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Actualizado às 4:26 PM, Jan 20, 2019

O mundo segundo (o cinema) de Tiago R. Santos

De “miúdo tímido” que anunciava, assustado e em plenos pulmões, a aproximação dos Gremlins a argumentista de alguns dos maiores sucessos recentes do cinema português não foi um passo. Tiago R. Santos tentou o Jornalismo, trabalhou, estudou e escreveu nos Estados Unidos e, em 2007, colaborou pela primeira vez com o realizador António Pedro Vasconcelos em «Call Girl» (2007). Em 2018, e depois de outras parcerias igualmente frutuosas, a dupla leva aos cinemas «Parque Mayer» (2018), uma narrativa ousada que coloca em destaque um dos principais tesouros da cultura em Portugal.

Tiago R. Santos gosta de contar histórias. Em toda a conversa com a METROPOLIS, no coração de Lisboa, é este o elemento constante: a vontade e o prazer inato em partilhar narrativas com o mundo. A mais recente é «Parque Mayer» (2018), protagonizada por Francisco Froes, Daniela Melchior e Diogo Morgado, que recria o imaginário bem português da revista da década de 30, que é indissociável do crescimento da ditadura e do Estado Novo. Ali, falam-se de coisas sérias: há humor, paixão e todas as componentes da comédia e do romance, mas não se pode ignorar a mensagem mais profunda, assente na limitação da liberdade, do discurso e, lá está, de tudo o resto que é próprio do teatro, do cinema e da vida.

Assim como um espelho, foi o grande ecrã que revelou a Tiago R. Santos mais sobre si – o detalhe do olhar, o poder dos gestos, o ‘plateau’ que compõe a cena. O fascínio natural tornou-se cada vez mais forte e, com o passar do tempo, a tela revelou também mais sobre os outros e aquilo que o rodeava. Falava a linguagem de Tiago. Se muitos queriam ser os atores Uma Thurman e John Travolta em «Pulp Fiction» (1994), o versátil autor queria ser Quentin Tarantino – ou, pelo menos, o “tipo” que se tinha lembrado de toda aquela loucura dramática, e se tinha divertido a escrevê-la. Mas esta história começa mais cedo, ainda na infância de Tiago, um rapaz que alugava filmes e ia ao cinema com os pais. “Interessei-me pelo cinema porque era um miúdo tímido e havia um clube de vídeo no Centro Comercial da Portela e, desde cedo, alugava três filmes por dia”, revela o argumentista à METROPOLIS.

Apesar disso, a relação de Tiago com o cinema nunca foi uma brincadeira de criança: “Sempre tive uma reação muito visceral com o cinema, sempre acreditei que aquilo era um bocado a sério”, confessa o autor, recordando um episódio na estreia de «E.T. - O Extra-Terrestre» (1982). “Saí a correr cheio de medo quando o ET aparece no meio do milho”, conta. Não foi caso único, claro: “A minha mãe adora contar a história de que, quando me levou a ver o «Gremlins - O Pequeno Monstro» (1984), eu gritava para o ecrã e avisava as pessoas de que os Gremlins estavam atrás delas”, lembra. Embora se tratasse de uma relação muito especial, Tiago demorou a perceber que podia, efetivamente, fazer daquilo a sua vida. “Como vivemos em Portugal, demorei algum tempo até perceber que poderia trabalhar em cinema... Há tão pouca produção, a maior parte dos filmes que eram produzidos tinham uma linguagem que a mim não me dizia grande coisa”, admite, acrescentando que “pensei que iria trabalhar em cinema mas como jornalista ou crítico, tanto que comecei a trabalhar como jornalista”.

Pode ler o artigo completo na Metropolis número 65

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