logo

Entrar
Actualizado às 9:47 PM, Feb 18, 2019

Festin - Entrevista Adriana Niemeyer (directora artística)

É já a 7.ª edição do FESTin - Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa e, este ano, o cinema feito em português volta a ser celebrado. O Festival homenageia, em 2016, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que comemora 20 anos de existência. São muitos os filmes que fazem parte da seleção, além de várias atividades paralelas. A METROPOLIS entrevistou Adriana Niemeyer, diretora-artística do FESTin, que contou os destaques desta nova edição.

O que destaca nesta nova edição do FESTin?
Esta sétima edição, ao contrário das anteriores que homenageavam um país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, vai homenagear todo o conjunto durante as comemorações dos 20 anos da CPLP. O foco para tal comemoração está no público infantil, que participará de uma festa especial na própria sede da Comunidade, onde serão exibidas curtas-metragens educativas, bem como contos tradicionais nos vários sotaques da língua. O filme de abertura, «Todas as cartas de amor são ridículas», é já uma homenagem à língua, sendo baseado no poema de um dos nossos maiores poetas, Fernando Pessoa.

Quais foram os critérios para a seleção dos filmes?
Além da qualidade da realização, fotografia e roteiro, o “tema” tem grande importância na seleção. Damos preferência às coproduções que retratam as realidades de cada país, ao mesmo tempo que encontram similaridades entre eles. Os curadores também se interessam em dar oportunidades aos novos talentos e aos documentários que denunciem situações de interesse local, mas que sirvam de exemplo para os demais países da comunidade.

Além dos filmes em competição, que outras atividades destaca nesta edição?
Damos sempre destaques às nossas mostras tradicionais, como a Mostra Brasileira, Mostra Social, a Mostra Infantojuvenil. Mas, este ano, devido a um grande número de excelentes trabalhos experimentais, resolvemos apostar no FESTin Arte. Destaque também a duas mesas: “O cinema como forma de fomentar o turismo” e “Cinema, educação e comunicação comunitária”.

Pode falar-nos um pouco sobre o FESTin +?
O FESTin + é dedicado não só à chamada terceira idade mas também a todos aqueles que acreditam na possibilidade de um envelhecimento ativo. São curtas-metragens que tratam o tema de uma maneira realista mas positiva, que possa incentivar a população mais idosa a participar ativamente da sociedade.

Que balanço faz do Festival ao longo destes anos?
Um festival que vem crescendo não só em Portugal, em público e prestígio, mas também através das suas itinerâncias. Em 2015, o FESTin tocou os quatro cantos do mundo, tendo estado presente em Timor-Leste, Guiné-Bissau, Angola e Brasil, através de parcerias com o Instituto Camões e festivais locais. Também através da parceria com o Lusophone Fim Festival, os filmes que participam do FESTin Lisboa são exibidos nas mostras que acontecem em Nairobi, Adis Abeba, Banguecoque e Sydney. Ou seja, nenhum outro festival divulga mais obras em língua portuguesa em todo mundo do que o nosso. Agora também os países que não falam português estão demonstrando interesse em ter o FESTin dentro da sua programação cultural, como é o caso da Roménia e Alemanha.

IndieLisboa 2016 - os filmes premiados

Jia/The Family, de Shumin Liu (longas metragens) e Nueva Vida, de Kiro Russo (curtas metragens), são os vencedores da Competição Internacional do IndieLisboa 2016 recebendo o Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa e o Grande Prémio de Curta Metragem, respectivamente. Na Competição Nacional, o Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa é entregue a Treblinka, de Sérgio Tréfaut e o Prémio Nescafé Dolce Gusto - Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa a The Hunchback, de Gabriel Abrantes e Ben Rivers. O filme vencedor do Prémio Especial do Júri Canais TV & Séries é Kate Plays Christine, de Robert Greene.

Palmarés IndieLisboa 2016

Júri da Competição Internacional de Longas Metragens
Anna Hoffmann | Jorge Cramez | Silvio Grasselli

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
Jia/The Family, Shumin Liu (Austrália, China)

Prémio Especial do Júri Canais TV & Séries
Kate Plays Christine, Robert Greene (EUA)

Júri da Competição Internacional de Curtas Metragens
Francisco Frazão | Céline Devaux | Enrico Vannucci

Grande Prémio de Curta Metragem
Nueva Vida, Kiro Russo (Argentina, Bolívia)
Menções Especiais
Animação
Velodrool, Sander Joon (Estónia)
Documentário
La impresión de una Guerra, Camilo Restrepo (Colômbia, França)
Ficção
Another City, Lan Pham Ngol (Vietname)

Júri da Competição Nacional
Johanna Caraire | Julien Rejl | Pierre da Silva

Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Treblinka, Sérgio Tréfaut (Portugal)

Nescafé Dolce Gusto – Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa
The Hunchback, Gabriel Abrantes, Ben Rivers (Portugal, França)

Prémio Novo Talento Fnac – Curta Metragem
Campo de Víboras, Cristèle Alves Meira (Portugal)
Menção Honrosa
Viktoria, Mónica Lima (Alemanha, Portugal)

Prémio FCSH/NOVA para Melhor Filme na secção Novíssimos
Maxamba, Suzanne Barnard, Sofia Borges (Portugal, EUA)

Júri RTP
Carla Henriques | Inês Lourenço | Germano Campos

Prémio RTP para Longa Metragem na Secção Silvestre
Eva no duerme, Pablo Agüero (França)

Júri FIPRESCI
Alexandra Zawia | Francisco Ferreira | Michael Pattison

Prémio FIPRESCI (Primeiras Obras)
Short Stay, Ted Fendt (EUA)

Júri Format Court
Katia Bayer | Marie Bergeret | Adi Chesson | Sarah Escamilla | Aziza Kaddour

Prémio Format Court (Silvestre Curtas)
World of Tomorrow, Don Hertzfeldt (EUA)

Júri Árvore da Vida
Inês Gil | João Alves da Cunha | Rui Martins

Prémio Árvore da Vida para Filme Português
Ascensão, Pedro Peralta, Portugal
Menção Honrosa
Jean-Claude, Jorge Vaz Gomes (Portugal)

Júri IndieJúnior Árvore da Vida
Filipa Maria Maça | Joana Loução Vieira | Manuel Correia de Carvalho

Prémio IndieJúnior Árvore da Vida
Le nouveau, Rudi Rosenberg (France)

Júri Amnistia Internacional
Paulo Pinto | Susana Arrais | Tiago Carrasco

Prémio Amnistia Internacional
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)
Menção Honrosa
Balada de Um Batráquio, Leonor Teles (Portugal)

Júri Universidades
Inês Branco| Mário Granado | Pedro Dourado | Pedro Henrique | Tiago J. Silva

Prémio Culturgest Universidades
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)

Júri Escolas
Íris Dórdio | Mariana Almeida | Vasco Ribeiro

Prémio Culturgest Escolas
Le gouffre, Vincent Le Port (França)

Júri do Público
Prémio Longa Metragem
Le nouveau, Rudi Rosenberg (França)

Prémio IndieMusic Schweppes
Sonita, Rokhsareh G. Maghami (Alemanha, Suíça, Irão)

Prémio Curta Metragem Merrell
Small Talk, Even Hafnor, Lisa Brooke Hansen (Noruega)

Prémio IndieJúnior Trinaranjus
The Short Story of a Fox and a Mouse, Camille Chaix, Hugo Jean, Juliette Jourdan, Marie Pillier, Kevin Roger (França)

Os filmes de Cannes 2016 - Alinhamento Oficial

Foram hoje anunciados os filmes que estarão presentes na 69ª edição do Festival de Cannes, incluem-se vários repetentes e veteranos da competição oficial, o presidente do Festival Pierre Lescure e o director Thierry Fremaux apresentaram um alinhamento que ainda não é definitivo. Thierry Fremaux acrescentou que ainda há filmes que podem ser incluindos num Festival que tem até ao momento um alinhamento de sonho, foram apresentados 49 filmes de 28 países a partir de 1869 filmes submetidos ao Festival.

A secção principal do Festival inclui o último filme de Sean Penn «The Last Face», o coreano Park Chan Wook («Oldboy – Velho Amigo») com «The Handmaiden», a última obra do veterano realizador britânico Ken Loach «I, Daniel Blake» e o romance interracial «Loving» de Jeff Nichols («Procurem Abrigo»). O ultra violento autor Nicholas Winding Refn regressa com «The Neon Demon», uma produção da Amazon. O holandês Paul Verhoeven («Desafio Total») que terá este ano uma retrospectiva no IndieLisboa está em Cannes com «Elle» e do país vizinho chega «Toni Erdmann» de Marie Ade, o primeiro filme alemão em vários anos na competição.

Os romenos surgem em dose dupla na secção competitiva com Cristian Mungiu (Palma de Ouro de 2007 «4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias») com «Baccalaureat» (filme produzido pelos irmãos Dardenne) e Cristi Puiu («A Morte do Sr. Lazarescu») com «Sieranevada». O filipino Brillante Mendoza («Lola») aterra com «Ma Rosa» e o Brasil estará presente com Kleber Mendonça Filho com «Aquarius», um realizador já entrevistado no passado pela Metropolis a propósito de «O Som ao Redor» (2012).

Xavier Dolan («Mamã»), o jovem maravilha que vem do Canadá, estará presente com «Juste la fin du monde» que conta no elenco com três estrelas do cinema francês, Léa Seydoux, Marion Cotillard e Vincent Cassel. Pedro Almodóvar também regressa a Cannes após « A Pele Onde Eu Vivo» de 2011 para apresentar «Julieta». Jim Jarmusch está em duplamente representando no Festival, na competição com « Paterson», filme protagonizando por Adam Driver, fora de competição estará com «Gimme Danger» um documentário sobre Iggy Pop e os The Stooges, o filme passa na secção Midnight Screening.

Outros regulares de Cannes são os irmãos belgas, os Dardenne, duas vezes vencedores da Palma de Ouro com «Rosetta» e «A Criança», este ano Luc e Jean-Pierre Dardenne irão apresentar «La fille inconnue». Os francês surgem na competição com «Personal Shopper» de Olivier Assayas com Kristen Stewart no prinicpal papel, «Ma Loute» de Bruno Dumont, «Rester Vertical» de Alain Guiraudie e «Mal de Pierres» de Nicole Garcia com Marion Cotillard e Louis Garrel fecha as entradas franceses na principal secção do Festival. A principal sessão competitiva encerra o seu alinhamento com a terceira realizadora em competição a britânica Andrea Arnold («Aquário») com «American Honey», uma obra protagonizada por Shia LaBeouf.

Passam fora de competição vários tubarões como Steven Spielberg com «O Amigo Gigante», Jodie Foster com «Money Monster» e Shane Black com «Bons Rapazes», são filmes que incluem elencos que deixarão os paparazzi a salivar.

As grandes ausências do Festival passam pela não presença de nenhum realizador italiano na competição, o recentemente adiado «Silence» de Martin Scorsese e o aguardado filme de Kiyoshi Kurosawa «La femme de la plaque argentique» com Mathieu Amalric, Tahar Rahim e Olivier Gourmet. Este ano o filme de encerramento é substituído pela re-apresentação do filme que será o vencedor da Palma de Ouro. O filme de abertura será «Cafe Society» de Woody Allen.

O Festival de Cannes decorre entre 11 a 22 de Maio e a revista Metropolis volta a fazer história, pelo segundo ano consecutivo teremos quatro jornalistas a cobrirem in loco o Festival para os nossos leitores.

Seleção da 69º Festival de Cannes

Filme de Abertura: Cafe Society, director: Woody Allen (fora de competição)

American Honey, director: Andrea Arnold
Aquarius, director: Kleber Mendonça Filho
Daniel Blake, director: Ken Loach
Elle, director: Paul Verhoven
Family Photos, director: Cristian Mungiu
From the Land of the Moon, director: Nicole Garcia
Gimme Danger, director: Jim Jarmusch (fora de competição)
Goksung, director: Na Hong-Jin (fora de competição)
It's Only the End of the World, director: Xavier Dolan
Julieta, director: Pedro Almodovar
Loving, director: Jeff Nichols
Ma Rosa, director: Brillante Mendoza
Money Monster, director: Jodie Foster (fora de competição)
Paterson, director: Jim Jarmusch
Personal Shopper, director: Olivier Assayas
Sieranevada, director: Cristi Puiu
Slack Bay, director: Bruno Dumond
Staying Vertical, director: Alain Guiraudie
The BFG, director: Stephen Spielberg (fora de competição)
The Handmaid, director: Park Chan Wook
The Last Face, director: Sean Penn
The Neon Demon, director: Nicholas Winding Refn
The Nice Guys, director: Shane Black (fora de competição)
The Unknown Girl, directors: Jean-Pierre and Luc Dardenne
Toni Erdmann, director: Marie Ade

Un Certain Regard

Apprentice, director: Junfeng Boo
After The Storm, director: Hirokazu Kore-Eda
Beyond the Mountains and Hills, director: Eran Kolirin
Captain Fantastic, director: Matt Ross
Clash, director: Mohamed Diab
Dogs, director: Bogdan Mirica
Francisco Sanctis’s Long Night, directors: Francisco Marquez, Andrea Testa
Harmonium, director: Koji Fukada
Inversion, director: Behnam Behzadi
Pericle Il Nero, director: Stefano Mordini
Personal Affairs, director: Maha Haj
Red Turtle, director: Michael Dudok de Wit
The Dancer, director: Stéphanie di Giusto
The Happiest Day in the Life of Olli Maki, director: Juho Kuosmanen
The Stopover, directors: Delphine Coulin, Muriel Coulin
The Student, director: Kirill Serebrennikov
The Transfiguration, director: Michael O’Shea

Sessões Especiais (fora de competição)

Exil, director: Rithy Panh
Hissein Habre, a Chadian Tragedy, director: Mahamet-Saleh Haroun
The Cancer, director: Paul Vecchiali
The Last Days of Louis XIV, director: Albert Serra
The Last Resort, directors: Thanos Anastopoulos, Davide del Degan

Festa do Cinema - Maio 2016

A Festa do Cinema está de regresso a todas as salas do país, nos dias 16, 17 e 18 de Maio, com bilhetes a *2,50€ para todas as sessões, depois do grande sucesso da edição no ano passado, que ultrapassou os 200 mil espectadores durante os 3 dias da festa.

A APEC ­ Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, com o apoio do ICA Instituto do Cinema e do Audiovisual, e dos distribuidores de conteúdos audiovisuais,representados pela FEVIP ­ Associação de Defesa das Obras Audiovisuais, GEDIPE ­Associação para a Gestão de Direitos de Autor, Produtores e Editores, e da IGAC ­Inspeção­ geral das Atividades Culturais, promovem, pelo segundo ano consecutivo, a Festa do Cinema, disponibilizando bilhetes pelo valor unitário de *2,50€ para o espectador assistir a qualquer um dos filmes em cartaz nas cerca de 500 salas, com mais de 94 mil lugares, durante os três dias.

A Festa do Cinema tem como mote promover o envolvimento do público com o acto cultural de assistência cinematográfica em sala, uma prática social por excelência que se quer cada vez mais desenvolver no nosso mercado, num contexto de crescimento de número de espectadores registado em 2015, para o qual contribuiu a nossa primeira edição, querendo agora reforçar-­se essa tendência.

No site oficial do evento (www.festadocinema.pt) poderá ser consultada toda a informação necessária, com a listagem de todas as salas de cinemas aderentes e um mapa de Portugal com as suas localizações e contactos, assim como as fichas técnicas dos filmes em exibição. Outras novidades e informações complementares serão anunciadas em breve.

* No valor de 2,50€ não estão incluidas as taxas suplementares cobradas para lugares VIP, sessões de filmes exibidos em 3D, sessões IMAX, sessões 4DX e eventos especiais.

Outras promoções de preço não acumuláveis.

Fonte: Festa do Cinema

«Uma História de Amor e Trevas» - Natalie Portman Actriz/Realizadora

A INSPIRAÇÃO DO FILME

A atriz Natalie Portman aventura-se na realização, remetendo às suas raízes para a criação de uma obra pensada ao pormenor: «Uma História de Amor e Trevas». O filme, baseado no livro biográfico de Amos Oz, teve estreia no último Festival de Cannes e chega agora às salas portuguesas. Natalie Herslag, que adotou o nome artístico de Natalie Portman, nasceu em Israel mas cedo emigrou para os EUA com a família, quando tinha apenas 3 anos de idade. Mas a atriz nunca esqueceu as suas raízes e o seu primeiro filme enquanto realizadora é uma espécie de carta de amor ao seu país natal. E é assim que surge «Uma História de Amor e Trevas», um filme de época passado em Jerusálem, na década de 1940, narrando os acontecimentos exatamente antes e depois da fundação de Israel. Todavia, o foco é na infância do jovem Amos (Amir Tessler) e a influência que a sua mãe, Fania (Portman), teve na sua vida.

O filme baseia-se no livro biográfico “Uma História de Amor e Trevas”, lançado em 2002 e que rapidamente conquistou a crítica. O autor é Amos Oz, um dos principais nomes da literatura israelita. Desde 1967, tem vindo a ganhar posição enquanto ativista, defendendo uma solução de dois estados no conflito israelo-palestiniano. Uma figura que inspirou Portman a seguir em frente com o projeto: “Ele é o líder do movimento de paz em Israel, a pessoa mais promotora da paz e com um diálogo inspirador, o maior apoiante de uma solução de dois estados e, desde o início, o mais forte crítico da ocupação da Cisjordânia”. Os vários mitos e realidades sobre o doloroso nascimento de Israel são a base do livro e, portanto, Oz seria a pessoa ideal para retratar o nascimento do seu país natal, mas Portman assinala que a obra foca-se na jornada singular de uma família, “uma história particular sobre uma família num momento particular da história, tendo em conta o seu ponto de vista particular”. A cineasta refere que o escritor não esteve presente na estreia do filme no Festival de Cannes porque “disse que seria demasiado emocional e desconfortável para ele”. Não obstante, Oz demonstrou o seu apoio público ao trabalho de Portman, sendo “muito generoso e caloroso”.

Uma das preocupações centrais da agora cineasta era “investigar a mitologia” subjacente à criação de Israel, bem como a forma como Oz usa a mitologia na sua obra: “Era absolutamente o tema essencial, a ideia da mitologia através de histórias, que são a nossa forma de construir a nossa identidade enquanto seres humanos. Que memórias escolhemos contar quando contamos a nossa história de vida? Que coisas consideramos importantes e como as ligamos para criar uma história com significado? (...) Quais são os momentos formativos com significado na tua história? Isso acontece com as pessoas e com as nações”. “As histórias tornam-se mitológicas porque são moldadas por quem está a contá-las. Por isso, enquanto são absolutamente cruciais a dar identidade, também temos de ser cautelosos quanto às histórias que escolhemos contar porque depois elas vão moldar os nossos sonhos, as nossas expectativas e a forma como vemos o mundo”, acrescentou.

  • Publicado em Feature

Judaica Mostra de Cinema e Cultura - Elena Piatok

A ‘Judaica – Mostra de Cinema e Cultura’ está de regresso para a sua 4.ª edição, de 16 a 20 de Março, no Cinema São Jorge, com filmes, música, livros, convidados e tradições culturais para todas as idades.

Depois de Lisboa, a Judaica regressa a Belmonte, entre os dias 14 e 16 de Abril; e estreia-se em Cascais, de 8 a 10 de Abril; e em Castelo de Vide, entre os dias 5 e 8 de Maio.

Entrevista a Elena Piatok (directora da ‘Judaica – Mostra de Cinema e Cultura’) 

Poderia falar-nos um pouco da importância do festival para a difusão da cultura judaica em Portugal?
Enorme, nem mais nem menos...porque ofereço escolhas que de outra forma não seriam acessíveis para o público português e que estão precisamente pensadas para isso, para divulgar e sobre tudo para criar e fazer florescer essa sementezinha que tantos portugueses levam dentro, a da sua longínqua identidade judaica. Fazemos isto através sobre tudo das sessões especiais, e das sessões para escolas. O propósito da Judaica é isso...divulgar e dar a conhecer a enorme riqueza da cultura judaica através de filmes, palestras, livros e música.

Quais as novas tendências, e /ou características que tem identificado no cinema Judaico, nos últimos anos?
Não penso que se possa falar nestes termos. O que é inegável é que todos os anos aparecem novos e extraordinários filmes de temática judaica, e um tema que não se esgota, que vai para além de tendências e que tem as mais variadas características. Eu tento escolher os melhores, dentro das minhas possibilidades e sempre pensando no meu público alvo.

Num mundo em constante mutação sente que ainda existe espaço para a expressão espiritual, e sente que é reflectida nas artes?
O mundo nunca parou de estar em constante mutação, penso eu! E a arte ou está imbuída de espiritualidade ou não será arte.

Sente que é notável a procura da identidade e valores Judaicos no actual panorama mundial cinematográfico?
Não gosto de generalizar e não tenho autoridade para falar numa categoria de “panorama mundial cinematográfico”. O que é verdade é que, como deixe entrever anteriormente, fico surpreendida, sim, pela quantidade de filmes de temática judaica que continuamente aparecem. Mas não penso que se trate de uma simples procura de identidade e de valores, são demasiado variados para os poder definir desta forma. Afina, do que se trata sempre é de contar histórias...penso que a essência da cinematografia é essa. É, foi e será. Contar uma boa história.

FUOCOAMMARE - Vencedor do Urso de Ouro em Berlim

O documentário de Gianfranco Rosi «Fuocoammare» (Fire at Sea), sobre a crise dos refugiados no mediterrâneo ao largo da ilha italiana de Lampedusa, venceu o Urso de Ouro para o melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Berlim neste sábado. O júri foi presidido por Meryl Streep.

O festival chegou mesmo a doar bilhetes a refugiados para estarem presentes nas sessões do certame. O realizador Gianfranco Rosi prestou tributo aqueles que arriscam as suas vidas para escaparem à guerra e à pobreza, e às pessoas de Lampedusa que os receberam de braços abertos. O realizador afirmou ao dedicar o prémio às pessoas da ilha “neste momento os seus pensamentos estão com todas as pessoas que nunca chegaram a Lampedusa nessas viagens de esperança”. Ainda acrescentou que ao questionar o Dr. Pietro Bartolo (um terapeuta local que acompanha os refugiados) a razão pelo qual Lampedusa recebe milhares de pessoas “Ele disse-me que Lampedusa é um lugar de pescadores, somos pescadores, e os pescadores, aceitam sempre, tudo o que vem do mar. Talvez isso seja uma lição que nós possamos aprender e aceitar tudo o que vem do mar,”.

«Fuocoammare» relata a vida diária na pequena ilha, sobretudo através dos olhos de Samuele, um jovem rapaz que constrói fisgas e vagueia pela ilha onde vive com os avós e o pai. No largo da ilha, a marinha italiana procura por embarcações sobrelotadas de refugiados oriundas do norte de África, nesses barcos sem condições morrem pessoas de sufocamento e asfixia dos fumos do diesel. A marinha traz os sobreviventes para Lampedusa e encaminhamento para os centros de refugiados. O filme tem distribuição nacional assegurada pela Leopardo Filmes.

Noutros prémios do Festival, o Urso de Prata foi atribuído a Mia Hansen-Love pelo filme «L´Avenir» (Things to Come), o prémio de melhor actor foi para Majd Mastoura no desempenho do tunisino «Inhebbek Hedi» (Hedi) e o galardão para a interpretação feminina foi para Trine Dyrholm no dinamarquês «Kollektivet» (The Commune). O melhor argumento foi para o realizador e argumentista polaco Tomasz Wasilewski em «Zjednoczone Stany Milosci» (United States of Love) e o prémio de melhor contribuição artística foi para o director de fotografia Mark Lee Ping-Bing no chinês «Chang Jiang Tu» (Crosscurrent).

Portugal venceu também um prémio no festival com o Urso de Ouro para a melhor curta- metragem «Balada de um Batráquio» o primeiro filme da realizadora Leonor Teles fora do contexto escolar, foi a mais jovem de sempre a vencer este galardão.

Ainda foi atribuído o prémio "Silver Bear Alfred Bauer" a um filme que abre novas perspectivas para o filipino «Hele sa Hiwagang Hapis» (A Lullaby to the Sorrowful Mystery), uma obra com oito horas de duração realizada por Lav Diaz. O director do festival Dieter Kosslick afirmou que visionar o filme de Lav Diaz foi uma experiência única, não só pela duração mas pelo facto da estreia do filme na passadeira vermelha se ter realizado às 8h30 da manhã...

A Metropolis continua a tradição e esteve novamente em Berlim, este ano com dois jornalistas, Rodrigo Fonseca e Rui Pedro Tendinha, saibam tudo o que passou na Berlinale na edição de Março da revista Metropolis.

Lista de Premiados:

Urso de Ouro de Melhor Filme: Fire at Sea de Gianfranco Rosi
Urso de Prata Grande Prémio do Júri: Death in Sarajevo de Danis Tanovic
Urso de Prata Alfred Bauer Prize: A Lullaby to the Sorrowful Mystery de Lav Diaz
Urso de Prata Melhor Realização: Mia Hansen em Things to Come
Urso de Prata Melhor Actriz: Trine Dyrholm em The Commune
Urso de Prata Melhor Actor: Majd Mastoura em Hedi
Urso de Prata Melhor Argumento: United States of Love de Tomasz Wasilewski
Urso de Prata para Contribuição Artística: Crosscurrent de Mark Lee Ping-Bing
Melhor Primeira Obra: Hedi de Mohamed Ben Attia
Urso de Ouro de Melhor Curta Metragem: Balada De Um Batráquio de Leonor Teles
Urso de Prata Prémio do Júrio (Curta-Metragem): A Man Returned de Mahdi Fleifel
Audi Short Film Award: Anchorage Prohibited de Chiang Wei Liang

 

Urso de Ouro de Melhor Curta da Berlinale para Balada de um Batráquio

Leonor Teles é a mais jovem realizadora de sempre a vencer o Urso de Ouro para melhor curta metragem no Festival de Cinema de Berlim. Uma dupla proeza, se pensarmos que Balada de um Batráquio é o seu primeiro filme fora de contexto escolar. O filme conquistou o Júri da Competição Internacional de Curtas Metragens da Berlinale, que lhe atribuiu o grande prémio, mas também o público - as ovações das salas esgotadas não deixaram margem para dúvidas.

"Balada de um Batráquio nasce aquando de uma revelação – a tradição portuguesa de colocar sapos de loiça à entrada de restaurantes e outros estabelecimentos comerciais para afastar e impedir a frequência de pessoas ciganas. Através da minha história pessoal pretendi chamar a atenção para um comportamento crescente que se aproveita da crença e da superstição como forma de menosprezar e distanciar outros seres humanos."

Leonor Teles

Fonte: Portugal Film

Assinar este feed RSS