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Actualizado às 10:13 PM, Aug 20, 2019

«Gentleman Jack» - Sophie Rundle em entrevista

Destaque «Gentleman Jack» - Sophie Rundle em entrevista

É uma das protagonistas da série «Gentleman Jack», a história da lésbica victoriana que conseguiu um casamento com a mulher que amou numa altura onde a homossexualidade era o maior dos tabus. Uma aposta de Sally Wainwright para a HBO e BBC. Sophie Rundle é uma das protagonistas e a atriz confessou-nos que sem a HBO esta série não seria tão ousada...
(Rui Pedro Tendinha em Londres)

O sucesso de uma série como «Downtown Abbey» poderá ter ajudado a aposta da HBO e da BBC numa série de época como «Gentleman Jack»?
Sophie Rundle: Sempre houve séries dramáticas de período interessantes, séries que sempre funcionaram bem aqui na Grã Bretanha. É claro que «Downtown Abbey» abriu o apetite internacional e abriu as portas para mais séries do género. As pessoas agora estão à espera do próximo «Downtown Abbey». Já fiz muito material histórico e sinto que o público não se cansa disso.

«Peaky Blinders», onde é uma das estrelas, é uma série de época, mas bem diferente de «Downtown Abbey»...
SR: Sim, são séries que até representam as diferenças sociais das suas épocas. Gosto muito de mergulhar nestes mundos e gosto também de saber o que as pessoas usavam, qual a música que ouviam e porque razão. Sou curiosa...Por isso, podemos dizer que sou atraída para esse tipo de histórias.

Mas em «Gentleman Jack» temos uma personagem LGBT, coisa pouco vulgar neste tipo de ficção televisiva...
SR: Sim! É incomum! Esta série fala de personagens gay mas mais do que outra coisa, fala das suas histórias. O argumento não tenta divertir-se com essa particularidade, antes pelo contrário: tenta dar-nos a perceber o que poderia significar amar outra mulher. É excitante podermos entender a experiência de uma pessoa LGBT em 1832! Obviamente, precisávamos de alguém com o intelecto da Sally para criar esta série!

E sente que a série pode ter um impacto junto da comunidade gay?
SR: Espero que se apaixonem pela série! Foi feita com muito cuidado, respeito e uma grande inteligência! Nada aqui foi feito ao acaso ou de forma leviana! Foi também importante o facto de termos na equipa muitas lésbicas e homossexuais. Se era para falar sobre estas mulheres, achou-se que era importante termos as suas vozes presentes...Estou realmente orgulhosa em fazer parte de uma série “mainstream” que reflete o caso de amor de duas mulheres. É muito importante. «Gentleman Jack» é tudo menos vulgar, sublinho. Foi concebida com coração! Não fala só delas na cama, mas essencialmente das suas vidas e dos seus feitos. Penso que é uma peça de televisão assaz adulta!

Por outro lado, é uma co-produção entre a BBC e a HBO. Vamos notar aquela habitual ousadia que costumamos ver nas séries americanas criadas pela HBO?
SR: Sim, nesse cruzamento BBC-HBO, talvez se sinta isso...É uma série toda ela com muita confiança! A HBO deu mais espaço para a série respirar e torná-la provavelmente mais corajosa. «Gentleman Jack» arrisca bastante. Enfim, a HBO cria as melhores séries...

gentleman jack 1

E essa reunião HBO e BBC resulta mesmo?
Sim, fica uma grande equipa! A BBC é perita em fazer séries históricas e esse cruzamento com a HBO é perfeito.

A verdade é que todos estamos a ver televisão de uma nova forma, em particular através do streaming. Já agora, como consome ficção televisiva?
SR: Não sou muito fã de ver tudo de seguida, mas já me aconteceu... O meu padrão é ver logo dois episódios de uma vez. Por outro lado, vi recentemente a nova temporada de «True Detective» e fiquei tão absorvida que me apeteceu ver toda a série de seguida. Por outro lado, acho divertido esperar todas as semanas pelo próximo episódio – gosto da ansiedade. O que é mesmo porreiro nesta altura é que podemos escolher como vemos televisão.

E como lidou com o facto de representar quase sempre com corpete?
SR: Foi horrível! É apenas glamouroso nos primeiros dez minutos, depois foi só sofrer! Porém, ajuda imenso na maneira de nos movermos – já não conseguia sequer ensaiar nas minhas próprias roupas. Percebi que são verdadeiramente cansativos, ficava exausta. Uma pessoa sente-me mesmo apertada! Devo dizer que não era nada fácil respirar fundo...Usava o corpete das sete da manhã até às sete da tarde. Agora até fiquei com uma cicatriz aqui perto das costas após um dos espartilhos soltar-se e me cortar...

A sua Ann Walker e Anne Lister foram mulheres que não ficaram famosas historicamente. Tem alguma teoria para explicar isso?
SR: Eram mulheres extraordinárias e demasiado avançadas para a época. Creio que as pessoas ficaram chocadas e quiseram-nas esquecer...A Anne Lister era falada como se fosse uma figura de mito e a Ann sabia bem que ela era alvo de muitos comentários. O povo tratou a Anne Lister como uma estrela de rock, mas nunca percebeu se a amava ou a odiava...

gentleman jack 3

Concorda com Olivia Colman quando esta diz que é mais fácil beijar uma mulher num filme do que um homem?
SR: Nem sabia que ela tinha dito isso! Fabuloso!!! Mas não concordo: é também assustador! Trata-se de uma experiência esquisita! Uma pessoa está sempre a pensar que não é o nosso marido quem estamos a beijar e ainda por cima estão uma série de pessoas a ver-nos! Por outro lado, pensando bem, com uma mulher talvez haja algum tipo de conforto...No geral, fazer cenas sexys em frente a uma câmara é simplesmente estranho. Quem disser o contrário está a mentir.

Depois do sucesso de «Peaky Blinders» e de todo o falatório em torno de «Gentleman Jack», o cinema é uma possível via para si?
SR: Sim, claro, mas estou naquela de achar que o melhor é mesmo aquilo que surgir... Acontece que trabalho na televisão britânica e acredito mesmo nela. Gosto muito da ficção que aqui se faz! Adoro a maneira de se contarem histórias através de longas temporadas, é muito bom poder ficar com uma personagem durante muito tempo. Poder fazer oito horas com a mesma personagem é algo que me transmite qualquer coisa de imensa profundidade. Claro que se um filme simpático aparecer pelo meio caminho, não hesito. Sou uma atriz que acredito sobretudo em projetos, seja em televisão, seja em cinema.
Está a dizer-me que os seus agentes não estão com aquele discurso de que agora deveria fazer cinema em seguida?!
As pessoas pensam que os atores têm uma estratégia definida de carreira mas isso não existe! Tem tudo a ver com o destino.

Não tem nenhum objetivo de carreira?
SR: Não acredito nisso! Sou adepta de deixar as coisas acontecerem e isso é o melhor. Nesta altura, é muito agradável poder trabalhar aqui em Londres, em casa...

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