEVER EVER, novo filme de BENOÎT JACQUOT, será também apresentado em estreia norte-americana. Esta nova obra do realizador de Adeus, Minha Rainha, 3 Corações e Diário de Uma Criada de Quarto, rodada integralmente em Portugal, é protagonizada por MATHIEU AMALRIC, JULIA ROY e JEANNE BALIBAR.

O filme, que adapta o romance de DON DELILLO, The Body Artist (na edição portuguesa, O Corpo Enquanto Arte), conta com a participação dos actores portugueses VICTORIA GUERRA, JOSÉ NETO, ELMANO SANCHO e RUI MORISSON.

Na equipa técnica do filme, maioritariamente portuguesa, destacam-se PAULA SZABO como chefe decoradora, BLUE (NUNO ESTEVES) como caracterizador e ANA PINHÃO MOURA como Directora de Produção.

À JAMAIS/ NEVER EVER é uma co-produção LEOPARDO FILMES que conta com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Lagoa, e o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Câmara Municipal de Albufeira, Câmara Municipal de Monchique, CCB, Museu Berardo e Hotel Altis.

Depois de Berlim (Posto Avançado do Progresso, Fórum), Cannes (La Forêt de Quinconces, Fora de Competição), Locarno (Juventude, Competição) e Veneza (Os Belos Dias de Aranjuez, Competição e À Jamais/Never Ever, Fora de Competição) a LEOPARDO FILMES tem novamente duas das suas obras seleccionadas para mais um dos grandes festivais internacionais de cinema.

A edição deste ano do FESTIVAL DE TORONTO decorre de 8 a 18 de Setembro.

A revista Metropolis irá estar presente no festival.

Fonte: Leopardo Filmes

Festival Queer Lisboa comemora 20 anos com retrospetiva de Derek Jarman

O Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer chega à sua 20.ª edição com uma programação recheada e a estreia nacional de «Absolutely Fabulous: The Movie», de Mandie Fletcher. O Festival realiza-se de 16 a 24 de setembro no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Já o Queer Porto regressa à Invicta para a sua 2.ª edição, de 5 a 9 de outubro, no Teatro Municipal Rivoli, Maus Hábitos, malavoadora.porto e Galeria Wrong Weather.

Uma abertura “fabulosa”

«Absolutely Fabulous: The Movie» terá estreia nacional no Festival, sendo o filme de abertura do Queer Lisboa 20 e o de encerramento do Queer Porto 2. A obra é a adaptação cinematográfica da série de culto britânica «Absolutamente Fabulosas» (transmitida entre 1992 e 2012), com novas aventuras de Edina Monsoon (Jennifer Saunders) e Patsy Stone (Joanna Lumley). «Looking: The Movie», de Andrew Haigh, marcará a sessão de encerramento do Queer Lisboa 20. O filme do canal norte-americano HBO serve de capítulo final à série «Looking», exibida entre 2014 e 2015.

Retrospetiva Derek Jarman

Para comemorar os seus 20 anos de existência, o Queer Lisboa preparou uma programação especial, na qual se inclui uma extensa retrospetiva da obra do britânico Derek Jarman, considerado um dos principais nomes da História do Cinema Queer. Desta forma, serão exibidas na Cinemateca Portuguesa obras como «The Last of England» (1987) ou «Edward II» (1991), bem como curtas-metragens em Super 8 que foram recém-descobertas e restauradas e um documentário experimental inédito sobre o grupo escocês Orange Juice. No âmbito desta retrospetiva, realizar-se-á um debate na Cinemateca Portuguesa com figuras ligadas à obra de Derek Jarman, como James Mackay (produtor de alguns filmes de Jarman), Keith Collins (ator de alguns filmes do cineasta), John Scarlett-Davis (um importante nome do cinema experimental britânico dos anos 1980) e William Foller (programador do BFI - British Film Institute).

Queer Porto

A retrospetiva dedicada ao New Queer Cinema será um dos pontos do alto do Festival a norte, numa forma de celebrar os 25 anos do artigo da ensaísta norte-americana B. Ruby Rich, na Sight & Sound, onde a autora cunhou o termo “New Queer Cinema” para definir a linguagem cinematográfica que surgiu nos inícios da década de 1990 e que viria a alterar o paradigma da representação de temáticas Queer no grande ecrã. Serão, assim, exibidos alguns dos mais representativos filmes do movimento, como «Mala Noche» (1985), de Gus Van Sant, «The Living End» (1992), de Gregg Araki, «Poison» (1991), de Todd Haynes, «Go Fish» (1994), de Rose Troche, «The Watermelon Woman» (1996), de Cheryl Dunye, e «Swoon» (1991), de Tom Kalin.

O realizador Tom Kalin («Desejos Selvagens», 2007) estará também presente no Porto para a realização de uma master class sobre a evolução das estéticas e narrativas do cinema Queer.

Palmarés do 24º Curtas Vila do Conde

O palmarés do 24º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema foi anunciado na tarde de domingo na cerimónia de encerramento do festival. O israelita Nadav Lapid venceu o Grande Prémio DCN Beers da Competição Internacional com “From The Diary of a Wedding Photographer”. “António, Lindo António”, de Ana Maria Gomes, foi o Melhor Filme da Competição Nacional com o Prémio BPI + Pixel Bunker.

“From The Diary of a Wedding Photographer”, do israelita Nadav Lapid, foi o vencedor da Competição Internacional do 24º Curtas Vila do Conde, distinguido com o Grande Prémio DCN Beers. A ficção segue um antigo estudante de arte aspirante a cineasta que foi-se ocupando e ganhando algum dinheiro a trabalhar como fotógrafo de casamentos. Depois de 700 casamentos, já com poucas aspirações, começa a manifestar e desenvolver uma obsessão fetichista por noivas.

Também na Competição Internacional, “Limbo”, de Konstantina Kotzamani, venceu o Prémio de Ficção. O Prémio Documentário “Manoel de Oliveira” foi atribuído a Roger Gómez e Dani Resines por “Notes From Sometime, Later, Maybe”. Já “Decorado” de Alberto Vázquez venceu o Prémio de Melhor Animação e o Prémio do Público Nieeport. “Home”, de Daniel Mulloy, foi considerada a Melhor Curta-Metragem Europeia, que inclui a nomeação para os Prémios do Cinema Europeu organizados anualmente pela European Film Academy.

Na Competição Nacional, “António, Lindo António”, de Ana Maria Gomes, venceu o Prémio BPI + Pixel Buker para Melhor Filme e o Prémio do Público SPA. O documentário, que procura saber as razões pelas quais o tio da realizadora que partiu há 50 anos para o Brasil nunca mais voltou à sua aldeia, é um regresso às origens de Ana Maria Gomes, realizadora luso-francesa que tem focalizado o seu trabalho (em áreas diversas como o documentário, a videoarte e a fotografia) nas questões de identidade. Para lá da investigação sobre o paradeiro do tio e da composição algo romantizada da sua personagem a partir de referências cruzadas – bonito, sedutor, aventureiro, exímio intérprete de acordeão – o filme vale também como retrato austero de uma região esquecida e empobrecida do Norte de Portugal.

O Prémio Blit para Melhor Realizador foi entregue a Gabriel Abrantes pela ficção “A Brief History of Princess X”.

Na Competição Experimental, o premiado foi “Bending To Earth”, de Rosa Barba.

O júri Curtinhas, composto por um grupo de crianças com idades entre os 6 e os 12 anos, atribuiu o Prémio MAR Shopping à animação “Moom”, de Robert Kondo e Daisuke 'Dice' Tsutsumi. Na Competição Take One!, dedicada a filmes de escolha, o premiado foi a animação “Pronto, Era Assim”, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues. Já na Competição de Vídeos Musicais, o vencedor foi “Villa Soledade” dos Sensible Soccers, realizado por Laetitia Morais.

Palmarés completo: 
http://festival.curtas.pt/programa/2016/premios/lista/

Fonte: Curtas Vila do Conde

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