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Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

Tiago Guedes - Coro dos Amantes

Coro dos Amantes Coro dos Amantes

Com uma carreira iniciada com o êxito de «O Ralo» (1999) e de «Alta-Fidelidade» (2000), Tiago Guedes já fez de tudo um pouco: duas longas-metragens notáveis – «Coisa Ruim» (2006) e «Entre os Dedos» (2008) – filmes para televisão, algumas curtas e trabalhos para teatro. Agora, o realizador regressa com «Coro dos Amantes», uma curta-metragem que se baseia numa peça de teatro assinada pelo encenador e atual Diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues. Falámos com ele a propósito da origem e estrutura formal do filme, a temática e a utilização do split screen e os próximos projetos que aguardam financiamento.

Como começou o projeto desta curta - «Coro dos Amantes»? Donde surgiu a ideia para o filme?

Esta curta nasceu de uma peça de teatro escrita pelo Tiago Rodrigues. O texto veio-me parar às mãos através da Isabel Abreu, pois eu não vi a peça ao vivo. Quando o li, a ideia para o filme surgiu de imediato. É um texto muito forte. A partir daí foi uma questão de adaptação e construção por cima do texto do Tiago. O tema interessa-me muito e as “vozes” do seu texto permitiram explorar o universo do split screen de uma forma justificada, coisa que eu estava há já algum tempo a tentar fazer.

A estrutura formal do filme – a divisão em três canções – parece seguir um esquema de encenação teatral. Fale-nos desta opção...

Essa divisão já esta no texto original, que é uma peça, por isso a opção inicial é da responsabilidade do seu autor. No entanto, a decisão de a manter em filme já é minha. Até porque me apeteceu brincar com o formato de cada canção e tratá-las de formas diferentes. Não sendo claro, há uma ideia de loop que o filme consegue passar e que não estava na peça. A terceira canção poderia muito bem surgir antes da primeira e isso agrada-me muito.

«Coro dos Amantes» é um hino à vida, às pequenas coisas, aos momentos do quotidiano e reflete sobre o caráter efémero da nossa condição como seres humanos, ou seja, a importância do presente, pois o futuro é uma grande incógnita. Concorda com estas afirmações sobre a obra?

Concordo. Acho que refletem o texto.

Há, no filme, uma dupla citação do mestre Brian de Palma: o filme «Scarface», e o split screen que o realizador norte-americano utilizou muito na sua carreira. É uma homenagem ao cineasta? A opção pelo split screen serve para acentuar a tensão dramática da narrativa?

Acho engraçada essa referencia aos split screens que o Brian De Palma usou nos seu filmes. Mas, para ser honesto, a utilização que decidi fazer da divisão do plano em dois neste filme em nada se deve a ele. Apesar de gostar de muitos dos seus filmes, a minha opção nasce das duas vozes do texto e de uma vontade antiga de filmar dois pontos de vista diferentes em simultâneo. Neste caso, acho que na primeira canção, ajuda muito para acentuar a tensão de que falas, mas nas outras o que nos dá é informações diferentes em simultâneo. Os dois planos mais o som, que na terceira canção também duplica, ajudam-me a explorar trajectos emocionais distintos. Como filmei sempre com as duas câmaras em simultâneo, o trabalho de composição das duas imagens foi sempre um desafio muito interessante e que me proporcionou descobrir caminhos diferentes. Depois toda a edição dos sons por cima das imagens foi outra viagem muito gratificante.

A escolha da dupla de protagonistas: volta a dirigir a Isabel Abreu e o Gonçalo Waddington. Foi a escolha natural ou pensou noutra dupla de atores quando fez a adaptação? Como correu o trabalho com os atores?

Foi a escolha natural e a primeira. São dois actores de quem gosto e que admiro muito e que sabia que entrariam nesta viagem de bom grado.
O trabalho com eles correu muito bem, até porque já nos conhecemos todos bem e isso por vezes facilita o entendimento. Para eles a primeira canção foi muito dura de filmar, pois filmámos em sequências grandes as cenas do carro e repetimos muitas vezes porque eu queria ter aquela quantidade de planos toda, e como é uma cena de grande intensidade para eles foi duro.

Quais os próximos projetos na área do cinema?

Para cinema tenho neste momento duas coisas distintas, um é um filme sobre uma criança que tenta sobreviver a uma perda grande da sua vida e o outro é um filme claustrofóbico todo passado dentro de um túnel numa zona de guerra. Ambos aguardam financiamento, um cá em Portugal, e o outro lá fora, por isso não sei quando ou, no limite, se alguma vez irão acontecer.

Modificado emquarta, 03 fevereiro 2016 22:21

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